{"id":27027,"date":"2012-07-31T18:20:42","date_gmt":"2012-07-31T18:20:42","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27027"},"modified":"2012-07-31T18:20:42","modified_gmt":"2012-07-31T18:20:42","slug":"valerio-brittos-pesquisador-incansavel-lider-admirado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27027","title":{"rendered":"Val\u00e9rio Brittos: Pesquisador incans\u00e1vel, l\u00edder admirado"},"content":{"rendered":"<p> <span class=\"padrao\">O falecimento precoce de Val&eacute;rio Cruz Brittos abre uma lacuna irrepar&aacute;vel para os estudos em Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o (EPC). Natural de Pelotas, o pesquisador da Unisinos, do Rio Grande do Sul, ingressou na institui&ccedil;&atilde;o em 1997 e, desde 2001, atuava no Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o (PPGCC) da universidade. Intensamente emp&iacute;rico em suas concep&ccedil;&otilde;es, Brittos encontrava-se em pleno afinamento com os problemas fundamentais relacionados aos fen&ocirc;menos midi&aacute;ticos, especialmente no que diz respeito ao estudo do mercado brasileiro de televis&atilde;o. A partir da EPC, interdisciplina que regia suas pesquisas, buscava analisar as rela&ccedil;&otilde;es de poder desenvolvidas nos processos de produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e consumo dos recursos comunicacionais.<\/p>\n<p>Organizador de diversos livros, seus esfor&ccedil;os acad&ecirc;micos foram especialmente direcionados para a forma&ccedil;&atilde;o de novos pesquisadores. N&atilde;o obstante, seu talento em gerir compet&ecirc;ncias, sua capacidade intelectual e a forte exig&ecirc;ncia pessoal transformaram Brittos em um dos mais prol&iacute;feros colaboradores da sua &aacute;rea de conhecimento. Com uma densa cole&ccedil;&atilde;o de publica&ccedil;&otilde;es, o intenso ritmo de trabalho do pesquisador mantinha-se coerente com suas concep&ccedil;&otilde;es materialistas, no melhor sentido da teoria marxista. Sob sua supervis&atilde;o, era forte o interc&acirc;mbio de expertise entre docentes e discentes, uma vez que cada qual colaborava a partir de sua condi&ccedil;&atilde;o, aliando &agrave;s an&aacute;lises a autoridade de um pesquisador s&ecirc;nior com o grau de conhecimento de seus colaboradores &ndash; essencialmente seus mestrandos e doutorandos.<\/p>\n<p>Seu &uacute;ltimo livro em vida, o ainda in&eacute;dito Economia Pol&iacute;tica das Ind&uacute;strias Culturais, co-organizado com Andres Kalikoske, representa o esfor&ccedil;o dos economistas pol&iacute;ticos da comunica&ccedil;&atilde;o em analisar as chamadas ind&uacute;strias criativas, concep&ccedil;&atilde;o que Brittos ambicionava pesquisar a partir do pr&oacute;ximo ano. Com textos assinados por pesquisadores de renome, a obra ser&aacute; lan&ccedil;ada simultaneamente no Brasil e em Portugal a partir de setembro de 2012, sob o selo da editora lusitana Media XXI.<\/p>\n<p><strong>Multiplicidade da oferta<\/strong><\/p>\n<p>O grupo de pesquisa Comunica&ccedil;&atilde;o, Economia Pol&iacute;tica e Sociedade (Cepos), criado e liderado por Brittos desde 2002, constituiu-se ao longo dos &uacute;ltimos dez anos um dos principais polos de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica dos estudos em EPC. Trata-se de um expoente regional que se materializa mundialmente a partir de sinergias acad&ecirc;micas diversas, que envolvem reconhecidos pesquisadores brasileiros, latino-americanos e europeus de importantes institui&ccedil;&otilde;es. Apostando na diversidade, Brittos conseguiu reunir em seu grupo de pesquisa doutores, doutorandos, mestres, mestrandos, graduados e graduandos. Assim, inegavelmente fomentou um espa&ccedil;o plural e qualificado para o debate acad&ecirc;mico. Os tr&ecirc;s principais conceitos desenvolvidos por Brittos durante sua atua&ccedil;&atilde;o como pesquisador s&atilde;o recuperados e resumidamente discutidos a seguir.<\/p>\n<p>Um dos conceitos-chave na obra de Brittos foi sua identifica&ccedil;&atilde;o sobre o fen&ocirc;meno denominado Fase da Multiplicidade da Oferta, cujo desenvolvimento iniciou-se em 1995. Trata-se da amplia&ccedil;&atilde;o substancial do n&uacute;mero de op&ccedil;&otilde;es comunicacionais, com todos os setores disputando a aten&ccedil;&atilde;o do consumidor. Na ind&uacute;stria televisiva, tecnologia e comunica&ccedil;&atilde;o rendem-se aos interesses do capital, representando uma maior possibilidade de escolha para o consumidor. Inicialmente concebido para o mercado televisivo, a Fase da Multiplicidade da Oferta acaba por compreender tamb&eacute;m a ind&uacute;stria radiof&ocirc;nica, sendo posteriormente estendido a diversos suportes digitais convergentes.<\/p>\n<p>Mas tal amplia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve confundida com diversidade, alertava Brittos. Este foi um per&iacute;odo marcado pela exclus&atilde;o pelos pre&ccedil;os, uma vez que a cobran&ccedil;a direta das ofertas disponibilizadas acabou por restringir o acesso a determinados conte&uacute;dos &ndash; como no caso da TV paga &ndash;, atingindo especialmente os consumidores economicamente menos favorecidos. As empresas recorrem a alian&ccedil;as, economias e sinergias para aumentar a rentabilidade de seus produtos e, assim, explorar novos espa&ccedil;os.<\/p>\n<p><strong>Conte&uacute;dos n&atilde;o-hegem&ocirc;nicos<\/strong><\/p>\n<p>Brittos foi o principal respons&aacute;vel por categorizar o padr&atilde;o alternativo encontrado nas produ&ccedil;&otilde;es audiovisuais. Juntamente com seus colaboradores, considerou que este modelo de audiovisual envolve os seguintes elementos:<\/p>\n<p>a) conte&uacute;do social, a partir da realiza&ccedil;&atilde;o e veicula&ccedil;&atilde;o de material que contenha dimens&atilde;o libertadora, portanto diferenciando-se do sistema hegem&ocirc;nico, independentemente de tratar de quest&otilde;es pol&iacute;ticas ou de outra ordem;<\/p>\n<p>b) baixo custo, uma vez encoraja-se o usu&aacute;rio dom&eacute;stico a controlar todas as fases de produ&ccedil;&atilde;o de maneira a poder ser desenvolvida por comunidades e organiza&ccedil;&otilde;es de segmentos diversos, otimizando recursos p&uacute;blicos envolvidos e buscando n&atilde;o excluir atrav&eacute;s de taxas de acesso;<\/p>\n<p>c) m&uacute;ltiplas plataformas, a partir de reconstru&ccedil;&otilde;es e respostas dos usu&aacute;rios ao audiovisual originalmente produzido, que pode ocorrer a partir da produ&ccedil;&atilde;o de um novo audiovisual ou mesmo com o processamento coletivo do original em escolas ou comunidades, efetivando assim o debate do conte&uacute;do;<\/p>\n<p>d) produ&ccedil;&atilde;o descentralizada, a partir da dissemina&ccedil;&atilde;o do audiovisual entre agentes que tradicionalmente n&atilde;o integram esta cadeia de valor. Compreende-se que, para que isso possa ocorrer, &eacute; necess&aacute;rio financiamento, prepara&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios atrav&eacute;s de treinamento espec&iacute;fico e utiliza&ccedil;&atilde;o de plataformas amig&aacute;veis;<\/p>\n<p>e) intera&ccedil;&atilde;o, estimulando a organiza&ccedil;&atilde;o de debates nas comunidades, posteriormente a exibi&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos. Deve-se, portanto, ir al&eacute;m dos limites tecnol&oacute;gicos dispon&iacute;veis, cuja utiliza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m deve ser encorajada;<\/p>\n<p>f) criatividade, incentivando o esp&iacute;rito inventivo do brasileiro n&atilde;o somente como resposta para as limita&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas, mas no conjunto das a&ccedil;&otilde;es que envolvem a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual (formato, recursos humanos, log&iacute;stica, cenografia loca&ccedil;&otilde;es etc.).<\/p>\n<p><strong>A inova&ccedil;&atilde;o da PluriTV<\/strong><\/p>\n<p>Um novo modelo de neg&oacute;cio para os conte&uacute;dos audiovisuais se clarificou a partir do conceito que Brittos denominou de PluriTV. Com a digitaliza&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos, o pesquisador considerou a pluralidade das ofertas audiovisuais, uma vez que a televis&atilde;o perde sua hegemonia e seus conte&uacute;dos passam a integrar novas telas &ndash; que se fazem presentes especialmente em grandes centros de compras e meios de transportes, etc. Com a converg&ecirc;ncia intensificada, a televis&atilde;o perde gradativamente sua capacidade de mediar o controle social, passando a dividir este lugar tamb&eacute;m com outros aparelhos eletr&ocirc;nicos, como celulares multifuncionais, computadores port&aacute;teis e tablets.<\/p>\n<p>Mas a TV tradicional n&atilde;o sai de cena, passando a conviver com uma pluralidade de telas, com modelos espec&iacute;ficos de servi&ccedil;os e neg&oacute;cios, que passam a oferecer poucas certezas e muitas possibilidades. No quesito conte&uacute;do, a inova&ccedil;&atilde;o da PluriTV poderia ser muito maior. Isso porque seu potencial rapidamente chamou a aten&ccedil;&atilde;o de atores hegem&ocirc;nicos do mercado televisivo, que passaram a redistribuir seus produtos estoques nas m&uacute;ltiplas telas.<br \/><em><br \/>Andres Kalikoske &eacute; coordenador e professor da especializa&ccedil;&atilde;o &ldquo;Televis&atilde;o e Converg&ecirc;ncia Digital&rdquo; na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Intensamente emp&iacute;rico em suas concep&ccedil;&otilde;es, Brittos  encontrava-se em pleno afinamento com os problemas fundamentais  relacionados aos fen&ocirc;menos midi&aacute;ticos, especialmente no que diz respeito  ao estudo do mercado brasileiro de televis&atilde;o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1567],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27027"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27027"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27027\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}