{"id":27002,"date":"2012-07-20T17:33:18","date_gmt":"2012-07-20T17:33:18","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27002"},"modified":"2012-07-20T17:33:18","modified_gmt":"2012-07-20T17:33:18","slug":"equador-a-um-voto-de-aprovar-lei-de-comunicacao-e-democratizar-frequencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27002","title":{"rendered":"Equador, a um voto de aprovar lei de comunica\u00e7\u00e3o e democratizar frequ\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O Equador est&aacute; prestes a entrar no seleto grupo de pa&iacute;ses sul-americanos que recentemente democratizaram seus meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Nos &uacute;ltimos anos, apenas Argentina, Uruguai e Bol&iacute;via se mobilizaram para destinar ao menos 33% das frequ&ecirc;ncias de r&aacute;dio e tev&ecirc; a organiza&ccedil;&otilde;es sociais sem fins lucrativos, que agora dividem a programa&ccedil;&atilde;o com meios p&uacute;blicos e privados.<\/p>\n<p>Batizada como Lei Org&acirc;nica de Comunica&ccedil;&atilde;o, Liberdade de Express&atilde;o e Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, o texto equatoriano foi escrito, reescrito, discutido e rediscutido durante dois anos, e desde abril est&aacute; pronto para ser votado pela Assembleia Nacional. S&oacute; n&atilde;o foi enviado ao plen&aacute;rio ainda porque o governo, que patrocina a lei, n&atilde;o conseguiu maioria absoluta para aprov&aacute;-la. A oposi&ccedil;&atilde;o tampouco arrebanhou os votos necess&aacute;rios para recha&ccedil;&aacute;-la. A diferen&ccedil;a &eacute; m&iacute;nima: um deputado.<\/p>\n<p>O Congresso equatoriano &eacute; unicameral &ndash; n&atilde;o existe Senado &ndash; e conta com 124 parlamentares. Os governistas possuem 62 votos garantidos. A bancada contr&aacute;ria ao projeto, 61. Um parlamentar dever&aacute; definir a sorte da lei, mas n&atilde;o do texto integral. Ap&oacute;s negocia&ccedil;&otilde;es, surgiu a proposta de que a vota&ccedil;&atilde;o ocorresse artigo por artigo. A assembleia aceitou, e a mat&eacute;ria deve ser apreciada at&eacute; o fim deste m&ecirc;s. Ou agosto. Ou setembro: depende de quem conseguir maioria primeiro. Tudo indica que o governo est&aacute; na frente.<\/p>\n<p><strong>Hist&oacute;rico<\/strong><\/p>\n<p>A lei de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o nasceu da cabe&ccedil;a do presidente Rafael Correa ou da bancada que seu partido, Alianza Pa&iacute;s, sustenta no Legislativo. Elabor&aacute;-la foi uma proposta da sociedade equatoriana, que, por sua vez, fez por onde escrev&ecirc;-la na Constitui&ccedil;&atilde;o de 2008. De anseio popular, portanto, passou a ser uma obriga&ccedil;&atilde;o do Legislativo, refor&ccedil;ada por um referendo que, em 2011, dirimiu qualquer d&uacute;vida sobre a vontade do povo em ver os deputados trabalhando num novo ordenamento jur&iacute;dico sobre a radiodifus&atilde;o nacional.<\/p>\n<p>Em teoria, o Equador deveria ter aprovado uma lei de comunica&ccedil;&atilde;o em 2009, um ano depois de aprovada a Carta Magna. Mas n&atilde;o foi poss&iacute;vel &ndash; e por v&aacute;rias raz&otilde;es. A j&aacute; citada correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as partid&aacute;rias dentro da Assembleia Nacional &eacute; uma delas. Outra, talvez a principal, &eacute; a complexidade pol&iacute;tica que envolve toda tentativa de legislar sobre o tema nos pa&iacute;ses latino-americanos, &oacute;rf&atilde;os de pluralidade midi&aacute;tica.<\/p>\n<p>&ldquo;Existe uma enorme confronta&ccedil;&atilde;o entre o governo nacional e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o privados&rdquo;, explica Romel Jurado, assessor do deputado Mauro Andino, presidente da Comiss&atilde;o Tempor&aacute;ria de Comunica&ccedil;&atilde;o, que escreveu o projeto de lei. &ldquo;O presidente da Rep&uacute;blica diz que a grande m&iacute;dia est&aacute; submetida a interesses empresariais, que manipula a realidade a favor de seus pr&oacute;prios interesses e que, por isso, n&atilde;o cumpre sua fun&ccedil;&atilde;o social. J&aacute; os meios de comunica&ccedil;&atilde;o reafirmam sua independ&ecirc;ncia, acusam o regime de querer roubar-lhes a voz e dizem que estamos vivendo sob um governo autorit&aacute;rio que n&atilde;o gosta da imprensa.&rdquo;<\/p>\n<p>&Eacute; uma briga entre poderes tit&acirc;nicos, conclui Romel Jurado. Mas o atraso da lei tamb&eacute;m se deve a outros motivos mais nobres. &ldquo;&Eacute; a primeira vez que um pa&iacute;s assume o desafio de regulamentar todos os direitos e deveres relacionados &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o apenas aos servi&ccedil;os de r&aacute;dio e televis&atilde;o&rdquo;, contextualiza o assessor. &ldquo;O debate ficou complexo, n&atilde;o apenas em termos jur&iacute;dicos, mas tamb&eacute;m conceituais: primeiro, tivemos de entender o que &eacute; comunica&ccedil;&atilde;o para s&oacute; depois esbo&ccedil;ar um projeto.&rdquo;<br \/>Frequ&ecirc;ncias<\/p>\n<p>O projeto de lei para regulamentar a comunica&ccedil;&atilde;o equatoriana tem 127 artigos, alguns mais controversos que outros. O que dever&aacute; causar mais impacto social &eacute; a divis&atilde;o de frequ&ecirc;ncias de r&aacute;dio e televis&atilde;o. O texto prop&otilde;e que 33% dos canais fiquem para os meios privados, 33% para os p&uacute;blicos (nos n&iacute;veis nacionais, provinciais, cantonais e paroquiais) e 34% para os comunit&aacute;rios. As transmiss&otilde;es digitais est&atilde;o inclu&iacute;das na divis&atilde;o: a lei impedir&aacute; que os propriet&aacute;rios de sinais anal&oacute;gicos multipliquem suas concess&otilde;es com a chegada das novas tecnologias.<\/p>\n<p>&ldquo;A divis&atilde;o do espectro radioel&eacute;trico &eacute; o melhor do texto&rdquo;, define Jos&eacute; Ignacio Lopez Vigil, diretor da ONG Radialistas Apaixonadas e Apaixonados, com sede em Quito, que produz clipes radiof&ocirc;nicos difundidos por emissoras livres e comunit&aacute;rias de toda a Am&eacute;rica Latina. &ldquo;Voc&ecirc; pode definir como quiser a liberdade de express&atilde;o e o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, mas a quest&atilde;o &eacute; quem fica com as frequ&ecirc;ncias. No fim das contas, o poder midi&aacute;tico est&aacute; com quem possui canais de r&aacute;dio e televis&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>Jos&eacute; Ignacio foi um dos membros da comiss&atilde;o que, em 2009, verificou a validade das concess&otilde;es midi&aacute;ticas no Equador &ndash; e tirou a sujeira debaixo do tapete. No per&iacute;odo de 13 anos analisado pela auditoria, diz, as frequ&ecirc;ncias foram roubadas, traficadas e vendidas ilegalmente. Caso a lei de comunica&ccedil;&atilde;o seja aprovada, as revela&ccedil;&otilde;es servir&atilde;o de subs&iacute;dio para reverter e redistribuir os canais de r&aacute;dio e tev&ecirc; concedidos de maneira irregular.<\/p>\n<p>A auditoria mediu ainda o tamanho do oligop&oacute;lio midi&aacute;tico no pa&iacute;s. &ldquo;Aqui n&atilde;o existem empresas como Televisa, Globo ou Clar&iacute;n, mas umas dez fam&iacute;lias que controlam mais da metade das frequ&ecirc;ncias&rdquo;, compara Jos&eacute; Ignacio. &ldquo;A concentra&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m se manifesta por setores: 97% do espectro est&aacute; nas m&atilde;os dos meios privados e apenas 3% pertencem &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias.&rdquo; Emissoras p&uacute;blicas s&oacute; passaram a existir com a elei&ccedil;&atilde;o de Rafael Correa.<br \/>Poder versus lei<\/p>\n<p>Para distribuir, reverter e tomar qualquer decis&atilde;o relativa ao espectro radioel&eacute;trico, o projeto de lei institui o Conselho de Regula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento da Comunica&ccedil;&atilde;o. Ter&aacute; seis membros, que representar&atilde;o o governo nacional, os governos locais, os conselhos nacionais de igualdade, as faculdades p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o, as organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos e, claro, os povos ind&iacute;genas, que por pouco n&atilde;o ficaram de fora.<\/p>\n<p>Se fosse nomeado hoje, o conselho teria automaticamente pelo menos tr&ecirc;s votos favor&aacute;veis ao governo. E esse dom&iacute;nio incomoda, porque Rafael Correa controla os demais &oacute;rg&atilde;os colegiados que deveriam ser independentes do Executivo. &ldquo;Se o conselho de comunica&ccedil;&atilde;o for t&atilde;o manipulado como outras inst&acirc;ncias estatais, que perderam toda autonomia frente ao tremendo presidencialismo que temos aqui, a lei ser&aacute; um papel morto&rdquo;, analisa Jos&eacute; Ignacio.<\/p>\n<p><strong>Destaques da lei de comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O movimento ind&iacute;gena equatoriano concorda. &ldquo;O cumprimento das leis s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel se garantirmos no pa&iacute;s a independ&ecirc;ncia dos poderes, que &eacute; um pilar fundamental da democracia&rdquo;, opina Diana Atamaint, deputada do Pachakutik, bra&ccedil;o pol&iacute;tico das organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas, que, apesar de serem hist&oacute;ricos defensores da divis&atilde;o de frequ&ecirc;ncias, decidiram votar contra todos os artigos da lei de comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O texto &eacute; medianamente aceit&aacute;vel, mas nada impede que o governo passe por cima de seus artigos e impe&ccedil;a os cidad&atilde;os de exercerem seus direitos.&rdquo;<\/p>\n<p>Romel Jurado, um dos principais respons&aacute;veis pelo conte&uacute;do do projeto, explica que j&aacute; n&atilde;o existem contesta&ccedil;&otilde;es s&eacute;rias ao texto dentro da Assembleia. De acordo com o secret&aacute;rio, quase todos os parlamentares j&aacute; se pronunciaram direta ou indiretamente simp&aacute;ticos aos artigos da lei. O problema, identifica, est&aacute; na polariza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em curso no pa&iacute;s: presidente, meios de comunica&ccedil;&atilde;o e movimentos sociais est&atilde;o em p&eacute; de guerra e simplesmente n&atilde;o conseguem dialogar para al&eacute;m dos insultos m&uacute;tuos. &Eacute; caldo de cultivo ideal para prolifera&ccedil;&atilde;o de pulgas atr&aacute;s d&#39;orelha.<\/p>\n<p>&ldquo;A lei prop&otilde;e regras para que nem os poderes privados nem os poderes p&uacute;blicos possam fazer uso abusivo dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, para que todos cumpram com certos requisitos e atendam a certos limites&rdquo;, define. &ldquo;O texto &eacute; o melhor que pudemos elaborar dentro de nossa cultura pol&iacute;tica e democr&aacute;tica, mas n&atilde;o posso garantir que a lei por si s&oacute; brinde seguran&ccedil;a jur&iacute;dica &agrave;s pessoas. A arbitrariedade e o exerc&iacute;cio transgressor dos poderes infelizmente ainda s&atilde;o uma norma operante no Equador.&rdquo;<br \/>Liberdade de express&atilde;o<\/p>\n<p>Quem se op&otilde;e ao projeto de lei n&atilde;o cansa de recordar um caso em especial, que envolveu o maior di&aacute;rio do pa&iacute;s. Ap&oacute;s a rebeli&atilde;o policial que no dia 30 de setembro de 2010 quase resultou no assassinato de Rafael Correa, um articulista do El Universo escreveu artigo acusando o presidente &ndash; ao qual se referia como ditador &ndash; de haver cometido um crime de lesa-humanidade ao refugiar-se dentro de um hospital. Quando a poeira baixou, jornal e jornalista foram processados e condenados a pagar uma indeniza&ccedil;&atilde;o de US$ 40 milh&otilde;es, al&eacute;m de cumprir tr&ecirc;s anos de pris&atilde;o por cal&uacute;nia e difama&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;Acreditamos que a lei de comunica&ccedil;&atilde;o pode servir como ferramenta para controlar politicamente a oposi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o apenas nesta, mas em qualquer administra&ccedil;&atilde;o&rdquo;, prev&ecirc; a deputada Diana Atamaint, ela mesma alvo de um processo judicial ap&oacute;s ter dado declara&ccedil;&otilde;es &agrave; emissora de televis&atilde;o Ecuavisa sobre supostos esquemas de corrup&ccedil;&atilde;o no governo. &ldquo;Quem opina diferente ou questiona o presidente e seus funcion&aacute;rios responde na Justi&ccedil;a por danos morais e &eacute; obrigado a pagar indeniza&ccedil;&otilde;es milion&aacute;rias.&rdquo;<\/p>\n<p>A oposi&ccedil;&atilde;o acredita que, com a aprova&ccedil;&atilde;o da lei, o presidente vai legalizar seus atropelos &agrave; liberdade de express&atilde;o. &ldquo;A&iacute; depende de como voc&ecirc; entende a liberdade de express&atilde;o&rdquo;, problematiza Romel Jurado. Para o secret&aacute;rio da Assembleia Nacional, o termo significa muito mais do que apenas a livre circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es prontas para consumo, como se fossem mais uma mercadoria &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de leitores e telespectadores.<\/p>\n<p><strong>Correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as pol&iacute;ticas<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Aquela informa&ccedil;&atilde;o que tenha relev&acirc;ncia p&uacute;blica deve observar algumas caracter&iacute;sticas: deve ser precisa, versar sobre fatos reais, oferecer dados exatos, ser produzida a partir de v&aacute;rias fontes, dar espa&ccedil;o ao contradit&oacute;rio e estar devidamente contextualizada&rdquo;, argumenta. &ldquo;A informa&ccedil;&atilde;o de qualidade sempre ir&aacute; circular livremente. O problema &eacute; que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o costumam veicular informa&ccedil;&atilde;o enviesada, parcial, descontextualizada e n&atilde;o verificada, que obedece apenas a seus pr&oacute;prios interesses. N&atilde;o posso aceitar que isso seja liberdade de express&atilde;o. &Eacute;, melhor dizendo, manipula&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>Sobretudo, o projeto de lei reconhece, em seu artigo 17, o direito de cada cidad&atilde;o expressar-se livremente e, claro, responsabilizar-se pelo que diz. O vale-tudo midi&aacute;tico deixa de existir, ficando terminantemente proibida a veicula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos discriminat&oacute;rios, que atentem contra a honra e a reputa&ccedil;&atilde;o das pessoas ou firam sua intimidade. Tamb&eacute;m estabelece, no artigo d&eacute;cimo, uma s&eacute;rie de recomenda&ccedil;&otilde;es &agrave;s pessoas &ndash; jornalistas ou n&atilde;o &ndash; envolvidas no processo comunicacional: respeitar a presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia, n&atilde;o obter informa&ccedil;&atilde;o de maneira il&iacute;cita, proteger a imagem de crian&ccedil;as e adolescentes, distinguir claramente not&iacute;cias de opini&otilde;es etc.<\/p>\n<p>&ldquo;Se um meio de comunica&ccedil;&atilde;o descumpre as normas, o Conselho de Regula&ccedil;&atilde;o analisa a falta e determina a puni&ccedil;&atilde;o, que &eacute; desculpar-se publicamente. Apenas quando o ve&iacute;culo reincide pela terceira vez &eacute; que come&ccedil;am a se aplicar multas&rdquo;, explica Romel Jurado. &ldquo;As san&ccedil;&otilde;es financeiras v&atilde;o crescendo porque o Estado entende que, se algu&eacute;m continua emitindo conte&uacute;dos discriminat&oacute;rios apesar das multas, &eacute; porque tem um despre&ccedil;o absoluto pelos direitos coletivos e individuais das pessoas.&rdquo;<br \/>Caminho sem volta<\/p>\n<p>A lei determina ainda que a publicidade oficial dever&aacute; ser distribu&iacute;da entre meios p&uacute;blicos, privados e comunit&aacute;rios, nas zonas rurais e urbanas, independentemente de seu alcance &ndash; nacional, regional ou local. Obriga que 40% da programa&ccedil;&atilde;o veiculada por canais de r&aacute;dio e tev&ecirc; sejam produzidas dentro do Equador, e que as emissoras reservem espa&ccedil;o para a m&uacute;sica nacional e para produ&ccedil;&otilde;es culturais em l&iacute;nguas ind&iacute;genas. No &acirc;mbito trabalhista, garante uma s&eacute;rie de direitos aos funcion&aacute;rios dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, que hoje em dia enfrentam um mercado laboral repleto de precariza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;Sabemos que poder&atilde;o aprovar a lei, que talvez at&eacute; j&aacute; tenham os votos suficientes, mas o texto que entrar&aacute; em vig&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; o que buscamos com nossa luta para reivindicar mais igualdade em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado e &agrave; sociedade&rdquo;, defende Diana Atamaint, deputada do Pachakutik. &ldquo;Podemos ter as melhores leis, mas o que importa &eacute; a vontade pol&iacute;tica dos governos em aplic&aacute;-las.&rdquo;<\/p>\n<p>Apesar de todas as desconfian&ccedil;as, que s&atilde;o compreens&iacute;veis dentro do contexto equatoriano, Jos&eacute; Ignacio L&oacute;pez Vigil acredita que o mais importante para o pa&iacute;s neste momento &eacute; que haja uma lei de comunica&ccedil;&atilde;o. Principalmente porque a legisla&ccedil;&atilde;o vigente foi elaborada em 1975, durante a ditadura militar, e reformada 20 anos depois sem grandes mudan&ccedil;as. &ldquo;Com o novo texto, o Equador teria uma lei moderna: suscet&iacute;vel de manipula&ccedil;&atilde;o, como todas as leis, mas, ainda assim, boa, inserida nos padr&otilde;es internacionais.&rdquo;<\/p>\n<p>Romel Jurado acredita que as discuss&otilde;es que se desenvolvem com mais ou menos for&ccedil;a em todos os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina sobre a fun&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia dever&atilde;o apontar para uma mudan&ccedil;a de paradigmas no uso que historicamente tem sido feito dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Para que exista plena liberdade de express&atilde;o, devemos criar condi&ccedil;&otilde;es materiais para que todos, e n&atilde;o apenas aos donos das emissoras, possam exercer essa liberdade&rdquo;, avalia. &ldquo;Devemos estudar, debater e refletir, mas transformar a maneira como entendemos o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; um caminho irrevers&iacute;vel.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Equador est&aacute; prestes a entrar no seleto grupo de pa&iacute;ses sul-americanos que recentemente democratizaram seus meios de comunica&ccedil;&atilde;o. 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