{"id":26991,"date":"2012-07-18T12:58:31","date_gmt":"2012-07-18T12:58:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26991"},"modified":"2012-07-18T12:58:31","modified_gmt":"2012-07-18T12:58:31","slug":"marco-civil-rede-a-parte-conteudo-sera-o-proximo-embate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26991","title":{"rendered":"Marco Civil: Rede \u00e0 parte, conte\u00fado ser\u00e1 o pr\u00f3ximo embate?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Resultado de quatro anos de discuss&otilde;es desde que, em outubro de 2009, o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a colocou em consulta p&uacute;blica um anteprojeto de lei que contou com ampla participa&ccedil;&atilde;o social, o Marco Civil da Internet est&aacute; materializado no texto do PL 2126\/2011, &agrave; espera de um acordo para vota&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>Ainda que a neutralidade da rede tenha se mostrado como centro da discuss&atilde;o &#8211; com press&atilde;o do governo para modifica&ccedil;&atilde;o do substitutivo, seu relator, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), tamb&eacute;m cedeu a reivindica&ccedil;&otilde;es dos ativistas da rede em outra quest&atilde;o considerada relevante: a retirada de conte&uacute;dos de terceiros por decis&atilde;o unilateral dos provedores. <\/p>\n<p>&ldquo;Estamos em um pa&iacute;s onde blogs s&atilde;o perseguidos diuturnamente, n&atilde;o podemos ter nenhuma brecha para a censura instant&acirc;nea. Se houver como interpretar a lei de um jeito negativo, h&aacute; grupos que far&atilde;o isso. N&atilde;o podemos retroceder por for&ccedil;a do lobby&rdquo;, sustenta o professor e not&oacute;rio ativista pela ampla liberdade na Internet, S&eacute;rgio Amadeu. <\/p>\n<p>Foi eliminado o trecho que previa a retirada de conte&uacute;dos com base em termos de uso ou de acordos comerciais. Al&eacute;m disso, um provedor de aplicativos &ldquo;somente poder&aacute; ser responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conte&uacute;do gerado por terceiros se, ap&oacute;s ordem judicial espec&iacute;fica, n&atilde;o tomar as provid&ecirc;ncias para, no &acirc;mbito e nos limites t&eacute;cnicos do seu servi&ccedil;o e dentro do prazo assinalado, tornar indispon&iacute;vel o conte&uacute;do apontado como infringente&rdquo;. <\/p>\n<p>Mas se &eacute; clara a preocupa&ccedil;&atilde;o com o que poderia legalizar a retirada de conte&uacute;do ao bel prazer de provedores &ndash; ou terceiros afetados, como as associa&ccedil;&otilde;es de filmes e m&uacute;sicas que combatem a troca de arquivos na rede &ndash; vale dar aten&ccedil;&atilde;o ao alerta de que o texto do Marco Civil da Internet est&aacute; deixando um vazio normativo com efeito direto sobre casos de ofensas ou inj&uacute;rias, ou seja, os aspectos de defesa da privacidade e da honra. Em outras palavras, estaria o direito &agrave; liberdade de express&atilde;o acima de outros direitos? <\/p>\n<p>&Eacute; essa a provoca&ccedil;&atilde;o feita pelo professor e pesquisador da Universidade de Hong Kong, tamb&eacute;m especialistas em temas afeitos &agrave; Internet, Marcelo Thompson. &ldquo;O Marco Civil da Internet, como est&aacute;, deixa um desequil&iacute;brio de tratamento. Guiado por uma vis&atilde;o extrema da liberdade de express&atilde;o, permite que provedores possam simplesmente manter no ar conte&uacute;do racista, homof&oacute;bico, que viole direitos das crian&ccedil;as e adolescentes, sem que nada se possa fazer contra eles&rdquo;, avalia. <\/p>\n<p>&Eacute; que o projeto n&atilde;o discorre sobre a manuten&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos ofensivos. Resta claro que os ofendidos poder&atilde;o ir &agrave; Justi&ccedil;a para pedir que algum material seja retirado da rede, mas a&iacute; o tempo ganha relev&acirc;ncia. Pois entre a identifica&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do irregular, o acionamento de advogados, o peticionamento judicial at&eacute; uma decis&atilde;o, ainda que liminar, o &ldquo;mal&rdquo; estaria feito. Afinal, ainda hoje &eacute; poss&iacute;vel encontrar na Internet as fotos da atriz Carolina Dieckman que provocaram como&ccedil;&atilde;o mesmo no Parlamento. <\/p>\n<p>Thompson ressalta que ao tratar os provedores como, na maior parte das vezes, inimput&aacute;veis, exime-os de responsabilidade por manter o conte&uacute;do no ar. Vale dizer: diante do risco de serem processados por retirarem determinado conte&uacute;do, mas sem previs&atilde;o de puni&ccedil;&atilde;o pela manuten&ccedil;&atilde;o desses mesmos conte&uacute;dos, o efeito, ainda que indesejado, favorece deixar como est&aacute; at&eacute; a apresenta&ccedil;&atilde;o de uma ordem judicial. &ldquo;N&atilde;o haveria um incentivo da lei para o provedor optar pelo caminho em que n&atilde;o h&aacute; chance de ser responsabilizado, ou seja, manter o conte&uacute;do no ar, ainda que em flagrante il&iacute;cito?&rdquo;, questiona o professor.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resultado de quatro anos de discuss&otilde;es desde que, em outubro de 2009, o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a colocou em consulta p&uacute;blica um anteprojeto de lei que contou com ampla participa&ccedil;&atilde;o social, o Marco Civil da Internet est&aacute; materializado no texto do PL 2126\/2011, &agrave; espera de um acordo para vota&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional. 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