{"id":26966,"date":"2012-07-09T15:47:52","date_gmt":"2012-07-09T15:47:52","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26966"},"modified":"2012-07-09T15:47:52","modified_gmt":"2012-07-09T15:47:52","slug":"lei-de-acesso-a-informacao-muda-relacao-do-brasileiro-com-sua-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26966","title":{"rendered":"Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o muda rela\u00e7\u00e3o do brasileiro com sua hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A Lei de Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o est&aacute; mudando a forma do brasileiro se relacionar com sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria. Desde que entrou em vigor, em 17\/5, j&aacute; proporcionou o acesso a registros hist&oacute;ricos que, em muitos casos, poucos suspeitavam sequer que existiam. No Arquivo Nacional, encontram-se &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos interessados os documentos secretos e ultrassecretos do extinto Sistema Nacional de Informa&ccedil;&otilde;es e Contrainforma&ccedil;&atilde;o (SISNI), incluindo os servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncias da For&ccedil;as Armadas, da Pol&iacute;cia Federal e de minist&eacute;rios e outros &oacute;rg&atilde;os do governo, como o Itamaraty.<\/p>\n<p>Desde a manh&atilde; desta segunda (2), tamb&eacute;m est&aacute; dispon&iacute;vel a base de dados da Secretaria de Assuntos Estrat&eacute;gicos (SAE), criada pelo ex-presidente Collor de Mello, em 1990, para substituir o Servi&ccedil;o Nacional de Intelig&ecirc;ncia (SNI), o tem&iacute;vel &oacute;rg&atilde;o de intelig&ecirc;ncia da Ditadura Militar, idealizado pelo general Golbery do Couto e Silva. A SAE funcionou at&eacute; 1999, quando foi criada a Ag&ecirc;ncia Brasileira de Intelig&ecirc;ncia (ABIN). E, embora tenha sido criada e extinta durante o regime democr&aacute;tico, herdou pr&aacute;ticas de arapongagem da ditadura militar, colocando sob sua mira figuras emblem&aacute;ticas, especialmente, para a esquerda brasileira.<\/p>\n<p>Relegada a categoria de secretaria, a SAE n&atilde;o tinha o mesmo status do seu antecessor, o SNI, ligado &agrave; presid&ecirc;ncia da rep&uacute;blica, e que, mesmo durante o governo de transi&ccedil;&atilde;o do ex-presidente Jos&eacute; Sarney, continuou monitorando esquerdistas, realizando escutas ilegais e opera&ccedil;&otilde;es clandestinas. Perdeu quadros, for&ccedil;a e influ&ecirc;ncia. Passou a ser comandado por civis. Voltou a ganhar peso com sua remilitariza&ccedil;&atilde;o, a partir de 1992, j&aacute; no governo de Itamar Franco, que assumiu a presid&ecirc;ncia da rep&uacute;blica ap&oacute;s o impeachment de Collor.<\/p>\n<p>Em at&eacute; 30 dias, ser&aacute; aberto &agrave; consulta p&uacute;blica o acervo do extinto Estado-Maior das For&ccedil;as Armadas (EMFA), que funcionou entre 1946 e 1999, antes da cria&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Defesa. S&atilde;o 37 volumes de documentos considerados secretos e ultrassecretos, al&eacute;m de 52 volumes de boletins reservados: correspond&ecirc;ncias entre autoridades militares e civis do governo brasileiro ou entre integrantes do governo e representantes de outros pa&iacute;ses sobre temas relacionados &agrave; defesa, seguran&ccedil;a nacional e coopera&ccedil;&atilde;o internacional, al&eacute;m de relat&oacute;rios sobre a conjuntura pol&iacute;tica nacional e internacional.<\/p>\n<p><strong>Acesso amplo e irrestrito<br \/><\/strong><br \/>Desde o dia 18\/6, j&aacute; est&aacute; permitido o acesso irrestrito aos acervos do pr&oacute;prio SNI e dos demais &oacute;rg&atilde;os que compunham o SISNI. S&atilde;o dossi&ecirc;s pessoais dos considerados &ldquo;subversivos&rdquo; e de organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda, como partidos pol&iacute;ticos, sindicatos, movimentos sociais, igrejas, universidades e movimento estudantil, al&eacute;m de informa&ccedil;&otilde;es sobre pris&otilde;es, mortes, tortura, repress&atilde;o &agrave; guerrilha urbana e rural, entre outros.<\/p>\n<p>Parte desses documentos j&aacute; podia ser consultada desde 2005, de forma bastante restrita. No caso dos dossi&ecirc;s pessoais, apenas com autoriza&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria pessoa ou de seus familiares. Nos documentos mais gerais, todos os nomes citados eram devidamente apagados. Por isso, grande parte dos documentos ainda &eacute; in&eacute;dita para o p&uacute;blico. Eles revelam, por exemplo, como se dava a infiltra&ccedil;&atilde;o dos agentes do regime dentro das universidades p&uacute;blicas ou mesmo a rela&ccedil;&atilde;o da ditadura com a pol&iacute;tica indigenista que dizimou aldeias inteiras de &iacute;ndios.<\/p>\n<p>H&aacute; tamb&eacute;m os documentos produzidos pelo Centro de Informa&ccedil;&otilde;es do Exterior (Ciex), servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia criado pelo Itamaraty em 1966 para monitorar os passos dos brasileiros tidos como &ldquo;subversivos&rdquo; no exterior e, da mesma forma, os dos estrangeiros no Brasil. Mostram o pioneirismo brasileiro na articula&ccedil;&atilde;o da Opera&ccedil;&atilde;o Condor, criada pelas ditaduras da Am&eacute;rica Latina para a troca n&atilde;o apenas de informa&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m de militantes estrangeiros nos pa&iacute;ses envolvidos.<\/p>\n<p><strong>Balan&ccedil;o<br \/><\/strong><br \/>No primeiro m&ecirc;s de vig&ecirc;ncia da Lei de Acesso, o governo recebeu 10,4 mil pedidos d.e informa&ccedil;&otilde;es. De acordo com balan&ccedil;o da Controladoria Geral da Uni&atilde;o (CGU), mais de 70% foram respondidas, a maioria antes do prazo. Das respondidas, 82% atenderam ao pedido; 10% negaram e, em 7% dos casos, n&atilde;o se tratava da compet&ecirc;ncia do &oacute;rg&atilde;o.<\/p>\n<p>Para pedir informa&ccedil;&atilde;o aos &oacute;rg&atilde;os de governo, acesse <a href=\"http:\/\/www.acessoainformacao.gov.br\/acessoainformacaogov\">http:\/\/www.acessoainformacao.gov.br\/acessoainformacaogov<\/a> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Lei de Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o est&aacute; mudando a forma do brasileiro se relacionar com sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria. Desde que entrou em vigor, em 17\/5, j&aacute; proporcionou o acesso a registros hist&oacute;ricos que, em muitos casos, poucos suspeitavam sequer que existiam. 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