{"id":26952,"date":"2012-06-24T19:36:49","date_gmt":"2012-06-24T19:36:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26952"},"modified":"2012-06-24T19:36:49","modified_gmt":"2012-06-24T19:36:49","slug":"somos-uma-ong-cuja-missao-e-produzir-e-fomentar-o-jornalismo-de-qualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26952","title":{"rendered":"&#8220;Somos uma ONG cuja miss\u00e3o \u00e9 produzir e fomentar o jornalismo de qualidade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\"><em>[T&iacute;tulo original: A aposta da ag&ecirc;ncia P&uacute;blica em um novo modelo de jornalismo]<\/em><br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <br \/>No Brasil ainda s&atilde;o poucos os jornalistas que se arriscam a explorar novos caminhos para a profiss&atilde;o. Nos Estados Unidos eles s&atilde;o at&eacute; bem numerosos, mas aqui o projeto P&uacute;blica &eacute; um dos raros a tentar um novo modelo de exerc&iacute;cio do jornalismo. Natalia Viana, uma rep&oacute;rter com dez&nbsp; anos de experi&ecirc;ncia, com mestrado na Inglaterra e colabora&ccedil;&otilde;es com publica&ccedil;&otilde;es estrangeiras, &eacute; junto com Marina Amaral e outros dez colaboradores uma das respons&aacute;veis pelo projeto P&uacute;blica, que conta com financiamento da Funda&ccedil;&atilde;o Ford e da Open Society, duas institui&ccedil;&otilde;es estrangeiras que apoiam novas iniciativas na imprensa. Natalia explica como opera a ag&ecirc;ncia P&uacute;blica.<br \/><strong><br \/>Observat&oacute;rio da Imprensa &#8211; Como voc&ecirc; compararia o projeto P&uacute;blica com o ProPublica, dos Estados Unidos? Existem outros projetos similares em curso noutros pa&iacute;ses, como o Notify, o Wikinews, Spot Us, NewsMill e Locast, s&oacute; para citar alguns. Quais os grandes diferenciais do P&uacute;blica em rela&ccedil;&atilde;o a esses projetos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nat&aacute;lia Viana &ndash; <\/strong>A P&uacute;blica tem uma liga&ccedil;&atilde;o direta com o modelo da ProPublica; ela &eacute; inspirada nos centros de jornalismo investigativo sem fins lucrativos que surgiram nos Estados Unidos e hoje em dia come&ccedil;am a aparecer em diversos pa&iacute;ses. O ProPublica n&atilde;o &eacute; o primeiro deste tipo de organiza&ccedil;&atilde;o nos EUA, longe disso. Desde o fim da d&eacute;cada de 1970, organiza&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos para jornalismo investigativo, pautado pelo interesse p&uacute;blico, existem nos EUA. Um dos mais antigos &eacute; o Center for Investigative Reporting, com o qual temos parcerias em alguns projetos. O ProPublica era at&eacute; recentemente o mais &ldquo;rico&rdquo; destes centros, com um or&ccedil;amento de cerca de 10 milh&otilde;es de d&oacute;lares por ano.&nbsp; Muitos desses centros s&atilde;o parceiros da P&uacute;blica, como o Center for Public Integrity, o Bureau of Investigative Journalism, o CIPER-Chile, 100 reporters e Florida Center for Investigative Reporting. A P&uacute;blica participa, em n&iacute;vel internacional, do Global Investigative Network, uma rede de organiza&ccedil;&otilde;es similares do mundo todo.<\/p>\n<p>A P&uacute;blica vem dessa tradi&ccedil;&atilde;o, mas voltada para o contexto brasileiro. Ela &eacute; obviamente uma organiza&ccedil;&atilde;o muito menor que a ProPublica &mdash; estamos ainda no nosos primeiro ano de exist&ecirc;ncia &mdash; mas tem uma miss&atilde;o semelhante: a de produzir reportagens de f&ocirc;lego, pautadas pelo interesse p&uacute;blico, visando ao fortalecimento do direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o do debate democr&aacute;tico e &agrave; promo&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos. Seus principais pilares s&atilde;o o interesse p&uacute;blico e o jornalismo independente.<\/p>\n<p>Os outros projetos que voc&ecirc; citou s&atilde;o muito diferentes. O Spot.us &eacute; um site de crowdfunding; o Wikinews &eacute; um site de jornalismo colaborativo; o News Mill &eacute; um site de opini&atilde;o; e o Locast &eacute; um site que permite formatos de m&iacute;dia interativos para as pessoas montarem&nbsp; suas hist&oacute;rias. O que eles t&ecirc;m a ver com a P&uacute;blica? O fato de serem iniciativas jornal&iacute;sticas novas, baseadas na internet, que exploram os limites de modelo, formato, organiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e financiamento do jornalismo. Eu encaixaria o WikiLeaks no mesmo rol de iniciativas. Nesse sentido, a P&uacute;blica busca tanto uma experimenta&ccedil;&atilde;o de modelo (sem fins lucrativos ou comerciais), de formato (com v&iacute;deo, uso de m&iacute;dias sociais e reportagens longas e aprofundadas, por exemplo, raras de serem encontradas na web) e de organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho atrav&eacute;s de modelos de parcerias com rep&oacute;rteres, organiza&ccedil;&otilde;es e ve&iacute;culos. &nbsp;<br \/><strong><br \/>Qual a audi&ecirc;ncia procurada para o projeto P&uacute;blica?<br \/><\/strong><strong><br \/>N.V. &ndash;<\/strong> A P&uacute;blica n&atilde;o &eacute; um site e, portanto, n&atilde;o tem um p&uacute;blico-alvo. Somos uma ONG cuja miss&atilde;o &eacute; produzir e fomentar o jornalismo de qualidade. Sempre dizemos que o nosso site (www.apublica.org) &eacute; um ve&iacute;culo-meio e n&atilde;o um ve&iacute;culo-fim. Colocamos toda nossa produ&ccedil;&atilde;o ali para que seja &ldquo;roubada&rdquo; por outros ve&iacute;culos (temos at&eacute; uma se&ccedil;&atilde;o que se chama &ldquo;Roube nossas historias&rdquo;). Tudo &eacute; feito em creative commons para que seja utilizado livremente por outros ve&iacute;culos, desde que citada a fonte e com link para o nosso site. Nosso objetivo &eacute; que o maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de jornalistas e ve&iacute;culos utilize nosso material. A ideia &eacute; espalhar nossas hist&oacute;rias. Acreditamos que a informa&ccedil;&atilde;o de qualidade deve ser livremente disseminada, j&aacute; que &eacute; essencial para qualificar o debate democr&aacute;tico sobre os grandes temas nacionais.<br \/><strong><br \/>Qual a relev&acirc;ncia que voc&ecirc;s atribuem &agrave; curadoria informativa no projeto do P&uacute;blica?<br \/><\/strong><strong><br \/>N.V. &ndash;<\/strong> Total. Nossas pautas s&atilde;o definidas de acordo com temas que consideramos de alta relev&acirc;ncia p&uacute;blica para o momento e para o futuro pr&oacute;ximo no Brasil. Por isso definimos tr&ecirc;s eixos investigativos que orientam nosso trabalho nesses primeiros anos: &quot;Tortura e Ditadura&quot;, sobre a viol&ecirc;ncia do Estado sobre o cidad&atilde;o (publicamos reportagens sobre a ditadura, como &quot;Mr. Dops&quot;, e tortura); &quot;Amaz&ocirc;nia&quot;, tema diretamente ligado ao modelo de desenvolvimento que o pa&iacute;s elegeu,&nbsp; com uma s&eacute;rie de reportagens sobre uma l&iacute;der amea&ccedil;ada de morte por madeireiros no sul da Amaz&ocirc;nia e outras, de reportagens a jornalismo de dados; e, por fim, os &quot;Megaeventos&quot;, oportunidade e risco para o pa&iacute;s e para a popula&ccedil;&atilde;o com a proximidade da Copa e Olimp&iacute;adas. Nesse terceiro eixo desenvolvemos desde o in&iacute;cio do ano uma experi&ecirc;ncia de jornalismo cidad&atilde;o &#8211; o Blog Copa P&uacute;blica &#8211; e produzimos reportagens investigativas sobre o mundo do futebol.<br \/><strong><br \/>Qual a import&acirc;ncia que o modelo de sustentabilidade financeira do projeto Publica atribui ao chamado micro-funding? E qual a estrat&eacute;gia que desenvolvem para viabiliz&aacute;-lo?<br \/><\/strong><br \/><strong>N.V. &ndash;<\/strong> N&atilde;o tenho certeza do que voc&ecirc; quer dizer com micro-funding. Se quer dizer pequenos projetos apoiados de maneira individual (digamos, com valor at&eacute; R$ 10 mil), n&oacute;s achamos muito importante, mas tivemos poucas experi&ecirc;ncias do tipo. Recentemente fechamos uma parceria nesse sentido com a Rede Brasil Atual, que est&aacute; co-financiando quatro microbolsas de reportagem selecionadas por meio do Concurso de Microbolsas que lan&ccedil;amos no nosso site. Fizemos uma chamada de projetos de reportagem, recebemos 70 projetos e premiamos quatro. Como havia outros muito bons que n&atilde;o foram contemplados, a Rede Brasl Atual entrou com uma parceria para financiar outros projetos.&nbsp; &nbsp;<br \/><strong><br \/>O modelo de sustentabilidade financeira &eacute; hoje o grande dilema de quase todas as novas iniciativas voltadas para o desenvolvimento do jornalismo na web. Existe algum modelo que voc&ecirc;s tomam como benchmark?<br \/><\/strong><br \/><strong>N.V. &ndash;<\/strong> A sustentabilidade financeira &eacute; o grande dilema do mundo hoje &ndash; n&atilde;o s&oacute; no jornalismo e nem s&oacute; na web! O jornalismo entra dentro de um caldeir&atilde;o de novas iniciativas integradas &agrave; chamada cultura digital, e que questiona inclusive a organiza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica com novos modelos. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que a P&uacute;blica est&aacute; sediada na Casa da Cultura Digital, em S&atilde;o Paulo. N&atilde;o h&aacute;, na web, um modelo que consideramos mais bem-sucedido neste sentido. Veja: o Facebook acabou de abrir o seu IPO; o Twitter busca uma maneira de arrecadar dinheiro com propaganda; o Youtube recentemente se encharcou de an&uacute;ncios. H&aacute; tr&ecirc;s anos, nada disso teria sido previs&iacute;vel. Essa &eacute; a maior riqueza deste momento: n&atilde;o h&aacute; modelos. Temos que invent&aacute;-los.&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma das propostas do P&uacute;blica &eacute; desenvolver o jornalismo investigativo, mas existem duas vertentes poss&iacute;veis: a de consumo imediato para atendimento de quest&otilde;es da agenda noticiosa di&aacute;ria; e investiga&ccedil;&otilde;es de maior profundidade e complexidade que demandam mais tempo e dinheiro. Qual das duas &eacute; priorit&aacute;ria para o Publica?<br \/><\/strong><br \/><strong>N.V. &ndash;<\/strong> O termo jornalismo investigativo &eacute; pol&ecirc;mico. Para n&oacute;s, o jornalismo investigativo &eacute; aquele que se aprofunda num tema de maior complexidade e o estuda a fundo. Aqui no Brasil, &eacute; a boa e velha reportagem &ndash; e por isso somos uma &ldquo;agencia de reportagem e jornalismo investigativo&rdquo;. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que as duas coordenadoras da P&uacute;blica aprenderam jornalismo com S&eacute;rgio de Souza&nbsp; &ndash; fundador e editor de dezenas de publica&ccedil;&otilde;es baseadas em reportagem desde sua participa&ccedil;&atilde;o no dream team&nbsp; da Realidade &ndash; e a sua turma. Somos de uma linhagem de jornalistas que acreditam na reportagem, e acreditam no rep&oacute;rter.<\/p>\n<p>N&atilde;o fazemos not&iacute;cia. H&aacute; uma frase do jornalista americano T. D. Allman que gosto muito, e resume o que&nbsp; sentimos com rela&ccedil;&atilde;o ao jornalismo investigativo: &ldquo;Jornalismo genuinamente objetivo &eacute; aquele que n&atilde;o apenas apura os fatos, mas compreende o significado dos acontecimentos. &Eacute; impactante n&atilde;o apenas hoje, mas resiste &agrave; passagem do tempo. &Eacute; validado n&atilde;o apenas por &#39;fontes confi&aacute;veis&#39;, mas pelo desenrolar da hist&oacute;ria. E dez, vinte, quinze anos depois ainda serve como espelho verdadeiro e inteligente do que aconteceu&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Fazer jornalismo s&eacute;rio na web, levando em conta o p&uacute;blico, coloca voc&ecirc;s numa rota de colis&atilde;o com a chamada grande imprensa. Este conflito pode alterar a estrat&eacute;gia editorial e a sustentabilidade financeira do projeto?<br \/><\/strong><br \/><strong>N.V. &ndash;<\/strong> N&atilde;o acredito que haja uma rota de colis&atilde;o. A P&uacute;blica n&atilde;o &eacute; um ve&iacute;culo, e portanto n&atilde;o vem buscar o espa&ccedil;o que um ve&iacute;culo ocupa. Ela pretende ser uma ag&ecirc;ncia, um produtor e distribuidor de conte&uacute;do em creative commons. Queremos que a m&iacute;dia tradicional utilize tamb&eacute;m o nosso material. [Creative Commons &eacute; um projeto global, presente em mais de 40 pa&iacute;ses, que cria um novo modelo de gest&atilde;o dos direitos autorais. Ele permite que autores e criadores de conte&uacute;do, como m&uacute;sicos, cineastas, escritores, fot&oacute;grafos, blogueiros, jornalistas e outros, possam permitir alguns usos dos seus trabalhos por parte da sociedade.] <br \/><strong><br \/>H&aacute; uma forte tend&ecirc;ncia entre os projetos de jornalismo na web de explorar a vertente local, hiperlocal e comunit&aacute;ria. Como voc&ecirc;s veem esta alternativa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>N.V. &ndash;<\/strong> Pessoalmente acho excelente. No contexto brasileiro, de uma grande concentra&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, acho realmente fant&aacute;stico. E pode ser bem feito sem grandes recursos. H&aacute; um enorme campo para o que chamamos de jornalismo cidad&atilde;o. Al&eacute;m das reportagens aprofundadas que produzimos a partir deste ano (que &eacute; o primeiro ano de funcionamento da organiza&ccedil;&atilde;o com estrutura, financiamento da Ford Foundation e da Open Society Foundation), temos esse blog que &eacute; uma experi&ecirc;ncia de jornalismo cidad&atilde;o: o Copa Publica, cujo objetivo &eacute; acompanhar como as organiza&ccedil;&otilde;es populares est&atilde;o se preparando para debater tudo o que envolve a Copa do Mundo de 2014. Um evento que vai mexer com o Brasil de uma maneira poderosa, n&atilde;o s&oacute; estruturalmente como simbolicamente. E j&aacute; est&aacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista para o Observat&oacute;rio da Imprensa, a jornalista Nat&aacute;lia Viana fala sobre o Ag&ecirc;ncia P&uacute;blica, uma projeto de jornalismo investigativo independente na internet.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1701],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26952"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26952"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26952\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}