{"id":26944,"date":"2012-06-24T17:46:20","date_gmt":"2012-06-24T17:46:20","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26944"},"modified":"2012-06-24T17:46:20","modified_gmt":"2012-06-24T17:46:20","slug":"paisagem-sera-invadida-por-milhares-de-antenas-4g","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26944","title":{"rendered":"Paisagem ser\u00e1 invadida por milhares de antenas 4G"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Oito anos atr&aacute;s, Maria Aparecida Barzaghi recebeu pela primeira vez uma proposta que se repetiria nos anos seguintes, de diferentes interessados. Na carta, deixada na portaria do Edif&iacute;cio Esther, no Jardim Paulistano, um bairro nobre de S&atilde;o Paulo, a operadora Claro pedia permiss&atilde;o para instalar no telhado do pr&eacute;dio &#8211; de 18 andares e hoje com 40 anos de constru&ccedil;&atilde;o &#8211; uma antena de telefonia m&oacute;vel, ou esta&ccedil;&atilde;o radiobase (ERB), como os t&eacute;cnicos chamam as torres.<\/p>\n<p>&quot;Estranhei o pedido e fizemos uma assembleia geral com os cond&ocirc;minos para avaliar a proposta&quot;, conta Maria Aparecida, s&iacute;ndica do edif&iacute;cio. Depois de muita discuss&atilde;o &#8211; sobre os riscos das ondas eletromagn&eacute;ticas &agrave; sa&uacute;de dos moradores e a possibilidade de a antena abalar a estrutura do pr&eacute;dio -, a autoriza&ccedil;&atilde;o foi concedida. Desde ent&atilde;o, uma antena da Oi foi admitida, em 2007, e um pedido de outra operadora, feito h&aacute; tr&ecirc;s meses, est&aacute; em fase de avalia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O ass&eacute;dio das teles ao edif&iacute;cio de Maria Aparecida, uma pedagoga aposentada de 68 anos, mostra o quanto elas est&atilde;o preocupadas em achar espa&ccedil;o para estabelecer suas antenas &#8211; seja em terrenos desocupados ou no alto dos pr&eacute;dios.<\/p>\n<p>Para as operadoras, trata-se de uma necessidade tanto comercial quanto t&eacute;cnica. A antena &eacute; necess&aacute;ria para captar as ondas eletromagn&eacute;ticas do ar e transform&aacute;-las, com a ajuda de um dispositivo, em sinais para os celulares. Quando muita gente fala ao mesmo tempo em uma determinada regi&atilde;o, a &aacute;rea de cobertura da antena diminui para dar conta da demanda. Se n&atilde;o houver outra antena com capacidade dispon&iacute;vel por perto, o usu&aacute;rio pode simplesmente ficar sem sinal. &Eacute; por isso que se tornou imperativo espalhar mais e mais torres nos grandes centros urbanos. Sem elas, &eacute; maior o risco de desagradar o cliente e, eventualmente, perd&ecirc;-lo para a concorr&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O problema &eacute; que cidades como S&atilde;o Paulo est&atilde;o entupidas de antenas, o que faz com que as teles disputem a tapa os espa&ccedil;os dispon&iacute;veis. Existem 4.040 equipamentos no munic&iacute;pio, de um total de 13.926 no Estado. E a situa&ccedil;&atilde;o s&oacute; tende a piorar.<\/p>\n<p>A quarta gera&ccedil;&atilde;o de telefonia m&oacute;vel (4G), cujas frequ&ecirc;ncias foram leiloadas na semana passada, vai permitir velocidades de transmiss&atilde;o de dados muito mais r&aacute;pidas que as existentes atualmente, na terceira gera&ccedil;&atilde;o. A 4G promete conex&otilde;es de at&eacute; 100 megabits por segundo (Mbps), embora as operadoras n&atilde;o estimem em que prazo essa velocidade poder&aacute; ser atingida, enquanto a m&eacute;dia atual entregue por elas &eacute; de 1 Mbps.<\/p>\n<p>Essa rapidez implica um custo de infraestrutura. Com 4G, para que as ondas de r&aacute;dio sejam transmitidas mais rapidamente, ser&atilde;o necess&aacute;rias de tr&ecirc;s a cinco vezes mais antenas que na tecnologia atual, informou uma operadora ao Valor.<\/p>\n<p>Dados da consultoria Teleco indicam que para cada faixa adquirida no leil&atilde;o ser&atilde;o necess&aacute;rias de 1,2 mil a 2 mil ERBs. &Eacute; dif&iacute;cil fazer a conta de quantas novas torres ser&atilde;o necess&aacute;rias. H&aacute; quem fale em 50 mil delas, mas o total pode ser maior. &quot;Para dar conta de toda a demanda que a rede 4G seriam necess&aacute;rias cerca de 250 mil antenas&quot;, afirmou Louren&ccedil;o Coelho, diretor de estrat&eacute;gia da Ericsson, uma das fabricantes de esta&ccedil;&otilde;es radiobase.<\/p>\n<p>H&aacute; mais de 240 diferentes tipos de legisla&ccedil;&otilde;es nos munic&iacute;pios brasileiros, o que dificulta instala&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>&Eacute; um custo alto, mesmo para as operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es, acostumadas a gastar bastante com infraestrutura. O custo m&eacute;dio para instala&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica antena, segundo profissionais do setor, varia de R$ 300 mil a R$ 500 mil. Nesse caso, o investimento poderia variar de R$ 7,5 bilh&otilde;es a R$ 12,5 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>O que surpreende &eacute; que, apesar da ocupa&ccedil;&atilde;o ostensiva dos espa&ccedil;os pelas teles, o n&uacute;mero de torres no Brasil &eacute; relativamente pequeno frente ao de outros pa&iacute;ses. Segundo estimativas do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e Servi&ccedil;o M&oacute;vel (SindiTelebrasil), h&aacute; aproximadamente 53 mil antenas em funcionamento no pa&iacute;s, o mesmo n&uacute;mero da It&aacute;lia, que tem um territ&oacute;rio muito menor.<\/p>\n<p>Para muitos condom&iacute;nios, alugar espa&ccedil;o tornou-se uma importante complementa&ccedil;&atilde;o de receita. O edif&iacute;cio Esther recebe R$ 6,2 mil mensais da Claro. O mesmo valor &eacute; pago pela Oi. Com a receita extra que recebe h&aacute; oito anos, o condom&iacute;nio j&aacute; renovou fachada, estrutura interna, pilares e garagem. &quot;E ainda estamos todo esse tempo sem aumentar o condom&iacute;nio&quot;, contou a s&iacute;ndica. O or&ccedil;amento pode engordar ainda mais se o pr&eacute;dio aceitar o pedido da terceira operadora, cujo nome n&atilde;o &eacute; revelado porque o contrato n&atilde;o est&aacute; fechado. &quot;Eles propuseram R$ 7 mil&quot;, disse Maria Aparecida.<\/p>\n<p>Convencer condom&iacute;nios, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; nada perto do trabalho que d&aacute; para obter aprova&ccedil;&atilde;o das prefeituras, reclamam as operadoras. O problema principal &eacute; a diversidade das leis municipais que regem a instala&ccedil;&atilde;o das antenas. Entre os 5.566 munic&iacute;pios brasileiros &#8211; dos quais 2.856 t&ecirc;m cobertura em banda larga 3G &#8211; h&aacute; cerca de 240 legisla&ccedil;&otilde;es diferentes sobre a coloca&ccedil;&atilde;o das ERBs.<\/p>\n<p>Um dos pontos pol&ecirc;micos &eacute; a dist&acirc;ncia que as antenas devem guardar de grandes concentra&ccedil;&otilde;es de habitantes. Em S&atilde;o Paulo, a dist&acirc;ncia m&iacute;nima permitida entre a base de sustenta&ccedil;&atilde;o da antena e os im&oacute;veis vizinhos &eacute; de 15 metros. J&aacute; em Piracicaba, no interior do Estado, essa dist&acirc;ncia aumenta para 100 metros.<\/p>\n<p>Al&eacute;m da dist&acirc;ncia, h&aacute; uma profus&atilde;o de outras regras. A lei vigente em Curitiba especifica em quais &aacute;reas da cidade &eacute; permitido instalar o equipamento. Em Campinas (SP), &eacute; preciso obter uma autoriza&ccedil;&atilde;o escrita de 60% dos donos de im&oacute;veis situados em um raio de 200 metros da antena.<\/p>\n<p>A quem cabe o papel de regular o tema &eacute; uma quest&atilde;o pol&ecirc;mica. &quot;Os munic&iacute;pios t&ecirc;m ultrapassado os limites de suas compet&ecirc;ncias, e legislando sobre uma quest&atilde;o da Uni&atilde;o, que &eacute; o servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es&quot;, avaliou o advogado Aldo de Paula Junior, do escrit&oacute;rio Azevedo Sette.<\/p>\n<p>As prefeituras dizem que &eacute; papel das autoridades municipais definir limites. A Prefeitura do Rio de Janeiro estuda propor uma lei que obrigue as operadoras n&atilde;o s&oacute; a instalar novas ERBs sem prejudicar a paisagem, como a reformar as antigas. &quot;O principal ativo do Rio &eacute; a paisagem urbana. Essas antenas sujam a paisagem e s&atilde;o colocadas indiscriminadamente&quot;, disse o secret&aacute;rio municipal de conserva&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;os p&uacute;blicos do Rio de Janeiro, Carlos Roberto Osorio.<\/p>\n<p>A burocracia, segundo as teles, &eacute; outro entrave. Em um munic&iacute;pio na regi&atilde;o Norte, a Nokia Siemens precisou submeter o projeto de instala&ccedil;&atilde;o de ERBs a 36 &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos diferentes, disse Wilson Cardoso, diretor de tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o da companhia. Esse tipo de procedimento, afirmou o executivo, costuma responder por 50% do custo do projeto.<\/p>\n<p>Segundo Eduardo Levy, diretor-executivo do SindiTelebrasil, as licen&ccedil;as demoram, em m&eacute;dia, oito meses para sair. &quot;Nesse per&iacute;odo, as empresas j&aacute; poderiam ter instalado 40% a mais de antenas&quot;. Do ponto de vista t&eacute;cnico, &eacute; poss&iacute;vel instalar uma ERB completa em uma semana, disse o executivo.<\/p>\n<p>Para contornar as dificuldades, muitas instala&ccedil;&otilde;es acabam simplesmente fugindo &agrave;s regras. As operadoras n&atilde;o gostam de falar sobre isso, mas o c&aacute;lculo &eacute; de que 90% das antenas instaladas no pa&iacute;s est&atilde;o, de alguma forma, em situa&ccedil;&atilde;o irregular, segundo um executivo do setor, que preferiu n&atilde;o se identificar. Em maio, a prefeitura paulista retirou mais de 2 mil antenas irregulares. Procurada, a prefeitura n&atilde;o se pronunciou.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oito anos atr&aacute;s, Maria Aparecida Barzaghi recebeu pela primeira vez uma proposta que se repetiria nos anos seguintes, de diferentes interessados. 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