{"id":26929,"date":"2012-06-12T16:58:34","date_gmt":"2012-06-12T16:58:34","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26929"},"modified":"2012-06-12T16:58:34","modified_gmt":"2012-06-12T16:58:34","slug":"regulamenta-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26929","title":{"rendered":"Regulamenta, Dilma!"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Regulamentar &eacute; o mesmo que regular, verbo de origem latina que significa estabelecer regras para; estabelecer ordem; acertar, ajustar. Um dos pap&eacute;is fundamentais do Estado &eacute; exatamente &ldquo;estabelecer regras&rdquo; &ndash; pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &ndash; relativas aos diferentes setores de atividade existentes numa sociedade para servir ao interesse coletivo.<\/p>\n<p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, atores sociais poderosos conseguiram tornar preponderante, em todo o planeta, a perspectiva pol&iacute;tica que postula limites estritos ao papel regulador do Estado. &Eacute; o chamado &ldquo;Estado m&iacute;nimo&rdquo; do ide&aacute;rio neoliberal. Os resultados desastrosos dessa pol&iacute;tica tornaram-se evidentes, a partir de 2008, com a crise global dos mercados financeiros. E suas consequ&ecirc;ncias seguem fazendo estragos enormes ao redor do mundo.<\/p>\n<p>&Eacute; interessante notar, todavia, que, mesmo numa &eacute;poca em que dominou a perspectiva neoliberal, uma atividade foi e continua sendo objeto da regula&ccedil;&atilde;o do Estado: as comunica&ccedil;&otilde;es, reunindo os antigos setores de telecomunica&ccedil;&otilde;es e radiodifus&atilde;o e o novo espa&ccedil;o das TICs, as tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o s&oacute; em vizinhos nossos como a Argentina, a Bol&iacute;via, o Equador, a Venezuela e o Uruguai, mas tamb&eacute;m na Inglaterra ocorre intenso debate sobre regula&ccedil;&atilde;o e autorregula&ccedil;&atilde;o &ndash; exemplos eloquentes por si mesmos.<\/p>\n<p>S&atilde;o muitas as raz&otilde;es que justificam o imperioso papel regulador do Estado nas comunica&ccedil;&otilde;es. A mais evidente (certamente) &eacute; a revolu&ccedil;&atilde;o digital pela qual passa o setor, que dissolveu as fronteiras entre as telecomunica&ccedil;&otilde;es (telefonia, transmiss&atilde;o de imagens e dados), a comunica&ccedil;&atilde;o social (r&aacute;dio, televis&atilde;o) e as TICs. Esse tsunami tecnol&oacute;gico provoca enormes resson&acirc;ncias no conjunto da sociedade, desde a transforma&ccedil;&atilde;o radical dos modelos de neg&oacute;cio at&eacute; a reinven&ccedil;&atilde;o da sociabilidade humana, que agora se espraia viroticamente pelas redes sociais.<\/p>\n<p>Uma raz&atilde;o talvez menos evidente ao senso comum, todavia, &eacute; a centralidade cada vez maior das comunica&ccedil;&otilde;es nas democracias contempor&acirc;neas. A universaliza&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o adquire um car&aacute;ter fundante para a constru&ccedil;&atilde;o da cidadania ativa e republicana.<\/p>\n<p>No Brasil, mesmo atores historicamente resistentes a qualquer altera&ccedil;&atilde;o no status quo do setor de comunica&ccedil;&otilde;es d&atilde;o sinais p&uacute;blicos de finalmente reconhecer que algum tipo de regula&ccedil;&atilde;o do Estado torna-se inevit&aacute;vel e inadi&aacute;vel.<\/p>\n<p>De fato.<\/p>\n<p>Para ficar apenas nos exemplos mais eloquentes: a principal refer&ecirc;ncia legal para a radiodifus&atilde;o, o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Lei n&ordm; 4.117\/1962) completa cinquenta anos (!) no pr&oacute;ximo m&ecirc;s de agosto. A Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (n&ordm; 9.472\/1997), apesar de relativamente recente, entre outras quest&otilde;es j&aacute; nasceu defasada por separar telecomunica&ccedil;&otilde;es e radiodifus&atilde;o. E as normas e princ&iacute;pios da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 &ndash; que, pela primeira vez, trouxe um cap&iacute;tulo espec&iacute;fico sobre a Comunica&ccedil;&atilde;o Social &ndash; em sua maioria n&atilde;o foram regulamentados, e portanto n&atilde;o s&atilde;o cumpridos. Pior ainda, o artigo 224 que institui o Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, apesar de regulamentado, vem sendo descumprido pelo Congresso Nacional desde dezembro de 2006.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o se trata apenas de uma quest&atilde;o legal. Regulamentar as comunica&ccedil;&otilde;es implica o Estado cumprir seu papel de garantir a universaliza&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o, assegurar maior diversidade e pluralidade de vozes no debate p&uacute;blico e possibilitar a constru&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; de uma opini&atilde;o p&uacute;blica republicana e democr&aacute;tica.<\/p>\n<p>A realiza&ccedil;&atilde;o da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o em dezembro de 2009, apesar de boicotada por parte dos empres&aacute;rios de comunica&ccedil;&otilde;es, confirmou o tema da regula&ccedil;&atilde;o na agenda p&uacute;blica. Nos &uacute;ltimos meses, apesar da omiss&atilde;o deliberada e da sataniza&ccedil;&atilde;o liberista que a grande m&iacute;dia ainda faz do tema, &eacute; ineg&aacute;vel que existe uma crescente mobiliza&ccedil;&atilde;o de partidos pol&iacute;ticos e da sociedade civil organizada em torno da necessidade da regula&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Por tudo isso, pela consolida&ccedil;&atilde;o de uma democracia republicana, e em nome da maioria esmagadora do apoio popular que seu mandato tem recebido: regulamenta, Dilma!<br \/><em><br \/>Ven&iacute;cio A. de Lima &eacute; jornalista, professor aposentado da UnB e autor de, entre outros livros, Pol&iacute;tica de Comunica&ccedil;&otilde;es: um balan&ccedil;o dos Governos Lula (2003-2010). Editora Publisher Brasil, 2012.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Regulamentar as comunica&ccedil;&otilde;es implica o Estado  cumprir seu papel de garantir a universaliza&ccedil;&atilde;o da liberdade de  express&atilde;o, assegurar maior diversidade e pluralidade de vozes no debate  p&uacute;blico e possibilitar a constru&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; de uma opini&atilde;o p&uacute;blica  republicana e democr&aacute;tica.<\/span> <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1697],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26929"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26929"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26929\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}