{"id":26923,"date":"2012-06-12T15:44:57","date_gmt":"2012-06-12T15:44:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26923"},"modified":"2012-06-12T15:44:57","modified_gmt":"2012-06-12T15:44:57","slug":"independentes-ganham-mercado-com-lei-de-cotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26923","title":{"rendered":"Independentes ganham mercado com lei de cotas"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O grande tema a ser discutido no 13&ordm; F&oacute;rum Brasil de Televis&atilde;o, que acontece hoje e amanh&atilde; em S&atilde;o Paulo, no Centro de Conven&ccedil;&otilde;es Frei Caneca, &eacute; a lei federal n&ordm; 12.485\/2011. Sancionada em setembro do ano passado, ela estabelece cotas para a produ&ccedil;&atilde;o brasileira na programa&ccedil;&atilde;o da TV por assinatura e j&aacute; movimenta o mercado do audiovisual no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Na abertura do evento, que re&uacute;ne empresas do setor, o diretor-presidente da Ancine (Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema), Manoel Rangel, deve anunciar o regulamento dessa legisla&ccedil;&atilde;o. Ele ir&aacute; definir em que termos os canais ter&atilde;o de veicular 1h10 de conte&uacute;do nacional no hor&aacute;rio nobre de suas grades semanais &#8211; entre 11h e 14h e entre 17h e 21h para os canais voltados a crian&ccedil;as e adolescentes e das 19h &agrave; 0h para os demais. A exig&ecirc;ncia chegar&aacute; progressivamente a 3h30 at&eacute; setembro de 2014.<\/p>\n<p>Metade dessa produ&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ser independente &#8211; realizada por empresas n&atilde;o vinculadas a grandes grupos de comunica&ccedil;&atilde;o. Canais esportivos e jornal&iacute;sticos est&atilde;o exclu&iacute;dos das novas obriga&ccedil;&otilde;es. A legisla&ccedil;&atilde;o determina ainda que um em cada tr&ecirc;s canais dos pacotes ofertados pelas operadoras seja brasileiro.<\/p>\n<p>Entre as aguardadas diretrizes da regulamenta&ccedil;&atilde;o para o cumprimento das cotas est&aacute; o n&uacute;mero de vezes que os programas poder&atilde;o ser reprisados.<\/p>\n<p>&quot;Existe um pleito das produtoras para que conte&uacute;dos diversos n&atilde;o sejam tratados igualmente&quot;, afirma Andr&eacute; Mermelstein, organizador do f&oacute;rum. &quot;Uma coisa &eacute; fazer um programa de culin&aacute;ria, que sai mais barato. Outra &eacute; realizar uma s&eacute;rie de fic&ccedil;&atilde;o, que custa R$ 500 mil por epis&oacute;dio, e exibir cada cap&iacute;tulo poucas vezes.&quot;<\/p>\n<p>Um ponto que j&aacute; desagrada sobretudo &agrave;s programadoras &eacute; o n&atilde;o reconhecimento das diferen&ccedil;as entre os perfis dos canais na aplica&ccedil;&atilde;o das determina&ccedil;&otilde;es. Anthony Doyle, vice-presidente regional e diretor-executivo de conte&uacute;do local da Turner, que tem sob sua cust&oacute;dia marcas de peso como TNT e Cartoon Network, reclama da indistin&ccedil;&atilde;o do crit&eacute;rio. &quot;&Eacute; preciso haver a compensa&ccedil;&atilde;o entre canais&quot;, avalia. &quot;H&aacute; aqueles cujo perfil n&atilde;o foi feito para ter conte&uacute;do nacional. &Eacute; o caso do Tooncast, que exibe prioritariamente desenhos animados antigos. Seu p&uacute;blico est&aacute; em busca de nostalgia e poderia n&atilde;o gostar de uma mudan&ccedil;a na programa&ccedil;&atilde;o.&quot;<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, ressalta, mesmo para as produtoras seria &quot;muito mais interessante&quot; veicular um programa em um canal de maior distribui&ccedil;&atilde;o entre os pacotes das operadoras, o qual, consequentemente, possui maior audi&ecirc;ncia, que em um de alcance mais restrito.<\/p>\n<p>Assim, sua proposta seria a chance de transferir a obrigatoriedade de um canal para outro da mesma programadora. N&atilde;o, por&eacute;m, nos moldes em que se especula. &quot;Entende-se que v&atilde;o permitir a transfer&ecirc;ncia de metade do conte&uacute;do, mas que seria dobrada no outro canal. Na pr&aacute;tica n&atilde;o faz sentido, uma vez que isso faria aumentarem os custos de produ&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o deixaria de alterar a grade do primeiro canal.&quot;<br \/>A s&eacute;rie &quot;Preamar&quot;, produzida com incentivos da Ancine, estreou na HBO em maio e mostra empres&aacute;rio que perde tudo<\/p>\n<p>Doyle chama ainda a aten&ccedil;&atilde;o para a propriedade dos direitos autorais das produ&ccedil;&otilde;es. &quot;Para que a obra seja considerada na cota, a participa&ccedil;&atilde;o da programadora ter&aacute; de ser minorit&aacute;ria, apesar de muitas vezes ser ela a respons&aacute;vel pelo desenvolvimento da ideia. Na hora de vender esse programa para o exterior, por exemplo, &eacute; a produtora [a majorit&aacute;ria] quem ficar&aacute; com a maior parte da receita.&quot;<\/p>\n<p>Discrep&acirc;ncias &agrave; parte, n&atilde;o &eacute; de hoje que o mercado nacional de abastecimento das emissoras tem se preocupado com uma alta na demanda por seu trabalho. &quot;Temos nos preparado h&aacute; tr&ecirc;s anos&quot;, afirma Pedro Buarque de Hollanda, diretor-presidente da Conspira&ccedil;&atilde;o. &quot;Passamos a investir, especialmente na forma&ccedil;&atilde;o de pessoas, por conta do aumento de assinantes da TV paga e do interesse de canais estrangeiros em produzir no Brasil. Projetamos, para a empresa, um crescimento de 50% no ano que vem.&quot;<\/p>\n<p>Em n&uacute;meros absolutos, o ano passado fechou com um registro de 12,7 milh&otilde;es de domic&iacute;lios brasileiros com TV por assinatura, contra 9,8 milh&otilde;es ao final de 2010, uma alta de cerca de 30%.<\/p>\n<p>Um sinal de que a nacionaliza&ccedil;&atilde;o tem ocupado seu espa&ccedil;o no planejamento do setor do audiovisual &eacute; o lan&ccedil;amento de s&eacute;ries como &quot;Preamar&quot;, que, produzida pela Pindorama com fundos de incentivo da Ancine, estreou em 6 de maio na HBO, e &quot;FDP&quot;, realizada pela Prodigo tamb&eacute;m para a HBO, canal que mant&eacute;m a tradi&ccedil;&atilde;o de investir em conte&uacute;do brasileiro.<\/p>\n<p>&quot;Preamar&quot; &eacute; sobre um empres&aacute;rio do Rio de Janeiro que perde tudo na Bolsa de Valores e passa a aplicar no com&eacute;rcio ambulante da praia de Ipanema. &quot;FDP&quot;, que dever&aacute; ir ao ar em agosto, explora o universo futebol&iacute;stico a partir da hist&oacute;ria de um juiz que apita jogos da Copa Libertadores da Am&eacute;rica. Os boleiros Neymar, Rivellino e Dentinho far&atilde;o participa&ccedil;&otilde;es especiais nos epis&oacute;dios. O t&iacute;tulo da s&eacute;rie dispensa explica&ccedil;&otilde;es para quem costuma frequentar est&aacute;dios.<\/p>\n<p>Sustentar a penetra&ccedil;&atilde;o ascendente com um entretenimento de qualidade que n&atilde;o pese no or&ccedil;amento dos espectadores, principalmente no dos que inclu&iacute;ram a TV paga no rol de consumo de uma classe C de maior poder aquisitivo, &eacute; o desafio apregoado por quem atua no segmento.<\/p>\n<p>Se, por um lado, a lei abre caminho para novas produtoras, como destaca Mermelstein, em contrapartida elas ter&atilde;o de superar as barreiras de entrada do neg&oacute;cio, adverte Hollanda.<\/p>\n<p>&quot;Ele requer capacidade econ&ocirc;mica, estrutural, uma equipe de roteiristas&quot;, diz. &quot;&Eacute; um modelo de produ&ccedil;&atilde;o bem distinto do da publicidade, que &eacute; o foco de muitas produtoras independentes. S&oacute; vai ficar no jogo quem tiver escala, tamanho e qualidade de entrega.&quot;<\/p>\n<p>A ABPI-TV (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Produtoras Independentes de Televis&atilde;o) se mostra antenada &agrave; necessidade de cont&iacute;nua adapta&ccedil;&atilde;o a esse cen&aacute;rio. &quot;Uma das frentes de atua&ccedil;&atilde;o da associa&ccedil;&atilde;o &eacute; em capacita&ccedil;&atilde;o e treinamento&quot;, diz seu presidente, Marco Altberg. &quot;Precisamos de empresas produtoras cada vez melhor estruturadas em planejamento, gest&atilde;o e resultados&quot;, analisa. &quot;Um dos focos a partir da demanda da lei &eacute; a &aacute;rea de cria&ccedil;&atilde;o de produtos para TV. Devem-se estimular a autoria de projetos e o desenvolvimento de ideias para os diferentes formatos.&quot;<\/p>\n<p>Sem essa estrutura&ccedil;&atilde;o, h&aacute; quem tema pelo surgimento de atra&ccedil;&otilde;es de gosto duvidoso nas telas, o que tamb&eacute;m se torna um risco devido &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es de verba para viabilizar mais conte&uacute;do. &quot;Vamos ter que fazer muito mais com o mesmo bolo de dinheiro&quot;, diz Doyle. &quot;A menos que se consiga financiamento no mercado, com patrocinadores ou com o governo, a qualidade de alguns programas ser&aacute; prejudicada.&quot;<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, completa, incrementos nas despesas operacionais das produtoras podem causar impactos no bolso do assinante. &quot;Se os custos aumentarem, teremos de repass&aacute;-los &agrave;s operadoras. Esse movimento iria contra a tend&ecirc;ncia do mercado, que &eacute; a de pacotes de programa&ccedil;&atilde;o cada vez mais baratos.&quot;<\/p>\n<p>A vis&atilde;o de Matias Mariani, s&oacute;cio da Primo Filmes, oferece outra perspectiva. &quot;Quanto maior a demanda, mais voc&ecirc; consegue utilizar as mesmas pessoas da equipe em projetos diferentes, o que pode reduzir custos&quot;, afirma.<\/p>\n<p>No dia 16 de maio, a Ancine e o Minist&eacute;rio da Cultura divulgaram o aporte de R$ 55 milh&otilde;es na linha de investimento do Fundo Setorial do Audiovisual que disponibiliza recursos para a produ&ccedil;&atilde;o de s&eacute;ries e document&aacute;rios nacionais de televis&atilde;o.<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grande tema a ser discutido no 13&ordm; F&oacute;rum Brasil de Televis&atilde;o, que acontece hoje e amanh&atilde; em S&atilde;o Paulo, no Centro de Conven&ccedil;&otilde;es Frei Caneca, &eacute; a lei federal n&ordm; 12.485\/2011. Sancionada em setembro do ano passado, ela estabelece cotas para a produ&ccedil;&atilde;o brasileira na programa&ccedil;&atilde;o da TV por assinatura e j&aacute; movimenta o &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26923\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Independentes ganham mercado com lei de cotas<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[148],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26923"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26923"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26923\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}