{"id":26914,"date":"2012-05-30T12:40:44","date_gmt":"2012-05-30T12:40:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26914"},"modified":"2012-05-30T12:40:44","modified_gmt":"2012-05-30T12:40:44","slug":"a-veja-deve-explicacoes-ao-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26914","title":{"rendered":"\u201cA Veja deve explica\u00e7\u00f5es ao pa\u00eds\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A CPI realizada pelo Congresso Nacional que tenta investigar a influ&ecirc;ncia do bicheiro Carlinhos Cachoeira sobre o poder p&uacute;blico acabou suscitando um debate t&atilde;o inesperado quanto necess&aacute;rio no pa&iacute;s: a rela&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia com as esferas de poder, sejam elas pol&iacute;ticas ou econ&ocirc;micas.<\/p>\n<p>A Pol&iacute;cia Federal identificou cerca de 200 conversas telef&ocirc;nicas entre o diretor da sucursal da revista Veja em Bras&iacute;lia, Policarpo J&uacute;nior, e o contraventor. A divulga&ccedil;&atilde;o dessas escutas mostra que Cachoeira pautava a publica&ccedil;&atilde;o da editora Abril, que se deixava levar pelos interesses pol&iacute;ticos de um empres&aacute;rio fortemente ligado ao senador Dem&oacute;stenes Torres (ex-DEM).<\/p>\n<p>Diante desse cen&aacute;rio, alguns parlamentares t&ecirc;m defendido a convoca&ccedil;&atilde;o de Policarpo para depor na CPI, mesmo que o relator Odair Cunha (PT-MG) j&aacute; tenha rejeitado pedido de informa&ccedil;&otilde;es a respeito. Para o presidente da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schr&ouml;der, a revista precisa explicar o que guiou sua pr&aacute;tica jornal&iacute;stica nesse epis&oacute;dio. &ldquo;A Veja tem que dar explica&ccedil;&otilde;es ao Brasil. &Eacute; preciso explicar como ela exerce a atividade jornal&iacute;stica com essas veleidades, com descompromisso e irresponsabilidade em rela&ccedil;&atilde;o a princ&iacute;pios &eacute;ticos e t&eacute;cnicos consagrados pelo jornalismo&rdquo;, entende.<\/p>\n<p>Nesta entrevista ao Sul21, Schr&ouml;der avalia a conduta da revista nesse e em outros epis&oacute;dios e defende a necessidade de um marco regulat&oacute;rio para a comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>Sul21 &ndash; O que a CPI do Cachoeira pode nos dizer sobre a m&iacute;dia brasileira?<br \/>Celso Schr&ouml;der &ndash;<\/strong> A CPI est&aacute; nos mostrando que a m&iacute;dia &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o como qualquer outra e precisa estar submetida a princ&iacute;pios p&uacute;blicos, na medida em que a mat&eacute;ria-prima do seu trabalho &eacute; p&uacute;blica: a informa&ccedil;&atilde;o. Quanto menos p&uacute;blica essa institui&ccedil;&atilde;o for e mais submetida aos interesses privados dos seus gestores ela estiver, mais comprometida ficar&aacute; a natureza do jornalismo. Como qualquer institui&ccedil;&atilde;o, a m&iacute;dia n&atilde;o est&aacute; acima do bem e do mal, dos preceitos republicanos do Estado de Direito e do interesse p&uacute;blico. Do ponto de vista pol&iacute;tico, a Veja confundiu o p&uacute;blico com o privado. Do ponto de vista jornal&iacute;stico, comete um pecado inaceit&aacute;vel: estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o prom&iacute;scua entre o jornalista e a fonte. N&atilde;o &eacute; s&oacute; um rep&oacute;rter, mas &eacute; a organiza&ccedil;&atilde;o, a chefia da empresa, que conduz e encaminha uma atividade tecnicamente reprov&aacute;vel e eticamente inaceit&aacute;vel. Todo jornalista sabe, desde o primeiro semestre da faculdade, que a fonte &eacute; um elemento constituidor da not&iacute;cia na medida em que ela for tratada como fonte. A fonte tem interesses e, para que eles n&atilde;o contaminem a natureza da informa&ccedil;&atilde;o, precisam ser filtrados pelo mediador, que &eacute; o jornalista. A fonte, ao mesmo tempo em que d&aacute; credibilidade e constitui elemento de pluralidade na mat&eacute;ria, por outro lado, se n&atilde;o for mediada e relativizada pelo jornalista, pode contaminar o conte&uacute;do.<\/p>\n<p><strong>Sul21 &ndash; Em que pontos a rela&ccedil;&atilde;o entre Policarpo J&uacute;nior e Cachoeira extrapolaram uma rela&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel entre rep&oacute;rter e fonte?<br \/><\/strong>Schroder &ndash; Ele n&atilde;o tratou o Cachoeira como fonte. O problema &eacute; um jornalista ou uma empresa jornal&iacute;stica atribuir a algu&eacute;m uma dimens&atilde;o de fonte &uacute;nica, negociando com ela o conte&uacute;do e a dimens&atilde;o da mat&eacute;ria e, principalmente, conduzindo a Veja para uma atua&ccedil;&atilde;o de partido pol&iacute;tico. Esse &eacute; um pecado que a Veja vem cometendo h&aacute; algum tempo. A oposi&ccedil;&atilde;o no Brasil &eacute; muito fr&aacute;gil. Por n&atilde;o existir uma oposi&ccedil;&atilde;o forte, a imprensa assume esse papel, o que &eacute; uma distor&ccedil;&atilde;o absoluta. A imprensa n&atilde;o tem que assumir essa fun&ccedil;&atilde;o, a sociedade n&atilde;o atribui a ela uma dimens&atilde;o pol&iacute;tico-partid&aacute;ria, como a Veja se prop&otilde;e. A Veja acaba de nos produzir um dos piores momentos do jornalismo. Quando houve o epis&oacute;dio da tentativa de invas&atilde;o do apartamento do ex-ministro Jos&eacute; Dirceu (PT) por um rep&oacute;rter da Veja, eu escrevi um artigo dizendo que, assim como Watergate tinha sido o grande momento do jornalismo no mundo, a atua&ccedil;&atilde;o da Veja no quarto de Dirceu foi um anti-Watergate. Mal sabia eu que ter&iacute;amos um momento ainda pior. N&atilde;o foi a a&ccedil;&atilde;o individual de um rep&oacute;rter sem capacidade de avalia&ccedil;&atilde;o. Foi uma a&ccedil;&atilde;o premeditada e sist&ecirc;mica de uma empresa de comunica&ccedil;&atilde;o, de um chefe que conduzia seu rep&oacute;rter para uma a&ccedil;&atilde;o imoral, tangenciando perigosamente a ilegalidade.<\/p>\n<p><strong>Sul21 &ndash; O mesmo pode ser dito para o epis&oacute;dio recente entre Policarpo J&uacute;nior e Cachoeira?<br \/><\/strong>Schr&ouml;der &#8211; Neste momento, isso se consolida. &Eacute; uma revista que coloca em jogo a mat&eacute;ria-prima b&aacute;sica da sua exist&ecirc;ncia: a credibilidade. Parece-me um suic&iacute;dio, inclusive do ponto de vista de um neg&oacute;cio jornal&iacute;stico. A n&atilde;o ser que a Veja esteja contando com um outro tipo de financiamento, ou j&aacute; esteja sendo subsidiada por outro mecanismo que n&atilde;o seja decorrente da credibilidade e da inser&ccedil;&atilde;o no p&uacute;blico. N&atilde;o temos dados concretos sobre isso, mas tudo leva a crer que, nesse momento, o financiamento da Veja esteja se dando por outro caminho. O comprometimento e o alinhamento inescrupuloso da revista a uma determinada vis&atilde;o de mundo conduz &agrave; ideia de que a Veja possa ter aberto m&atilde;o de ser um ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o para ser um instrumento pol&iacute;tico com financiamento deste campo.<\/p>\n<p><strong>Sul21 &ndash; Mas a revista j&aacute; passou por per&iacute;odos em que era mais comprometida com o jornalismo. Como ocorreu essa mudan&ccedil;a?<br \/><\/strong>Schroder &ndash; N&atilde;o &eacute; de agora que a Veja vem dando ind&iacute;cios de que abre m&atilde;o de um papel de refer&ecirc;ncia jornal&iacute;stica. A Veja foi fundamental para a redemocratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, foi refer&ecirc;ncia para jornalistas de v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es e teve em sua dire&ccedil;&atilde;o homens como Mino Carta. Depois de um certo tempo, a revista come&ccedil;a a alinhar-se a um determinado grupo social brasileiro. &Eacute; claro que os editores da revista t&ecirc;m opini&otilde;es e cumprem um papel conservador no pa&iacute;s. Tudo bem que isso aconte&ccedil;a nas dimens&otilde;es editoriais. Agora, que se reserve ao jornalismo informativo um espa&ccedil;o de discuss&atilde;o com contrapontos. Princ&iacute;pios elementares do jornalismo foram sendo abandonados e essa revista, que foi importante para a democracia e para o jornalismo, passa a ser um exemplo ruim que precisa ser enfrentado.<\/p>\n<p><strong>Sul21 &ndash; Como o senhor v&ecirc; a possibilidade de Policarpo J&uacute;nior ser convocado para depor na CPI?<br \/><\/strong>Schroder &ndash; Tenho visto declara&ccedil;&otilde;es de alguns pol&iacute;ticos, como da senadora Ana Am&eacute;lia Lemos (PP-RS), que diz que o envolvimento do Policarpo nisso representa um ataque &agrave; imprensa. Os jornalistas n&atilde;o est&atilde;o acima da lei e n&atilde;o podem estar acima dos princ&iacute;pios republicanos. Se ele for convocado pela CPI, tem o direito de n&atilde;o ir. Se ele for, tem o direito de exercer a prerrogativa do sigilo de fonte. Mas a convoca&ccedil;&atilde;o n&atilde;o representa uma amea&ccedil;a. A Veja tem que dar explica&ccedil;&otilde;es ao Brasil. &Eacute; preciso explicar como ela exerce a atividade jornal&iacute;stica com essas veleidades, com descompromisso e irresponsabilidade em rela&ccedil;&atilde;o a princ&iacute;pios &eacute;ticos e t&eacute;cnicos consagrados pelo jornalismo. Questionar isso &eacute; fundamental. Os jornalistas e a academia t&ecirc;m obriga&ccedil;&atilde;o de fazer esse questionamento.<\/p>\n<p><strong>Sul21 &ndash; Nesse sentido, n&atilde;o seria v&aacute;lido tamb&eacute;m convocar o presidente do Grupo Abril, Roberto Civita?<br \/><\/strong>Schroder &ndash; Parece que seria deslocar o problema. Na CPI, a Veja &eacute; um dos pontos. O problema &eacute; a corrup&ccedil;&atilde;o entre o Cachoeira e o Parlamento brasileiro. Um depoimento do Civita geraria um debate que desviaria os trabalhos da CPI. N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que a Veja praticou um mau jornalismo e deve prestar contas. A CPI tem grava&ccedil;&otilde;es de integrantes da revista com o bicheiro. Que eles sejam convocados, ent&atilde;o. N&atilde;o &eacute; pouca coisa trazer o chefe da sucursal da Veja em Bras&iacute;lia para depor.<\/p>\n<p><strong>Sul21 &ndash; As cr&iacute;ticas &agrave; Veja costumam ser rebatidas com argumentos que valorizam o trabalho supostamente investigativo feito pela revista, com diversas den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o. Entretanto, as grava&ccedil;&otilde;es entre Policarpo e Cachoeira revelam como funcionava a engenharia que movia algumas dessas den&uacute;ncias.<br \/><\/strong>Schroder &ndash; H&aacute; uma certa sensa&ccedil;&atilde;o de que estamos vivendo um momento de corrup&ccedil;&atilde;o absoluta no pa&iacute;s. E isso est&aacute; longe de ser verdade. Basta olhar a hist&oacute;ria e ver que agora temos institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas funcionando. A imprensa cumpre um papel democr&aacute;tico e fiscalizador importante com a den&uacute;ncia. O problema &eacute; que alguns setores, ao fazerem den&uacute;ncias, atribuem um papel absoluto &agrave; ideia da corrup&ccedil;&atilde;o. No caso da Veja, o pior de tudo &eacute; que a pr&oacute;pria revista estava envolvida. N&atilde;o &eacute; s&oacute; um mau jornalismo sendo praticado. H&aacute; ind&iacute;cios perigosos de uma locupleta&ccedil;&atilde;o &ndash; que n&atilde;o precisa ser necessariamente financeira. Pode ser uma troca de favores, onde o que a Veja ganhou foi a constitui&ccedil;&atilde;o de argumentos para uma atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, n&atilde;o jornal&iacute;stica. Como se fosse o partido pol&iacute;tico que a oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consegue ser. Se a imprensa se prop&otilde;e a esse tipo de coisa, volta a um patamar de atua&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XVIII.&nbsp; Se &eacute; para ser assim, que a revista mude de nome e assuma o alinhamento a determinado partido. Agora, ao se apresentar como um espa&ccedil;o informativo, a Veja precisa refletir a complexidade do espa&ccedil;o pol&iacute;tico brasileiro. Se ela n&atilde;o faz isso, est&aacute; comprometendo o jornalismo e tangenciando uma possibilidade de ilegalidade que, se houver, precisa ser esclarecida. A Fenaj n&atilde;o vai proteger jornalistas criminosos.<\/p>\n<p><strong>Sul21 &ndash; A revela&ccedil;&atilde;o desse modus-operandi da Veja est&aacute; gerando uma discuss&atilde;o quase in&eacute;dita no pa&iacute;s: a m&iacute;dia est&aacute; debatendo a m&iacute;dia. A revista Carta Capital tem dedicado diversas capas ao tema e a Record j&aacute; fez uma reportagem sobre o assunto. &Eacute; um fen&ocirc;meno comum em outros pa&iacute;ses, mas at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o ocorria no Brasil.<br \/><\/strong>Schroder &ndash; Nos anos 1980, quando a Fenaj prop&ocirc;s uma linha para a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, partimos da compreens&atilde;o de que a democratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s n&atilde;o havia conseguido chegar &agrave; m&iacute;dia. O sistema midi&aacute;tico brasileiro, ao contr&aacute;rio de todas as outras institui&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o havia sido democratizado. Temos cinco artigos da Constitui&ccedil;&atilde;o nessa &aacute;rea que n&atilde;o est&atilde;o regulamentados. Durante 30 anos tivemos diversas iniciativas de tentar construir&nbsp; esse debate. A l&oacute;gica da regulamenta&ccedil;&atilde;o existe em todos os pa&iacute;ses do mundo. Mas, no Brasil, isso enfrenta resist&ecirc;ncias de uma m&iacute;dia poderosa, que fez os dois primeiros presidentes da Rep&uacute;blica ap&oacute;s a democratiza&ccedil;&atilde;o. Sarney e Collor s&atilde;o dois pol&iacute;ticos que sa&iacute;ram dos quadros da Rede Globo. Na presid&ecirc;ncia do Congresso tivemos outros afilhados da Rede Globo, como Antonio Carlos Magalh&atilde;es, que tamb&eacute;m foi ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es. A m&iacute;dia n&atilde;o s&oacute; est&aacute; concentrada, no sentido de ter monop&oacute;lios, como est&aacute; desprovida de qualquer controle p&uacute;blico. Est&aacute; absolutamente entregue &agrave; ideia de que a liberdade de express&atilde;o &eacute; a liberdade de express&atilde;o dos donos da m&iacute;dia. Enquanto que o preceito constitucional diz que a liberdade de express&atilde;o &eacute; do povo, e o papel da m&iacute;dia &eacute; assegurar isso.<\/p>\n<p><strong>Sul21 &ndash; Quanto se conseguiu avan&ccedil;ar nesse debate desde ent&atilde;o?<br \/><\/strong>Schroder &ndash; Estamos h&aacute; 30 anos pautando esse debate at&eacute; chegarmos a Confecom (Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, realizada em dezembro de 2009). A Fenaj consegue constituir a ideia de que esse debate precisa ser p&uacute;blico, j&aacute; que ele &eacute; omitido pela m&iacute;dia, que atribui &agrave; essa discuss&atilde;o uma tentativa de censura. A Confecom, no in&iacute;cio, teve a anu&ecirc;ncia das empresas. Eu fui junto com os representantes da RBS e da Globo aos ministros Helio Costa (Comunica&ccedil;&otilde;es),&nbsp; Tarso Genro (Justi&ccedil;a) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presid&ecirc;ncia) propor a confer&ecirc;ncia. As empresas compreendiam que, naquele momento, a telefonia estava chegando e amea&ccedil;ava um modelo de neg&oacute;cios. Mas, durante a Confecom, a Rede Globo e todos os seus aliados se retiraram, tentando sabotar mais uma vez o debate. O esp&iacute;rito conservador est&aacute; no DNA da Rede Globo. Ela acostumou-se &agrave; ideia de que para o seu neg&oacute;cio n&atilde;o deve existir nenhuma regra. Acostumou-se a impor seus interesses ao pa&iacute;s e, portanto, &eacute; ontol&oacute;gicamente contra qualquer regra. Naquele momento em que a Globo se retirou da Confecom ficou claro que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel contar com esses empres&aacute;rios para qualquer tipo de tentativa de atribuir &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil uma dimens&atilde;o p&uacute;blica, humana e nacional, regida por princ&iacute;pios culturais, democr&aacute;ticos e educacionais, n&atilde;o simplesmente pelo lucro f&aacute;cil e r&aacute;pido.<\/p>\n<p><strong>Sul21 &ndash; O editorial do jornal O Globo defendendo a revista Veja &eacute; um ind&iacute;cio de que h&aacute; um corporativismo muito grande entre os donos da m&iacute;dia tradicional?<br \/><\/strong>Schroder &ndash; O princ&iacute;pio que os une &eacute; aquele verbalizado pela Sociedade Interamericana de Imprensa: Lei melhor &eacute; lei nenhuma. As empresas alinhadas &agrave; ideia de que n&atilde;o podem estar submetidas &agrave; lei protegem-se. Abrigadas no manto de uma liberdade de express&atilde;o apropriada por elas, protegem seus interesses e seus neg&oacute;cios, atuando de uma maneira corporativa e antip&uacute;blica.&nbsp; O jornalismo &eacute; fruto de uma atividade profissional, n&atilde;o &eacute; fruto de um neg&oacute;cio. Jornalismo n&atilde;o &eacute; venda de an&uacute;ncios. Jornalismo &eacute;, essencialmente, o resultado do trabalho dos jornalistas. Portanto, a obriga&ccedil;&atilde;o dos jornalistas &eacute; denunciar sempre que o jornalismo for maculado, como ocorreu com a Veja. Seria, tamb&eacute;m, uma obriga&ccedil;&atilde;o das empresas jornal&iacute;sticas, na medida em que elas n&atilde;o estejam envolvidas com esse tipo de pr&aacute;tica. Ao tornarem-se c&uacute;mplice e acobertarem esse tipo de pr&aacute;tica, as empresas aliam-se a elas. Essas empresas disputam o mercado, mas protegem-se no que consideram essencial, no sentido de inviabilizar a ideia de que exercem uma atividade submetida aos interesses p&uacute;blicos, como qualquer outra.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista para o Sul21, o presidente da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos  Jornalistas, Celso Schr&ouml;der, fala sobre as den&uacute;ncias sobre a crise no  jornalismo da grande imprensa ap&oacute;s a divulga&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre a  revista Veja e o contraventor Carlos Cachoeira.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1696],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26914"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26914"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26914\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}