{"id":26903,"date":"2012-05-24T19:20:01","date_gmt":"2012-05-24T19:20:01","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26903"},"modified":"2012-05-24T19:20:01","modified_gmt":"2012-05-24T19:20:01","slug":"justica-determina-a-desmonopolizacao-do-grupo-clarin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26903","title":{"rendered":"Justi\u00e7a determina a &#8220;desmonopoliza\u00e7\u00e3o&#8221; do Grupo Clar\u00edn"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Depois de tr&ecirc;s anos de debate, a Suprema Corte argentina determinou que o Grupo Clar&iacute;n tem at&eacute; o dia sete de dezembro de 2012 para &quot;desinvestir&quot; em seu conglomerado midi&aacute;tico. O Clar&iacute;n havia apresentado uma medida cautelar no dia 1&ordm; de outubro de 2009 sobre o artigo 161 da Lei de democratiza&ccedil;&atilde;o de meios de comunica&ccedil;&atilde;o, que estabelece &ldquo;a obrigatoriedade de desinvestir para aqueles grupos que superam o limite da regula&ccedil;&atilde;o legal&rdquo;.<\/p>\n<p>Por decis&atilde;o un&acirc;nime, o Tribunal se pronunciou no processo &quot;Grupo Clar&iacute;n SA e outros sobre medidas cautelares&rdquo;, afirmando que &ldquo;as medidas cautelares s&atilde;o resolu&ccedil;&otilde;es jurisdicionais prec&aacute;rias e n&atilde;o podem substituir a solu&ccedil;&atilde;o de fundo porque afetam a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica&rdquo;. Ainda que a demanda do Grupo Clar&iacute;n tenha se enquadrado no marco do direito de defesa da competi&ccedil;&atilde;o, o Grupo tamb&eacute;m esgrimiu raz&otilde;es de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade de express&atilde;o. Neste sentido, a senten&ccedil;a sustenta que a Corte foi muito clara e consistente em seu reconhecimento ao longo de uma extensa e importante jurisprud&ecirc;ncia. Entretanto, no processo &ldquo;n&atilde;o h&aacute; mais que uma men&ccedil;&atilde;o ao tema&rdquo; &ndash; liberdade de express&atilde;o -, j&aacute; que a parte autora &ndash; Clar&iacute;n &#8211; &ldquo;n&atilde;o acrescentou nenhum elemento probat&oacute;rio que demonstre de que maneira resultaria afetada essa liberdade&rdquo;.<\/p>\n<p>Textualmente, o artigo da Lei de Meios de Comunica&ccedil;&atilde;o afirma que &quot;os titulares de licen&ccedil;as dos servi&ccedil;os e registros regulados por esta lei, que na data de sua san&ccedil;&atilde;o n&atilde;o re&uacute;nam ou n&atilde;o cumpram os requisitos previstos pela mesma, ou as pessoas jur&iacute;dicas que, no momento de entrada em vigor desta lei fossem titulares de uma quantidade maior de licen&ccedil;as, ou com uma composi&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria diferente da permitida, dever&atilde;o ajustar-se &agrave;s disposi&ccedil;&otilde;es da presente em um prazo n&atilde;o maior que um (1) ano de que a autoridade de aplica&ccedil;&atilde;o estabele&ccedil;a os mecanismos de transi&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Os ju&iacute;zes Ricardo Lorenzetti, Elena Highton, Carlos Fayt, Juan Carlos Maqueda, Ra&uacute;l Zaffaroni e Enrique Petracchi avaliaram, atrav&eacute;s de sua resolu&ccedil;&atilde;o, que o prazo de 36 meses &ldquo;resulta razo&aacute;vel para a vig&ecirc;ncia da medida cautelar e se ajusta aos tempos que tarda a via processual tentada&rdquo;.<\/p>\n<p>No dia 1&ordm; de outubro de 2009, o Clar&iacute;n solicitou que se ditasse uma medida de &ldquo;n&atilde;o inovar&rdquo; para suspender o tratamento legislativo da Lei de Medios. O pedido foi indeferido pela justi&ccedil;a civil e comercial federal. Em outubro de 2010, em uma decis&atilde;o un&acirc;nime, a Corte confirmou a medida cautelar.<\/p>\n<p>A Corte Suprema afirmou em sua senten&ccedil;a que &ldquo;quando as cautelares se tornam ordin&aacute;rias e substituem a senten&ccedil;a definitiva, se cria um direito prec&aacute;rio, o que constitui uma les&atilde;o ao objetivo de afian&ccedil;ar a justi&ccedil;a, garantido no pr&oacute;prio Pre&acirc;mbulo da Constitui&ccedil;&atilde;o Nacional&rdquo;.<\/p>\n<p>A Autoridade Federal de Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisual (AFSCA) celebrou a decis&atilde;o e afirmou que &quot;a resolu&ccedil;&atilde;o garante a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica e a equidade para todas as partes, de um modo compat&iacute;vel com o interesse geral e a propriedade privada, na medida em que, anteriormente e por via de regulamenta&ccedil;&atilde;o, a AFSCA j&aacute; havia prorrogado o prazo at&eacute; o dia 28 de dezembro de 2011 para o resto dos grupos do setor&quot;.<\/p>\n<p>&ldquo;A Corte Suprema considerou que a quest&atilde;o litigiosa fica circunscrita ao campo do estritamente patrimonial afirmando que, em fun&ccedil;&atilde;o dos elementos probat&oacute;rios, a norma em quest&atilde;o n&atilde;o afeta a liberdade de express&atilde;o&quot;. Tamb&eacute;m afirmou que &ldquo;em todo o direito comparado existem normas de regula&ccedil;&atilde;o do mercado dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o sem que sua constitucionalidade tenha sido questionada&quot;.<\/p>\n<p>A Lei de democratiza&ccedil;&atilde;o de meios de comunica&ccedil;&atilde;o foi aprovada no dia 10 de outubro de 2009, com 44 votos a favor e 24 contra. Consta de 165 artigos e o eixo central est&aacute; colocado nos seguintes pontos:<\/p>\n<p>&#8211; O desinvestimento (ou desmonopoliza&ccedil;&atilde;o). O artigo 161 obriga as empresas de radiodifus&atilde;o a vender, no prazo de um ano, os meios que n&atilde;o se ajustem aos limites da nova regula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&#8211; Novo regime. As distribuidoras de cabo n&atilde;o poder&atilde;o ter canais de tv aberta e s&oacute; &eacute; permitido ter um sinal de cabo de alcance local. Nenhuma empresa pode operar mais de 10 licen&ccedil;as (at&eacute; ent&atilde;o eram 24).<\/p>\n<p>&#8211; Autoridade de aplica&ccedil;&atilde;o. Foi criada a Autoridade Federal de Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisual (Afsca), um ente formado por dois membros escolhidos pelo Governo, tr&ecirc;s pelo Congresso (um pela situa&ccedil;&atilde;o e dois opositores) e dois surgidos de um Conselho Federal dominado pelos governadores.<\/p>\n<p>&#8211; Meios do Estado. Ficou estabelecido que o espa&ccedil;o radioel&eacute;trico se dividisse em 3\/3, com uma parte para os privados, outra para o Estado e uma &uacute;ltima para empresas administradas por ONGs.<\/p>\n<p>&#8211; Concess&atilde;o de licen&ccedil;as. O Poder Executivo se reserva essa faculdade para as cidades com mais de 500.000 habitantes.<\/p>\n<p>&#8211; Conte&uacute;dos. Ficam estabelecidos limites m&iacute;nimos de produ&ccedil;&atilde;o nacional (em programas e m&uacute;sica) nas r&aacute;dios e canais de TV.<\/p>\n<p>&#8211; Telef&ocirc;nicas. Suprimiu-se a autoriza&ccedil;&atilde;o para participar do neg&oacute;cio da TV a cabo. Mas poderiam chegar a faz&ecirc;-lo associadas &agrave; cooperativas.<\/p>\n<p>&#8211; Publicidade. Regula a distribui&ccedil;&atilde;o da grade nos canais privados, mas n&atilde;o se refere &agrave; publicidade oficial.<\/p>\n<p><em>Tradu&ccedil;&atilde;o: Lib&oacute;rio Junior<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Suprema Corte argentina determinou que o Grupo Clar&iacute;n tem at&eacute; o dia 7 de dezembro de 2012 para &quot;desinvestir&quot; em seu conglomerado midi&aacute;tico. Lei determina limite de concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV por emissoras.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[2],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26903"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26903"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26903\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}