{"id":26897,"date":"2012-05-22T14:59:00","date_gmt":"2012-05-22T14:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26897"},"modified":"2012-05-22T14:59:00","modified_gmt":"2012-05-22T14:59:00","slug":"fomento-x-regulacao-no-audiovisual-por-uma-nova-agencia-reguladora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26897","title":{"rendered":"Fomento X regula\u00e7\u00e3o no audiovisual: por uma nova ag\u00eancia reguladora"},"content":{"rendered":"<p>O governo Fernando Henrique criou um monstro chamado Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema (Ancine), provavelmente a &uacute;nica ag&ecirc;ncia reguladora do mundo que, ao inv&eacute;s de regular o conjunto do audiovisual, ainda mais em tempos de converg&ecirc;ncia de m&iacute;dias, concentrava-se apenas nas salas de exibi&ccedil;&atilde;o. Para piorar, n&atilde;o tinha praticamente nenhum poder regulador, salvo as cotas de tela, o registro das obras audiovisuais e mais um ou outro penduricalho.<\/p>\n<p>Mas, a coisa ficou realmente s&eacute;ria quando o &oacute;rg&atilde;o regulador se tornou o principal fomentador do audiovisual brasileiro. Mal comparando, seria como fundir o BNDES e o CADE numa mesma inst&acirc;ncia. Enquanto uma parte do novo &oacute;rg&atilde;o busca criar agentes econ&ocirc;micos grandes e sustent&aacute;veis, uma outra parte busca regular a concorr&ecirc;ncia e evitar pr&aacute;ticas predat&oacute;rias. Ora, o conflito entre as duas atribui&ccedil;&otilde;es &eacute; &oacute;bvio e, no caso da Ancine, s&oacute; n&atilde;o ocorreu ainda porque a ag&ecirc;ncia &eacute; praticamente desprovida de capacidade regulat&oacute;ria.<\/p>\n<p>Mas, dada a import&acirc;ncia de seu fomento, era inevit&aacute;vel que boa parte de seu tempo, de seus recursos humanos e de sua aten&ccedil;&atilde;o se voltasse para as diferentes formas de custear o produtor audiovisual e que ela fosse vista pelo mercado e a sociedade civil como um mero escrit&oacute;rio de fomento.<\/p>\n<p>A aprova&ccedil;&atilde;o da Lei 12.485\/2011 deu novas atribui&ccedil;&otilde;es regulat&oacute;rias para a ag&ecirc;ncia e este cen&aacute;rio, ao contr&aacute;rio de beneficiar a Ancine, provavelmente ir&aacute; acentuar ainda mais as contradi&ccedil;&otilde;es e debilidades de um &oacute;rg&atilde;o de fomento que eventualmente tamb&eacute;m regula.<\/p>\n<p>Sendo assim, quando o governo se prepara para apresentar um proposta de marco regulat&oacute;rio para as comunica&ccedil;&otilde;es, seria fundamental propor reformas na Ancine. A primeira delas, a mais &oacute;bvia, seria separar fomento de regula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A &ldquo;por&ccedil;&atilde;o regulat&oacute;ria&rdquo; da Ancine poderia se tornar uma ag&ecirc;ncia reguladora do audiovisual (como fazem, em geral, os pa&iacute;ses da Europa continental) ou ser reunida num mesmo organismo com a ag&ecirc;ncia reguladora da infra-estrutura das comunica&ccedil;&otilde;es, no caso brasileiro a Anatel (como fazem Estados Unidos e Reino Unido). Particularmente, prefiro a primeira op&ccedil;&atilde;o, porque evita que o debate sobre as telecomunica&ccedil;&otilde;es termine por subjugar o debate sobre o conte&uacute;do e tamb&eacute;m estimula uma pol&iacute;tica mais espec&iacute;fica para a regula&ccedil;&atilde;o do audiovisual.<\/p>\n<p>J&aacute; a &ldquo;por&ccedil;&atilde;o fomentadora&rdquo; poderia vir a compor um novo organismo, cuja maior responsabilidade seria a administra&ccedil;&atilde;o do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Este novo organismo deveria ter uma figura jur&iacute;dica que lhe permitisse atuar como agente financeiro do audiovisual, eliminando as atuais distor&ccedil;&otilde;es de uma ag&ecirc;ncia reguladora que precisa terceirizar praticamente toda a sua atividade de fomento direto.<\/p>\n<p>Mas, principalmente, esse poderia ser o come&ccedil;o do fim da ren&uacute;ncia fiscal, j&aacute; que o novo FSA, com os recursos advindos da lei 12.485, seria capaz de suportar sozinho o fomento ao audiovisual brasileiro. Assim, colocar&iacute;amos fim a um modelo de fomento totalmente distorcido, que entre outras mazelas permite que radiodifusores e est&uacute;dios norte-americanos tenham at&eacute; 49% do patrim&ocirc;nio das obras brasileiras (ditas &ldquo;independentes&rdquo;) sem precisarem gastar um &uacute;nico tost&atilde;o. Um modelo que n&atilde;o foi capaz de criar empresas sustent&aacute;veis, que aumentou a produ&ccedil;&atilde;o sem aumentar o market share das obras brasileiras e que inflacionou custos.<\/p>\n<p>O debate sobre o novo marco regulat&oacute;rio para as comunica&ccedil;&otilde;es pode ser o momento de constatarmos que o atual modelo &eacute; prejudicial tanto para a regula&ccedil;&atilde;o quanto para o fomento ao audiovisual brasileiro e que precisamos dar um passo al&eacute;m. Do governo, espera-se a coragem necess&aacute;ria&hellip;<\/p>\n<p><em><br \/>Gustavo &eacute; mestre em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura (UFRJ) e integrante do Coletivo Intervozes. &Eacute; servidor p&uacute;blico concursado, especialista em regula&ccedil;&atilde;o da atividade cinematogr&aacute;fica e audiovisual. &Eacute; autor do Blog do Gindre: www.gindre.com.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo FHC criou um monstro chamado Ag&ecirc;ncia Nacional do  Cinema (Ancine), provavelmente a &uacute;nica ag&ecirc;ncia reguladora do mundo que,  ao inv&eacute;s de regular o conjunto do audiovisual, concentrava-se apenas nas salas de exibi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1665],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26897"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26897"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26897\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}