{"id":26879,"date":"2012-05-15T17:13:39","date_gmt":"2012-05-15T17:13:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26879"},"modified":"2012-05-15T17:13:39","modified_gmt":"2012-05-15T17:13:39","slug":"lei-de-acesso-a-informacao-contra-a-opacidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26879","title":{"rendered":"Lei de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o: Contra a opacidade"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O Brasil passa a contar a partir da pr&oacute;xima quarta-feira com uma lei que garante a qualquer cidad&atilde;o o amplo acesso a informa&ccedil;&otilde;es dos poderes p&uacute;blicos. A Lei n&ordm; 12.527\/2011, de Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o, busca disciplinar e efetivar o exerc&iacute;cio do direito fundamental de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o &ndash; previsto no artigo 5&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal &ndash; e, entre v&aacute;rios reflexos, certamente tornar&aacute; o poder p&uacute;blico mais transparente e aberto.<\/p>\n<p>Com um instrumento legal claro e regulat&oacute;rio em m&atilde;os, a sociedade passa a ter ferramentas efetivas para saber melhor o que se passa atr&aacute;s de algumas portas e dentro de gavetas dos pal&aacute;cios, minist&eacute;rios e secretarias do Executivo, n&atilde;o apenas em Bras&iacute;lia, mas tamb&eacute;m nos Estados, munic&iacute;pios e embaixadas brasileiras ao redor do mundo. Os Poderes Judici&aacute;rio, Legislativo, os Tribunais de Contas e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico tamb&eacute;m ser&atilde;o obrigados a, finalmente, acender suas luzes. Tudo, absolutamente, &eacute; objeto da nova lei. E todos os que de algum modo recebam, para realiza&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de interesse p&uacute;blico, recursos p&uacute;blicos, se subordinar&atilde;o a ela.<\/p>\n<p>Em verdade, esse processo de abertura n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil. Baixar novas normas &eacute; sempre menos complicado do que mudar culturas e vencer burocracias arraigadas desde tempos coloniais. Todavia, se &eacute; ineg&aacute;vel que a lei em quest&atilde;o fixou ex&iacute;guos seis meses para que os &oacute;rg&atilde;os se adaptem, n&atilde;o &eacute; menos verdade que o projeto de lei que originou a Lei de Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o foi enviado ao Congresso nos idos de 2009, e aprovado no fim de 2011. Logo, &eacute; evidente que o tema j&aacute; vem sendo debatido h&aacute; anos e nada impedia que as institui&ccedil;&otilde;es se antecipassem, na medida do poss&iacute;vel, em rela&ccedil;&atilde;o ao objeto das propostas. Infelizmente, a cultura da opacidade &eacute; quase onipresente no Pa&iacute;s e muitas de nossas institui&ccedil;&otilde;es ainda querem lutar em sentido contr&aacute;rio ao ideal republicano da transpar&ecirc;ncia que fundamenta e orienta a forma&ccedil;&atilde;o do nosso Estado.<\/p>\n<p>De qualquer forma, o que importa &eacute; que os tempos de escurid&atilde;o e indiferen&ccedil;a dos entes p&uacute;blicos est&atilde;o com os dias contados. Ressalvadas algumas hip&oacute;teses excepcionais previstas na lei quanto &agrave; necessidade do sigilo, a regra &ndash; como j&aacute; previa o texto constitucional, desde 1988 &ndash; &eacute; a publicidade, e o sigilo s&oacute; pode ser exce&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A aus&ecirc;ncia ou incompletude de informa&ccedil;&otilde;es em temas de grande relev&acirc;ncia tem dificultado que ocorram debates francos dentro de uma sociedade. O sistema prisional paulista, por exemplo, onde est&aacute; cerca de um ter&ccedil;o dos presos do Pa&iacute;s, tem gargalos de informa&ccedil;&atilde;o, principalmente relacionados &agrave;s mulheres presas. Esse d&eacute;ficit de dados inviabiliza uma profunda e firme discuss&atilde;o sobre o tema, j&aacute; que o quadro que se pinta daquele cen&aacute;rio &eacute; borrado, quando n&atilde;o incompleto. Assim, a busca pela transpar&ecirc;ncia e divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es deve ser objeto de incans&aacute;vel persecu&ccedil;&atilde;o, na medida em que a sistematiza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es pelos entes p&uacute;blicos ajudar&aacute; no desenvolvimento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que tratem daquela quest&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>&Oacute;ticas diversas<br \/><\/strong><br \/>Outro exemplo que podemos citar &eacute; que hoje se aguarda que o relat&oacute;rio do Subcomit&ecirc; para a Preven&ccedil;&atilde;o da Tortura da ONU, produzido ap&oacute;s visita realizada ao Brasil no ano passado no intuito de monitorar a situa&ccedil;&atilde;o da tortura e de maus-tratos em unidades de priva&ccedil;&atilde;o de liberdade, seja trazido a p&uacute;blico pelo governo federal. A divulga&ccedil;&atilde;o do documento certamente contribuir&aacute; para um debate mais rico entre poder p&uacute;blico e sociedade civil acerca do tema, consubstanciando-se em grande oportunidade para que o Pa&iacute;s finalmente enfrente o assunto de forma firme e aberta.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de criar a responsabilidade de atender a requerimentos de informa&ccedil;&atilde;o, a lei imp&otilde;e aos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos a obriga&ccedil;&atilde;o de praticar a chamada transpar&ecirc;ncia ativa. Independentemente de demandas, mesmo os &oacute;rg&atilde;os conhecidos pela pouca afei&ccedil;&atilde;o &agrave; publicidade e transpar&ecirc;ncia, como o Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, ter&atilde;o que disponibilizar em seus sites informa&ccedil;&otilde;es de forma constante. Em uma &eacute;poca de ascens&atilde;o do papel do Brasil no mundo, &eacute; inadmiss&iacute;vel que ainda n&atilde;o exista nesses &oacute;rg&atilde;os a cultura de divulgar informa&ccedil;&otilde;es sistematizadas.<\/p>\n<p>Como resultado, se espera n&atilde;o s&oacute; um crescente desenvolvimento da cultura de transpar&ecirc;ncia na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica &ndash; e do seu controle social -, mas tamb&eacute;m que tenhamos ao longo do tempo uma sociedade mais fiscalizadora, participativa e propositiva, capaz de contribuir para a ado&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas pertinentes. Em um ambiente no qual o debate dial&eacute;tico entre representantes e representados ter&aacute; mais qualidade, j&aacute; que n&atilde;o mais somente um dos lados ter&aacute; o monop&oacute;lio da informa&ccedil;&atilde;o, os resultados tender&atilde;o a aparecer, e espera-se, aprimorados, uma vez que ser&atilde;o objeto de an&aacute;lise e debate pr&eacute;vios, sob diversas &oacute;ticas.<\/p>\n<p>Por fim, cabe ressaltar, a nova lei disp&otilde;e expressamente que &ldquo;as informa&ccedil;&otilde;es ou documentos que versem sobre condutas que impliquem viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos praticada por agentes p&uacute;blicos ou a mando de autoridades p&uacute;blicas n&atilde;o poder&atilde;o ser objeto de restri&ccedil;&atilde;o de acesso&rdquo;. Bem-vinda, pois.<\/p>\n<p><em>Rafael Cust&oacute;dio &eacute; advogado, coordenador do Programa de Justi&ccedil;a da Conectas Direitos Humanos; Jo&atilde;o Paulo Charleaux &eacute; jornalista, coordenador de comunica&ccedil;&atilde;o da Conectas<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A cultura da opacidade &eacute; quase onipresente no Pa&iacute;s e  muitas de nossas institui&ccedil;&otilde;es ainda querem lutar em sentido contr&aacute;rio  ao ideal republicano da transpar&ecirc;ncia que fundamenta e orienta a  forma&ccedil;&atilde;o do nosso Estado.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1691],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26879"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26879"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26879\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}