{"id":26875,"date":"2012-05-15T16:42:48","date_gmt":"2012-05-15T16:42:48","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26875"},"modified":"2012-05-15T16:42:48","modified_gmt":"2012-05-15T16:42:48","slug":"transito-livre-sob-ameaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26875","title":{"rendered":"Tr\u00e2nsito livre sob amea\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Quando as operadoras de TV por assinatura dos EUA come&ccedil;aram a aproveitar a infraestrutura de cabos para oferecer acesso &agrave; internet, aquilo parecia um bom neg&oacute;cio. N&atilde;o foi bem assim: os usu&aacute;rios usaram a conex&atilde;o para assistir a filmes fora da TV. A concorr&ecirc;ncia interna fez as empresas restringirem o acesso a filmes online. Surgia uma das quest&otilde;es mais controversas da web: a neutralidade.<\/p>\n<p>A neutralidade, explica Jeremie Zimmermann, fundador do Respect My Net, &ldquo;&eacute; o princ&iacute;pio em que as comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o podem ser discriminadas&rdquo;. &ldquo;&Eacute; essencial para que todas as pessoas possam acessar todos os conte&uacute;dos, servi&ccedil;os e aplicativos. &Eacute; a garantia que a internet continuar&aacute; universal e livre, e que todas as pessoas conectadas ter&atilde;o o mesmo potencial de participa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz Zimmermann. Seu servi&ccedil;o permite que cidad&atilde;os relatem casos de discrimina&ccedil;&atilde;o de tr&aacute;fego na Europa.<\/p>\n<p>Por press&atilde;o do movimento Bits of Freedom, aliado do Respect My Net, a Holanda se tornou na semana passada o primeiro pa&iacute;s europeu garantir a neutralidade por lei. A legisla&ccedil;&atilde;o pro&iacute;be provedores de interferir no tr&aacute;fego dos usu&aacute;rios. T&eacute;cnicas de monitoramento de conex&atilde;o, como deep packet inspection (DPI), tamb&eacute;m s&atilde;o vedadas.<br \/>A Europa tem motivos para se preocupar com a neutralidade. Em sua primeira an&aacute;lise do tipo, o &oacute;rg&atilde;o que regula as telecomunica&ccedil;&otilde;es no continente (Berec, na sigla em ingl&ecirc;s) identificou uma s&eacute;rie de &ldquo;t&eacute;cnicas de gerenciamento de tr&aacute;fego&rdquo;. A maior parte dos bloqueios &eacute; sobre redes de troca de arquivos (P2P) ou de telefonia sobre IP, como o Skype. A maioria dos bloqueios ocorre em uma camada profunda que o usu&aacute;rio nem percebe que &eacute; monitorada.<\/p>\n<p>&ldquo;A internet &eacute; essencial para exercitar nossas liberdades online e qualquer restri&ccedil;&atilde;o ao acesso &eacute; potencialmente uma restri&ccedil;&atilde;o &agrave;s liberdades fundamentais, incluindo a de express&atilde;o. Isso n&atilde;o pode estar nas m&atilde;os das operadoras&rdquo;, diz Zimmermann.<\/p>\n<p>Segundo Demi Getschko, presidente do N&uacute;cleo de Informa&ccedil;&atilde;o e Coordena&ccedil;&atilde;o do Ponto BR (NIC.br) e um dos pais da internet no Brasil, h&aacute; casos no Pa&iacute;s de operadoras de internet que dificultaram o acesso a VoIP, que concorre com a telefonia tradicional. Mas os casos s&atilde;o pontuais. &ldquo;Ainda n&atilde;o houve uma quebra s&eacute;ria de neutralidade. Mas isso &eacute; quest&atilde;o de tempo&rdquo;, alerta.<\/p>\n<p><strong>Regula&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O Marco Civil da Internet quer se antecipar &agrave;s empresas. O projeto de lei que prop&otilde;e princ&iacute;pios b&aacute;sicos para a internet, em discuss&atilde;o no Congresso, veda a &ldquo;discrimina&ccedil;&atilde;o ou degrada&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fego que n&atilde;o decorra de requisitos t&eacute;cnicos necess&aacute;rios &agrave; presta&ccedil;&atilde;o adequada dos servi&ccedil;os&rdquo;. Mas o texto &eacute; vago e a aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica, dizem os legisladores, depender&aacute; de regulamenta&ccedil;&atilde;o posterior.<\/p>\n<p>A Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) j&aacute; veda o &ldquo;bloqueio ou tratamento discriminat&oacute;rio de qualquer tipo de tr&aacute;fego, como voz, dados ou v&iacute;deo, independentemente da tecnologia utilizada&rdquo;. Mas a neutralidade vai al&eacute;m e regula at&eacute; o conte&uacute;do que um servi&ccedil;o como Facebook ou Blogger entrega aos usu&aacute;rios. &ldquo;A neutralidade &eacute; complicada porque tem diversas camadas de atua&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz Getshko.<\/p>\n<p>Ele enumera tr&ecirc;s n&iacute;veis. O primeiro &eacute; a estrutura da rede. &ldquo;Voc&ecirc; n&atilde;o pode, por exemplo, piorar o acesso a um produto concorrente&rdquo;, diz. O segundo n&iacute;vel &eacute; na rede IP, como um conte&uacute;do que n&atilde;o pode ser visto em determinado pa&iacute;s. E por fim, a restri&ccedil;&atilde;o mais refinada &eacute; em rela&ccedil;&atilde;o aos provedores de servi&ccedil;os e conte&uacute;do &ndash; o Google bloquear determinado resultado de buscas, por exemplo.<\/p>\n<p>O Marco Civil quer definir a neutralidade por princ&iacute;pio. Ou seja: nenhuma empresa ou intermedi&aacute;rio pode interferir no que circula entre os diversos pontos da rede. Mas h&aacute; exce&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas: &eacute; poss&iacute;vel dar privil&eacute;gio, por exemplo, aos pacotes de voz, que n&atilde;o podem atrasar para ser entregues. &ldquo;&Eacute; a mesma coisa que tr&acirc;nsito: &eacute; preciso deixar a ambul&acirc;ncia circular livremente. Mas n&atilde;o se pode impedir, por exemplo, que carros verdes circulem. Tratar desigualmente os desiguais &eacute; razo&aacute;vel&rdquo;, diz ele.<\/p>\n<p>O texto do Marco Civil est&aacute; em consulta p&uacute;blica online. E o ponto sobre neutralidade &eacute; um dos mais pol&ecirc;micos. O advogado Marcelo Thompson, por exemplo, defende a troca do termo &ldquo;neutralidade&rdquo; por &ldquo;razoabilidade&rdquo;, delegando aos provedores certo poder para distinguir conte&uacute;dos potencialmente danosos. &ldquo;No Brasil, o dispositivo presente no Marco Civil estabelece a imunidade do provedor&rdquo;, diz Thompson.<\/p>\n<p>A opini&atilde;o do advogado foi contestada. &ldquo;O que a neutralidade de rede diz &eacute;: se o YouTube n&atilde;o quiser impor um limite, o Estado n&atilde;o pode cobrar do YouTube que ele devesse ter imposto esse limite&rdquo;, diz o jurista Paulo Ren&aacute;. &ldquo;No tipo de pacote temos outra quest&atilde;o. Uma empresa de telefonia que oferece o servi&ccedil;o 3G fica proibida de diferenciar a velocidade de tr&aacute;fego de dados de uma rede social espec&iacute;fica.&rdquo;<\/p>\n<p>H&aacute; casos, por&eacute;m, em que a neutralidade n&atilde;o &eacute; bem-vinda &ndash; no caso de spam, por exemplo, os usu&aacute;rios consentem que a empresa filtre conte&uacute;dos em benef&iacute;cio deles. &ldquo;O usu&aacute;rio tem de saber e concordar com aquilo. Isso tem de ser transparente e acordado abertamente&rdquo;, diz Getchko.<\/p>\n<p>Por isso os legisladores concordam que &eacute; necess&aacute;ria regulamenta&ccedil;&atilde;o posterior &ndash; mas, dizem, agora o importante &eacute; aprovar uma legisla&ccedil;&atilde;o que garanta o princ&iacute;pio b&aacute;sico. &ldquo;A internet tem como caracter&iacute;stica a inova&ccedil;&atilde;o simples, barata e acess&iacute;vel a todos. Se algo impedir isso, vai contra o esp&iacute;rito principal da internet&rdquo;, diz ele.<\/p>\n<p>Jeremie Zimmerman acrescenta: &ldquo;Os governos precisam entender o quanto a neutralidade &eacute; crucial para o futuro das nossas sociedades livres e abertas, para permitir a participa&ccedil;&atilde;o, inova&ccedil;&atilde;o e proteger as liberdades dos cidad&atilde;os. Eles precisam garantir esse princ&iacute;pio em lei&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Pelo mundo<\/strong><\/p>\n<p>&gt;&gt; Chile &ndash; Foi o primeiro pa&iacute;s do mundo a proibir, em 2010, a interfer&ecirc;ncia na navega&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&gt;&gt; EUA &ndash; Em 2011, a ag&ecirc;ncia reguladora estabeleceu que o bloqueio n&atilde;o &eacute; permitido.<\/p>\n<p>&gt;&gt; Holanda &ndash; Provedores agora s&atilde;o proibidos de filtrar e monitorar a navega&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&gt;&gt; R&uacute;ssia &ndash; A lei permite que provedores controlem o tr&aacute;fego por seguran&ccedil;a.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando as operadoras de TV por assinatura dos EUA come&ccedil;aram a aproveitar a infraestrutura de cabos para oferecer acesso &agrave; internet, aquilo parecia um bom neg&oacute;cio. N&atilde;o foi bem assim: os usu&aacute;rios usaram a conex&atilde;o para assistir a filmes fora da TV. 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