{"id":26861,"date":"2012-05-08T18:43:21","date_gmt":"2012-05-08T18:43:21","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26861"},"modified":"2012-05-08T18:43:21","modified_gmt":"2012-05-08T18:43:21","slug":"novo-marco-regulatorio-paradoxos-e-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26861","title":{"rendered":"Novo marco regulat\u00f3rio, paradoxos e desafios"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A campanha pelo Novo Marco Regulat&oacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, lan&ccedil;ada no semin&aacute;rio &ldquo;Desafios da Liberdade de Express&atilde;o&rdquo; no &uacute;ltimo 4 de maio pelo F&oacute;rum Nacional de Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), permeia-se de paradoxos. O primeiro reside na pr&oacute;pria disputa sem&acirc;ntica do termo. Reivindicada pelos empres&aacute;rios da comunica&ccedil;&atilde;o e pelos movimentos sociais, &ldquo;liberdade de express&atilde;o&rdquo; possui atualmente dois significados totalmente contradit&oacute;rios. Enquanto para os &uacute;ltimos, liberdade de express&atilde;o significa a possibilidade de acesso aos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o, participa&ccedil;&atilde;o social na gest&atilde;o dos mesmos e diversidade cultural e informativa, os empres&aacute;rios divulgam-na como qualquer tipo de restri&ccedil;&atilde;o &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Esta generaliza&ccedil;&atilde;o do discurso empresarial esconde o fato de que a maior censura &eacute; a concentra&ccedil;&atilde;o dos canais de comunica&ccedil;&atilde;o em oligop&oacute;lios que produzem uma pol&iacute;tica editorial excludente da pluralidade de vis&otilde;es divergentes aos interesses dos propriet&aacute;rios. Liberdade de express&atilde;o n&atilde;o pode ser compreendida somente como a liberdade dos empres&aacute;rios (e somente deles) de divulgarem produ&ccedil;&otilde;es que beneficiem seus interesses. Por isso, para romper com a situa&ccedil;&atilde;o e, realmente, promover a liberdade de todos e todas se expressarem, faz-se necess&aacute;ria a aplica&ccedil;&atilde;o de uma legisla&ccedil;&atilde;o que iniba a oligopoliza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es, o monop&oacute;lio da fala, os conte&uacute;dos excludentes e incentivadores do consumismo baseado na marginaliza&ccedil;&atilde;o social. No Brasil, trata-se da cria&ccedil;&atilde;o de um Novo Marco Regulat&oacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Mas como propagandear essas ideias se aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o que possibilitam a circula&ccedil;&atilde;o destas informa&ccedil;&otilde;es em nada interessa a promo&ccedil;&atilde;o deste debate p&uacute;blico? Pelo contr&aacute;rio, os conglomerados midi&aacute;ticos criam falsos preconceitos contra qualquer iniciativa de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, invertendo sem&acirc;ntica e autoritariamente o sentido para tach&aacute;-las de censura. A comunica&ccedil;&atilde;o alternativa &eacute; &uacute;nica sa&iacute;da? A internet possui for&ccedil;a suficiente para popularizar este debate sobre liberdade de express&atilde;o? H&aacute;, pelo menos duas, quest&otilde;es a serem consideradas.<br \/><strong><br \/>Respeito &agrave; diversidade<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, h&aacute; uma predomin&acirc;ncia do l&uacute;dico no uso da rede mundial de computadores no Brasil. Ao inv&eacute;s de buscar por not&iacute;cias, pesquisa de conhecimentos ou servi&ccedil;os, a internet &eacute; prioritariamente divers&atilde;o para os brasileiros. O segundo empecilho &eacute; que a internet tem se transformado em espa&ccedil;o de amplia&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia dos conglomerados de comunica&ccedil;&atilde;o (totalmente avessos a esta discuss&atilde;o). Os portais das m&iacute;dias massivas cada vez mais concentram audi&ecirc;ncias e relev&acirc;ncia nos mecanismos de busca, tornando-se refer&ecirc;ncias tamb&eacute;m na rede global. Mesmo superando essas dificuldades, como divulgar as ideias da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o sem reflex&otilde;es profundas? Como dialogar com o mal-estar cultural da oralidade predominante? Como criar campanhas publicit&aacute;rias estereotipando quest&otilde;es t&atilde;o densas?<\/p>\n<p>Al&eacute;m dessas dificuldades de comunica&ccedil;&atilde;o, h&aacute; as diverg&ecirc;ncias no pr&oacute;prio movimento pela democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es. Enquanto alguns creem que o governo vive um momento &iacute;mpar, outros acreditam que as barreiras nunca foram maiores e o enfrentamento com o mesmo, necess&aacute;rio. H&aacute; diferen&ccedil;as sobre as concep&ccedil;&otilde;es no Plano da Banda Larga, nas mudan&ccedil;as na Lei de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria, no financiamento p&uacute;blico dos meios alternativos e comunit&aacute;rios, na obrigatoriedade do diploma para exerc&iacute;cio do jornalismo&#8230; No entanto, h&aacute; uma convic&ccedil;&atilde;o em comum: o Brasil precisa de um novo marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es que, al&eacute;m de reorganizar coerentemente a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira com a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, possibilite a liberdade de express&atilde;o para todos e todas, respeitando a diversidade que caracteriza n&atilde;o s&oacute; o movimento de democratiza&ccedil;&atilde;o pela comunica&ccedil;&atilde;o, mas toda sociedade livre do autoritarismo.<br \/><em><br \/>Ismar Capistrano Costa Filho &eacute; doutorando em Comunica&ccedil;&atilde;o pela UFMG, mestre em Comunica&ccedil;&atilde;o pela UFPE, professor de ensino superior, jornalista e assessor de comunica&ccedil;&atilde;o<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O discurso empresarial esconde o  fato de que a maior censura &eacute; a concentra&ccedil;&atilde;o dos canais de comunica&ccedil;&atilde;o  em oligop&oacute;lios que produzem uma pol&iacute;tica editorial excludente da  pluralidade de vis&otilde;es divergentes aos interesses dos propriet&aacute;rios.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1567],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26861"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26861"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26861\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}