{"id":26832,"date":"2012-04-23T17:15:18","date_gmt":"2012-04-23T17:15:18","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26832"},"modified":"2012-04-23T17:15:18","modified_gmt":"2012-04-23T17:15:18","slug":"novo-sopa-recebe-apoio-do-facebook-e-rejeicao-da-casa-branca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26832","title":{"rendered":"&#8220;Novo Sopa&#8221; recebe apoio do Facebook e rejei\u00e7\u00e3o da Casa Branca"},"content":{"rendered":"<p>A Casa Branca se manifestou insatisfeita com o novo projeto lei de controle e seguran&ccedil;a da web, o Cispa, ou Ato de Prote&ccedil;&atilde;o e Compartilhamento de Intelig&ecirc;ncia Virtual (Cyber Intelligence Sharing and Protection Act, no original em ingl&ecirc;s). Sem citar o nome da proposta, a porta-voz do Conselho de Seguran&ccedil;a Nacional, Caitlin Hayden, afirmou na noite de ter&ccedil;a-feira que qualquer legisla&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a virtual deveria conter fortes prote&ccedil;&otilde;es &agrave; privacidade dos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>A opini&atilde;o se alinha &agrave; de &oacute;rg&atilde;os de defesa de liberdade de express&atilde;o e online, que lan&ccedil;aram no in&iacute;cio da semana uma campanha contra o Cispa. O projeto deve ser apreciado na semana que vem, dia 23, pelo congresso dos Estados Unidos. Opositores como a Funda&ccedil;&atilde;o Fronteira Eletr&ocirc;nica (EFF) e o Centro pela Democracia e Tecnologia (CDT), entre outros, acusam a proposta de ser um &ldquo;novo Sopa&rdquo;, em refer&ecirc;ncia ao projeto de lei antipirataria retirado da pauta no in&iacute;cio do ano.<\/p>\n<p>Mas o Cispa tamb&eacute;m tem apoiadores de peso, entre os quais empresas como Facebook e Microsoft. A maior rede social do mundo manifestou ser a favor do Cispa na sexta-feira, atrav&eacute;s de um post na p&aacute;gina oficial, assinado pelo vice-presidente de Pol&iacute;ticas de Privacidade, Joel Kaplan. O texto argumenta que a nova lei vai permitir o interc&acirc;mbio mais r&aacute;pido entre empresas privadas e &oacute;rg&atilde;os do governo de informa&ccedil;&otilde;es sobre amea&ccedil;as virtuais, o que possibilitaria, na vis&atilde;o do Facebook, uma a&ccedil;&atilde;o mais r&aacute;pida para proteger as redes e os dados de seus usu&aacute;rios.<\/p>\n<p>Este &eacute; exatamente o mote com que o Cispa est&aacute; sendo apresentado: permitir a prote&ccedil;&atilde;o contra ataques a redes e servi&ccedil;os, garantindo mais seguran&ccedil;a online. Mas os opositores do projeto continuam vendo nele algumas das amea&ccedil;as que encontravam no Sopa (Stop Online Piracy Act) e no Pipa (Protect Intellectual Property Act). A primeira diferen&ccedil;a entre estes &uacute;ltimos projetos &ndash; hoje j&aacute; sem for&ccedil;a no congresso americano &ndash; e o que ser&aacute; apreciado na pr&oacute;xima semana seria o conceito. Enquanto Sopa e Pipa eram voltados &agrave; prote&ccedil;&atilde;o de direitos autorais, o Cispa tem a alegada inten&ccedil;&atilde;o de garantir a seguran&ccedil;a dos usu&aacute;rios da web.<\/p>\n<p>Mas, para a EFF e as outras organiza&ccedil;&otilde;es que se op&otilde;em ao projeto, a entrega &ldquo;indiscriminada&rdquo; de informa&ccedil;&otilde;es de usu&aacute;rios considerados &ldquo;ame&ccedil;as&rdquo; a &oacute;rg&atilde;os do governo significa uma ofensa aos direitos dos cidad&atilde;os. &ldquo;Somos enormes apoiadores da seguran&ccedil;a das redes &ndash; mas sabemos que sacrificar as liberdades civis dos internautas &eacute; uma troca desnecess&aacute;ria e indesejada&rdquo;, afirma a funda&ccedil;&atilde;o no post de lan&ccedil;amento da campanha &ndash; intitulada &ldquo;Pare com a espionagem virtual&rdquo; (Stop ciber spying, no original em ingl&ecirc;s).<\/p>\n<p>O site da campanha destaca o trecho da lei que diz que as informa&ccedil;&otilde;es dos suspeitos de amea&ccedil;as poderiam ser compartilhadas &ldquo;independente de outras provis&otilde;es legais&rdquo;. Outra cr&iacute;tica da EFF &eacute; que o projeto de lei permitiria que o compartilhamento de dados dos usu&aacute;rios acontecesse sem que a pessoa &ldquo;alvo&rdquo; soubesse que est&aacute; sendo, de alguma forma, considerada uma amea&ccedil;a.<\/p>\n<p><strong>Porque Facebook e outras empresas apoiam o Cispa<br \/><\/strong><br \/>Diferente do Sopa, com o Cispa a responsabilidade de regula&ccedil;&atilde;o das atividades online deixa de ser das companhias privadas, como o Facebook, e passa a ser de um &oacute;rg&atilde;o do governo. Com o Sopa, eram as empresas que deviam rastrear os usu&aacute;rios e garantir que nenhuma a&ccedil;&atilde;o desrespeitasse direitos autorais &ndash; por isso a preocupa&ccedil;&atilde;o de que sites como a rede social fossem deixar de existir, j&aacute; que poderiam, por exemplo, ser tirados do ar por causa do post de um usu&aacute;rio.<\/p>\n<p>Com o Cispa, &eacute; o governo que vai identificar quem representa uma amea&ccedil;a e pedir dados sobre o indiv&iacute;duo &agrave;s companhias. Se um usu&aacute;rio postar no Facebook que pretende explodir uma bomba em algum lugar, o governo pode pedir informa&ccedil;&otilde;es sobre a pessoa e evitar o ataque, dizem os defensores do projeto. Al&eacute;m disso, o Cispa daria a sites como o Facebook um endere&ccedil;o para onde enviar &ndash; voluntariamente &ndash; informa&ccedil;&otilde;es sens&iacute;veis, para que algu&eacute;m tome uma atitude sobre elas. As autoridades, por outro lado, n&atilde;o poderiam obrigar uma companhia a ceder informa&ccedil;&otilde;es caso ela se recusasse a faz&ecirc;-lo de bom grado.<\/p>\n<p>O Facebook, em seu texto de apoio, ressalta que seu interesse maior &eacute; em receber as informa&ccedil;&otilde;es sobre amea&ccedil;as que o &oacute;rg&atilde;o do governo vai enviar. Na rede social, o texto de Kaplan afirma que quanto mais dados sobre ataques forem compartilhados entre as empresas, e quanto mais r&aacute;pido isso acontecer, melhor ser&aacute; a prote&ccedil;&atilde;o que as companhias podem oferecer a seus usu&aacute;rios e aos dados que eles confiam a elas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m do Facebook, outras 28 empresas de tecnologia &ndash; entre elas Intel, IBM, Oracle, Symantec e Verizon &ndash; e organiza&ccedil;&otilde;es do setor j&aacute; manifestaram apoio ao projeto, que tamb&eacute;m tem o &ldquo;pr&eacute;-voto&rdquo; de 106 representantes do congresso americano. Esta &uacute;ltima contagem evidencia que o Cispa tem mais for&ccedil;a do que Sopa e Pipa tiveram a seu tempo. Some-se a isso o fato de que os proponentes do projeto, os senadores Mike Rogers, republicano, e Dutch Ruppersberger, democrata, simbolizam uma proposta bipartid&aacute;ria &ndash; o que, em tese, garante ainda mais for&ccedil;a na casa legislativa.<\/p>\n<p><strong>Porque organiza&ccedil;&otilde;es como a EFF criticam o Cispa<br \/><\/strong><br \/>O maior problema da proposta seria a reda&ccedil;&atilde;o vaga, com defini&ccedil;&otilde;es amplas e que abre brechas a v&aacute;rias interpreta&ccedil;&otilde;es. Os pontos levantados por EFF e CDT, por exemplo, destacam que o projeto de lei n&atilde;o especifica quais &ldquo;ag&ecirc;ncias do governo&rdquo; poderiam receber as informa&ccedil;&otilde;es, o que significa que &oacute;rg&atilde;os de defesa como o ex&eacute;rcito poderiam estar entre elas, o que n&atilde;o agrada aos opositores do Cispa.<\/p>\n<p>A EFF cita como exemplo de conceitua&ccedil;&atilde;o vaga o trecho da lei que trata de &ldquo;intelig&ecirc;ncia contra amea&ccedil;as virtuais&rdquo; e de &ldquo;pressupostos de seguran&ccedil;a virtual&rdquo;, definidos como &ldquo;roubo ou apropria&ccedil;&atilde;o indevida de informa&ccedil;&otilde;es privadas ou estatais, propriedade intelectual ou informa&ccedil;&otilde;es pessoais sens&iacute;veis&rdquo;. &ldquo;Sim, propriedade intelectual&rdquo;, diz a nota da EFF, &ldquo;&eacute; um pequeno peda&ccedil;o do Sopa embrulhado em um projeto de lei supostamente criado para facilitar a detec&ccedil;&atilde;o e a defesa contra amea&ccedil;as &agrave; ciberseguran&ccedil;a&rdquo;. A funda&ccedil;&atilde;o exemplifica que, em situa&ccedil;&atilde;o extrema, um provedor de internet poderia bloquear o acesso de um usu&aacute;rio ao The Pirate Bay sob a alega&ccedil;&atilde;o de que o site fornece conte&uacute;do classificado como &ldquo;amea&ccedil;a &agrave; ciberseguran&ccedil;a&rdquo; pela reda&ccedil;&atilde;o do texto.<\/p>\n<p>Sobre a reda&ccedil;&atilde;o da lei, o Facebook, por exemplo, argumenta que est&aacute; em contato com os congressistas para, nessa fase de emendas em que o projeto se encontra antes da aprecia&ccedil;&atilde;o da semana que vem (veja altera&ccedil;&otilde;es aqui, em ingl&ecirc;s), &ldquo;abordar quest&otilde;es e preocupa&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas sobre como a informa&ccedil;&atilde;o (do usu&aacute;rio) pode ser compartilhada com o governo de acordo com o projeto&rdquo;.<\/p>\n<p>Esse ponto tamb&eacute;m &eacute; alvo de cr&iacute;ticas dos opositores do Cispa, que argumentam que a proposta forneceria uma forma &ldquo;muito f&aacute;cil&rdquo; ao governo de acessar dados pessoais sem necessidade de um mandado, por exemplo, o que violaria a Quarta Emenda da constitui&ccedil;&atilde;o americana &ndash; que protege o cidad&atilde;o contra revistas e apreens&otilde;es sem motivos concretos.<\/p>\n<p>Na segunda-feira, empresas como Apple, Intel e Microsoft, representadas pela Alian&ccedil;a das Empresas de Software (BSA), reuniram-se com representantes do CDT para tentar encontrar termos comuns em rela&ccedil;&atilde;o ao projeto. O centro n&atilde;o se manifestou ainda sobre e o assunto, mas a BSA publicou uma nota em que afirma concordar que o texto do Cispa &ldquo;poderia ser lapidado&rdquo;, e que ele precisa de &ldquo;limita&ccedil;&otilde;es mais claras sobre como as informa&ccedil;&otilde;es sobre amea&ccedil;as ser&atilde;o usadas e manuseadas pelo governo&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>O que os proponentes do Cispa dizem sobre o projeto<br \/><\/strong><\/p>\n<p>O &oacute;rg&atilde;o de intelig&ecirc;ncia virtual americano divulgou, na semana passada, um texto que destaca os &ldquo;pontos-chave&rdquo; do Cispa. O primeiro destaque &eacute; que o projeto &ldquo;ajuda o setor privado a se defender de ataques de pa&iacute;ses como a China ao permitir que o governo entregue informa&ccedil;&otilde;es cruciais para que (empresas) protejam suas redes e a privacidade de seus usu&aacute;rios&rdquo;.<\/p>\n<p>O Cispa tamb&eacute;m deveria &ldquo;manter as m&atilde;os do governo federal (sic) longe da internet, e n&atilde;o permitir que o governo interrompa o acesso a sites particulares, ou censure ou obrigue companhias privadas a remover conte&uacute;dos&rdquo;. Al&eacute;m disso, &ldquo;protege a privacidade dos americanos ao proibir que Washington force companhias privadas a entregar informa&ccedil;&otilde;es, enquanto encoraja as empresas a &lsquo;anonimizar&rsquo; os dados voluntariamente compartilhados&rdquo;.<br \/><em><br \/>(Com informa&ccedil;&otilde;es de ReadWriteWeb, Mashable, LifeHacker e Huffington Post)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Casa Branca se manifestou insatisfeita com o novo projeto lei de controle e seguran&ccedil;a da web, o Cispa, ou Ato de Prote&ccedil;&atilde;o e Compartilhamento de Intelig&ecirc;ncia Virtual (Cyber Intelligence Sharing and Protection Act, no original em ingl&ecirc;s). 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