{"id":26830,"date":"2012-04-20T01:39:11","date_gmt":"2012-04-20T01:39:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26830"},"modified":"2014-09-07T03:02:36","modified_gmt":"2014-09-07T03:02:36","slug":"regulacao-da-internet-e-alvo-de-dilemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26830","title":{"rendered":"Regula\u00e7\u00e3o da internet \u00e9 alvo de dilemas"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A regula&ccedil;&atilde;o da internet &eacute; um desafio que tem suscitado diversas pol&ecirc;micas. O anonimato da rede pode ser usado para a pr&aacute;tica de &ldquo;cibercrimes&rdquo; ou &eacute; essencial para a privacidade dos cidad&atilde;os? Como equilibrar o direito &agrave; liberdade de express&atilde;o e o direito &agrave; dignidade de grupos e pessoas v&iacute;timas de discrimina&ccedil;&atilde;o? Os direitos autorais precisam ser reformulados para dar conta da liberdade de acesso a informa&ccedil;&otilde;es na rede?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=26829\" target=\"_blank\">(Lei tamb&eacute;m: Marco civil da internet busca consenso para ser aprovado)<\/a> <\/p>\n<p>Nem todos esses dilemas j&aacute; t&ecirc;m solu&ccedil;&otilde;es apontadas pela atual proposta de marco civil da internet, o <a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=517255\" target=\"_blank\">Projeto de Lei (PL) n&ordm; 2126\/2011<\/a> . Ele se limita a tratar dos direitos e garantias do usu&aacute;rio, provis&atilde;o de conex&atilde;o e de aplica&ccedil;&otilde;es de internet e atua&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico. Para Marialvo de Castro Pereira, secret&aacute;rio de Assuntos Legislativos do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, as lacunas d&atilde;o for&ccedil;a ao projeto. &ldquo;Primeiro, &eacute; preciso definir as responsabilidades de cada um dos atores. A partir da&iacute;, teremos uma uniformiza&ccedil;&atilde;o de responsabilidades e conceitos que permitir&aacute; um desenvolvimento mais c&eacute;lere de outros temas&rdquo;, acredita. J&aacute; o professor de Direito da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas e <\/span><span class=\"padrao\">assessor t&eacute;cnico da lideran&ccedil;a do PT na C&acirc;mara dos Deputados<\/span><span class=\"padrao\">, Pedro Paranagu&aacute;, defende que &ldquo;quest&otilde;es pol&ecirc;micas podem e devem ser dirimidas ao longo da discuss&atilde;o na C&acirc;mara. &Eacute; meu entendimento pessoal de que pode ser complicado deixar a regulamenta&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es pol&ecirc;micas para depois da aprova&ccedil;&atilde;o da lei&rdquo;.<\/p>\n<p>Alguns pontos importantes do projeto s&atilde;o a garantia da neutralidade da rede (que permite que todas as informa&ccedil;&otilde;es que trafegam na internet sejam tratadas da mesma forma e depende de posterior regulamenta&ccedil;&atilde;o), da privacidade dos usu&aacute;rios e da n&atilde;o responsabiliza&ccedil;&atilde;o de terceiros pelo conte&uacute;do publicado. Assim, se aprovada a proposta, o servidor n&atilde;o teria responsabilidade sobre os conte&uacute;dos publicados por um usu&aacute;rio, a n&atilde;o ser que se negue a cumprir determina&ccedil;&atilde;o judicial para retir&aacute;-los do ar.<\/p>\n<p>O marco civil da internet nasceu como rea&ccedil;&atilde;o aos projetos que partiam de uma perspectiva punitiva. Um deles, o<a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=15028\" target=\"_blank\"> PL n&ordm; 84\/99<\/a> , cujo relator foi o atual deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acabou conhecido como &ldquo;AI-5 Digital&rdquo;. De autoria do deputado Luiz Piauhylino (PSDB\/PE), a proposta disp&otilde;e sobre os crimes cometidos na &aacute;rea de inform&aacute;tica e suas penalidades. Para Azeredo, o apelido dado ao PL &eacute; fruto de &ldquo;ignor&acirc;ncia hist&oacute;rica&rdquo;. Segundo ele, &ldquo;o projeto tamb&eacute;m nada tem a ver com PIPA ou SOPA [dois projetos estadunidenses], que tratam de direitos autorais na internet. &Eacute; uma mentira dizer que o PL 84 criminaliza pr&aacute;ticas como downloads. Tamb&eacute;m &eacute; mentira dizer que estamos &lsquo;censurando&rsquo; a internet. A proposta nada diz sobre isso&rdquo;, argumenta o deputado.<\/p>\n<p>O projeto recebeu forte oposi&ccedil;&atilde;o da sociedade civil, que, em 2009, organizou uma peti&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica contra o PL. Atualmente, ela conta com mais de 360 mil assinaturas, de acordo com o blog &ldquo;Mega N&atilde;o&rdquo; (<a href=\"http:\/\/meganao.wordpress.com\" target=\"_blank\">http:\/\/meganao.wordpress.com<\/a>), cujo t&iacute;tulo corresponde a uma das express&otilde;es usadas na campanha on line contra o PL.<\/p>\n<p>Marialvo Pereira de Castro acredita que &ldquo;come&ccedil;ar pela legisla&ccedil;&atilde;o penal &eacute; ruim. Parte da ideia de restringir, o que &eacute; desproporcional. O n&uacute;mero de pr&aacute;ticas il&iacute;citas &eacute; insignificante perto do todo&rdquo;. No entanto, ele aposta que a atual proposta do marco civil consegue &ldquo;conciliar a liberdade com outros interesses&rdquo;.<\/p>\n<p>Eduardo Azeredo avalia que o marco civil &ldquo;&eacute; uma iniciativa v&aacute;lida que, no entanto, n&atilde;o inviabiliza a exist&ecirc;ncia de uma lei penal. S&atilde;o complementares&rdquo;. Ele explica que o PL n&ordm; 84\/99 fala sobre &ldquo;combate a crimes como clonagem de cart&otilde;es de cr&eacute;dito e celulares, invas&atilde;o de sistemas e difus&atilde;o de v&iacute;rus. S&atilde;o crimes novos, que n&atilde;o est&atilde;o previstos no nosso ordenamento jur&iacute;dico&rdquo;.<\/p>\n<p>A atual proposta de marco civil da internet inclui guarda de registros de conex&otilde;es (logs), por&eacute;m preservando a privacidade dos usu&aacute;rios. A identifica&ccedil;&atilde;o s&oacute; pode ser feita mediante ordem judicial. Ainda assim, o empreendedor Edson do Nascimento, conhecido como Mackeenzy, da empresa VideoLog, sente-se prejudicado pela manuten&ccedil;&atilde;o dos registros. &ldquo;O Minist&eacute;rio P&uacute;blico me obriga a manter logs de registro. Quando voc&ecirc; trabalha com mais de 700 mil ou um milh&atilde;o de usu&aacute;rios, tem um custo que inviabiliza o crescimento. Isso impacta profundamente no desenvolvimento criativo&rdquo;, lamenta.<\/p>\n<p><strong>Criatividade, liberdade de escolha e neutralidade da rede<br \/><\/strong><br \/>A liberdade criativa &eacute; uma das preocupa&ccedil;&otilde;es centrais do professor Sergio Amadeu, da Universidade Federal do ABC e representante pela sociedade civil no Comit&ecirc; Gestor da Internet (CGI). Durante audi&ecirc;ncia p&uacute;blica realizada na C&acirc;mara dos Deputados no &uacute;ltimo dia 17, ele apontou que a criatividade pode ser restringida caso n&atilde;o se garanta a neutralidade da rede. &ldquo;Como criariam o http? Como seria criado o Youtube? Se as operadoras pudessem filtrar o tr&aacute;fego, n&atilde;o existiria isso ou seria de propriedade das operadoras&rdquo;, exemplificou, imaginando um cen&aacute;rio de quebra de neutralidade da rede.<\/p>\n<p>Para o professor, esse &eacute; um dos pontos que n&atilde;o deveria ficar para regulamenta&ccedil;&atilde;o posterior, como estabelece atualmente o artigo 3&ordm; do marco civil. &ldquo;Se a gente submeter a neutralidade &agrave; regulamenta&ccedil;&atilde;o, vamos submeter a normas t&eacute;cnicas. A operadora pode dizer que, &agrave;s 18h, n&atilde;o permite que baixem v&iacute;deos ou usem determinadas op&ccedil;&otilde;es, porque teria que gastar mais, j&aacute; que &eacute; uma hora com muitos acessos. N&atilde;o podemos discutir conforme t&eacute;cnica, porque ela &eacute; afeita a v&aacute;rios tipos de interpreta&ccedil;&atilde;o. Nos Estados Unidos, j&aacute; estamos tendo atraso no envio de dados&rdquo;, disse Amadeu.<\/p>\n<p>O secret&aacute;rio Marialvo de Castro Pereira defende que a neutralidade da rede &eacute; um tema enfrentado pelo marco civil, mas que &ldquo;h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es em que por raz&otilde;es t&eacute;cnicas pode haver quebra da neutralidade e somente nesses casos ela poderia ocorrer. &Eacute; residual a possibilidade, de acordo o texto atual, de n&atilde;o ter essa neutralidade&rdquo;, afirmou. Guilherme Varella, advogado do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), tamb&eacute;m se mostrou preocupado com essa quest&atilde;o. Ele lembrou que ela &ldquo;j&aacute; &eacute; um direito, porque o C&oacute;digo de Defesa do Consumidor prega a liberdade de escolha, a n&atilde;o discrimina&ccedil;&atilde;o no mercado de consumo&rdquo;.<\/p>\n<p>Num cen&aacute;rio de n&atilde;o-neutralidade da rede, se uma empresa X &eacute; tanto provedora de conex&atilde;o quanto produtora de conte&uacute;do, ela pode degradar sua conex&atilde;o caso voc&ecirc; procure acessar conte&uacute;dos produzidos por outra empresa. &ldquo;Nesse ambiente de concentra&ccedil;&atilde;o de mercado, vemos isso com muita preocupa&ccedil;&atilde;o. Por isso, a gente alerta os deputados que se coloque o princ&iacute;pio da neutralidade da rede sem qualquer regulamenta&ccedil;&atilde;o posterior, mas como principio no marco civil&rdquo;, sugeriu Varella, durante a audi&ecirc;ncia p&uacute;blica da &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira.<\/p>\n<p><strong>Seguran&ccedil;a jur&iacute;dica<\/strong><\/p>\n<p>Entre as fontes ouvidas pelo Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, prevalece a ideia de que o marco civil pode ser uma fonte de seguran&ccedil;a jur&iacute;dica para usu&aacute;rios e empreendedores. &ldquo;A aus&ecirc;ncia de uma norma estava levando a uma s&eacute;ria de decis&otilde;es do &acirc;mbito do Judici&aacute;rio com dispositivos que n&atilde;o se comunicavam e que traziam inseguran&ccedil;a e poderiam comprometer o dinamismo, novos neg&oacute;cios e criatividade na rede&rdquo;, afirmou Marivaldo de Castro Pereira.<\/p>\n<p>Durante a audi&ecirc;ncia p&uacute;blica do &uacute;ltimo dia 17, o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) defendeu que &ldquo;devemos diminuir a interven&ccedil;&atilde;o do Judici&aacute;rio, que tem desmoralizado essa casa. O Supremo tem dado golpes na constitui&ccedil;&atilde;o e nos poderes&rdquo;. Como sugest&atilde;o, Fonteles avaliou que talvez, no marco civil, devesse constar o que &eacute; penal, para evitar o que chamou de &ldquo;fraude hermen&ecirc;utica&rdquo; que o Judici&aacute;rio pratica.<\/p>\n<p>Para o advogado Marcel Leonardi, diretor de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e rela&ccedil;&otilde;es governamentais do Google no Brasil, &ldquo;o marco civil da internet estabelece a imprescind&iacute;vel seguran&ccedil;a jur&iacute;dica necess&aacute;ria para o crescimento da economia digital e da internet no Brasil&rdquo;. Segundo ele, a iniciativa &eacute; apoiada pelo Google.<br \/><strong><br \/>Al&eacute;m da regula&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Segundo dados do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, compilados no documento &ldquo;Brasil em alta velocidade&rdquo; (2009), h&aacute; um &ldquo;gap de acesso&rdquo; no pa&iacute;s: 55,7% dos domic&iacute;lios est&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas ou de renda incapazes de atrair a oferta do servi&ccedil;o. Diante desse quadro, o advogado Guilherme Varella lembra que o consumo permeia os diversos momentos do uso da internet, desde o acesso a ela.<\/p>\n<p>&ldquo;Existe um problema que precede a quest&atilde;o trazida pelo marco civil, que &eacute; a pr&oacute;pria disponibilidade do servi&ccedil;o de internet, muito falha. Existe uma falha grave no servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&atilde;o. A Anatel n&atilde;o d&aacute; conta de oferecer equil&iacute;bro, proteger os usu&aacute;rios e oferecer simetria de mercado. Isso d&aacute; espa&ccedil;o para abuso das empresas nesse segmento&rdquo;, pontuou Varella, durante a audi&ecirc;ncia p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Para ele, a falta de acesso &agrave; internet no Brasil &eacute; uma quest&atilde;o que deve ser enfrentada almejando a universaliza&ccedil;&atilde;o e a qualidade. &ldquo;A universaliza&ccedil;&atilde;o s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel com o tratamento da banda larga como servi&ccedil;o essencial. Para isso, deveria servir o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o que, na pr&aacute;tica, mostra-se com poucas chances de acontecer&rdquo;, avaliou. De acordo com Varella, o marco civil tem um papel importante na defini&ccedil;&atilde;o da qualidade do servi&ccedil;o de internet, j&aacute; que pode estabelecer normas consistentes.<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cr&iacute;tica feita pela Anatel, Varella afirmou ainda que &ldquo;a falta de uma postura mais severa com as empresas que n&atilde;o se comprometem com a qualidade do servi&ccedil;o leva a casos sintom&aacute;ticos, como o da empresa de banda larga que protestou contra os crit&eacute;rios de qualidade exigidos para o servi&ccedil;o&rdquo;. O caso mencionado se refere ao pedido da Oi de cancelamento de metas de qualidade, o que desobrigaria as empresas a cumprir com a qualidade prometida em contrato. Para ele, isso mostra que o problema n&atilde;o se restringe &agrave; regula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span class=\"padrao\"><br \/> <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=26829\" target=\"_blank\">Lei tamb&eacute;m: Marco civil da internet busca consenso para ser aprovado<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Especialistas apontam as principais quest&otilde;es da proposta de marco civil da internet em andamento na C&acirc;mara dos Deputados. Discuss&atilde;o teve in&iacute;cio com rea&ccedil;&atilde;o da sociedade frente a criminaliza&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios.<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1328],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26830"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26830"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26830\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28289,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26830\/revisions\/28289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}