{"id":26825,"date":"2012-04-18T15:08:31","date_gmt":"2012-04-18T15:08:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26825"},"modified":"2012-04-18T15:08:31","modified_gmt":"2012-04-18T15:08:31","slug":"novelas-brasileiras-passam-imagem-de-pais-branco-critica-escritora-mocambicana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26825","title":{"rendered":"Novelas brasileiras passam imagem de pa\u00eds branco, critica escritora mo\u00e7ambicana"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">&quot;Temos medo do Brasil.&quot; Foi com um desabafo inesperado que a romancista mo&ccedil;ambicana Paulina Chiziane chamou a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico do semin&aacute;rio A Literatura Africana Contempor&acirc;nea, que integra a programa&ccedil;&atilde;o da 1&ordf; Bienal do Livro e da Leitura, em Bras&iacute;lia (DF). Ela se referia aos efeitos da presen&ccedil;a, em Mo&ccedil;ambique, de igrejas e templos brasileiros e de produtos culturais como as telenovelas que transmitem, na opini&atilde;o dela, uma falsa imagem do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&quot;Para n&oacute;s, mo&ccedil;ambicanos, a imagem do Brasil &eacute; a de um pa&iacute;s branco ou, no m&aacute;ximo, mesti&ccedil;o. O &uacute;nico negro brasileiro bem-sucedido que reconhecemos como tal &eacute; o Pel&eacute;. Nas telenovelas, que s&atilde;o as respons&aacute;veis por definir a imagem que temos do Brasil, s&oacute; vemos negros como carregadores ou como empregados dom&eacute;sticos. No topo [da representa&ccedil;&atilde;o social] est&atilde;o os brancos. Esta &eacute; a imagem que o Brasil est&aacute; vendendo ao mundo&quot;, criticou a autora, destacando que essas representa&ccedil;&otilde;es contribuem para perpetuar as desigualdades raciais e sociais existentes em seu pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&quot;De tanto ver nas novelas o branco mandando e o negro varrendo e carregando, o mo&ccedil;ambicano passa a ver tal situa&ccedil;&atilde;o como aparentemente normal&quot;, sustenta Paulina, apontando para a mesma organiza&ccedil;&atilde;o social em seu pa&iacute;s. &nbsp;<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a de igrejas brasileiras em territ&oacute;rio mo&ccedil;ambicano tamb&eacute;m tem impactos negativos na cultura do pa&iacute;s, na avalia&ccedil;&atilde;o da escritora. &quot;Quando uma ou v&aacute;rias igrejas chegam e nos dizem que nossa maneira de crer n&atilde;o &eacute; correta, que a melhor cren&ccedil;a &eacute; a que elas trazem, isso significa destruir uma identidade cultural. N&atilde;o h&aacute; o respeito &agrave;s cren&ccedil;as locais. Na cultura africana, um curandeiro &eacute; n&atilde;o apenas o m&eacute;dico tradicional, mas tamb&eacute;m o detentor de parte da hist&oacute;ria e da cultura popular&quot;, detacou Paulina, criticando os governos dos dois pa&iacute;ses que permitem a interven&ccedil;&atilde;o dessas institui&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Primeira mulher a publicar um livro em Mo&ccedil;ambique, Paulina procura fugir de estere&oacute;tipos em sua obra, principalmente, os que limitam a mulher ao papel de dependente, incapaz de pensar por si s&oacute;, condicionada a apenas servir.<\/p>\n<p>&quot;Gosto muito dos poetas de meu pa&iacute;s, mas nunca encontrei na literatura que os homens escrevem o perfil de uma mulher inteira. &Eacute; sempre a boca, as pernas, um &uacute;nico aspecto. Nunca a sabedoria infinita que prov&eacute;m das mulheres&quot;, disse Paulina, lembrando que, at&eacute; a coloniza&ccedil;&atilde;o europeia, cabia &agrave;s mulheres desempenhar a fun&ccedil;&atilde;o narrativa e de transmitir o conhecimento. &nbsp;<\/p>\n<p>&quot;Antes do colonialismo, a arte e a literatura eram femininas. Cabia &agrave;s mulheres contar as hist&oacute;rias e, assim, socializar as crian&ccedil;as. Com o sistema colonial e o emprego do sistema de educa&ccedil;&atilde;o imperial, os homens passam a aprender a escrever e a contar as hist&oacute;rias. Por isso mesmo, ainda hoje, em Mo&ccedil;ambique, h&aacute; poucas mulheres escritoras&quot;, disse Paulina.<\/p>\n<p>&quot;Mesmo independentes [a partir de 1975], passamos a escrever a partir da educa&ccedil;&atilde;o europeia que hav&iacute;amos recebido, levando os estere&oacute;tipos e preconceitos que nos foram transmitidos. A sabedoria africana propriamente dita, a que &eacute; conhecida pelas mulheres, continua exclu&iacute;da. Isso para n&atilde;o dizer que mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o mo&ccedil;ambicana n&atilde;o fala portugu&ecirc;s e poucos s&atilde;o os autores que escrevem em outras l&iacute;nguas mo&ccedil;ambicanas&quot;, disse Paulina.<\/p>\n<p>Durante a bienal, foi relan&ccedil;ado o livro Niketche, uma hist&oacute;ria de poligamia, de autoria da escritora mo&ccedil;ambicana.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Temos medo do Brasil.&quot; Foi com um desabafo inesperado que a romancista mo&ccedil;ambicana Paulina Chiziane chamou a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico do semin&aacute;rio A Literatura Africana Contempor&acirc;nea, que integra a programa&ccedil;&atilde;o da 1&ordf; Bienal do Livro e da Leitura, em Bras&iacute;lia (DF). 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