{"id":26815,"date":"2012-04-13T18:53:14","date_gmt":"2012-04-13T18:53:14","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26815"},"modified":"2012-04-13T18:53:14","modified_gmt":"2012-04-13T18:53:14","slug":"o-futuro-da-concessao-da-telefonia-fixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26815","title":{"rendered":"O futuro da concess\u00e3o da telefonia fixa"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A estrutura&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil, consolidada a partir da Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; LGT (Lei 9472 de julho de 1997) trouxe para o cidad&atilde;o um crescimento enorme na oferta dos servi&ccedil;os de telefonia. Primeiro na telefonia fixa que saiu de cerca de 11 milh&otilde;es de linhas de assinantes para mais de 40 milh&otilde;es num per&iacute;odo relativamente curto de 3 anos.<\/p>\n<p>No momento da reforma do setor, a telefonia m&oacute;vel celular estava engatinhando e o acesso &agrave; internet em banda larga estava restrito &agrave;s grandes empresas usu&aacute;rias de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Este cen&aacute;rio dos servi&ccedil;os de telefonia m&oacute;vel celular logo se alterou experimentando taxas de crescimento elevadas e, no final de 2011, atingiu a marca de 242 milh&otilde;es de linhas de assinantes.<\/p>\n<p>Por outro lado, a telefonia fixa se estabilizou na faixa de 40 milh&otilde;es de linhas de assinantes, fruto do elevado pre&ccedil;o da assinatura b&aacute;sica local, que inacreditavelmente teve esta tarifa aumentada ano a ano e principalmente pela falta de competi&ccedil;&atilde;o neste segmento de telefonia fixa.<\/p>\n<p>Os usu&aacute;rios, apesar dos pre&ccedil;os elevadas dos servi&ccedil;os de telefonia m&oacute;vel celular, preferiram pagar mais e fugir da parcela fixa da assinatura, optando pelos celulares pr&eacute;-pagos (80% dos terminais m&oacute;veis est&atilde;o em planos de servi&ccedil;o pr&eacute;-pago), onde a alternativa de controle da utiliza&ccedil;&atilde;o e do custo parecia ser mais razo&aacute;vel.<\/p>\n<p>Recentemente, ap&oacute;s a regulamenta&ccedil;&atilde;o da portabilidade num&eacute;rica aplicada as telefonia fixa e m&oacute;vel, e com o crescimento da demanda por acessos &agrave; internet em banda larga, a telefonia fixa ganhou uma sobrevida e sofreu um incremento, motivado basicamente pela introdu&ccedil;&atilde;o da competi&ccedil;&atilde;o nestes dois segmentos de servi&ccedil;os. Dados recentes de janeiro de 2012 indicam que foram realizados 17 milh&otilde;es de pedidos de troca de operadora e que cerca de 36% destes foram de assinantes da telefonia fixa. Neste esfor&ccedil;o de sobrevida a telefonia fixa tinha, em 2011, cerda de 43 milh&otilde;es de terminais de assinantes.<\/p>\n<p>Outro aspecto que deve ser considerado &eacute; o elenco de empresas dispostas a prestar este servi&ccedil;o. Excluindo as concession&aacute;rias de telefonia fixa local nas suas &aacute;reas de concess&atilde;o, podemos identificar 20 prestadoras de servi&ccedil;os de telefonia e de acesso &agrave; internet em banda larga com uma participa&ccedil;&atilde;o representativa no mercado.<\/p>\n<p>A participa&ccedil;&atilde;o total do conjunto de empresas autorizadas a prestar o servi&ccedil;o de telefonia fixa, as conhecidas como entrantes, j&aacute; atinge 28% deste mercado.<\/p>\n<p><strong>Novas bases<\/strong><\/p>\n<p>Estamos em 2012 e os contratos de concess&atilde;o da telefonia fixa se encerram em 2025 e naquele momento novas bases dever&atilde;o ser ajustadas entre o poder concedente e as empresas interessadas no objeto da concess&atilde;o deste servi&ccedil;o de telefonia fixa, ou algo que possa substitu&iacute;-lo.<\/p>\n<p>N&atilde;o resta d&uacute;vida que a tend&ecirc;ncia da telefonia fixa &eacute; de sofrer queda no n&uacute;mero de assinantes, assim como em sua receita. Uma hip&oacute;tese bastante otimista seria a manuten&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis atuais de assinantes, mas com uma participa&ccedil;&atilde;o no mercado das concession&aacute;rias de telefonia fixa inferior a atual e possivelmente n&atilde;o superior a 20 milh&otilde;es de assinantes, com uma concentra&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas de baixa ou nenhuma competi&ccedil;&atilde;o. Este quadro j&aacute; estaria considerando uma posi&ccedil;&atilde;o competitiva destas empresas com pre&ccedil;os reduzidos e sem a imposi&ccedil;&atilde;o da assinatura b&aacute;sica.<\/p>\n<p>Devemos tamb&eacute;m considerar que, no per&iacute;odo, novas tecnologias estar&atilde;o dispon&iacute;veis no mercado e os servi&ccedil;os tradicionais de voz, como a telefonia, ser&atilde;o substitu&iacute;dos por solu&ccedil;&otilde;es integradas de voz, dados, textos e imagem com pre&ccedil;os bem mais acess&iacute;veis &agrave; popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mantido este cen&aacute;rio, as concess&otilde;es de telefonia fixa estar&atilde;o gradativamente perdendo o seu valor, uma vez que a perda de mercado e de receita ser&aacute; iminente e as empresas concession&aacute;rias continuar&atilde;o com os compromissos de universaliza&ccedil;&atilde;o e de continuidade do servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>Certamente este cen&aacute;rio n&atilde;o interessa ao poder concedente e muito menos &agrave;s empresas que detem esta concess&atilde;o.<\/p>\n<p>A poss&iacute;vel cobertura de custos destas concession&aacute;rias por outros servi&ccedil;os como acessos em banda larga, TV por assinatura e o Servi&ccedil;o M&oacute;vel Pessoal (celular para voz e acesso &agrave; internet) n&atilde;o &eacute; algo recomend&aacute;vel e at&eacute; irregular. Segundo a regulamenta&ccedil;&atilde;o, estamos tratando de servi&ccedil;os em regimes diferenciados de presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os. A telefonia fixa no regime p&uacute;blico sobre a &eacute;gide de contratos de concess&atilde;o, com compromissos de universaliza&ccedil;&atilde;o, entre outros, e os demais servi&ccedil;os no regime privado sobre a &eacute;gide de termos de autoriza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Soma-se a este cen&aacute;rio uma maior intensidade na competi&ccedil;&atilde;o entre os servi&ccedil;os prestados no regime privado, o que tornaria esta hip&oacute;tese de subs&iacute;dios cruzados insustent&aacute;vel.<\/p>\n<p>Temos ent&atilde;o que identificar o que estas concession&aacute;rias de telefonia fixa t&ecirc;m ainda de grande valor. Neste contexto, visualizamos a sua rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es, composta por uma infraestrutura de pr&eacute;dios, instala&ccedil;&otilde;es, linhas de dutos, torres, postes e cabos de pares e de fibras &oacute;pticas e sistemas de multiplexa&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o. Estes recursos, al&eacute;m de suportar os servi&ccedil;os de telefonia fixa nas suas &aacute;reas de concess&atilde;o, suportam tamb&eacute;m os demais servi&ccedil;os prestados no regime privado, como o acesso &agrave; internet em banda larga, &agrave; telefonia m&oacute;vel celular e &agrave; TV por assinatura. H&aacute; ainda o atendimento &agrave;s redes corporativas dos grandes clientes, que sem d&uacute;vida &eacute; a pe&ccedil;a de maior rentabilidade, pela demanda agregada e a pela otimiza&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica dos recursos da rede.<\/p>\n<p>A aten&ccedil;&atilde;o dada &agrave; quest&atilde;o dos bens revers&iacute;veis, que retornar&atilde;o para a Uni&atilde;o ao final da concess&atilde;o passa a ser decisiva, visto que os recursos da rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es, alocados efetivamente para o servi&ccedil;o de telefonia fixa, objeto da concess&atilde;o, ser&atilde;o irris&oacute;rios se comparados com os alocados aos demais servi&ccedil;os prestados no regime privado.<\/p>\n<p>H&aacute; que se considerar que grande parte dos investimentos realizados pelas concession&aacute;rias na sua rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es h&aacute; muito tempo s&atilde;o destinados aos demais servi&ccedil;os e n&atilde;o &agrave; telefonia fixa, o que certamente vai provocar uma discuss&atilde;o sem precedentes com risco de grandes perdas para ambas as partes e em particular para o usu&aacute;rio consumidor.<\/p>\n<p>A verdade &eacute; que cada vez mais estes novos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es fazem parte do dia a dia do cidad&atilde;o, das empresas e das diversas organiza&ccedil;&otilde;es, sendo indispens&aacute;veis e, portanto, devem ter alguma garantia de sua continuidade. Outro aspecto &eacute; que as demandas s&atilde;o crescentes por bandas de comunica&ccedil;&atilde;o cada vez mais largas, alocadas para os diversos servi&ccedil;os e consumidores, o que faz com que investimentos em redes de telecomunica&ccedil;&otilde;es de suporte aos servi&ccedil;os tamb&eacute;m tenham que ter um grande crescimento.<\/p>\n<p><strong>Transformar a concess&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Imaginar que uma empresa privada focada exclusivamente no atendimento ao mercado possa realizar estes investimentos em rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es sem algum compromisso ou mesmo que o governo, a partir de uma empresa estatal, possa arcar com toda esta responsabilidade, me parece que estamos fadados ao insucesso.<\/p>\n<p>Temos ent&atilde;o que encontrar um espa&ccedil;o onde os investimentos sejam realizados para garantir o funcionamento seguro e ininterrupto da rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es e a sua demanda de crescimento gerada pelos servi&ccedil;os privados que ser&atilde;o suportados por esta rede.<\/p>\n<p>Um caminho a ser avaliado seria o de transformar as concess&otilde;es do servi&ccedil;o de telefonia fixa, o STFC (Servi&ccedil;o de Telefonia Fixa Comutada) numa concess&atilde;o de rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es. A partir desta op&ccedil;&atilde;o, seria definido o escopo inicial da rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es que estaria sob este regime de concess&atilde;o, os compromissos de universaliza&ccedil;&atilde;o, de continuidade e de expans&atilde;o da rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es entre outras.<\/p>\n<p>Este caminho se justifica pelas seguintes raz&otilde;es:<\/p>\n<p>O que a Uni&atilde;o faria com os recursos da rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es devolvidos?<br \/>Passaria a operar a rede e os servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s de uma empresa estatal? Ou faria um processo licitat&oacute;rio para escolha de novos concession&aacute;rios de servi&ccedil;os?<\/p>\n<p>Estas s&atilde;o algumas das perguntas que, se respondidas a tempo, podem facilitar um processo de negocia&ccedil;&otilde;es de grande complexidade que giram em torno de uma solu&ccedil;&atilde;o adequada para o futuro das concess&otilde;es da telefonia fixa no Brasil.<\/p>\n<p><em>Jos&eacute; Roberto de Souza Pinto &eacute; engenheiro, mestre em economia e consultor na &aacute;rea de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Um caminho a ser avaliado seria o de transformar as  concess&otilde;es do servi&ccedil;o de telefonia fixa, o STFC (Servi&ccedil;o de Telefonia  Fixa Comutada) numa concess&atilde;o de rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1676],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26815"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26815"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26815\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}