{"id":26814,"date":"2012-04-13T18:48:41","date_gmt":"2012-04-13T18:48:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26814"},"modified":"2012-04-13T18:48:41","modified_gmt":"2012-04-13T18:48:41","slug":"a-transmissao-distribuida-meu-objetivo-e-extinguir-a-televisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26814","title":{"rendered":"A transmiss\u00e3o distribu\u00edda: &#8220;Meu objetivo \u00e9 extinguir a televis\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O BitTorrent Live funciona exatamente ao contr&aacute;rio da forma como funcionavam, at&eacute; agora, as transmiss&otilde;es ao vivo: quanto mais pessoas est&atilde;o conectadas a um mesmo servi&ccedil;o, mais veloz pode ser a conex&atilde;o. Impressionante. Este simples conceito poderia revolucionar v&aacute;rias coisas ao mesmo tempo: &ldquo;Meu objetivo &eacute; extinguir a televis&atilde;o&rdquo;, disse Bram Cohen, em fevereiro, um pouco s&eacute;rio e um pouco em tom de brincadeira. Tamb&eacute;m permitir&aacute; realizar transmiss&otilde;es, ao vivo, sem grande infraestrutura. &Eacute; que mais de 40% da circula&ccedil;&atilde;o mundial usa o protocolo BitTorrent, que o pr&oacute;prio Cohen inventou, h&aacute; pouco mais de uma d&eacute;cada, quando revolucionou a forma de compartilhar arquivos. Agora, ele vem com um servi&ccedil;o de &ldquo;transmiss&atilde;o&rdquo;, em linha, que &eacute; conceitualmente fabuloso, num momento em que as &aacute;guas da circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o na Internet est&atilde;o &ldquo;quentes&rdquo;.<\/p>\n<p>A press&atilde;o internacional do FBI e de outras administra&ccedil;&otilde;es para que se retire de circula&ccedil;&atilde;o os s&iacute;tios de downloads diretos, como MegaUpload ou os distribu&iacute;dos como The Pirate Bay, foi visto como uma vit&oacute;ria das empresas defensoras da &ldquo;propriedade intelectual&rdquo;. Por&eacute;m, como se sabe, entre MegaUpload e The Pirate Bay existe uma diferen&ccedil;a estrutural: o s&iacute;tio criado por Kim Doctom permitia realizar downloads diretos (de um s&oacute; servidor) e isto agilizava as transmiss&otilde;es em tempo real, sem necessidade de baixar o arquivo previamente. A velocidade era consideravelmente boa, mas, tamb&eacute;m, era simples o rastreamento da fonte: uma vez descoberto o arquivo era f&aacute;cil rastre&aacute;-lo e pedir que fosse dado baixa. The Pirate Bay, ao contr&aacute;rio, era (&eacute;) um buscador de arquivos que est&atilde;o alojados de forma distribu&iacute;da, por meio deste protocolo chamado BitTorrent. Os arquivos n&atilde;o est&atilde;o &ldquo;dentro&rdquo; do The Pirate Bay, este s&oacute; funciona como um &iacute;ndice. Estas fontes est&atilde;o distribu&iacute;das por todo o planeta: uma vez plantada a semente, cada pessoa que se conecta, n&atilde;o somente est&aacute; baixando o material, mas tamb&eacute;m compartilhando o material baixado com os demais.<\/p>\n<p>Esta forma de comunica&ccedil;&atilde;o inventada por Bram Cohen, chamado BitTorrent, &eacute; a vers&atilde;o mais difundida do protocolo peer-to-peer, ou par a par ou p2p. N&atilde;o &eacute; novidade para ningu&eacute;m: BitTorrent foi inicialmente planejado por Cohen no CodeCon, em 2001, e em 2002 juntou um pouco de pornografia gr&aacute;tis, para testar seu programa. Esse protocolo foi desenvolvido, inicialmente, para uma empresa de seguran&ccedil;a, que tinha que distribuir seus arquivos de forma criptografada, de maneira tal que n&atilde;o se poderia destruir as c&oacute;pias de seguran&ccedil;a e, ao mesmo tempo, fosse imposs&iacute;vel conhecer o conte&uacute;do dos mesmos. Atualmente, BitTorrent tem 150 milh&otilde;es de usu&aacute;rios ativos, com maior perman&ecirc;ncia que o Facebook ou YouTube.<\/p>\n<p>Desde seu nascimento, as produtoras de Hollywood e dos selos discogr&aacute;ficos pressionam aos provedores de Internet para que desacelerem as comunica&ccedil;&otilde;es realizadas por meio deste protocolo. Na Argentina, todos os provedores tendem a isso, diminuindo a largura de banda dedicada, afetando o conceito de neutralidade da Internet, onde cada &ldquo;pacote&rdquo; de comunica&ccedil;&atilde;o deveria ser considerado da mesma maneira. O que Bram Cohen apresentou, h&aacute; algumas semanas, sob o nome de BT Live poderia revolucionar os consumos culturais, por meio da Internet: usa fontes distribu&iacute;das, por&eacute;m, n&atilde;o para &ldquo;baixar&rdquo; arquivos, mas para transmitir conte&uacute;do, o que se conhece no ingl&ecirc;s como &ldquo;streaming&rdquo;. No &uacute;ltimo dia 20 de janeiro, foi transmitido pela primeira vez, para todo o p&uacute;blico, um concerto de Dean Guitars (fabricantes de instrumentos musicais) dentro das confer&ecirc;ncias de NAMM, cuja fonte n&atilde;o era uma s&oacute;, mas estava distribu&iacute;da em dezenas de computadores ao redor do planeta.<\/p>\n<p>Para que este protocolo funcione corretamente, Cohen teve que escrev&ecirc;-lo praticamente de novo, j&aacute; que a vers&atilde;o existente de BitTorrent tinha problemas de lat&ecirc;ncia, ou seja, o tempo que demora o envio e recep&ccedil;&atilde;o dos dados. Segundo a declara&ccedil;&atilde;o de Bram Cohen, em seu blog oficial, o objetivo de BT Live &eacute; &ldquo;eliminar um problema fundamental dos servi&ccedil;os de transmiss&atilde;o, em tempo real (streaming), na Internet, eliminando a necessidade de ter servidores custosos com a infraestrutura e reduzindo consideravelmente as demoras nas transmiss&otilde;es&rdquo;. O objetivo do acontecimento era experimentar o protocolo que &ndash; segundo Cohen &ndash; funcionou, incrivelmente, de maneira est&aacute;vel e precisava ser provado de forma massiva. &ldquo;O streaming ao vivo, do BitTorrent, trabalha com um modelo de distribui&ccedil;&atilde;o entre aqueles que est&atilde;o vendo a transmiss&atilde;o. Ou seja, a arquitetura de peer-to-peer aproveita dos recursos de cada usu&aacute;rio, de cada computador, de cada rede e quanto mais gente se soma a uma transmiss&atilde;o, melhora ainda mais a velocidade da mesma&rdquo;, disse Cohen. BT Live est&aacute; testando o protocolo, durante semanas, na p&aacute;gina oficial live.bittorrent.com, para o qual &eacute; necess&aacute;rio instalar o programa de BitTorrent, e um aplicativo que se baixa de sua web. Talvez, o lado mais fraco de BT Live &eacute; que quando h&aacute; poucas pessoas assistindo, a velocidade &eacute; menor. Por&eacute;m, o esp&iacute;rito do protocolo permite que seja mais f&aacute;cil exibir uma transmiss&atilde;o &ldquo;direta&rdquo; para menos pessoas.<\/p>\n<p>Do ponto de vista tecnol&oacute;gico, a proposta de Bram Cohen bane rupturas: at&eacute; agora se supunha que para &ldquo;garantir&rdquo; uma maior demanda de uma transmiss&atilde;o, seria necess&aacute;rio ter maior infraestrutura. BT Live ir&aacute; mudar essa l&oacute;gica (sempre e quando o deixar, os provedores de servi&ccedil;o, e n&atilde;o filtrem o protocolo): quanto maior for a demanda de um servi&ccedil;o, maior ser&aacute; tamb&eacute;m a velocidade de transmiss&atilde;o. Essa l&oacute;gica, agora, est&aacute; pensada para as transmiss&otilde;es ao vivo, por&eacute;m, n&atilde;o demorar&aacute; muito para que algu&eacute;m comece a us&aacute;-la na visualiza&ccedil;&atilde;o de qualquer tido de conte&uacute;do cultural. O grande desafio de Cohen &eacute; fazer a ind&uacute;stria compreender que BT Live n&atilde;o &eacute; um inimigo, mas um aliado do investimento. Do ponto de vista filos&oacute;fico, pretende-se recuperar os pilares de uma Internet livre, distribu&iacute;da e neutra.<\/p>\n<p><em>Tradu&ccedil;&atilde;o: Cepat &#8211; Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O BitTorrent Live funciona exatamente ao contr&aacute;rio da forma como funcionavam, at&eacute; agora, as transmiss&otilde;es ao vivo: quanto mais pessoas est&atilde;o conectadas a um mesmo servi&ccedil;o, mais veloz pode ser a conex&atilde;o. Impressionante. 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