{"id":26806,"date":"2012-04-09T15:45:10","date_gmt":"2012-04-09T15:45:10","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26806"},"modified":"2012-04-09T15:45:10","modified_gmt":"2012-04-09T15:45:10","slug":"conteudo-e-infraestrutura-separados-sao-mais-democraticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26806","title":{"rendered":"Conte\u00fado e infraestrutura separados s\u00e3o mais democr\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Imagine um caminh&atilde;o de carga. Num dia, ele transporta ovos, no outro, batatas. Em viagens separadas, a mesma infraestrutura &ndash; no caso, o caminh&atilde;o &ndash;, &eacute; utilizada para levar diferentes conte&uacute;dos &ndash; ovos e batatas. Essas mercadorias, no entanto, s&atilde;o bastante distintas, e exigem cuidados particulares, embalagens espec&iacute;ficas e formas de acondicionamento. Em ambos os casos, o caminh&atilde;o tem uma capacidade de transporte, que considera o peso e volume m&aacute;ximo da carga.<\/p>\n<p>Essa analogia, apresentada pelo pesquisador e especialista em telecomunica&ccedil;&otilde;es Marcus Manh&atilde;es, pode ser usada para compreender do que se trata o terceiro ponto da<a href=\"http:\/\/www.comunicacaodemocratica.org.br\/\" target=\"_blank\"> Plataforma para um novo Marco Regulat&oacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es no Brasi<\/a>l: a separa&ccedil;&atilde;o de infraestrutura e conte&uacute;do. Na Plataforma, prop&otilde;e-se que:<\/p>\n<p>&ldquo;A opera&ccedil;&atilde;o da infraestrutura necess&aacute;ria ao transporte do sinal, qualquer que seja o meio, plataforma ou tecnologia, deve ser independente das atividades de programa&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do audiovisual eletr&ocirc;nico, com licen&ccedil;as diferenciadas e servi&ccedil;os tratados de forma separada. Isso contribui para um tratamento ison&ocirc;mico e n&atilde;o discriminat&oacute;rio dos diferentes conte&uacute;dos, fomenta a diversifica&ccedil;&atilde;o da oferta, e assim amplia as op&ccedil;&otilde;es do usu&aacute;rio. As atividades que forem de comunica&ccedil;&atilde;o social dever&atilde;o estar submetidas aos mesmos princ&iacute;pios, independentemente da plataforma, considerando as especificidades de cada uma dessas plataformas na aplica&ccedil;&atilde;o desses princ&iacute;pios.&rdquo;<\/p>\n<p>Para Manh&atilde;es, no Brasil tendemos a convergir conte&uacute;dos e servi&ccedil;os, uma vez que no dia a dia dos grandes centros urbanos &eacute; comum assistir a v&iacute;deos, falar no telefone, navegar na internet e ter TV por assinatura. Os &ldquo;caminh&otilde;es&rdquo; que transportam essas &ldquo;mercadorias&rdquo;, por&eacute;m, ainda s&atilde;o muito diferentes. Essa &eacute; uma vis&atilde;o tecnicista que prevaleceu, ao longo dos anos, na forma como a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) regulou a atribui&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. &ldquo;Compreender que todas as redes estar&atilde;o aptas a transportar de tudo &eacute; uma meta a ser atingida. Outra quest&atilde;o importante &eacute; a da ubiquidade, em que todos os servi&ccedil;os estar&atilde;o dispon&iacute;veis em todas as redes e localidades. Infelizmente, no Brasil estamos longe de atingir isso. Portanto, &eacute; outra meta a ser atingida&rdquo;, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Uma das principais quest&otilde;es postas frente ao modelo atual de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil &eacute; a de haver oligop&oacute;lios no controle das estruturas f&iacute;sicas por onde passam as informa&ccedil;&otilde;es. O soci&oacute;logo S&eacute;rgio Amadeu aponta que, para n&atilde;o nos tornarmos dependentes de determinados grupos, devemos criar regras de divis&atilde;o do controle dessas corpora&ccedil;&otilde;es, como prop&otilde;e a Plataforma. &ldquo;Quanto mais conseguirmos impedir que se estabele&ccedil;a um poder total na comunica&ccedil;&atilde;o a partir do controle da infraestrutura, melhor. Ent&atilde;o, quem oferece determinado servi&ccedil;o n&atilde;o poder&aacute; oferecer outro. Se controlar o cabo, n&atilde;o poder&aacute; controlar o provimento de acesso ou conte&uacute;do. Isso tem de ser desagregado&rdquo;, defende o soci&oacute;logo.<\/p>\n<p>Neutralidade<\/p>\n<p>A partir do dom&iacute;nio da infraestrutura, permite-se que as empresas &ndash; e as de telecomunica&ccedil;&otilde;es j&aacute; perceberam isso &ndash; direcionem o fluxo de informa&ccedil;&atilde;o da forma que lhes for mais conveniente. Podem, assim, decidir que tipo de aplica&ccedil;&otilde;es podem ser baixadas ou a quais dados pode-se ter acesso. Para Amadeu, essa situa&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e a pior das censuras: a privada. &ldquo;A censura pol&iacute;tica, em uma democracia, pode ser revertida em uma elei&ccedil;&atilde;o. Mas como voc&ecirc; interfere numa empresa de telefonia? Comprando a&ccedil;&otilde;es e indo na assembleia de acionistas? A sociedade fica ref&eacute;m da ditadura do capital&rdquo;, argumenta.<\/p>\n<p>O tratamento ison&ocirc;mico de diferentes conte&uacute;dos &eacute; um dos principais objetivos da separa&ccedil;&atilde;o entre infraestrutura e conte&uacute;do. Isso garante a neutralidade da rede, que significa que todas as informa&ccedil;&otilde;es que nela trafegam devem ser tratadas da mesma forma, trafegando na mesma velocidade. Manh&atilde;es destaca, por&eacute;m, que essa reivindica&ccedil;&atilde;o deve respeitar direitos. Para ele, a possibilidade de igualdade surge com o tratamento distinto. A neutralidade deveria manter-se no limite de n&atilde;o prejudicar servi&ccedil;os e usu&aacute;rios em favorecimento de outros. &ldquo;Certamente, a reivindica&ccedil;&atilde;o est&aacute; baseada em evid&ecirc;ncias de transgress&otilde;es a direitos. Mantenha-se nessa l&oacute;gica e n&atilde;o se siga adiante. Melhor, exijam-se redes aptas ao atendimento sem que impactem na qualidade e velocidade. Isso exige investimentos elevados em redes. Na l&oacute;gica atual, instaura-se uma elevada demanda, com agrega&ccedil;&atilde;o de muitos usu&aacute;rios e administram-se os limites at&eacute; que se possa melhorar a rede&rdquo;, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>Nesse contexto, fica clara a necessidade de separa&ccedil;&atilde;o entre infraestrutura e conte&uacute;do, uma vez que a combina&ccedil;&atilde;o disso resulta em um poder grande demais para ficar sob responsabilidade de apenas um segmento ou companhia, seja de telecomunica&ccedil;&otilde;es, radiodifusores ou qualquer empresa cujo neg&oacute;cio gire em torno das tecnologias, das redes e servi&ccedil;os. &ldquo;Por baixo da reivindica&ccedil;&atilde;o de separa&ccedil;&atilde;o de infraestrutura e conte&uacute;do, demanda-se uma nova formata&ccedil;&atilde;o dos modelos de neg&oacute;cio. Esse &eacute;, a meu ver, o ponto nevr&aacute;lgico, onde d&oacute;i mais naqueles que t&ecirc;m poderes e privil&eacute;gios e n&atilde;o querem reduzi-los&rdquo;, conclui Manh&atilde;es.<\/p>\n<p>Conhe&ccedil;a mais sobre a <\/span><span class=\"padrao\">a<a href=\"http:\/\/www.comunicacaodemocratica.org.br\/\" target=\"_blank\"> Plataforma para um novo Marco Regulat&oacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil.<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Plataforma para um novo Marco Regulat&oacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es aponta a necessidade de separa&ccedil;&atilde;o de empresas dententoras de infraestrutura com produtoras de conte&uacute;do para fortalecer a democracia do setor<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[366],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26806"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26806"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26806\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}