{"id":26805,"date":"2012-04-09T15:29:47","date_gmt":"2012-04-09T15:29:47","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26805"},"modified":"2012-04-09T15:29:47","modified_gmt":"2012-04-09T15:29:47","slug":"tv-universitaria-uma-jovem-senhora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26805","title":{"rendered":"TV Universit\u00e1ria: uma jovem senhora"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A TV Universit&aacute;ria brasileira &eacute; uma jovem senhora de 40 anos. Mas com corpinho de 14.<\/p>\n<p>Seu ar jovial &eacute; gra&ccedil;as &agrave;s suas pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas de adolescente &ndash; ainda indefinida quanto a sua personalidade, mezzo rebelde\/obediente e independente\/dependente. Mas tamb&eacute;m porque, para boa parte das pessoas, ela nasceu em 1995, com a Lei do Cabo. Poucos sabem que a verdadeira data de nascimento &eacute; de quatro d&eacute;cadas atr&aacute;s, com o surgimento da ainda muito ativa TV Universit&aacute;ria de Recife.<\/p>\n<p>Seus 40 anos, inclusive, foi menos comemorado do que merecia. Uma parte, imagino, pelo recato natural da senhora que n&atilde;o a deixa falar muito de si. Outra porque tamb&eacute;m se esconde em uma timidez constru&iacute;da por um ambiente onde as primas ricas, as TVs comerciais, s&atilde;o o destaque hegem&ocirc;nico da fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>O problema &eacute; que falamos muito pouco de n&oacute;s mesmos. Como retra&iacute;dos nerds, ficamos recolhidos em nossos pequenos est&uacute;dios e ilhas de edi&ccedil;&atilde;o, produzindo, produzindo, produzindo, na v&atilde; esperan&ccedil;a que o mundo olhar&aacute; para n&oacute;s com um ar de orgulho e compreens&atilde;o. V&aacute; l&aacute;, nem precisa ser o mundo. O(A) Reitor(a) j&aacute; estaria de bom tamanho!<\/p>\n<p>Bem, &eacute; dura a realidade, mas geralmente o(a) Reitor(a) &#8211; e boa parte da comunidade acad&ecirc;mica &#8211; tem mais o que fazer. Neste momento, algum outro setor da IES est&aacute; batendo &agrave; porta solicitando que o seu pedido passe para a parte de cima da pilha de prioridades. E a nossa solicita&ccedil;&atilde;o da compra de uma nova c&acirc;mera afunda um pouco mais.<\/p>\n<p>Mas tamb&eacute;m n&atilde;o condenemos assim t&atilde;o r&aacute;pido os t&iacute;midos guerreiros das TVs Universit&aacute;rias. Afinal, s&atilde;o os &uacute;nicos que matam um drag&atilde;o por dia, mas t&ecirc;m que frequentar as aulas nas noites.<\/p>\n<p>A TV Universit&aacute;ria brasileira &eacute; contempor&acirc;nea de um grupo crescente de jovens adultos. Mesmo com quatro d&eacute;cadas, ainda mora com os pais. Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute; culpa sua. &Eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o de co-depend&ecirc;ncia entre pais e filhos, entre reitorias e suas TVs. Como na patologia, um se ap&oacute;ia no outro nas suas fragilidades, e n&atilde;o em suas for&ccedil;as.<\/p>\n<p>E &eacute; filha, muitas vezes, de pais complicados. Ou relapsos, sem dar a aten&ccedil;&atilde;o devida &agrave;s potencialidades de sua cria; ou exigentes demais, cobrando da filha o que ela, ainda, n&atilde;o d&aacute; conta de fazer, por pura falta de apoio financeiro, estrutural (e emocional, porque n&atilde;o?) dos pr&oacute;prios pais.<\/p>\n<p>Boa parte das reitorias considera suas TVs como mais um castelo feudal dentro da estrutura acad&ecirc;mica. Algo a ser mantido ou recha&ccedil;ado conforme a configura&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da reitoria ou do curso de comunica&ccedil;&atilde;o social. Caso algu&eacute;m defenda que isso &eacute; normal em todos os departamentos de uma universidade, comparo a TV com o departamento jur&iacute;dico: pode-se mudar o reitor ou o diretor do curso de direito, mas ningu&eacute;m ir&aacute; questionar a necessidade da exist&ecirc;ncia do departamento. No m&aacute;ximo muda-se a coordena&ccedil;&atilde;o, o que &eacute; natural e esperado, mas est&aacute; fora de quest&atilde;o a sua elimina&ccedil;&atilde;o do organograma. A experi&ecirc;ncia j&aacute; nos mostrou que a TV Universit&aacute;ria n&atilde;o conta com esse privil&eacute;gio.<\/p>\n<p>N&atilde;o tenho d&uacute;vidas para falar da qualidade da produ&ccedil;&atilde;o das televis&otilde;es universit&aacute;rias, um sopro de &acirc;nimo neste hegem&ocirc;nico mundo televisivo brasileiro comercial, excelente em qualidade t&eacute;cnica mas pobre no resto. Diversidade de conte&uacute;dos, fontes, formatos, lugares, produtores. Ideias, ideais, vis&otilde;es de mundo&#8230; Tudo que as institui&ccedil;&otilde;es de ensino se prop&otilde;em a oferecer em um mundo ideal. E que boa parte das equipes das TVs Universit&aacute;rias pelo pa&iacute;s afora se mata para fazer e veicular.<\/p>\n<p>Um retrato que ainda nos surpreende: a TV Universit&aacute;ria brasileira cresceu 700% desde 1995! Nenhum outro segmento de televis&atilde;o cresceu tanto. Ali&aacute;s, desconfio que nenhum pa&iacute;s tenha tantas televis&otilde;es universit&aacute;rias em seu territ&oacute;rio. E ainda com um enorme potencial pois, apesar destes n&uacute;meros, apenas 6% das IES do pa&iacute;s tem sua televis&atilde;o.<\/p>\n<p>A TV Universit&aacute;ria, assim como a universidade brasileira, &eacute; diversa e assim deve ser. Nos orgulhamos dessa diversidade pois &eacute; justamente contra a hegemonia que lutamos. Mas &eacute;, antes de tudo, uma luta di&aacute;ria para agradar os pais, para que eles fiquem devidamente entusiasmados e, finalmente, o Reitor libere a compra daquela c&acirc;mera!<br \/><em><br \/>Cl&aacute;udio M&aacute;rcio Magalh&atilde;es &eacute; professor universit&aacute;rio, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&atilde;o Universit&aacute;ria.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A TV Universit&aacute;ria, assim como a universidade brasileira, &eacute; diversa e  assim deve ser. 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