{"id":26803,"date":"2012-04-05T19:04:55","date_gmt":"2012-04-05T19:04:55","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26803"},"modified":"2012-04-05T19:04:55","modified_gmt":"2012-04-05T19:04:55","slug":"a-necessidade-da-regulamentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26803","title":{"rendered":"A necessidade da regulamenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Uma das diretrizes no que tange &agrave; regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia tem como eixo norteador assegurar e resguardar os interesses sociais. No entanto, para que isso se concretize e se torne base para futuros direcionamentos em busca de uma m&iacute;dia mais democr&aacute;tica, &eacute; fundamental que a sociedade seja elemento chave e decis&oacute;rio nesse processo, participando de forma ativa nesta &aacute;rea. Acrescente-se que &eacute; a aus&ecirc;ncia disso o que impede movimentos mais justos e igualit&aacute;rios, pois a inser&ccedil;&atilde;o da sociedade ainda continua escassa e pouco satisfat&oacute;ria: por um lado, pela falta de acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es; por outro, pelo desinteresse, ocasionado muitas vezes pela mesma aus&ecirc;ncia de debate sobre o tema, al&eacute;m do cansa&ccedil;o da jornada de trabalho.<\/p>\n<p>Os debates e as decis&otilde;es est&atilde;o pulverizadas em torno de grandes grupos midi&aacute;ticos que, em prol de seus interesses, acabam esvaziando a import&acirc;ncia desse assunto. Isso, de certa forma, gera uma confus&atilde;o entre controle e censura. At&eacute; porque os donos dos oligop&oacute;lios travam verdadeiras batalhas contra um marco regulat&oacute;rio. A m&iacute;dia tal qual conhecida hoje, desregulamentada, acaba deixando o mercado conduzir o sistema, tendo o poder de censurar as not&iacute;cias sem garantir a integridade do interesse p&uacute;blico. Na verdade, o controle social nada tem a ver com censura, pois &eacute; a pr&oacute;pria sociedade controlando sua m&iacute;dia. Al&eacute;m do mais, os interesses que envolvem o controle social, ao contr&aacute;rio da censura, s&atilde;o amplos e gerais.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, como n&atilde;o poderia ser diferente, j&aacute; que a m&iacute;dia est&aacute; inserida num quadro onde o rentabiliza&ccedil;&atilde;o e o lucro, elementos-chaves do capitalismo, exercem verdadeira press&atilde;o, os anunciantes tornam-se fundamentais nesse processo. A regula&ccedil;&atilde;o tem como objetivo defender diversos direitos relacionados &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, tais como o interesse p&uacute;blico dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e a participa&ccedil;&atilde;o social. O papel da legisla&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea de m&iacute;dia &eacute; regular as atividades dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e garantir o mais plenamente poss&iacute;vel o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, de forma que o conjunto social possa receber as informa&ccedil;&otilde;es mais relevantes, assim como publicizar sua demandas, identidades e posicionamentos em geral.<\/p>\n<p><strong>Monopolizada e corporativa<\/strong><\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos, a Am&eacute;rica Latina, em especial, tem avan&ccedil;ado no que diz respeito &agrave; regula&ccedil;&atilde;o dos meios. Venezuela, Argentina e Equador, em particular, propuseram novas leis, que devem ser analisadas com aten&ccedil;&atilde;o por trazerem inova&ccedil;&atilde;o, embora n&atilde;o possam ser aplicadas diretamente pelo Brasil. Um bom exemplo &eacute; a Ley de Medios da vizinha Argentina que, fundamentalmente, pro&iacute;be os meios cruzados, o que acaba com monop&oacute;lios. Tamb&eacute;m merece destaque a parti&ccedil;&atilde;o feita no pa&iacute;s entre meios p&uacute;blico-estatais, privados e p&uacute;blico n&atilde;o-estatais. No Brasil, desde 2009, quando foi realizado a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom) o assunto passou a ser discutido com frequ&ecirc;ncia, mas pouco foi feito.<\/p>\n<p>O governo precisa ter coragem para levar adiante o projeto de regulamenta&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia e proibir a propriedade cruzada, mas para isso &eacute; necess&aacute;rio bater de frente com os empres&aacute;rios. A m&iacute;dia n&atilde;o quer discutir a si pr&oacute;pria e nem deixar debater; o discurso sempre tende a acentuar a liberdade de express&atilde;o, que, na verdade, &eacute; a liberdade dos donos da m&iacute;dia de manterem suas empresas sem qualquer vigil&acirc;ncia. Fica cada vez mais evidente a necessidade de um debate aberto, onde o governo deve, ouvindo a sociedade, propor clara mudan&ccedil;a. Na atualidade, a m&iacute;dia brasileira vive um per&iacute;odo de total liberdade, comprando formatos que nada contribuem para a cidadania e vendendo hor&aacute;rios na grade de programa&ccedil;&atilde;o, que se torna, em muitos casos, uma igreja eletr&ocirc;nica ou ba&uacute; de vendas.<\/p>\n<p>Basta olhar-se a programa&ccedil;&atilde;o de TV aberta para se entender por que a m&iacute;dia reluta em ser regulamentada. Para chegar-se a meios sociais &eacute; importante a democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia atual, acreditando-se que assim podem-se aprofundar as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a juventude, ampliando a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o informal. Tendo em vista o bem da democracia, est&aacute; mais do que na hora deste tema ser discutido dentro da academia; ningu&eacute;m ou setor algum pode se omitir, o debate precisa ser levado aprofundadamente. N&atilde;o h&aacute; por que deixar os novos profissionais da comunica&ccedil;&atilde;o serem escravos de uma m&iacute;dia monopolizada e corporativa. Ao contr&aacute;rio do que muitos pensam, o Brasil n&atilde;o vive uma imprensa livre &ndash; quem tem total liberdade s&atilde;o as empresas de m&iacute;dia, n&atilde;o os jornalistas, que normalmente s&atilde;o presos a linhas editoriais.<br \/><em><br \/>Val&eacute;rio Cruz Brittos e Dijair Brilhantes s&atilde;o, respectivamente, professor titular no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o da Unisinos; e graduando em Comunica&ccedil;&atilde;o Social &#8211; Jornalismo na mesma institui&ccedil;&atilde;o e bolsista CNPq<\/em><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A m&iacute;dia tal qual conhecida hoje, desregulamentada, acaba deixando o  mercado conduzir o sistema, tendo o poder de censurar as not&iacute;cias sem  garantir a integridade do interesse p&uacute;blico. <\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1567],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26803"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26803"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26803\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}