{"id":26795,"date":"2012-04-04T15:31:22","date_gmt":"2012-04-04T15:31:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26795"},"modified":"2014-09-07T03:02:30","modified_gmt":"2014-09-07T03:02:30","slug":"equador-avanca-em-uma-nova-proposta-de-regulacao-da-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26795","title":{"rendered":"Equador avan\u00e7a em uma nova proposta de regula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Ap&oacute;s dois anos em discuss&atilde;o, o projeto que cria a Lei de Comunica&ccedil;&atilde;o do Equador ser&aacute; votado na Assembleia Nacional, &oacute;rg&atilde;o equivalente ao Congresso Nacional brasileiro, ainda neste m&ecirc;s de abril. A lei regulamenta os dispositivos constitucionais relativos ao exerc&iacute;cio do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s, estabelecidos na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal promulgada em julho de 2008. O direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o foi reconhecido na Constitui&ccedil;&atilde;o equatoriana como parte do bem viver &ndash; princ&iacute;pio dos ind&iacute;genas da etnia aymara, que tem como fundamento a equidade entre homens, mulheres e a harmonia de ambos com a natureza &ndash; e j&aacute; havia sido reconhecido na Constitui&ccedil;&atilde;o anterior, promulgada em 1998.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; uma lei bastante avan&ccedil;ada, inclusive em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; lei da Argentina. Se conseguirmos sua aprova&ccedil;&atilde;o ser&aacute; um exemplo muito importante para toda a Am&eacute;rica Latina, n&atilde;o s&oacute; para o Equador&rdquo;, afirma Sally Burch, diretora-executiva da Alai (Ag&ecirc;ncia Latinoamericana de Informa&ccedil;&atilde;o), organiza&ccedil;&atilde;o que debate h&aacute; cerca de 25 anos o tema da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no Equador. &ldquo;Existe uma movimenta&ccedil;&atilde;o interessante na Am&eacute;rica Latina para se introduzir novas legisla&ccedil;&otilde;es que democratizem a comunica&ccedil;&atilde;o e se conseguimos aprovar nova legisla&ccedil;&atilde;o no Equador ser&aacute; um grande exemplo, j&aacute; que a lei levanta pontos que s&atilde;o importantes n&atilde;o s&oacute; para o pa&iacute;s, mas para toda a regi&atilde;o&rdquo;, analisa Burch.<\/p>\n<p>De fato, se aprovada, a Lei de Comunica&ccedil;&atilde;o do Equador ir&aacute; promover grandes mudan&ccedil;as na comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Est&atilde;o previstas altera&ccedil;&otilde;es na forma de concess&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de frequ&ecirc;ncias de r&aacute;dio e televis&atilde;o aberta, que passar&atilde;o a ser distribu&iacute;das de forma equitativa em tr&ecirc;s partes: 33% para a opera&ccedil;&atilde;o de meios p&uacute;blicos, 33% para meios privados e 34% para a opera&ccedil;&atilde;o de meios comunit&aacute;rios. Al&eacute;m disso, as frequ&ecirc;ncias que descumprem normas t&eacute;cnicas e jur&iacute;dicas ou se desviam dos fins para os quais foram concedidas ser&atilde;o devolvidas ao Estado e redistribu&iacute;das &agrave; sociedade, de acordo com o percentual estabelecido pela lei.<\/p>\n<p>Para o advogado e assessor t&eacute;cnico da comiss&atilde;o tempor&aacute;ria da Assembleia Nacional criada exclusivamente para elaborar a Lei de Comunica&ccedil;&atilde;o, Romel Jurado, essas mudan&ccedil;as democratizam o acesso &agrave;s frequ&ecirc;ncias de radio e televis&atilde;o porque pluralizam e diversificam as vozes. &ldquo;Sabemos que muitas frequ&ecirc;ncias foram concedidas por meio de favores pol&iacute;ticos, de forma ilegal, ileg&iacute;tima. Essas frequ&ecirc;ncias devem ser devolvidas ao Estado e redistribu&iacute;das de acordo com o estabelecido pela nova lei&rdquo;, explica Jurado.<\/p>\n<p>Atualmente, cerca de 90% do espectro equatoriano &eacute; ocupado pelo setor privado-comercial, de acordo com o relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o de Auditoria de Concess&otilde;es de Frequ&ecirc;ncias de Radio e Televis&atilde;o, institu&iacute;da em 2008 por mandato da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. O advogado e consultor de planejamento Guillermo Navarro, que foi assessor da Assembleia Nacional Constituinte de 2008 e presidente da Comiss&atilde;o de Auditoria da Concess&atilde;o de Frequ&ecirc;ncias de Radio e Televis&atilde;o, tamb&eacute;m acredita que as medidas s&atilde;o significativas para a democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social no Equador, j&aacute; que proporcionam igualdade de oportunidades para a cria&ccedil;&atilde;o de novos meios e a desconcentra&ccedil;&atilde;o das frequ&ecirc;ncias de r&aacute;diodifus&atilde;o. &ldquo;A revers&atilde;o das concess&otilde;es ilegais de frequ&ecirc;ncias de r&aacute;dio e televis&atilde;o vai possibilitar a disposi&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;mero significativo para a redistribui&ccedil;&atilde;o prevista no projeto de lei&rdquo;, pontua Navarro.<\/p>\n<p><strong>Conselho de Regula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento da Comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O projeto de lei tamb&eacute;m prev&ecirc; a cria&ccedil;&atilde;o de um Conselho de Regula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento da Comunica&ccedil;&atilde;o, composto por cinco integrantes: um designado pelas faculdades e escolas de comunica&ccedil;&atilde;o das universidades p&uacute;blicas; um membro eleito entre os candidatos apresentados pelas organiza&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o e direitos humanos com personalidade jur&iacute;dica; um designado pelos Conselhos Nacionais de Igualdade; um membro designado pelo Presidente da Rep&uacute;blica e um membro designado pelas Associa&ccedil;&otilde;es ou Cons&oacute;rcios de Governos Aut&ocirc;nomos Descentralizados (representantes de estados e munic&iacute;pios).<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; prevista a participa&ccedil;&atilde;o de representantes dos concession&aacute;rios de r&aacute;dio e televis&atilde;o no Conselho porque a Constitui&ccedil;&atilde;o equatoriana impede que os interessados se regulem, e isso &eacute; v&aacute;lido para qualquer setor. &ldquo;Como &eacute; uma inst&acirc;ncia que regula os meios, n&atilde;o pode ter participa&ccedil;&atilde;o dos meios. Seria anticonstitucional&rdquo;, explica Romel Jurado, assessor da comiss&atilde;o tempor&aacute;ria da Assembleia Constituinte respons&aacute;vel pela reda&ccedil;&atilde;o da lei.<\/p>\n<p>No que se refere ao Conselho, a representante da Alai, Sally Burch, conta que houve diversas propostas e que o principal ponto de conflito foi em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; presen&ccedil;a do Executivo. O governo respondeu que, por se tratar de um Conselho que vai construir pol&iacute;ticas e p&uacute;blicas, a presen&ccedil;a do Executivo n&atilde;o deveria ser questionada<\/span>. Assim, permaneceu entre os cinco integrantes do Conselho um a ser indicado pela Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica.<span class=\"padrao\">.<\/p>\n<p>Entre as principais atribui&ccedil;&otilde;es do Conselho est&atilde;o o conhecimento e encaminhamento, em &acirc;mbito administrativo, das reclama&ccedil;&otilde;es apresentadas por viola&ccedil;&atilde;o aos direitos e &agrave;s obriga&ccedil;&otilde;es estabelecidas na lei, e a elabora&ccedil;&atilde;o de relat&oacute;rio vinculante para a atribui&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es das frequ&ecirc;ncias para a opera&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio e televis&atilde;o. O projeto de lei ressalta que o Conselho n&atilde;o tem autoridade para suspender ou fechar os meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb&eacute;m:<\/strong><br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=26796\" target=\"_blank\">Proposta de lei regula temas pol&ecirc;micos <\/a> <br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=26797\">Referendo popular aprovou a cria&ccedil;&atilde;o da lei<\/a> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Se aprovada, a lei vai promover altera&ccedil;&otilde;es na forma de concess&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de frequ&ecirc;ncias de r&aacute;dio e televis&atilde;o aberta no pa&iacute;s e a cria&ccedil;&atilde;o de um Conselho de Regula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento da Comunica&ccedil;&atilde;o<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[723],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26795"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26795"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26795\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28283,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26795\/revisions\/28283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}