{"id":26772,"date":"2012-03-27T18:38:19","date_gmt":"2012-03-27T18:38:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26772"},"modified":"2012-03-27T18:38:19","modified_gmt":"2012-03-27T18:38:19","slug":"o-brasil-entre-dois-mundos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26772","title":{"rendered":"O Brasil entre dois mundos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Em 2016 haver&aacute; o switch off da TV anal&oacute;gica brasileira, isto &eacute;, o desligamento total do sistema anal&oacute;gico em prol do funcionamento &uacute;nico do atual padr&atilde;o tecnol&oacute;gico digital. A partir da&iacute; s&oacute; teremos transmiss&otilde;es digitais. A decis&atilde;o est&aacute; sendo tomada em v&aacute;rios pa&iacute;ses e muitos deles hoje possuem apenas o sistema de TV digital.<\/p>\n<p>No campo das telecomunica&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o &eacute; diferente. A evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica levar&aacute; a um &quot;switch off &quot; do STFC (Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nico Fixo Comutado)que, fatalmente, desaparecer&aacute;.A pergunta &eacute;: at&eacute; quando este servi&ccedil;o, que vem declinando no mundo todo, inclusive no Brasil, deve ser mantido?<\/p>\n<p>Na &uacute;ltima semana duas situa&ccedil;&otilde;es distintas vieram contribuir para aprofundar esse debate.<\/p>\n<p>A primeira foi a exposi&ccedil;&atilde;o do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Paulo Bernardo, no Senado, sobre a necessidade de se discutir e planejar de que forma os bens revers&iacute;veis da telefonia fixa retornar&atilde;o ao Estado ap&oacute;s o t&eacute;rmino das concess&otilde;es em vigor. H&aacute; menos de um ano, contudo, tanto para a Anatel, quanto para o Minicom, esse tema s&oacute; deveria ser discutido em 2025, ao t&eacute;rmino dos contratos. O que mais chama a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; que a grande preocupa&ccedil;&atilde;o do ministro &eacute; com a perda de import&acirc;ncia da telefonia fixa comparada aos novos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, como a telefonia m&oacute;vel, e a consequente valoriza&ccedil;&atilde;o do ativo que retornar&aacute; ao governo. Assim como a intensa procura da popula&ccedil;&atilde;o pelo telefone fixo, demanda que s&oacute; n&atilde;o &eacute; maior, segundo Bernardo, por causa dos altos valores das tarifas b&aacute;sicas das linhas fixas.<\/p>\n<p>A segunda foi a apresenta&ccedil;&atilde;o, na mesma semana, do trabalho do IPEA (Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada) sobre o Panorama da Comunica&ccedil;&atilde;o e das Telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil, em particular o artigo &quot;Fixo e m&oacute;vel: Substitui&ccedil;&atilde;o ou Complementaridade? Evid&ecirc;ncias para o Brasil&quot;, da pesquisadora Nathalia<\/p>\n<p>O fato &eacute; que ambos os posicionamentos n&atilde;o enfocam a principal quest&atilde;o. O grande debate n&atilde;o &eacute; a justificativa e nem a telefonia mais utilizada pela popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s &#8211; fixa ou m&oacute;vel &ndash; e, sim, qual ser&aacute; o suced&acirc;neo do STFC ante a converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica. Para o Instituto Telecom, isso j&aacute; est&aacute; mais do que claro: &eacute; o servi&ccedil;o de banda larga.<\/p>\n<p>N&oacute;s, do Instituto, temos ressaltado que cabe ao Estado brasileiro assumir o seu papel de elaborador de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e colocar esse ponto no centro do debate.<\/p>\n<p>O ministro diz que o Estado poder&aacute; chegar ao fim dos contratos de concess&otilde;es com uma rede fixa totalmente sucateada. &Eacute; verdade. Mas h&aacute; quanto tempo temos alertado para isso? N&atilde;o h&aacute; outra sa&iacute;da para esse dilema sen&atilde;o o governo ser proativo, capaz de n&atilde;o permitir que esse importante debate seja evitado com desculpas fr&aacute;geis, como a de que transformar a banda larga em servi&ccedil;o p&uacute;blico demandaria mais tempo e atrasaria o acesso da popula&ccedil;&atilde;o ao servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos esquecer que o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga), lan&ccedil;ado em maio de 2010, continua engatinhando e est&aacute; muito aqu&eacute;m de um verdadeiro Plano. Tornou-se, no m&aacute;ximo, um conjunto de medidas que em nada tem respeitado o plano original.<\/p>\n<p>O Instituto Telecom cobra do governo Dilma a convoca&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Brasil Conectado para que se estabele&ccedil;a o debate com os diversos atores desse processo. J&aacute; s&atilde;o 15 meses de mandato e n&atilde;o d&aacute; mais para o governo continuar como ref&eacute;m das concession&aacute;rias e declarar que o Termo de Compromisso assinado com elas redundar&aacute; na universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga.<\/p>\n<p>Est&aacute; claro que, se quisermos discutir seriamente a quest&atilde;o do decl&iacute;nio do STFC e a universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga, &eacute; fundamental entender que estamos entre dois mundos: o do STFC, que ainda n&atilde;o acabou mas &eacute; apenas uma quest&atilde;o de tempo, e o da banda larga, que &eacute; e ser&aacute; a base de todos os servi&ccedil;os sejam de TVs, de telefonia, fixos ou m&oacute;veis. Vamos esperar at&eacute; 2025 a palavra final do governo federal para constatar o que j&aacute; &eacute; verdade hoje? O switch off do STFC segue em ritmo acelerado e a qualquer momento pode nos atropelar.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\"> O grande debate n&atilde;o &eacute; a justificativa e nem a telefonia mais utilizada  pela popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s &#8211; fixa ou m&oacute;vel &ndash; e, sim, qual ser&aacute; o suced&acirc;neo  do STFC ante a converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[456],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26772"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26772"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26772\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26772"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}