{"id":26752,"date":"2012-03-22T12:04:19","date_gmt":"2012-03-22T12:04:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26752"},"modified":"2012-03-22T12:04:19","modified_gmt":"2012-03-22T12:04:19","slug":"seminario-discute-autonomia-e-financiamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26752","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio discute autonomia e financiamento"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">&ldquo;No dia em que o cidad&atilde;o em casa perceber que aquela TV &eacute; dele, n&atilde;o das cinco fam&iacute;lias, ele vai optar por ela. Uma televis&atilde;o que &eacute; parceira dele, que fala a l&iacute;ngua dele&rdquo;, afirmou P&oacute;la Ribeiro, Presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Emissoras P&uacute;blicas, Educativas e Culturais (Abepec), durante o Semin&aacute;rio Internacional de Regula&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, que se iniciou ontem (21) na C&acirc;mara dos Deputados.<\/p>\n<p>De acordo com P&oacute;la, o formato, a linguagem e a gest&atilde;o da TV p&uacute;blica brasileira devem ser transformados para se consolidar. &ldquo;Como aumentar a audi&ecirc;ncia, com a dificuldade de contratar que a gente tem. Como consolidar um programa de qualidade, por dez anos? Imagina se o Fant&aacute;stico fosse feito com licita&ccedil;&atilde;o, por exemplo? TV P&uacute;blica no Brasil parece at&eacute; hoje uma carola que insiste em fazer comunica&ccedil;&atilde;o de si pr&oacute;pria&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>&ldquo;A ideia n&atilde;o &eacute; criar uma Record p&uacute;blica ou conseguir financiamento e contratar um monte de apresentadores da Globo. Queremos mudar o formato tamb&eacute;m. &Eacute; &oacute;bvio que deve haver uma transi&ccedil;&atilde;o, porque o p&uacute;blico est&aacute; acostumado com o enlatado. Mas a gente precisa inovar&rdquo;, complementou Jonas Valente, do Intervozes.<\/p>\n<p>Para Marcos Dantas, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um dos caminhos para essa transforma&ccedil;&atilde;o est&aacute; na diversifica&ccedil;&atilde;o dos canais das emissoras p&uacute;blicas. Segundo dados apresentados pelo professor, desde 2010 a ades&atilde;o &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o privada supera a comunica&ccedil;&atilde;o aberta, no mundo. &ldquo;O p&uacute;blico quer canais segmentados e n&atilde;o mais programa&ccedil;&atilde;o generalista. &Eacute; o caso da BBC, que hoje tem oito canais e pode disputar, portanto, com a TV a cabo ou sat&eacute;lite. Um deles &eacute; generalista e os outros s&atilde;o divididos por interesse, como not&iacute;cias, crian&ccedil;as e s&eacute;ries.&rdquo;<\/p>\n<p>Esse novo cen&aacute;rio foi poss&iacute;vel com a chegada da TV Digital. No entanto, Marcos explica que na Inglaterra e na Alemanha, bem como no Jap&atilde;o,&nbsp; os processos pol&iacute;ticos foram liderados pelas emissoras p&uacute;blicas. Na Europa, BBC e ARD, e no Jap&atilde;o, NHK, participaram ativamente da reformula&ccedil;&atilde;o de todo o marco legal, exemplo que deveria ser seguido pela EBC, no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Financiamento<br \/><\/strong>&nbsp;<br \/>Outro importante debate levantado no semin&aacute;rio foi sobre a import&acirc;ncia de financiamento p&uacute;blico e garantia de autonomia para a comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica no Brasil. &ldquo;H&aacute; um debate mundial a respeito de como financiar, que &eacute; mais favor&aacute;vel a essas redes &agrave; medida em que elas se legitimam junto ao cidad&atilde;o, para enfrentar a press&atilde;o do mercado. Taxa p&uacute;blica, or&ccedil;amento e publicidade s&atilde;o as op&ccedil;&otilde;es, mas devem ser regulamentadas. Com a amplia&ccedil;&atilde;o do consumo, temos uma migra&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico para canais pagos e uma maior resist&ecirc;ncia para contribuir&rdquo;, afirmou Marcos Dantas.<\/p>\n<p>&ldquo;Quem garante que o pr&oacute;ximo governo vai manter um or&ccedil;amento de R$ 400 milh&otilde;es pra EBC? Enquanto a legisla&ccedil;&atilde;o for desse jeito, n&atilde;o temos garantia nenhuma. Isso tem que ser alterado de forma que a comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica deixe de ser uma iniciativa de governo e passe a ser uma pol&iacute;tica de Estado&rdquo;, ressaltou Jonas. &ldquo;Em todas as &aacute;reas, quando &eacute; necess&aacute;rio um financiamento, s&atilde;o criados fundos. Por que n&atilde;o criar um fundo para a Comunica&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica. Poderia ser a partir da taxa&ccedil;&atilde;o da venda de aparelhos televisores, por exemplo.&rdquo;<\/p>\n<p>O integrante do Intervozes falou tamb&eacute;m da necessidade de se definir os conceitos de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, estatal e privada no novo marco regulat&oacute;rio. &ldquo;A Lei 11.652, que cria Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o, &eacute; muito importante pois define um modelo do que vai ser a comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica no Brasil, mas apenas para o governo federal. O Artigo 223, da Constitui&ccedil;&atilde;o, fala da complementariedade dos sistemas p&uacute;blico e estatal. Na &eacute;poca, a l&oacute;gica era fazer o que a Argentina fez: dividir a comunica&ccedil;&atilde;o em meios privados, meios controlados pelo Estado e meios controlados pela sociedade civil.<\/p>\n<p>Para a Deputada Erundina (PSB &ndash; SP), coordenadora da Frente Parlamentar pela Liberdade de Express&atilde;o e pelo Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o com Participa&ccedil;&atilde;o Popular (Frentecom), a elabora&ccedil;&atilde;o de um novo marco regulat&oacute;rio &eacute; necess&aacute;ria para completar o processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. &ldquo;Uma responsabilidade que se coloca para toda a sociedade brasileira. Esse novo marco regulat&oacute;rio n&atilde;o pode vir apenas de uma consulta p&uacute;blica pela internet. Tem que ser constru&iacute;do ponto a ponto. Deve ser &aacute;gil, mas n&atilde;o com tamanha pressa que comprometa a sua elabora&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Semin&aacute;rio Internacional de Regula&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica discute, em seu primeiro dia na C&acirc;mara dos Deputados, o conceito de m&iacute;dia p&uacute;blica e sua necessidade de fontes de financiamento<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[703],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26752"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26752"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26752\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}