{"id":26747,"date":"2012-03-19T23:28:16","date_gmt":"2012-03-19T23:28:16","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26747"},"modified":"2012-03-19T23:28:16","modified_gmt":"2012-03-19T23:28:16","slug":"autorregulamentacao-nao-exclui-controle-publico-e-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26747","title":{"rendered":"Autorregulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o exclui controle p\u00fablico e social"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O conceito de autorregulamenta&ccedil;&atilde;o voltou &agrave; cena nos &uacute;ltimos meses, a partir da press&atilde;o social em torno da necessidade de implementa&ccedil;&atilde;o de um marco regulat&oacute;rio para as comunica&ccedil;&otilde;es. Agora, no momento em que o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es anuncia que colocar&aacute; em consulta p&uacute;blica a proposta regulat&oacute;ria que estava engavetada, fica claro que o empresariado quer &eacute; evitar a todo custo qualquer iniciativa de fiscaliza&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas atividades.<\/p>\n<p>Desde 1978, existe o Conselho Nacional de Autorregulamenta&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria (Conar), com a prerrogativa de barrar campanhas consideradas agressivas aos direitos do consumidor ou ao pr&oacute;prio mercado. Tamb&eacute;m a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais (ANJ) aprovou, em 2011, a cria&ccedil;&atilde;o de um conselho de autorregulamenta&ccedil;&atilde;o para a &aacute;rea do jornalismo gr&aacute;fico. Iniciativas deste tipo s&atilde;o bem-vindas, mas demonstram antes uma rea&ccedil;&atilde;o do mercado &agrave; incipiente mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil (e ao ensaio do poder p&uacute;blico em criar estruturas de fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos meios) do que um efetivo interesse em qualificar a comunica&ccedil;&atilde;o oferecida &agrave; popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A tese de que entidades de classe s&atilde;o capazes de fazer com que as empresas representadas sigam normas e condutas &eacute;ticas comuns &eacute; discut&iacute;vel. Fundado pelas associa&ccedil;&otilde;es brasileiras de Anunciantes (ABA), de Ag&ecirc;ncias de Publicidade (Abap) e de Emissoras de R&aacute;dio e TV (Abert), al&eacute;m da pr&oacute;pria ANJ, o Conar &eacute; um exemplo disso: uma olhada nas campanhas publicit&aacute;rias exibidas na m&iacute;dia resultar&aacute; em v&aacute;rios apontamentos sobre comerciais que poderiam ser questionados por desrespeito &agrave;s diversidades de g&ecirc;nero, etnia, credo, gera&ccedil;&otilde;es e orienta&ccedil;&atilde;o sexual. Portanto, h&aacute; uma certa dist&acirc;ncia entre a orienta&ccedil;&atilde;o do Conar e os valores &eacute;ticos empregados na produ&ccedil;&atilde;o destas campanhas.<\/p>\n<p><strong>A supremacia do privado sobre o p&uacute;blico<br \/><\/strong><br \/>Nem sempre a opini&atilde;o do mercado coincide com a posi&ccedil;&atilde;o do consumidor e com a avalia&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o. Al&eacute;m do mais, a implementa&ccedil;&atilde;o de medidas de autorregulamenta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o exclui iniciativas de controle p&uacute;blico e social sobre os meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m n&atilde;o inibe a necessidade de mecanismos legais capazes de colocar obst&aacute;culos &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o de propriedade de emissoras de r&aacute;dio e de televis&atilde;o, jornais e revistas, portais e s&iacute;tios eletr&ocirc;nicos por uma mesma companhia de comunica&ccedil;&atilde;o. Assim como n&atilde;o elimina a necessidade de que as emissoras contempladas com concess&otilde;es deem conta da pluralidade cultural da sociedade brasileira na programa&ccedil;&atilde;o e promovam a descentraliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Desta forma, a autorregulamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; apenas uma das medidas pass&iacute;veis de serem adotadas na defesa do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Se o pleito &eacute; alcan&ccedil;ar uma comunica&ccedil;&atilde;o mais democr&aacute;tica e inclusiva, a autorregulamenta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o resolve. As emissoras de r&aacute;dio e de TV operam mediante concess&atilde;o p&uacute;blica, faturando com campanhas publicit&aacute;rias e merchandising que ocupam o espa&ccedil;o p&uacute;blico do espectro radioel&eacute;trico. Uma atividade com estas caracter&iacute;sticas deve estar dispon&iacute;vel a prestar contas ao p&uacute;blico, o que &eacute; diferente de negociar regras entre os pares, mesmo que essas normas tenham algum n&iacute;vel de resultado social positivo.<\/p>\n<p>Uma regulamenta&ccedil;&atilde;o constru&iacute;da a partir do mercado ser&aacute; necessariamente submissa aos interesses do capital. Uma empresa &eacute; planejada para gerar dividendos, ao que deve estar adequado todo ordenamento que tenha origem nela. Os valores destas regras obedecer&atilde;o &agrave; l&oacute;gica de supremacia do privado sobre o p&uacute;blico. Em consequ&ecirc;ncia, a regulamenta&ccedil;&atilde;o pelo mercado n&atilde;o basta por si, devendo a sociedade civil assumir sua prerrogativa de fiscaliza&ccedil;&atilde;o sobre os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, por mais bem intencionados que sejam seus dirigentes.<\/p>\n<p><em>Val&eacute;rio Cruz Brittos e Luciano Gallas s&atilde;o, respectivamente, professor titular no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o da Unisinos; e mestrando no mesmo programa e associado ao coletivo de comunica&ccedil;&atilde;o Intervozes<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Autorregulamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; apenas uma das medidas pass&iacute;veis de serem adotadas  na defesa do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. 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