{"id":26746,"date":"2012-03-19T23:14:57","date_gmt":"2012-03-19T23:14:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26746"},"modified":"2012-03-19T23:14:57","modified_gmt":"2012-03-19T23:14:57","slug":"banda-larga-popular-pratica-e-diferente-do-que-preve-o-papel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26746","title":{"rendered":"Banda larga popular: pr\u00e1tica \u00e9 diferente do que prev\u00ea o &#8216;papel&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) que prev&ecirc; a oferta do servi&ccedil;o com velocidade de 1MBps por segundo e pre&ccedil;o m&aacute;ximo de R$ 35 ou R$ 29,90, em locais onde houver isen&ccedil;&atilde;o fiscal, parece estar fadado a entrar no rol das regulamenta&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o sa&iacute;ram do papel. Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), nove meses depois do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es terem firmados Termos de Compromisso com Oi, CTBC, Sercomtel e Telef&ocirc;nica, mostra que a divulga&ccedil;&atilde;o e a oferta do servi&ccedil;o ainda est&atilde;o longe de atender ao programa que tinha como principal objetivo massificar o servi&ccedil;o de banda larga no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&mdash; Para in&iacute;cio de conversa, esses Termos de Compromisso, por si s&oacute;, j&aacute; s&atilde;o problem&aacute;ticos. Al&eacute;m de n&atilde;o serem os instrumentos ideais para fazer valer o PNBL, eles permitem v&aacute;rias coisas que consideramos impr&oacute;prias, como a venda casada, que &eacute; crime do ponto de vista do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor, e t&ecirc;m textos diferentes para cada empresa. E, mesmo sendo mais permissivos, esses acordo n&atilde;o v&ecirc;m sendo cumpridos pelas empresas &mdash; ressalta Carlos Thadeu de Oliveira, gerente de Comunica&ccedil;&atilde;o do Idec, explicando que Claro e TIM n&atilde;o foram avaliadas pelo levantamento porque a institui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o teve acesso aos acordos firmados pelas empresas com o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e porque a oferta se restringir &agrave; banda larga m&oacute;vel.<\/p>\n<p>Um dos erros apontados pelo Idec na regulamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; o fato de a banda larga n&atilde;o ser considerado um servi&ccedil;o essencial. Sendo um servi&ccedil;o privado, explica o instituto, o governo n&atilde;o pode exigir das empresas cumprimento de metas, nem controlar pre&ccedil;os. Outro ponto fraco &eacute; a velocidade de 1MBps, de acordo com a Uni&atilde;o Internacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es para se dizer banda larga o servi&ccedil;o tem que ter velocidade a partir de 1,5 MBps.<\/p>\n<p>&mdash; Al&eacute;m disso, quando o usu&aacute;rio ultrapassa a franquia de um mega de download, a empresa baixa a velocidade para 128MBps, duas vezes a velocidade da conex&atilde;o discada &mdash; cr&iacute;tica Oliveira, acrescentando que a associa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O gerente de Comunica&ccedil;&atilde;o do Idec aponta como ponto mais escandaloso levantado pela pesquisa, realizada entre dezembro de 2011 e janeiro de 2012, o fato de os Termos de Compromisso permitirem a pr&aacute;tica de venda casada. Ou seja, o condicionamento da contrata&ccedil;&atilde;o da banda larga &agrave; compra de um plano de voz. A pr&aacute;tica &eacute; ilegal, de acordo com o C&oacute;digo de Defesa do Consumidor (CDC). Segundo o instituto, das quatro empresas, apenas a Oi n&atilde;o adota esta conduta.<\/p>\n<p>Um ponto comum a todas as empresas &eacute; falta de divulga&ccedil;&atilde;o do PNBL. Pesquisa realizada pelo Idec com 1.430 associados mostra que quase 45% desconhece a banda larga popular. N&atilde;o por acaso h&aacute; tamanho desconhecimento: a banda larga popular, segundo o levantamento da associa&ccedil;&atilde;o, costuma estar escondida nos sites e na maioria das vezes tamb&eacute;m &eacute; omitida nos servi&ccedil;os de atendimento ao cliente (SAC). Quando se encontra informa&ccedil;&atilde;o ela &eacute; inadequada e n&atilde;o explica de forma clara e precisa o que &eacute; o PNBL e como ele funciona.<\/p>\n<p>Segundo a associa&ccedil;&atilde;o de consumidores, nesse aspecto quem se saiu melhor foi a Sercomtel, &uacute;nica empresa a dar o mesmo destaque ao PNBL das demais ofertas. J&aacute; no SAC da operadora o plano mais barato oferecido pelo atendente era R$ 20 mais caro do que o PNBL. H&aacute; ambiguidade de informa&ccedil;&otilde;es sobre pre&ccedil;os no site.<\/p>\n<p>A Telef&ocirc;nica, no site da Vivo (empresa do grupo que comercializa o produto), tamb&eacute;m d&aacute; bom destaque ao PNBL. No entanto, a operadora se saiu mal no quesito qualidade da informa&ccedil;&atilde;o tanto no site, quanto no servi&ccedil;o de atendimento ao cliente (SAC).<\/p>\n<p>No site da CTBC a oferta &eacute; feita de forma t&iacute;mida e no SAC a informa&ccedil;&atilde;o era de que este servi&ccedil;o s&oacute; pode ser adquirido em locas credenciadas. Ao contar a loja, no entanto, o pesquisador do Idec recebeu a oferta de um plano mais caro e com velocidade inferior ao PNBL. Na Oi a discri&ccedil;&atilde;o na oferta se repete e ainda por cima n&atilde;o deixa claro o que &eacute; PNBL. Al&eacute;m disso, no atendimento por telefone, o consumidor &eacute; incentiva, segundo o Idec, a adquirir planos mais caros e foi precisa muita insist&ecirc;ncia para que o pesquisador conseguisse obter informa&ccedil;&otilde;es sobre a banda larga popular.<\/p>\n<p>&mdash; O consumidor precisa saber de antem&atilde;o o que &eacute; PNBL para encontr&aacute;-lo. Sem saber do que se trata, ser&aacute; muito dif&iacute;cil que algum usu&aacute;rio procure por ele &mdash; afirma Veridiana Alimonti, advogada do Idec e respons&aacute;vel pela pesquisa.<\/p>\n<p>O Idec constatou ainda que CTBC, Sercomtel e Telef&ocirc;nica cobram taxas de instala&ccedil;&atilde;o mais caras para banda larga popular do que em outros planos. E h&aacute; casos de venda do servi&ccedil;o sem pr&eacute;via avalia&ccedil;&atilde;o da possibilidade t&eacute;cnica para instala&ccedil;&atilde;o. O resultado do levantamento foi enviado &agrave; Antel e ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es. O Idec tamb&eacute;m notificou todas as empresas analisadas pelo estudo. Procurada a Anatel n&atilde;o se pronunciou.<\/p>\n<p><strong>O que as empresas dizem<br \/><\/strong><br \/>A Oi informa que disponibiliza ofertas de Oi Velox nos moldes do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) em 1.082 munic&iacute;pios e, at&eacute; o fim de 2014, contemplar&aacute; todas as localidades-sede das 4.800 cidades da sua &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o. Segundo a empresa, as ofertas seguem o Termo de Compromisso firmado junto ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e &agrave; Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). A operadora afirma que tem dado prioridade ao atendimento de pequenas cidades, localizadas em regi&otilde;es mais distantes dos grandes centros urbanos, onde a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o conta com outras alternativas de acesso &agrave; internet e, muitas vezes, apresenta baixo &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano (IDH). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o, a Oi informa que adotou uma estrat&eacute;gia de comunica&ccedil;&atilde;o dirigida aos moradores das cidades atendidas, de forma a garantir uma ampla divulga&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, que inclui uso de cartazes em locais p&uacute;blicos, distribui&ccedil;&atilde;o de folhetos, divulga&ccedil;&atilde;o com carro de som, an&uacute;ncio em jornais e emissoras de r&aacute;dio locais, material fornecido &agrave; imprensa local, comunicados enviados &agrave;s prefeituras e C&acirc;maras Municipais.<\/p>\n<p>A empresa afirma ainda que, conforme previsto no Termo de Compromisso, o limite de download mensal, inicialmente estabelecido em 500 MB, ser&aacute; dobrado para 1 GB a partir de julho de 2013. A Oi informa ainda firmou compromisso com o Departamento de Prote&ccedil;&atilde;o e Defesa do Consumidor (DPDC) de intera&ccedil;&atilde;o colaborativa e tem investido em melhorias de processos e amplia&ccedil;&atilde;o de rede para assegurar a qualidade no atendimento e da presta&ccedil;&atilde;o de seus servi&ccedil;os. A rela&ccedil;&atilde;o completa dos munic&iacute;pios j&aacute; contemplados est&aacute; dispon&iacute;vel no site da companhia (www.oi.com.br).<\/p>\n<p>A Algar Telecom, empresa detentora da marca CTBC, informa que a oferta de banda larga fixa varejo por R$ 35, em Minas Gerais, e R$29,90, em Goi&aacute;s, Mato Grosso do Sul e S&atilde;o Paulo, est&aacute; dispon&iacute;vel desde de outubro de 2011. A empresa atende atualmente 14 munic&iacute;pios e que outras 23 cidades ser&atilde;o inclu&iacute;das at&eacute; o final de 2012. Segundo a Algar Telecom, nesse locais o cliente tem a op&ccedil;&atilde;o de ofertas de vendas conjuntas com o intuito de promover a ades&atilde;o ao servi&ccedil;o, conforme proposta do PNBL. A empresa afirma que o modem oferecido ao cliente &eacute; em regime de comodato e n&atilde;o implica em fideliza&ccedil;&atilde;o. A empresa destaca ainda que segundo o acordado com a Anatel e o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es a op&ccedil;&atilde;o de telefonia m&oacute;vel para o PNBL era de livre escolha de cada operadora, e, como a empresa possui, desde de 2008, um plano de banda larga m&oacute;vel por R$ 29,90 optou por continuar com esta op&ccedil;&atilde;o. A operadora afirma ainda que o PNBL &eacute; comercializado em todos os canais de vendas.<\/p>\n<p>A Sercomtel admite que havia informa&ccedil;&atilde;o divergente quanto ao pre&ccedil;o do plano de banda larga popular no site da operadora, o qual j&aacute; foi devidamente corrigido. A empresa informa ainda que os atendentes do SAC passar&atilde;o por treinamento sobre o PNBL. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; velocidade de conex&atilde;o, a operadora garante que a taxa m&iacute;nima de velocidade contratada ser&aacute; de 10%, mas que, na pr&aacute;tica, o cliente recebe uma velocidade muito maior, que chega a uma m&eacute;dia de 60% da velocidade contratada. A Sercomtel esclarece ainda que a venda de banda larga s&oacute; &eacute; concretizada caso a instala&ccedil;&atilde;o seja tecnicamente poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>O PNBL da Sercomtel tem hoje a ades&atilde;o de apenas tr&ecirc;s usu&aacute;rios. Outra op&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de internet econ&ocirc;mica, da empresa, lan&ccedil;ado em abril de 2010, com 400 Kbps a R$ 29,90 mensais &mdash; &agrave; noite, per&iacute;odo de maior utiliza&ccedil;&atilde;o, essa velocidade pode chegar a at&eacute; 2Mbps &mdash; que j&aacute; ganhou a ades&atilde;o de mais de 14,2 mil fam&iacute;lias londrinenses.<\/p>\n<p>A Telef&ocirc;nica\/Vivo informa que iniciou a oferta de internet em banda larga, dentro do PNBL, por meio da rede de telefonia fixa, em 29 de setembro de 2011 &ndash; nesta primeira fase, para 229 munic&iacute;pios do Estado de S&atilde;o Paulo. Desde a assinatura do Termo de Compromisso, em 30 de junho, a empresa diz ter lan&ccedil;ado, voluntariamente, oferta atendendo aos padr&otilde;es de pre&ccedil;o e velocidade do PNBL, em todos os munic&iacute;pios brasileiros onde a Vivo mant&eacute;m a sua rede de internet m&oacute;vel 3G (cerca de 2.700cidades). A operadora afirma que h&aacute; um milh&atilde;o de clientes utilizando servi&ccedil;os de internet (fixa ou m&oacute;vel) com pre&ccedil;os (at&eacute; R$ 35) e velocidade nos padr&otilde;es estabelecidos pelo PNBL.<\/p>\n<p>A empresa informa que diferentemente do que afirma o IDEC, a taxa de instala&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o pela rede fixa, de R$ 150, n&atilde;o representa &ldquo;fideliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; e que a taxa s&oacute; &eacute; cobrados em caso de desist&ecirc;ncia do servi&ccedil;o antes de doze meses da instala&ccedil;&atilde;o, de acordo com termo assinado com o Governo Federal. A Telef&ocirc;nica\/Vivo diz ainda que a taxa n&atilde;o &eacute; superior &agrave; cobrada nas demais modalidades do servi&ccedil;o de internet em banda larga (Speedy). A taxa de instala&ccedil;&atilde;o do Speedy, informa, &eacute; de R$ 222, embora promocionalmente o valor seja de R$ 123. A operadora ressalta ainda que, apesar do Termo de Compromisso e, consequentemente, o contrato, preveja limite de downloads, a empresa optou por n&atilde;o estabelecer, promocionalmente, este limite.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) que prev&ecirc; a oferta do servi&ccedil;o com velocidade de 1MBps por segundo e pre&ccedil;o m&aacute;ximo de R$ 35 ou R$ 29,90, em locais onde houver isen&ccedil;&atilde;o fiscal, parece estar fadado a entrar no rol das regulamenta&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o sa&iacute;ram do papel. 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