{"id":26691,"date":"2012-03-08T17:20:10","date_gmt":"2012-03-08T17:20:10","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26691"},"modified":"2012-03-08T17:20:10","modified_gmt":"2012-03-08T17:20:10","slug":"governo-tem-obrigacao-de-liderar-regulacao-da-midia-e-confio-que-ira-faze-lo-diz-franklin-martins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26691","title":{"rendered":"Governo tem obriga\u00e7\u00e3o de liderar regula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e confio que ir\u00e1 faz\u00ea-lo, diz Franklin Martins"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, Franklin Martins, afirmou na noite desta segunda-feira (5) que o debate sobre o marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es est&aacute; definitivamente aberto e que o governo Dilma tem a obriga&ccedil;&atilde;o de lider&aacute;-lo.<\/p>\n<p>&ldquo;Esse debate [sobre a regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia] est&aacute; colocado, o governo pode ser mais r&aacute;pido ou mais lento, mas o debate j&aacute; est&aacute; aberto. N&atilde;o pode mais ser interditado&rdquo;, declarou Franklin Martins. &ldquo;O governo tem a obriga&ccedil;&atilde;o de liderar esse processo. E eu confio que ir&aacute; faz&ecirc;-lo.&rdquo;<\/p>\n<p>Ministro de Lula entre os anos de 2007 e 2010, o jornalista participou de um debate organizado pelo diret&oacute;rio do PT do Paran&aacute;, em um hotel no centro de Curitiba.<\/p>\n<p>Martins afirmou vislumbrar tr&ecirc;s desfechos poss&iacute;veis para os debates em torno do tema: 1) Um poss&iacute;vel acerto entre as empresas de radiodifus&atilde;o e as de telecomunica&ccedil;&otilde;es; 2) A supremacia das empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es, pelo seu maior tamanho no mercado; ou 3) Um debate aberto, com participa&ccedil;&atilde;o efetiva da sociedade.<\/p>\n<p>&ldquo;A m&iacute;dia deseja o rachuncho, quer ver o debate restrito aos dois setores envolvidos, radiodifus&atilde;o e telefonia, junto com alguns poucos t&eacute;cnicos do governo&rdquo;, avalia o ex-ministro de Lula. &ldquo;O que est&aacute; em jogo &eacute; como ser&aacute; feito este debate, atrav&eacute;s de um acerto entre quatro paredes, ou se a sociedade vai participar.&rdquo;<\/p>\n<p>Questionado a respeito do teor de seu anteprojeto de marco regulat&oacute;rio -elaborado no final do governo Lula e repassado ao atual ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Paulo Bernardo -, Franklin Martins limitou-se a dizer que &eacute; natural que o atual governo ainda esteja examinando uma mat&eacute;ria da gest&atilde;o anterior.<\/p>\n<p>&ldquo;O processo &eacute; t&atilde;o delicado que n&atilde;o vou fazer nenhum tipo de constrangimento [ao governo Dilma]&rdquo;, afirmou, em resposta a uma quest&atilde;o espec&iacute;fica sobre se a sua proposta tratava ou n&atilde;o de restri&ccedil;&otilde;es &agrave; propriedade cruzada dos meios, e se previa algum poss&iacute;vel efeito retroativo.<\/p>\n<p>&ldquo;Sou pessoalmente contra a propriedade cruzada, contra o monop&oacute;lio em todos os setores. Agora, contratos devem ser respeitados. O que se deve fazer &eacute; n&atilde;o permitir que sejam cometidos no futuro os mesmos erros cometidos no passado. Em pouco tempo, eles [os erros do passado] ser&atilde;o corrigidos.&rdquo;<br \/><strong><br \/>Argentina x Brasil<br \/><\/strong><br \/>A Ley de Medios da Argentina, aprovada em outubro de 2009, poderia servir de par&acirc;metro para uma futura lei brasileira? N&atilde;o, ao menos na avalia&ccedil;&atilde;o de Franklin Martins.<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o quero copiar a Argentina. Adoro a Argentina, estive exilado l&aacute;. A Argentina &eacute; um potro fogoso. Tomam decis&otilde;es e galopam. Est&atilde;o sempre tirando as quatro patas do ch&atilde;o. J&aacute; o Brasil &eacute; um elefante, tiramos apenas uma pata do ch&atilde;o. Levamos mais tempo para montar maioria.&rdquo;<\/p>\n<p>O elefante brasileiro, por&eacute;m, segundo Franklin Martins, evitaria poss&iacute;veis retrocessos. &ldquo;Elefante n&atilde;o d&aacute; meia volta. Quero uma coisa que venha pra ficar. Somos lentos. Ah, e o governo que n&atilde;o manda logo esse projeto? Calma, &eacute; um elefante, ele [o projeto] vai sair. Mas tamb&eacute;m vamos cutucar o elefante, que ele vai sair.&rdquo;<\/p>\n<p>Franklin Martins defendeu a &ldquo;constru&ccedil;&atilde;o de maiorias&rdquo;, ao inv&eacute;s da radicaliza&ccedil;&atilde;o do discurso. &ldquo;Temos que convencer pessoas, entrar nas d&uacute;vidas ao inv&eacute;s de demarcar posi&ccedil;&atilde;o, porque, do contr&aacute;rio, n&oacute;s vamos para gueto&rdquo;, disse. &ldquo;Construindo maiorias a gente muda o pa&iacute;s. N&atilde;o aceitamos nada que fira a Constitui&ccedil;&atilde;o. Mas queremos regulamentar tudo [que est&aacute; nela]. Estamos beirando um quarto de s&eacute;culo e o que est&aacute; ali [na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988] ainda n&atilde;o saiu do papel.&rdquo;<\/p>\n<p>Entre os pontos centrais de um marco regulat&oacute;rio citados pelo ex-ministro de Lula est&atilde;o a garantia do direito de resposta; a desconcentra&ccedil;&atilde;o do mercado; a promo&ccedil;&atilde;o da cultura nacional e regional; a implanta&ccedil;&atilde;o de cotas nacionais em todas as plataformas; a valoriza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o independente; a separa&ccedil;&atilde;o entre distribui&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o; e a universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga.<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o queremos ficar com a atual oferta med&iacute;ocre de conte&uacute;do, &eacute; preciso colocar muito mais gente produzindo conte&uacute;dos.&rdquo;<\/p>\n<p>Quando se fala em regular a comunica&ccedil;&atilde;o, h&aacute; os que veem uma tentativa de ataque &agrave; liberdade da imprensa. &ldquo;Isso &eacute; conversa pra boi dormir, um artif&iacute;cio pra tentar interditar a discuss&atilde;o&rdquo;, rebate Franklin Martins. &ldquo;Queremos ampliar a oferta. Quem tem 90% do mercado, n&atilde;o ter&aacute; mais. Eles est&atilde;o defendendo o velho mundinho. Nada a ver com liberdade de imprensa.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Gigol&ocirc;s do espectro e vale-tudo<br \/><\/strong><br \/>Na aus&ecirc;ncia de um marco regulat&oacute;rio, o Brasil vive o faroeste caboclo na &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o, voltou a classificar o ex-integrante do governo Lula. &ldquo;&Eacute; um vale-tudo, um cipoal de gambiarras, cada um faz o que quer, com seus laranjas, e n&atilde;o existe &oacute;rg&atilde;o pra regular.&rdquo;<\/p>\n<p>Sobre a venda de hor&aacute;rios da televis&atilde;o, Franklin Martins n&atilde;o poupou cr&iacute;ticas. &ldquo;L&oacute;gico que n&atilde;o pode. V&aacute;rias redes t&ecirc;m 20% a 30% de seus hor&aacute;rios vendidos. N&atilde;o d&aacute; pra ser gigol&ocirc; de espectro, n&atilde;o se pode sublocar o espectro.&rdquo;<\/p>\n<p>Para Martins, deveria haver uma ag&ecirc;ncia pra controlar o cumprimento das regras concess&otilde;es. &ldquo;O jogo do bicho &eacute; melhor, porque vale o que est&aacute; escrito. Aqui, vale o jogo do poder&rdquo;, ironizou.<\/p>\n<p>Franklin Martins atacou a campanha publicit&aacute;ria da Sky contra as cotas de programa&ccedil;&atilde;o nacional (&ldquo;Alegam que as cotas aumentam custos, mas, se depender deles, s&oacute; passam enlatados americanos. Todos os pa&iacute;ses s&eacute;rios t&ecirc;m cotas, menos os EUA, que t&ecirc;m uma produ&ccedil;&atilde;o t&atilde;o grande que n&atilde;o precisam&rdquo;); defendeu a radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria (&ldquo;Ela &eacute; tratada como patinho feio, s&oacute; tem obriga&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o tem direitos. Pedidos levam at&eacute; oito anos para ser respondidos. Deve ser considerada comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, mantida pela comunidade. &Eacute; preciso tir&aacute;-la do limbo em que est&aacute;&rdquo;); e criticou a comercializa&ccedil;&atilde;o de emissoras (&ldquo;Concess&otilde;es n&atilde;o podem ser transferidas por baixo do pano. O que eu estou vendendo? n&atilde;o estou vendendo o nome, os equipamentos, mas o espectro, por onde o sinal &eacute; transmitido&rdquo;).<\/p>\n<p><strong>Radiodifus&atilde;o x telecomunica&ccedil;&otilde;es<br \/><\/strong><br \/>Com a crescente converg&ecirc;ncia de m&iacute;dias, a radiodifus&atilde;o, setor que mais protesta contra a regula&ccedil;&atilde;o, seria engolida pelo de telecomunica&ccedil;&otilde;es, prev&ecirc; Franklin Martins, que apresentou n&uacute;meros do mercado em 2009. &ldquo;E o monop&oacute;lio seria ainda pior que o que temos hoje.&rdquo;<\/p>\n<p>Naquele ano, o setor de radiodifus&atilde;o no Brasil faturou cerca de R$ 13 bilh&otilde;es. J&aacute; as companhias telef&ocirc;nicas, R$ 180 bilh&otilde;es &#8211;treze vezes mais.<\/p>\n<p>&ldquo;Sob o ponto de vista do governo Lula, e acredito que tamb&eacute;m no de Dilma, &eacute; preciso ter um olhar para o setor de radiodifus&atilde;o. &Eacute; preciso ter uma sensibilidade social para que a radiodifus&atilde;o tenha um grau de prote&ccedil;&atilde;o. Mas isso n&atilde;o quer dizer que s&oacute; ela precisa de prote&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>O ex-ministro observou que no mundo inteiro existe regula&ccedil;&atilde;o dos meios eletr&ocirc;nicos. &ldquo;Tem que regular, porque ningu&eacute;m vai investir se n&atilde;o sabe as regras do jogo. Em todo lugar do mundo est&aacute; se fazendo isso.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>&lsquo;Jornalismo independente dos fatos&rsquo;<br \/><\/strong><br \/>Franklin Martins avalia ainda que a imprensa brasileira vive uma s&eacute;ria crise de credibilidade. &ldquo;O jornalismo no Brasil &eacute; o mais independente hoje em dia. Independente dos fatos. Publica o que ele quer.&rdquo;<\/p>\n<p>Para ele, a liberdade s&oacute; garante que a imprensa &eacute; livre, n&atilde;o garante que ela seja boa. &ldquo;O bom jornalismo &eacute; dependente dos fatos, desagrade quem desagradar. &Eacute; a cobran&ccedil;a da sociedade que garante a qualidade&rdquo;, acredita o ex-membro da gest&atilde;o Lula.<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o pode ser independente do governo e dependente da oposi&ccedil;&atilde;o, do poder econ&ocirc;mico, do Daniel Dantas. A primeira lealdade tem que ser com os fatos.&rdquo;<\/p>\n<p>Por outro lado, ele tamb&eacute;m observa que a press&atilde;o do p&uacute;blico, que atrav&eacute;s da internet pode denunciar de imediato eventuais informa&ccedil;&otilde;es falsas veiculadas pela m&iacute;dia, estaria mudando o jornalismo para melhor. &ldquo;Antes, na era do aqu&aacute;rio, eles estavam no olimpo, publicavam o que queriam pra uma massa passiva. Hoje, a pol&ecirc;mica corre solta o tempo todo.&rdquo;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, Franklin Martins, afirmou na noite desta segunda-feira (5) que o debate sobre o marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es est&aacute; definitivamente aberto e que o governo Dilma tem a obriga&ccedil;&atilde;o de lider&aacute;-lo. &ldquo;Esse debate [sobre a regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia] est&aacute; colocado, o governo pode ser mais r&aacute;pido &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26691\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Governo tem obriga\u00e7\u00e3o de liderar regula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e confio que ir\u00e1 faz\u00ea-lo, diz Franklin Martins<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[307],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26691"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26691"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26691\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}