{"id":26685,"date":"2012-03-06T21:49:39","date_gmt":"2012-03-06T21:49:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26685"},"modified":"2012-03-06T21:49:39","modified_gmt":"2012-03-06T21:49:39","slug":"seminario-discute-censura-e-realidade-da-comunicacao-sul-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26685","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio discute censura e realidade da comunica\u00e7\u00e3o Sul-Americana"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Alunos, professores, pesquisadores e militantes de movimentos em defesa da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o reuniram-se, na &uacute;ltima segunda-feira (5), no Semin&aacute;rio M&iacute;dia e liberdade. O evento foi realizado pelo Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o&nbsp; e pelo Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o&nbsp; da Univ ersidade Federal de Pernambuco (UFPE), em parceria como Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (SinjoPE).<\/p>\n<p>Pela manh&atilde;, Laurindo Leal Filho, jornalista, soci&oacute;logo e professor da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), proferiu a palestra Estado, mercado e liberdade: a democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o na atualidade sul-americana para uma plateia atenta e participativa. &Agrave; tarde, esteve presente Mino Carta, diretor de reda&ccedil;&atilde;o da revista Carta Capital, para falar sobre o tema Da ditadura &agrave; democracia: m&iacute;dia e censura no Brasil contempor&acirc;neo, que despertou grande interesse de participantes, os quais compareceram em grande n&uacute;mero. <\/p>\n<p><strong>Regula&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina<br \/><\/strong><br \/>A regula&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, para Laurindo Leal Filho, &eacute; um dos grandes desafios deste s&eacute;culo. De acordo com o professor, a televis&atilde;o comercial, particularmente, possui um poder &ldquo;mais poderoso&rdquo; que os poderes constitu&iacute;dos, trazendo s&eacute;rias conseq&uuml;&ecirc;ncias para a democracia. <\/p>\n<p>No contexto latino-americano, o soci&oacute;logo nota que, embora tenha havido, nos &uacute;ltimos anos, grandes avan&ccedil;os de integra&ccedil;&atilde;o pol&iacute;ticos-econ&ocirc;micos entre os Estados da Am&eacute;rica do Sul, como a cria&ccedil;&atilde;o do Mercosul, da Unasul e da CELAC &ndash; Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos, no campo da comunica&ccedil;&atilde;o estas possibilidades de articula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o aparecem, devido &agrave; hegemonia mantida pelos grandes ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Laurindo destaca que a m&iacute;dia brasileira n&atilde;o difunde valores que s&atilde;o caros &agrave; integra&ccedil;&atilde;o latino-americana.&nbsp; &ldquo;A m&iacute;dia brasileira n&atilde;o se esfor&ccedil;a a divulgar, por exemplo, que o analfabetismo na Venezuela e na Bol&iacute;via chegou a zero&rdquo;, afirma. <\/p>\n<p>No entanto, o professor explicita que, atualmente, alguns governos da Am&eacute;rica do Sul &mdash; como os da Argentina, da Venezuela, do Equador, do Paraguai e da Bol&iacute;via &mdash; t&ecirc;m atuado no sentido de promover a democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios. Este percurso se d&aacute;, basicamente, por duas iniciativas, esclarece o jornalista: &ldquo;atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de marcos regulat&oacute;rios e sistemas p&uacute;blicos de comunica&ccedil;&atilde;o, que possam informar e fazer o contraponto aos meios comerciais e hegem&ocirc;nicos&rdquo;. <\/p>\n<p>A Ley de Medios, da Argentina, que tem 166 artigos, &eacute; o exemplo recorrente dessas iniciativas de reformula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia na Am&eacute;rica do Sul. Laurindo destaca que &ldquo;o governo argentino conseguiu criar uma legisla&ccedil;&atilde;o moderna e democr&aacute;tica, impulsionando ao mesmo tempo meios p&uacute;blicos de comunica&ccedil;&atilde;o, como &eacute; o caso do Canal 7 argentino, que possui programas que debatem a m&iacute;dia e promovem outros debates pol&iacute;ticos&rdquo;. <\/p>\n<p>Mas o professor da USP refor&ccedil;a que, apesar de avan&ccedil;os em alguns governos, a m&iacute;dia tradicional latino-americana tem &ldquo;uma ferramenta feroz&rdquo; que procura combater todos os processos de democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia: a Sociedad Interamericana de Prensa (SIP), que re&uacute;ne os grandes conglomerados de m&iacute;dia do continente e que busca impedir qualquer tentativa de rompimento do monop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina. &nbsp;<\/p>\n<p><strong>O contexto brasileiro<br \/><\/strong><br \/>Para Leal Filho, o Brasil tem uma hist&oacute;ria de coronelismo eletr&ocirc;nico terr&iacute;vel. Ele relembra que nosso C&oacute;digo Brasileiro de Comunica&ccedil;&atilde;o completa, em agosto deste ano, exatos 50 anos. &ldquo;&Eacute; uma lei obsoleta que facilita o poder sem controle exercido pelos concession&aacute;rios de r&aacute;dio e TV&rdquo;, conclui o professor. <\/p>\n<p>Segundo Laurindo, uma perversa combina&ccedil;&atilde;o de contextos dificulta o debate amplo e popular de um novo marco regulat&oacute;rio para as comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil e tentativas de controle social da m&iacute;dia brasileira. Ele explica que, no final da d&eacute;cada de 1980, a jun&ccedil;&atilde;o entre a ascens&atilde;o do mercado &ndash; impulsionado, principalmente, pela pol&iacute;tica neoliberal &ndash; e a heran&ccedil;a simb&oacute;lica da ditadura militar fez com que qualquer conten&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria por parte do Estado fosse vista (assim como &eacute; at&eacute; hoje) como interfer&ecirc;ncia ditatorial e censura. &nbsp;<\/p>\n<p>Na opini&atilde;o do soci&oacute;logo, hoje, para a implementa&ccedil;&atilde;o e efetiva&ccedil;&atilde;o de uma lei que regule as comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil &eacute; necess&aacute;rio, antes de mais nada, de coragem pol&iacute;tica de enfrentamento por parte do governo e do Congresso Nacional. &ldquo;A hist&oacute;ria &eacute; ruim. A hist&oacute;ria pregressa n&atilde;o &eacute; boa&rdquo;, afirma Laurindo. Ele afirma que, se o governo n&atilde;o impulsionar o debate, apesar da press&atilde;o e formula&ccedil;&atilde;o da sociedade civil organizada, &eacute; muito dif&iacute;cil criarmos uma nova legisla&ccedil;&atilde;o para as comunica&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p><strong>M&iacute;dia e Censura no Brasil<br \/><\/strong><br \/>O percurso hist&oacute;rico do Brasil foi um dos primeiros pontos abordados por Mino Carta, que o chamou de &ldquo;galope fren&eacute;tico das desgra&ccedil;as brasileiras&rdquo; o processo de forma&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro. . &ldquo;N&atilde;o acreditem, meus jovens amigos, quando lhes contarem que houve uma resist&ecirc;ncia brutal neste pa&iacute;s. N&atilde;o houve. Houve gente que ousou muito, pessoas isoladamente. Mas n&atilde;o houve uma resist&ecirc;ncia no sentido verdadeiro da palavra&rdquo;. Mino fez o apelo ap&oacute;s ressaltar que a ditadura se foi por conta pr&oacute;pria.<\/p>\n<p>Sobre o suposto per&iacute;odo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o que estamos vivendo, o jornalista questionou como ele pode existir, se nunca houve democracia no Brasil. Mino explicou que um pa&iacute;s marcado por desequil&iacute;brios sociais t&atilde;o monstruosos, onde a Justi&ccedil;a protege os gangsters &ndash; como Daniel Dantas e Ricardo Teixeira &ndash; e lhes evita qualquer tipo de dissabores n&atilde;o pode ter democracia. <\/p>\n<p>De acordo com o jornalista, a grande imprensa brasileira implorou pelo golpe 1964. &ldquo;O jornalismo tomava posturas, posi&ccedil;&otilde;es, altamente conden&aacute;veis a luz de um ideal democr&aacute;tico, mas havia jornalistas de muita qualidade. Hoje, n&atilde;o h&aacute; nada. Temos Merval Pereira, Dora Kramer, Eliane Cantanh&ecirc;de. Bando de sabujos que servem ao poder, implacavelmente. Isso n&atilde;o &eacute; nem jornalismo, &eacute; uma trai&ccedil;&atilde;o aos interesses do pa&iacute;s&rdquo;. <br \/>Na avalia&ccedil;&atilde;o do jornalista, a manipula&ccedil;&atilde;o da realidade continua sendo uma caracter&iacute;stica da m&iacute;dia favor&aacute;vel ao regime autorit&aacute;rio. Ele ressalta que a hist&oacute;ria da censura no Brasil, ainda hoje, &eacute; pessimamente contada. A ponto de jornais que apoiaram a ditadura terem o cinismo de se afirmar v&iacute;timas dele. &ldquo;O Jornal do Brasil, o Globo e a Folha de S&atilde;o Paulo nunca foram censurados. Pelo contr&aacute;rio, a Folha de S&atilde;o Paulo prontificava-se a oferecer peruas da sua distribui&ccedil;&atilde;o &agrave; repress&atilde;o para que prendesse quem fosse considerado um perigoso vermelho&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Mino ressalta ainda que a verdade factual, o exerc&iacute;cio diuturno do esp&iacute;rito cr&iacute;tico e a fiscaliza&ccedil;&atilde;o do poder s&atilde;o elementos fundamentais para a pr&aacute;tica do jornalismo. Para ele a verdade factual significa registrar o fato, como ele se deu, com total honestidade. O esp&iacute;rito cr&iacute;tico atilado &eacute; necess&aacute;rio para perceber como as interpreta&ccedil;&otilde;es podem tomar o rumo certo ou n&atilde;o. E, por fim, a fiscaliza&ccedil;&atilde;o do poder nesse caso &eacute; considerada, em sentido lato, onde quer se manifeste. &ldquo;N&atilde;o pe&ccedil;a ao jornalista a objetividade, pe&ccedil;a a honestidade&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>Quanto &agrave; perspectiva de melhoramento da produ&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica brasileira, nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas, Mino avalia que ela depende de situa&ccedil;&otilde;es concomitantes &ndash; como discuss&otilde;es democr&aacute;ticas sobre a comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil, crescimento da demanda da sociedade por conte&uacute;dos com n&iacute;veis mais elevados e meios p&uacute;blicos de comunica&ccedil;&atilde;o &ndash;, que nascem de um amadurecimento natural, da cria&ccedil;&atilde;o efetiva de uma na&ccedil;&atilde;o, que, ao seu ver, at&eacute; hoje n&atilde;o existe no sentido total da palavra. &ldquo;Existe, sim, apenas um pa&iacute;s, um povo e uma l&iacute;ngua, mas a na&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o se criou, em fun&ccedil;&atilde;o dos desequil&iacute;brios sociais monstruosos. Ent&atilde;o, &agrave; medida que esses desequil&iacute;brios forem corrigidos, que uma distribui&ccedil;&atilde;o de renda se fa&ccedil;a de forma, razoavelmente, eficaz, tudo isso levar&aacute; a certos resultados&rdquo;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor Laurindo Leal Filho e jornalista Mino Carta debatem em Recife o processo de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no continente e a censura da m&iacute;dia no pa&iacute;s.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[90],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26685"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26685"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26685\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}