{"id":26684,"date":"2012-03-06T18:18:14","date_gmt":"2012-03-06T18:18:14","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26684"},"modified":"2012-03-06T18:18:14","modified_gmt":"2012-03-06T18:18:14","slug":"entidades-defendem-papel-regulador-da-ancine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26684","title":{"rendered":"Entidades defendem papel regulador da Ancine"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Entidades da sociedade civil com atua&ccedil;&atilde;o geral e no campo da comunica&ccedil;&atilde;o apresentaram propostas comuns nas consultas p&uacute;blicas da Ancine (Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema) que regulamentam a Lei n&ordm; 12.485\/11. A CUT (Central &Uacute;nica dos Trabalhadores), o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), o Centro de Estudos da M&iacute;dia Alternativa Bar&atilde;o de Itarar&eacute; e o Coletivo Intervozes registraram contribui&ccedil;&otilde;es que enfatizam a import&acirc;ncia do papel regulador do audiovisual da Ag&ecirc;ncia. &nbsp;<\/p>\n<p>Ao apresentar as propostas, tamb&eacute;m apoiadas pela Fitert (Federa&ccedil;&atilde;o Interestadual de Trabalhadores em R&aacute;dio e Televis&atilde;o) e pela Arpub (Associa&ccedil;&atilde;o das R&aacute;dios P&uacute;blicas do Brasil), as organiza&ccedil;&otilde;es mostraram-se ainda preocupadas com a &#39;Declara&ccedil;&atilde;o dos direitos dos cineastas&#39;, publicada por um pequeno grupo de produtores, que busca explicitamente capturar a Ancine para seus interesses particulares. A declara&ccedil;&atilde;o foi publicada &agrave;s v&eacute;speras do fechamento do processo de consulta p&uacute;blica.<\/p>\n<p>A Lei n&ordm; 12.485 e o papel regulador da Ancine t&ecirc;m sido alvo de ataques, tamb&eacute;m, por parte do setor privado. A ABTA (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de TV por Assinatura) e a operadora SKY s&atilde;o os principais porta-vozes desse segmento. Esta &uacute;ltima, inclusive, veiculou recentemente campanha enganosa entre seus assinantes para se contrapor &agrave; lei. Para Renata Mielli, diretora do Bar&atilde;o de Itarar&eacute;, o que h&aacute; de comum entre as manifesta&ccedil;&otilde;es de empres&aacute;rios e cineastas &eacute; uma vis&atilde;o ultraliberal de defesa de um mercado que atua sem regras e sem regula&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Para ambos o &lsquo;neg&oacute;cio do audiovisual&rsquo; lhes pertence e n&atilde;o est&aacute; vinculado a qualquer interesse p&uacute;blico&rdquo;, afirma Renata.<\/p>\n<p><strong>Contribui&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>Os dois pontos principais das contribui&ccedil;&otilde;es apresentadas pelas organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil tratam dos temas de coliga&ccedil;&atilde;o e controle e da possibilidade de dispensa do cumprimento de cotas, que afeta diretamente os produtores e programadores independentes.<\/p>\n<p>A import&acirc;ncia do tema de coliga&ccedil;&atilde;o e controle se d&aacute; porque ele incide na classifica&ccedil;&atilde;o das programadoras brasileiras independentes, para quem est&atilde;o reservados 1\/3 das cotas de canais. Nos textos em consulta, a Ag&ecirc;ncia atenua a defini&ccedil;&atilde;o de controle e retira do texto original as possibilidades de san&ccedil;&otilde;es sobre as empresas. Jo&atilde;o Brant, membro da Coordena&ccedil;&atilde;o Executiva do Intervozes, ressalta que no texto em revis&atilde;o, o poder estatut&aacute;rio ou contratual de veto em qualquer mat&eacute;ria ou delibera&ccedil;&atilde;o era um elemento que fazia parte da pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o de controle. &ldquo;Com a vers&atilde;o nova proposta pela Ancine, o poder de veto deixa de ser inclusive um ind&iacute;cio de preponder&acirc;ncia nas delibera&ccedil;&otilde;es sociais, o que pode gerar situa&ccedil;&otilde;es em que uma programadora exerce um controle &lsquo;de fato&rsquo; sobre uma empacotadora, com poder de veto nas mat&eacute;rias sobre empacotamento (como entrada de novos competidores ou forma&ccedil;&atilde;o do lineup), e ainda assim ser considerada programadora brasileira independente&rdquo;, alerta Brant.<\/p>\n<p>A proposta apresentada pelas entidades modifica esses textos, tomando como refer&ecirc;ncia a defini&ccedil;&atilde;o da resolu&ccedil;&atilde;o 247 da Comiss&atilde;o de Valores Mobili&aacute;rios, que &eacute; mais forte que a defini&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica da Lei das Sociedades An&ocirc;nimas, usada como refer&ecirc;ncia pela Ancine. Elas prop&otilde;em ainda que &#39;poder de veto em qualquer quest&atilde;o relacionada &agrave; programa&ccedil;&atilde;o ou ao empacotamento&#39; seja inclu&iacute;do entre os ind&iacute;cios de preponder&acirc;ncia nas delibera&ccedil;&otilde;es sociais. A contribui&ccedil;&atilde;o apresentada recoloca no texto da Instru&ccedil;&atilde;o Normativa 91 os mecanismos que d&atilde;o &agrave; Ancine as condi&ccedil;&otilde;es de exercer plenamente seu poder regulat&oacute;rio e fiscalizat&oacute;rio. Segundo Guilherme Varella, advogado do Idec, &ldquo;a regula&ccedil;&atilde;o do audiovisual &eacute; fundamental para equilibrar os interesses dos atores envolvidos, evitar assimetrias e reconhecer a import&acirc;ncia estrat&eacute;gica do segmento&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Dispensa das cotas<br \/><\/strong><br \/>O outro tema central das contribui&ccedil;&otilde;es &eacute; a possibilidade da dispensa de cotas, prevista pela Lei n&ordm; 12.485 &ldquo;em caso de comprovada impossibilidade de cumprimento integral&rdquo;. Para Renata Mielli, o texto posto em consulta tinha problemas por n&atilde;o detalhar bem esses crit&eacute;rios &#8211; deixando a cargo de regulamenta&ccedil;&atilde;o posterior &#8211; e abrir a possibilidade de essa dispensa se dar n&atilde;o apenas em casos de impossibilidade t&eacute;cnica ou econ&ocirc;mica, mas tamb&eacute;m de inadequa&ccedil;&atilde;o do perfil da programa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Ao sugerir que um canal possa ser dispensado das cotas por motivos como esses, a ag&ecirc;ncia desestimula a criatividade dos programadores na busca de programa&ccedil;&atilde;o brasileira e independente que combine com seu perfil de canal, e abre um enorme flanco para que o previsto na lei como exce&ccedil;&atilde;o seja considerado possibilidade corrente&rdquo;, aponta a diretora do Bar&atilde;o de Itarar&eacute;.<\/p>\n<p>A Secret&aacute;ria Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o da CUT, Rosane Bertotti, ressalta que &ldquo;mesmo que n&atilde;o conflitantes com a lei, essas possibilidades enfraquecem seu esp&iacute;rito original de garantia de conte&uacute;do nacional e independente no hor&aacute;rio nobre em todos os canais de espa&ccedil;o qualificado&rdquo;. Na consulta, as organiza&ccedil;&otilde;es propuseram a retirada do crit&eacute;rio &ldquo;perfil de programa&ccedil;&atilde;o&rdquo; como um dos que permite a dispensa de cotas, e incluem outros crit&eacute;rios que buscam restringir as possibilidades de dispensa. Al&eacute;m dessas duas grandes quest&otilde;es, as organiza&ccedil;&otilde;es contribu&iacute;ram em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s regras sobre reprise e ao tempo de publicidade.<\/p>\n<p><strong>Representante dos cineastas?<br \/><\/strong><br \/>A afirma&ccedil;&atilde;o do poder regulador da Ancine feita pelas organiza&ccedil;&otilde;es na consulta p&uacute;blica deixa evidente o conflito com o manifesto apresentado pelos cineastas Luiz Carlos Barreto, Cac&aacute; Diegues e Renata de Almeida Magalh&atilde;es. O manifesto, que parafraseia a Declara&ccedil;&atilde;o de Direitos de Virg&iacute;nia, escrita no ano de independ&ecirc;ncia dos Estados Unidos, afirma que &ldquo;todo o poder da Ancine emana dos cineastas, aqui englobando todos os que representam e exercem os diversos segmentos da produ&ccedil;&atilde;o audiovisual, e, em seu nome, deve ser exercido&rdquo;.<\/p>\n<p>Para Renata Mielli, essa afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; completamente absurda e desconsidera todo o car&aacute;ter p&uacute;blico das ag&ecirc;ncias, que devem responder ao interesse p&uacute;blico, e n&atilde;o a interesses particulares de qualquer segmento. Renata lembra que a lei que cria a ag&ecirc;ncia a define como um &oacute;rg&atilde;o de &ldquo;fomento, regula&ccedil;&atilde;o e fiscaliza&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica e videofonogr&aacute;fica&rdquo;, e a define como &ldquo;dotada de autonomia administrativa e financeira&rdquo;.<\/p>\n<p>Esses poderes s&atilde;o questionados pelo manifesto, que afirma que a ag&ecirc;ncia n&atilde;o deveria misturar as atribui&ccedil;&otilde;es de normatiza&ccedil;&atilde;o, fomento e fiscaliza&ccedil;&atilde;o. Guilherme Varella, do Idec, lembra que entre as atribui&ccedil;&otilde;es das ag&ecirc;ncias est&atilde;o justamente as de &ldquo;construir normas e crit&eacute;rios para qualidade dos servi&ccedil;os e fiscalizar infra&ccedil;&otilde;es, falhas e abusos, contribuindo de forma essencial para a prote&ccedil;&atilde;o dos produtores, mas tamb&eacute;m dos telespectadores, que consomem esses servi&ccedil;os culturais e devem ter seus direitos garantidos&rdquo;.<\/p>\n<p>O manifesto tamb&eacute;m &eacute; criticado pelo representante do Intervozes. &ldquo;&Eacute; surreal que em pleno s&eacute;culo XXI surjam pe&ccedil;as como essas, que refor&ccedil;am assumidamente uma vis&atilde;o clientelista de Estado e prop&otilde;em de forma aberta a captura de uma ag&ecirc;ncia reguladora por um setor&rdquo;. O manifesto afirma textualmente que a Ancine &eacute; &ldquo;representante dos cineastas&rdquo; e prop&otilde;e que os debates sobre as decis&otilde;es sejam realizados antes de as propostas serem colocadas em consulta p&uacute;blica. Para Brant, contudo, os cineastas que t&ecirc;m essa vis&atilde;o s&atilde;o minoria. &ldquo;A maioria dos produtores tem trabalhado de maneira s&eacute;ria, contribu&iacute;do com as consultas e dialogado com a Ancine sem buscar qualquer tipo de privil&eacute;gio&rdquo;.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.intervozes.org.br\/noticias\/contribuicoes_conjuntas_12485-Ancine-final.pdf\" target=\"_blank\">Confira as contribui&ccedil;&otilde;es das entidades da sociedade civil.<\/a> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em consulta p&uacute;blica, CUT, Idec, Bar&atilde;o de Itarar&eacute;, Intervozes, Fitert e Arpub afirmam papel regulador da Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema e se colocam em posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria a manifesto publicado por cineastas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[148],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26684"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26684"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26684\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}