{"id":26602,"date":"2012-02-07T15:17:35","date_gmt":"2012-02-07T15:17:35","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26602"},"modified":"2012-02-07T15:17:35","modified_gmt":"2012-02-07T15:17:35","slug":"tv-paga-sob-nova-direcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26602","title":{"rendered":"TV paga sob nova dire\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O mercado de tv por assinatura aguarda com ansiedade a entrada em vigor do novo marco regulat&oacute;rio que promete mudar a cara do setor. Aprovada pelo Congresso Nacional em agosto de 2011, a Lei n&ordm; 12.485 unificou as regras para todas as tecnologias da TV paga, cabo &oacute;ptico, sat&eacute;lite ou radiofrequ&ecirc;ncia. Entre as principais novidades est&atilde;o a abertura do mercado para as operadoras de telefonia, o fim das restri&ccedil;&otilde;es &agrave; participa&ccedil;&atilde;o do capital estrangeiro e a cria&ccedil;&atilde;o de uma cota de tr&ecirc;s horas e meia de programa&ccedil;&atilde;o nacional por semana, inclusive para os canais estrangeiros, com 50% para produtoras brasileiras independentes.<\/p>\n<p>Segundo os especialistas, al&eacute;m de estimular a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual, a legisla&ccedil;&atilde;o dever&aacute; atrair mais investimentos, com maior concorr&ecirc;ncia em um segmento marcado pela concentra&ccedil;&atilde;o. Com mais op&ccedil;&otilde;es, sup&otilde;e-se que os pre&ccedil;os caiam e cres&ccedil;a o n&uacute;mero de assinantes, com a amplia&ccedil;&atilde;o da rede de TVs por assinatura no Pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Do ponto de vista do neg&oacute;cio, o momento &eacute; positivo. Segundo a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (-Anatel), a base de assinantes subiu 30% em 2011, indo a 12,7 milh&otilde;es de pontos de acesso, ou 42 milh&otilde;es de espectadores estimados, dos quais 18% s&atilde;o classificados como da classe C. O ritmo de crescimento da base &eacute; o principal respons&aacute;vel por outro dado positivo. Estima-se que o faturamento publicit&aacute;rio da TV paga (que representa at&eacute; 15% da receita total) cresceu 20% no ano passado, atingindo 1,2 bilh&atilde;o de reais. Um aumento significativo, comparado &agrave; expans&atilde;o de 7% do bolo publicit&aacute;rio do Pa&iacute;s no mesmo per&iacute;odo.<\/p>\n<p>Outro ponto fundamental da lei, tamb&eacute;m elogiado pelos especialistas, foi separar as atividades da cadeia do setor. Ficaram definidas as atividades relacionadas a conte&uacute;do (produ&ccedil;&atilde;o, programa&ccedil;&atilde;o, empacotamento) e as relacionadas &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o. E decidiu-se que as produtoras de conte&uacute;do n&atilde;o poder&atilde;o ter neg&oacute;cios na distribui&ccedil;&atilde;o. As empresas distribuidoras, por sua vez, n&atilde;o investir&atilde;o em conte&uacute;do.<\/p>\n<p>A legisla&ccedil;&atilde;o impede ainda que empresas de telecomunica&ccedil;&atilde;o invistam em conte&uacute;do. E n&atilde;o permite que companhias de radiodifus&atilde;o atuem como operadoras de TV por assinatura. Dessa forma, Globo ou Bandeirantes, por exemplo, atuando como programadoras e produtoras de conte&uacute;do, teriam de sair da distribui&ccedil;&atilde;o. Assim, no caso das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo, o grupo teria de diminuir substancialmente a sua participa&ccedil;&atilde;o na distribuidora NET, abrindo m&atilde;o de todos os poderes de controladora. Somente assim a outra empresa do grupo, a Globosat, poderia ser classificada como produtora independente. Outro ponto positivo da legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; o incentivo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o nacional audiovisual.<\/p>\n<p>Ficou estabelecido que a Anatel e a Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema (Ancine), como ag&ecirc;ncias reguladoras do mercado de TV por assinatura, regulamentar&atilde;o o setor. As duas ag&ecirc;ncias j&aacute; apresentaram suas propostas para consulta p&uacute;blica, e a Anatel promete p&ocirc;r fim &agrave; tarefa no come&ccedil;o de mar&ccedil;o. A Ancine, por sua vez, ainda realizar&aacute; duas audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas em fevereiro, e prev&ecirc; uma defini&ccedil;&atilde;o at&eacute; o in&iacute;cio de abril. &Eacute; a&iacute; que mora o perigo. Segundo os especialistas, h&aacute; boa chance de que as propostas de regulamenta&ccedil;&atilde;o desconstruam os avan&ccedil;os da legisla&ccedil;&atilde;o aprovada. Um ponto importante seria o que estabelece os crit&eacute;rios de fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos controles e coliga&ccedil;&otilde;es entre as empresas a serem submetidas &agrave;s novas regras.<\/p>\n<p>Para Jo&atilde;o Brant, da ONG Intervozes, dedicada &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o social, a proposta apresentada pela Ancine abre brechas para se evitar um dos objetivos da lei: acabar com os casos de verticaliza&ccedil;&atilde;o de empresas do setor, que atuam na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do e na sua distribui&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O objetivo de desverticalizar &eacute; gerar maior diversidade na oferta, baixar os pre&ccedil;os e estimular a competi&ccedil;&atilde;o. E ainda evitar que algu&eacute;m seja o porteiro da TV por assinatura, definindo o que a distribuidora vai oferecer ao consumidor.&rdquo;<\/p>\n<p>Segundo Brant, a proposta da Ancine tornaria mais flex&iacute;vel a fiscaliza&ccedil;&atilde;o das empresas a serem credenciadas junto &agrave; ag&ecirc;ncia. Grupos com neg&oacute;cios na distribui&ccedil;&atilde;o e na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos seriam os beneficiados. Segundo Brant o melhor exemplo &eacute; a Globo, que recentemente pediu autoriza&ccedil;&atilde;o &agrave; Anatel para realizar uma troca de comando da Net Servi&ccedil;os. Pelo pedido, a Globo reduziria sua participa&ccedil;&atilde;o nas a&ccedil;&otilde;es ordin&aacute;rias da NET para 33%, e de 12,6%, no caso do volume total de a&ccedil;&otilde;es. A Globo teria, por&eacute;m, de diminuir ainda mais a sua participa&ccedil;&atilde;o, para menos de 10% do capital total, conforme a proposta original. A lei estabelece o limite de 12 de setembro de 2012 para que os grupos desfa&ccedil;am de seus neg&oacute;cios ao longo da cadeia.<\/p>\n<p>Para Murilo Ramos, professor e coordenador do Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade de Bras&iacute;lia, a lei foi aprovada em 2011 devido a um esfor&ccedil;o do governo Lula, no ano anterior. Ramos lembra que os interesses de grupos econ&ocirc;micos quase inviabilizaram o projeto de lei. &ldquo;Houve um momento em que analistas, observadores e o pr&oacute;prio mercado avaliavam que n&atilde;o seria aprovada nunca. S&oacute; aconteceu quando o governo entrou com seu poder de convencimento da base e resolveu aprov&aacute;-la.&rdquo;<\/p>\n<p>Segundo Ramos, o apoio crescente do governo &agrave; Ancine foi fundamental para o formato final da Lei, conforme aprovado no Congresso. &ldquo;Apesar de, no limite, ter beneficiado as teles, s&oacute; quando a ag&ecirc;ncia teve o apoio da Casa Civil &eacute; que a coisa andou.&rdquo;<\/p>\n<p>Apesar dos temores, representantes da Ancine e da Anatel disseram a CartaCapital que as duas ag&ecirc;ncias pretendem seguir o esp&iacute;rito da lei na hora de regulamentar. &ldquo;N&atilde;o estamos abrindo brechas. Estamos em sintonia com a Lei 12.485. A Ancine atuou para a moderniza&ccedil;&atilde;o do marco regulat&oacute;rio do setor e foi um dos atores mais importantes&rdquo;, diz Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine.&ldquo;O que estamos &eacute; fazendo um par&acirc;metro da Lei das S.A., em sintonia com a lei aprovada. O &uacute;nico erro ser&aacute; o de extrapolar aquilo que a lei definiu. Se eu fizer isso, estarei enfraquecendo a aplica&ccedil;&atilde;o da lei.&rdquo;<\/p>\n<p>Como tudo em Bras&iacute;lia, conv&eacute;m acompanhar com aten&ccedil;&atilde;o o final dessa hist&oacute;ria.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado de tv por assinatura aguarda com ansiedade a entrada em vigor do novo marco regulat&oacute;rio que promete mudar a cara do setor. Aprovada pelo Congresso Nacional em agosto de 2011, a Lei n&ordm; 12.485 unificou as regras para todas as tecnologias da TV paga, cabo &oacute;ptico, sat&eacute;lite ou radiofrequ&ecirc;ncia. 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