{"id":26593,"date":"2012-02-06T16:02:13","date_gmt":"2012-02-06T16:02:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26593"},"modified":"2012-02-06T16:02:13","modified_gmt":"2012-02-06T16:02:13","slug":"os-desafios-para-as-lutas-da-comunicacao-em-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26593","title":{"rendered":"Os desafios para as lutas da comunica\u00e7\u00e3o em 2012"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O ano de 2012 apresenta-se desafiador aos olhos de quem v&ecirc; a comunica&ccedil;&atilde;o como direito humano. Para v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es do setor, como o F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), no centro das aten&ccedil;&otilde;es est&aacute; a luta por um novo marco regulat&oacute;rio, pauta capaz de envolver, em diferentes graus de intensidade, grande parte dos temas e dos setores ligados &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;Esta &eacute; a nossa prioridade e queremos uma campanha da sociedade civil muito bem planejada, articulando os diversos movimentos, n&atilde;o s&oacute; o FNDC&rdquo;, aponta Rosane Bertotti, coordenadora geral do F&oacute;rum. Para ampliar a campanha, Bertotti considera necess&aacute;rio um forte trabalho de di&aacute;logo com a sociedade para deixar claro que uma nova regulamenta&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o deve jogar a favor da liberdade de express&atilde;o e n&atilde;o da censura, como propagam setores da imprensa. Um semin&aacute;rio nacional para definir as linhas mestras desta campanha est&aacute; previsto para acontecer no final de mar&ccedil;o, em S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>Outra estrat&eacute;gia do F&oacute;rum, que teve sua nova coordena&ccedil;&atilde;o empossada no &uacute;ltimo dia 1&ordm; de janeiro, vai ser a cobran&ccedil;a para que o governo retome as mesas de negocia&ccedil;&atilde;o sobre o tema, interrompidas em setembro do ano passado.<\/p>\n<p>A Frente Parlamentar pela Liberdade de Express&atilde;o e o Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o com Participa&ccedil;&atilde;o Popular (Frentecom) tamb&eacute;m ter&aacute; o marco regulat&oacute;rio como prioridade. A coordenadora da frente, deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), criticou a postura do governo de n&atilde;o cumprir a promessa de tornar p&uacute;blica sua proposta para uma nova legisla&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo em que lan&ccedil;a m&atilde;o de medidas fragmentadas, como as novas regulamenta&ccedil;&otilde;es para r&aacute;dios comunit&aacute;rias e TVs educativas, al&eacute;m de novas regras para concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV comerciais.<\/p>\n<p>&ldquo;Precisamos de uma proposta global, n&atilde;o s&oacute; regulamentar esse ou aquele artigo da Constitui&ccedil;&atilde;o. Se este for o m&eacute;todo, compromete-se a necessidade de rever a estrutura das comunica&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s&rdquo;, entende a deputada.<\/p>\n<p><strong>Democratiza&ccedil;&atilde;o da internet<\/strong><\/p>\n<p>A luta por uma Internet barata, de qualidade e para todos segue em 2012 a toada em que terminou 2011: com a mobiliza&ccedil;&atilde;o pela aprova&ccedil;&atilde;o dos regulamentos com metas de qualidade para a banda larga, j&aacute; que algumas empresas de telefonia &#8211; principalmente a Oi &ndash; pediram anula&ccedil;&atilde;o das metas aprovadas pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) para a banda larga fixa e m&oacute;vel.<\/p>\n<p>Em rea&ccedil;&atilde;o &agrave; postura da Oi, as organiza&ccedil;&otilde;es da campanha &ldquo;Banda Larga &eacute; um direito seu!&rdquo; promoveram um tuita&ccedil;o em 30 de janeiro, que deixou o assunto como um dos mais comentados pela rede social twitter na ocasi&atilde;o. A Anatel ainda vai se manifestar em rela&ccedil;&atilde;o ao pedido da Oi.<\/p>\n<p>A advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Veridiana Alimonti, explica que a campanha intensificar&aacute; os esfor&ccedil;os para que este servi&ccedil;o seja considerado essencial, devendo ser prestado com as garantias do servi&ccedil;o p&uacute;blico, o que prev&ecirc; metas de universaliza&ccedil;&atilde;o, controle tarif&aacute;rio e gest&atilde;o p&uacute;blica das redes.<\/p>\n<p>Uma agenda importante prevista para 2012 &eacute; a licita&ccedil;&atilde;o da faixa de 450 MHz, com a qual Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e a Anatel pretendem exigir obriga&ccedil;&otilde;es de cobertura de internet na zona rural.<\/p>\n<p>Outro ponto destacado por Alimonti &eacute; fiscalizar e cobrar espa&ccedil;os para a sociedade nas resolu&ccedil;&otilde;es do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL): &ldquo;Em 2011, o PNBL privilegiou as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es, tratando com menos prioridade a Telebr&aacute;s. H&aacute; uma op&ccedil;&atilde;o cada vez mais definitiva pelo regime privado na massifica&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, mas sempre com contrapartidas do governo&rdquo;.<\/p>\n<p>Para agravar o quadro, a advogada alerta para o risco que corre o Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fust). Atualmente, o fundo s&oacute; pode ser utilizado para investimentos em servi&ccedil;os prestados em regime p&uacute;blico, isto &eacute;, a telefonia fixa. Mas as empresas querem o fim da restri&ccedil;&atilde;o &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de seus recursos ao regime privado. Assim, os recursos p&uacute;blicos seriam liberados &agrave;s empresas para a expans&atilde;o de suas redes e servi&ccedil;os, mas sem a exig&ecirc;ncia das contrapartidas do regime p&uacute;blico.<\/p>\n<p><strong>TV por assinatura<\/strong><\/p>\n<p>Ap&oacute;s ser sancionada em setembro de 2011, a nova da lei da TV por assinatura (12.485\/11) ter&aacute; que ser regulamentada pela Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema (Ancine) e Anatel at&eacute; mar&ccedil;o deste ano. A atua&ccedil;&atilde;o das ag&ecirc;ncias poder&aacute; democratizar a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual brasileira se, por exemplo, garantir que a regulamenta&ccedil;&atilde;o impe&ccedil;a que uma mesma empresa atue em todos os elos da cadeia do audiovisual &#8211; produ&ccedil;&atilde;o, programa&ccedil;&atilde;o, empacotamento e distribui&ccedil;&atilde;o. &ldquo;&Eacute; a chamada atua&ccedil;&atilde;o vertical. Uma boa regulamenta&ccedil;&atilde;o permitir&aacute; a exist&ecirc;ncia, de fato, de um mercado independente das teles e dos radiodifusores&rdquo;, explica G&eacute;sio Passos, membro do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<\/p>\n<p>Na regulamenta&ccedil;&atilde;o da nova lei tamb&eacute;m est&atilde;o em jogo a defini&ccedil;&atilde;o das formas de financiamento da produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do nacional a serem custeadas pelo refor&ccedil;ado Fundo Setorial do Audiovisual, que dever&aacute; ter um incremento de R$ 660 milh&otilde;es. A obrigatoriedade da distribui&ccedil;&atilde;o dos canais do campo p&uacute;blico tamb&eacute;m estar&aacute; em discuss&atilde;o na regula&ccedil;&atilde;o, garantindo um maior alcance para os canais dos poderes legislativos, executivo, judici&aacute;rio, universit&aacute;rios, comunit&aacute;rios, entre outros. &ldquo;A nova lei d&aacute; brechas para que as operadoras estejam dispensadas do carregamento dos canais p&uacute;blicos e estatatis por crit&eacute;rios t&eacute;cnicos e econ&ocirc;micos. Mas ela n&atilde;o determina claramente os crit&eacute;rios para esta dispensa, o que impediria os assinantes terem acesso a esta vasta programa&ccedil;&atilde;o de interesse p&uacute;blico que deve estar presente neste servi&ccedil;o&rdquo;, explica Passos.<\/p>\n<p><strong>Comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica<\/strong><\/p>\n<p>Na frente de batalha da consolida&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, o principal desafio segue sendo a luta por verbas, com autonomia dos governos e abertura para a sociedade. Esta &eacute; a opini&atilde;o de Ana Veloso, representante da sociedade civil no Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC). No ano passado, a pr&oacute;pria EBC, a maior empresa de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica do pa&iacute;s, sofreu com o corte de mais de R$ 70 milh&otilde;es em seu or&ccedil;amento.<\/p>\n<p>Quanto ao Conselho Curador da empresa, que no ano passado teve uma rela&ccedil;&atilde;o conflituosa com a ent&atilde;o presidente Tereza Cruvinel e com algumas entidades religiosas, Veloso projeta uma evolu&ccedil;&atilde;o. &ldquo;J&aacute; deu para perceber que temos mais espa&ccedil;o para o di&aacute;logo [com o novo presidente Nelson Breve]. E o Conselho n&atilde;o perdeu sua for&ccedil;a, pelo contr&aacute;rio. Recebemos apoio de diversas entidades que exigem a pluralidade religiosa dentro das emissoras p&uacute;blicas. Para 2012, criamos um grupo de trabalho, com setores da academia e das religi&otilde;es, que vai discutir o acesso das religi&otilde;es &agrave; grade de programa&ccedil;&atilde;o da EBC&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Ainda no campo da comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, est&aacute; marcado para final de mar&ccedil;o um semin&aacute;rio internacional sobre a regula&ccedil;&atilde;o do setor. A atividade acontecer&aacute; na C&acirc;mara dos Deputados e est&aacute; sendo organizada pela Frentecom e pela Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o da C&acirc;mara, com o intuito de recolher proposta do campo p&uacute;blico ao novo marco regulat&oacute;rio.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marco regulat&oacute;rio, democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; internet, regulamenta&ccedil;&atilde;o da nova lei da TV por assinatura e fortalecimento do sistema p&uacute;blico da comunica&ccedil;&atilde;o devem marcar a agenda pol&iacute;tica da comunica&ccedil;&atilde;o em 2012.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1247],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26593"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26593"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26593\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}