{"id":26592,"date":"2012-02-03T19:01:00","date_gmt":"2012-02-03T19:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26592"},"modified":"2012-02-03T19:01:00","modified_gmt":"2012-02-03T19:01:00","slug":"liberdade-de-imprensa-e-pinheirinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26592","title":{"rendered":"Liberdade de imprensa e Pinheirinho"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Durante a desapropria&ccedil;&atilde;o da ocupa&ccedil;&atilde;o Pinheirinho, em S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos, iniciada no domingo, dia 22 de janeiro, o trabalho livre de jornalistas independentes, fot&oacute;grafos e mesmo de equipes de TV foi prejudicado, &agrave;s vezes impossibilitado, pela censura imposta pela Pol&iacute;cia Militar do Estado de S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>Segundo informa&ccedil;&otilde;es do Capit&atilde;o Antero, respons&aacute;vel pela Comunica&ccedil;&atilde;o Social da PM no local, os jornalistas teriam direito a uma sala exclusiva dentro de uma escola tomada pela pol&iacute;cia como base de opera&ccedil;&otilde;es. O detalhe: A sala n&atilde;o possu&iacute;a sequer energia el&eacute;trica.<\/p>\n<p>Em seu discurso, a sala seria um local de descanso, para que os jornalistas pudessem recarregar as baterias das c&acirc;meras, celulares e notebooks. Na realidade era um local isolado para evitar que o trabalho jornal&iacute;stico fosse realizado.<\/p>\n<p>A&ccedil;&atilde;o impediu que jornalistas pudessem ter acesso &agrave; &aacute;rea. (Daniel Mello\/ABr)<\/p>\n<p>O policial acrescentou ainda que os jornalistas poderiam caminhar livremente por toda a &aacute;rea em que a pol&iacute;cia realizava opera&ccedil;&otilde;es. Perguntando, ent&atilde;o, se poderiam entrar na &aacute;rea do Pinheirinho, a resposta foi negativa. L&aacute; era territ&oacute;rio proibido. Mesmo com escolta de acompanhamento policial.<\/p>\n<p>Perguntado se isto n&atilde;o seria um contrassenso, se a presen&ccedil;a de jornalistas era permitida onde a pol&iacute;cia atuava, como, ao mesmo tempo, n&atilde;o poderia ser feita nenhuma grava&ccedil;&atilde;o ou mesmo tirada nenhuma foto dentro do Pinheirinho? N&atilde;o houve resposta.<\/p>\n<p>Ao longo do dia, uma equipe da TV Globo caminhava livremente detr&aacute;s do cord&atilde;o de isolamento da pol&iacute;cia (sempre com coletes &agrave; prova de balas), chegando at&eacute; a realizar filmagens na borda da &aacute;rea em processo de desocupa&ccedil;&atilde;o &ndash; e segundo relato de alguns jornalistas, chegaram a entrar, acompanhados por policiais, no Pinheirinho, o que era negado a todos os demais. Enquanto isso, a equipe da TV Cultura foi, mais de uma vez, interpelada por policiais e mesmo quase expulsa da &aacute;rea de seguran&ccedil;a da PM e impedida de se aproximar da &aacute;rea do Pinheirinho.<\/p>\n<p>Durante todo o dia, o trabalho da imprensa foi dificultado por policiais que proibiam a aproxima&ccedil;&atilde;o ao Pinheirinho e, obviamente, pela viol&ecirc;ncia contra a popula&ccedil;&atilde;o, com bombas e balas que dificultavam o tr&acirc;nsito pela rua tanto em frente ao principal cord&atilde;o policial quanto pela &aacute;rea apelidada de &ldquo;Campo de Concentra&ccedil;&atilde;o&rdquo;, onde as fam&iacute;lias eram cadastradas e recebiam pulseiras azuis de identifica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Era reclama&ccedil;&atilde;o comum de diversos fot&oacute;grafos a proibi&ccedil;&atilde;o de se locomover livremente no entorno do Pinheirinho.<\/p>\n<p>Em meio aos policiais, era clara a presen&ccedil;a dos chamados P2, ou &ldquo;agentes secretos&rdquo;, policiais que se infiltram em movimentos sociais para desestabiliz&aacute;-los e repassar informa&ccedil;&otilde;es &agrave; pol&iacute;cia. Ali, em S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos, agiam como &ldquo;jornalistas&rdquo;. Com c&acirc;meras fotogr&aacute;ficas e de v&iacute;deo nas m&atilde;os, passavam pelos moradores tirando fotos e gravando, al&eacute;m de terem tentado realizar entrevistas falsas com v&aacute;rios desalojados e tamb&eacute;m com moradores do bairro vizinho do Campo dos Alem&atilde;es, principal &aacute;rea de resist&ecirc;ncia. Foram apontados por v&aacute;rios jornalistas e fot&oacute;grafos presentes como perigosos e gente para se manter longe.<\/p>\n<p>No final do dia 22, quando teve in&iacute;cio a demoli&ccedil;&atilde;o das primeiras casas do Pinheirinho, a pol&iacute;cia passou a caminhar pela principal rua da &aacute;rea atirando contra o que se movesse e estes pseudo jornalistas, not&oacute;rios P2, indicavam ao comando os melhores alvos dentre a multid&atilde;o e as &aacute;reas onde deveriam atingir ou se locomover (ver v&iacute;deo aqui).<\/p>\n<p>Este tipo de infiltra&ccedil;&atilde;o e de atitude colocou em perigo os jornalistas leg&iacute;timos, que poderiam ser depois confundidos pela popula&ccedil;&atilde;o ou mesmo ser recebidos a pedradas, como eram os policiais. Felizmente, a popula&ccedil;&atilde;o soube respeitar o trabalho dos jornalistas, muitos deles revoltados com a viol&ecirc;ncia no local, enquanto outros provavelmente cumpririam as ordens dos patr&otilde;es e manipulariam o que era mostrado em fotos e v&iacute;deos.<\/p>\n<p>Al&eacute;m das dificuldades impostas pela pol&iacute;cia, os jornalistas tamb&eacute;m tiveram problemas em encontrar dados confi&aacute;veis sobre o local ou locais para onde as fam&iacute;lias despejadas seriam levadas, assim como para onde seus pertences seriam levados, ou mesmo se seriam retirados das casas antes das demoli&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Havia, e ainda h&aacute;, um desencontro de informa&ccedil;&otilde;es sobre mortos e feridos, com hospitais e o IML impedidos pela prefeitura local de fazer declara&ccedil;&otilde;es. Obviament,e a proibi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o impossibilitou totalmente que alguma informa&ccedil;&atilde;o vazasse, ainda que fosse o objetivo de algumas autoridades.<\/p>\n<p>Enfim, o caso do Pinheirinho serve para ilustrar como governos e pol&iacute;cia podem se unir para dificultar ou mesmo impedir a livre circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es e o trabalho dos jornalistas, usando a viol&ecirc;ncia, a desinforma&ccedil;&atilde;o e a intimida&ccedil;&atilde;o como armas.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O trabalho da imprensa foi dificultado por  policiais que proibiam a aproxima&ccedil;&atilde;o ao Pinheirinho e, obviamente, pela  viol&ecirc;ncia contra a popula&ccedil;&atilde;o<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1649],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26592"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26592"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26592\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}