{"id":26580,"date":"2012-02-01T11:03:59","date_gmt":"2012-02-01T11:03:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26580"},"modified":"2012-02-01T11:03:59","modified_gmt":"2012-02-01T11:03:59","slug":"forum-de-midia-livre-articula-lutas-nas-redes-e-nas-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26580","title":{"rendered":"F\u00f3rum de M\u00eddia Livre articula lutas nas redes e nas ruas"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A agenda das lutas em torno da comunica&ccedil;&atilde;o tem crescido significativamente no Brasil desde 2008, quando aconteceu, no Rio de Janeiro, o I F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre (FML). De l&aacute; pra c&aacute;, in&uacute;meros coletivos, iniciativas e redes, principalmente na internet, surgiram em torno da defesa e da pr&aacute;tica do midialivrismo; ao mesmo tempo em que as reivindica&ccedil;&otilde;es por transforma&ccedil;&otilde;es na estrutura do sistema midi&aacute;tico brasileiro tamb&eacute;m avan&ccedil;aram, sobretudo com o impulso de diferentes movimentos sociais na I Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, em 2009. Aproximar essas duas frentes de luta foi um dos desafios do III FML, que aconteceu em Porto Alegre, no bojo do processo do F&oacute;rum Social Tem&aacute;tico. A percep&ccedil;&atilde;o ao longo de dois dias de debates foi comum: era preciso ir al&eacute;m das reivindica&ccedil;&otilde;es e construir a&ccedil;&otilde;es em conjunto para, de fato, consolidar esses la&ccedil;os.<\/p>\n<p>Foi aprovado um calend&aacute;rio de mobiliza&ccedil;&otilde;es nas redes e nas ruas, tendo o m&ecirc;s de maio como central. No dia 12, em v&aacute;rios pa&iacute;ses, um ano depois de terem ocupado as pra&ccedil;as da Europa, os movimentos ligados &agrave; bandeira da &ldquo;Democracia Real J&aacute;&rdquo; voltar&atilde;o &agrave;s ruas. Inspirados na articula&ccedil;&atilde;o online\/offline desses coletivos, organiza&ccedil;&otilde;es que participam do movimento midialivrista no Brasil pretendem usar a data &ndash; ou um dia pr&oacute;ximo a ela &ndash; para defender transforma&ccedil;&otilde;es na comunica&ccedil;&atilde;o brasileira.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Na Espanha havia uma grande manifesta&ccedil;&atilde;o na internet. Nossa estrat&eacute;gica coletiva foi usar todos os meios de comunica&ccedil;&atilde;o para colocar o debate na rua. Fazer a transmiss&atilde;o das reuni&otilde;es que aconteciam, por exemplo, foi fundamental para as pessoas se envolverem de fato. E tentamos mobilizar n&atilde;o s&oacute; os movimentos sociais, mas a sociedade como um todo&rdquo;, contou Javier Toret, do movimento 15M. &ldquo;O pr&oacute;prio streaming das ocupa&ccedil;&otilde;es se transformou numa forma de defender o car&aacute;ter pac&iacute;fico do movimento e o direito de estarmos nas ruas&rdquo;, relatou.<\/p>\n<p>&ldquo;A politiza&ccedil;&atilde;o desse debate passa por um trabalho que est&aacute; se desenvolvendo no online e que tem resultado nas ruas. Precisamos ampliar os debates de &acirc;mbito mais macro da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, e o campo do online &eacute; uma possibilidade para fazer essa tradu&ccedil;&atilde;o, ajudar a luta a tomar corpo e ganhar as ruas&rdquo;, acrescentou Vitor Guerra, do Fora do Eixo.<\/p>\n<p>Aqui como l&aacute;, a cren&ccedil;a &eacute; a de que, sozinhos, os meios livres, populares e alternativos n&atilde;o ter&atilde;o for&ccedil;a suficiente para mudar o cen&aacute;rio midi&aacute;tico. &ldquo;&Eacute; fundamental ent&atilde;o abrir um di&aacute;logo entre o que s&atilde;o as experi&ecirc;ncias hist&oacute;ricas de redes de meios; as novas express&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; sobretudo as digitais; os movimentos sociais e as novas experi&ecirc;ncias de luta e resist&ecirc;ncia social. Porque sem isso ser&aacute; muito dif&iacute;cil mudar o sistema de comunica&ccedil;&atilde;o concentrado e monop&oacute;lico&rdquo;, avaliou Sally Burch, da Ag&ecirc;ncia Latinoamericana de Informa&ccedil;&atilde;o (ALAI). <\/p>\n<p>Para Ivana Bentes, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Pont&atilde;o de Cultura da ECO\/UFRJ, &eacute; fundamental que os movimentos brasileiros superem a discuss&atilde;o da m&iacute;dia apenas como ferramenta e pensem na pot&ecirc;ncia mobilizadora e de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;&Eacute; preciso pensar m&iacute;dia como estruturante do capitalismo cognitivo. A comunica&ccedil;&atilde;o hoje serve de luta e &eacute; vital para mudar a visibilidade de todas as lutas das comunidades&rdquo;, disse. <\/p>\n<p><strong>Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e apropria&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica<\/strong><\/p>\n<p>Partindo da defesa da comunica&ccedil;&atilde;o como um direito, o III FML foi mais um espa&ccedil;o de afirma&ccedil;&atilde;o e cobran&ccedil;a do papel do Estado brasileiro para sua garantia. Neste sentido, uma das bandeiras centrais dos movimentos para este ano segue sendo a luta pela universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; banda larga de qualidade no pa&iacute;s, com a constru&ccedil;&atilde;o de pontos populares de livre acesso e forma&ccedil;&atilde;o para os cidad&atilde;os e cidad&atilde;s e a oferta de infraestrutura em todas as regi&otilde;es do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Os participantes do F&oacute;rum tamb&eacute;m cobraram a retomada pelo governo federal da pol&iacute;tica dos Pontos de M&iacute;dia Livre, cuja id&eacute;ia nasceu nos primeiros debates do FML. O programa, assumido e antes coordenado pelo Minist&eacute;rio da Cultura, foi descontinuado no governo Dilma. &ldquo;Devemos resgatar essa proposta, porque este &eacute; um projeto estrat&eacute;gico, que distribui recursos na ponta. Muitos grupos aumentaram sua capacidade de produ&ccedil;&atilde;o, construindo outro patamar de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas nesta &aacute;rea&rdquo;, lembrou Renato Rovai, da Revista F&oacute;rum.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, acreditam, &eacute; preciso barrar iniciativas de cerceamento das liberdades na internet, como o projeto do ent&atilde;o senador Eduardo Azeredo, batizado de &ldquo;AI-5 Digital&rdquo;, que tramita no Congresso. Amea&ccedil;as da mesma sorte pipocam mundo afora, como o SOPA (Stop Online Piracy Act) e o PIPA (Protect IP Act), em discuss&atilde;o no Congresso dos Estados Unidos. Os projetos, que cerceiam o livre compartilhamento de conhecimento e cultura na rede, foram alvo de protestos no F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre, explicitando que esta &eacute; uma luta que se delineia a partir de quest&otilde;es globais.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; uma luta transnacional, que passa pelo cen&aacute;rio brasileiro &ndash; onde a Oi, por exemplo, quer desconstruir os par&acirc;metros de qualidade para a internet aprovados pela Anatel &ndash;, mas que tamb&eacute;m requer que olhemos para o que acontece nos outros pa&iacute;s. Temos que combinar estrat&eacute;gias de afirma&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e de regula&ccedil;&atilde;o que garantam liberdade de express&atilde;o com o combate a outras leis e pol&iacute;ticas que restrinjam essa liberdade&rdquo;, explicou Jo&atilde;o Brant, do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. <\/p>\n<p>Neste sentido, foi dado em Porto Alegre o pontap&eacute; inicial para a constru&ccedil;&atilde;o internacional de&nbsp; protocolos livres para as redes sociais, cada vez mais centrais para articulu&ccedil;&otilde;es e mobiliza&ccedil;&otilde;es contra hegem&ocirc;nicas em todo o mundo, mas ainda sob o controle de corpora&ccedil;&otilde;es privadas como a Google e a Microsoft. A id&eacute;ia em torno da constru&ccedil;&atilde;o desses protocolos &eacute; pactuar pol&iacute;tica e tecnologicamente, entre movimentos e ativistas digitais, as a&ccedil;&otilde;es, m&eacute;todos, tecnologias e sem&acirc;nticas que possibilitem construir essas redes de forma livre e aut&ocirc;noma. Na mesma toada, foi refor&ccedil;ada a import&acirc;ncia do uso de tecnologias livres &#8211; portanto, n&atilde;o propriet&aacute;rias &#8211; pelas pr&oacute;rpias m&iacute;dias livres.<\/p>\n<p>O III F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre ainda apontou para o fortalecimento da luta por um novo marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s, que garanta o acesso, a pluralidade e o financiamento das m&iacute;dias livres. &ldquo;A pol&iacute;tica p&uacute;blica tem que ser um processo que fortale&ccedil;a os atores sociais. Mas garantir a comunica&ccedil;&atilde;o como pol&iacute;tica p&uacute;blica requer vontade pol&iacute;tica e mobiliza&ccedil;&atilde;o. Isso ainda &eacute; incipiente no Brasil&rdquo;, avaliou Rosane Bertotti, coordenadora geral do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC). <\/p>\n<p>Nos pr&oacute;ximos meses, em di&aacute;logo com os mais diferentes movimentos e iniciativas, o FNDC deve lan&ccedil;ar uma grande campanha por um novo marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil. &ldquo;O debate que une os defensores do midialivrismo e da democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia n&atilde;o &eacute; um debate corporativo, mas uma luta feita por todos que querem mudan&ccedil;as na comunica&ccedil;&atilde;o brasileira&rdquo;, acrescentou Rita Freire, da Ciranda Internacional da Comunica&ccedil;&atilde;o Compartilhada.<\/p>\n<p><strong>M&iacute;dia livre na Rio+20<br \/><\/strong><br \/>Respondendo a dois desafios da conjuntura &#8211; unir a luta das redes com a das ruas e articular internacionalmente o enfrentamento &agrave;s amea&ccedil;as da m&iacute;dia livre &#8211; o III FML terminou com um grande chamado &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do II F&oacute;rum Mundial de M&iacute;dia Livre (FMML). O encontro acontece entre os dias 16 e 18 de junho, como parte das atividades da C&uacute;pula dos Povos da Rio+20 por Justi&ccedil;a Social e Ambiental, evento da sociedade civil paralelo &agrave; Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel.<\/p>\n<p>A proposta do II FMML nasceu no F&oacute;rum Social Mundial 2011 em Dakar, no Senegal, e ganhou seu grupo organizador local agora em Porto Alegre. Participar&atilde;o da mobiliza&ccedil;&atilde;o local no Brasil entidades como Abra&ccedil;o (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria), Amarc (Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias), Ciranda, Intervozes, Fora do Eixo, Pont&atilde;o de Cultura da ECO\/UFRJ e Revista F&oacute;rum. Internacionalmente, participam do processo entidades como a C&aacute;ritas, a WSFTV &#8211; portal de mem&oacute;ria audiovisual do F&oacute;rum Social Mundial &#8211; e E-joussour, uma ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias colaborativa do norte da &Aacute;frica, que est&aacute; &agrave; frente da organiza&ccedil;&atilde;o de um F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre naquela regi&atilde;o. Midialivristas do Marrocos e da Palestina estiveram em Porto Alegre no III FML, ampliando a articula&ccedil;&atilde;o com os ativistas do pa&iacute;s que receber&aacute; em junho o F&oacute;rum Mundial de M&iacute;dia Livre. <\/p>\n<p>Depois do sul, o Rio de Janeiro deve ser o novo palco de mais uma batalha internacional em defesa da comunica&ccedil;&atilde;o como um direito e tamb&eacute;m um bem comum. As organiza&ccedil;&otilde;es prometem muita discuss&atilde;o pol&iacute;tica, mas tamb&eacute;m muita a&ccedil;&atilde;o, nas redes e nas ruas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.intervozes.org.br\/III%20Forum%20de%20Midia%20Livre%20-%20Carta%20Final.pdf\" target=\"_blank\"><em>Confira a carta final do III F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre <\/em><\/a> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terceira edi&ccedil;&atilde;o do FML reafirmou a comunica&ccedil;&atilde;o como direito e a import&acirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e da apropria&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica pelos cidad&atilde;os. Movimento se prepara para a vers&atilde;o mundial do evento em junho. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1642],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26580"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26580\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}