{"id":26577,"date":"2012-01-30T17:44:27","date_gmt":"2012-01-30T17:44:27","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26577"},"modified":"2012-01-30T17:44:27","modified_gmt":"2012-01-30T17:44:27","slug":"queremos-saber-a-polemica-da-lei-de-acesso-a-informacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26577","title":{"rendered":"Queremos saber: a pol\u00eamica da lei de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Debate no Conex&otilde;es Globais 2.0, evento paralelo ao F&oacute;rum Social Tem&aacute;tico 2012, abordou o tema &ldquo;Transpar&ecirc;ncia e Dados Abertos: o desafio de transformar o Estado em um espa&ccedil;o de gest&atilde;o compartilhada&rdquo;. Para Robert Gregory Michener, especialista em pol&iacute;ticas de transpar&ecirc;ncia e acesso a informa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e governan&ccedil;a, o Brasil demorou a aprovar lei sobre o assunto, que agora est&aacute; muito pr&oacute;xima de entrar em vigor.<\/p>\n<p>Porto Alegre &#8211; O primeiro debate do dia final de atividades do Conex&otilde;es Globais 2.0, evento paralelo ao F&oacute;rum Social Tem&aacute;tico 2012 realizado na casa de Cultura M&aacute;rio Quintana, centro de Porto Alegre, abordou o tema &ldquo;Transpar&ecirc;ncia e Dados Abertos: o desafio de transformar o Estado em um espa&ccedil;o de gest&atilde;o compartilhada&rdquo;.<\/p>\n<p>O norteamericano Robert Gregory Michener, especialista em pol&iacute;ticas de transpar&ecirc;ncia e acesso a informa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e governan&ccedil;a, abriu o debate dizendo que o mundo evoluiu muito em mat&eacute;ria de acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es governamentais nos &uacute;ltimos 50 anos: &ldquo;Os Estados Unidos aprovaram nos anos 60 o &ldquo;Freedom of Information Act&rdquo; (Ato da Liberdade de Informa&ccedil;&atilde;o), no que foi aos poucos seguido por outros pa&iacute;ses. Em 2011, s&atilde;o 94 na&ccedil;&otilde;es com atos semelhantes, que abrangem 5,5 bilh&atilde;o de pessoas, ou 79% da popula&ccedil;&atilde;o mundial&rdquo;.<\/p>\n<p>Para Gregory, o Brasil demorou a aprovar lei sobre o assunto, que agora est&aacute; muito pr&oacute;xima de entrar em vigor: &ldquo;A lei brasileira passa a valer em 18 de maio, apesar de toda a resist&ecirc;ncia de diversos setores&rdquo;. O professor da IBMEC Minas Gerais argumentou sobre a import&acirc;ncia da transpar&ecirc;ncia e dos males que ela evita dentro da democracia: &ldquo;Sem transpar&ecirc;ncia, est&aacute; aberto o caminho para a corrup&ccedil;&atilde;o e para a morosidade causada pela burocracia&rdquo;.<\/p>\n<p>Gregory apontou ainda os obst&aacute;culos que se interp&otilde;em ao direito ao acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es: &ldquo;A grande m&iacute;dia, quase sempre ligada aos governos pela publicidade oficial, defende a id&eacute;ia do sigilo pela seguran&ccedil;a. A carga tribut&aacute;ria brasileira, uma das mais altas do mundo, impede que grande parte da popula&ccedil;&atilde;o adquira os bens que garantir&atilde;o sua inclus&atilde;o social. E ainda o Congresso, que &eacute; financiado pelas mais diferentes empresas, e trabalha contra a liberdade &agrave; informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Mesmo com tantos obst&aacute;culos, Gregory acredita que a lei recentemente aprovada &eacute; de grande import&acirc;ncia: &ldquo;Leis como essa mudaram a cultura pol&iacute;tica em muitos pa&iacute;ses e acredito que o mesmo acontecer&aacute; no Brasil&rdquo;.<\/p>\n<p>A ativista do grupo Transpar&ecirc;ncia Hacker, Daniela Silva, iniciou sua participa&ccedil;&atilde;o discordando do otimismo de Gregory: &ldquo;Acho que essa lei, se n&atilde;o for usada com afinco pela sociedade civil, cair&aacute; no vazio. Aconteceu isso na &Aacute;frica do Sul e o Brasil tem longa experi&ecirc;ncia de leis que n&atilde;o pegam&rdquo;, opinou Daniela. Em seguida, ela apresentou a plataforma queremossaber.org.br, que centraliza os requerimentos de informa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o aos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos:<\/p>\n<p>&ldquo;J&aacute; temos quase 6 mil &oacute;rg&atilde;os registrados e 200 pedidos de informa&ccedil;&atilde;o j&aacute; feitos. A maioria caiu no sil&ecirc;ncio, mas alguns receberam respostas interessantes, tanto positivas quanto negativas&rdquo;. O site brasileiro &eacute; a vers&atilde;o em portugu&ecirc;s de uma plataforma inglesa (whatdotheyknow.org) com mais de 103 mil solicita&ccedil;&otilde;es. Daniela lembrou que apesar da lei brasileira entrar em vigor apenas em maio, j&aacute; &eacute; poss&iacute;vel saber quais ser&atilde;o as dificuldades que os governos ir&atilde;o criar: &ldquo;Quando pedimos informa&ccedil;&otilde;es no fim do ano passado sobre um esc&acirc;ndalo sobre emendas parlamentares na Assembleia de S&atilde;o Paulo, o governo estadual divulgou um sem n&uacute;mero de arquivos em PDF, n&atilde;o integrados, o que transformava a tarefa de processar as informa&ccedil;&otilde;es em algo quase imposs&iacute;vel&rdquo;. Para Daniela, &eacute; obriga&ccedil;&atilde;o dos governos disponibilizar os dados de forma que os cidad&atilde;os possam acess&aacute;-los facilmente.<\/p>\n<p>O professor da USP, Miguel Vieira, iniciou fazendo a diferencia&ccedil;&atilde;o entre dados e informa&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Dado &eacute; algo bruto e b&aacute;sico e que s&oacute; tem valor quando reunido a outros dados e contextualizado, enquanto informa&ccedil;&atilde;o &eacute; algo trabalhado que re&uacute;ne uma s&eacute;rie de dados e os processa&rdquo;. Vieira fez ainda outro par&ecirc;nteses, dizendo que a simples divulga&ccedil;&atilde;o de dados n&atilde;o iguala as rela&ccedil;&otilde;es sociais:<\/p>\n<p>&ldquo;Entre os atores que comp&otilde;em a sociedade, existem aqueles com maior ou menor capacidade de processamento e, sendo assim, maior capacidade de produzir informa&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Mesmo assim, para Miguel, &eacute; imprescind&iacute;vel que os governos divulguem dados e n&atilde;o informa&ccedil;&otilde;es: &ldquo;Governos s&oacute; divulgam as informa&ccedil;&otilde;es que os interessa&rdquo;.<\/p>\n<p>O vice-presidente da Procergs (empresa de processamento de dados do Rio Grande do Sul), Claudio Dutra, foi enf&aacute;tico na sua fala: &ldquo;Governo nenhum tem a capacidade de processar todas as informa&ccedil;&otilde;es que a sociedade civil precisa. Por isso, &eacute; preciso que essa mesma sociedade se articule para, uma vez que tenha cesso aos dados, possa trabalh&aacute;-los.&rdquo; Quanto &agrave; liberdade de informa&ccedil;&atilde;o, Dutra lembrou que a transpar&ecirc;ncia tem que ser para todos:<\/p>\n<p>&ldquo;Quando se fala em transpar&ecirc;ncia, geralmente se fala apenas em poder executivo e legislativo, mas &eacute; preciso exigir tamb&eacute;m do poder judici&aacute;rio, talvez o mais resguardado. E n&atilde;o esquecer dos operadores de concess&otilde;es p&uacute;blicas, que n&atilde;o podem ser as caixas pretas que s&atilde;o hoje&rdquo;.<\/p>\n<p>Da plat&eacute;ia, Marcelo Branco, um dos coordenadores do Conex&otilde;es Globais 2.0, achou interessante fazer a diferencia&ccedil;&atilde;o entre dados abertos e transpar&ecirc;ncia governamental. Assista o v&iacute;deo acima e veja a declara&ccedil;&atilde;o do ex-coordenador da campanha digital da presidenta Dilma Rousseff.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Debate no Conex&otilde;es Globais 2.0, evento paralelo ao F&oacute;rum Social Tem&aacute;tico 2012, abordou o tema &ldquo;Transpar&ecirc;ncia e Dados Abertos: o desafio de transformar o Estado em um espa&ccedil;o de gest&atilde;o compartilhada&rdquo;. 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