{"id":26574,"date":"2012-01-30T12:44:41","date_gmt":"2012-01-30T12:44:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26574"},"modified":"2012-01-30T12:44:41","modified_gmt":"2012-01-30T12:44:41","slug":"agencias-regulamentam-nova-lei-de-tv-por-assinatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26574","title":{"rendered":"Ag\u00eancias regulamentam nova lei de TV por assinatura"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O Brasil parou para denunciar e debater o suposto caso de estupro ocorrido na 11&ordf; edi&ccedil;&atilde;o do Big Brother Brasil, revelado por meio do canal em pay-per-view do programa, um produto do servi&ccedil;o de TV por assinatura. Mas quase ningu&eacute;m faz id&eacute;ia, nem mesmo os assinantes, das mudan&ccedil;as que ser&atilde;o implementadas ao longo de 2012 neste servi&ccedil;o. A TV por assinatura, que segundo a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) atinge cerca de 22% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira e desde 2010 apresenta um crescimento de 30% ao ano, foi o objeto principal da Lei 12.485\/11, sancionada em setembro de 2011, que tramitou no Congresso por quatro anos e que passa agora por regulamenta&ccedil;&atilde;o, tanto por parte da Anatel quanto pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema (Ancine).<\/p>\n<p>A lei trouxe mudan&ccedil;as significativas, nem todas vis&iacute;veis&nbsp; aos usu&aacute;rios. Entre elas, a cria&ccedil;&atilde;o do Servi&ccedil;o de Acesso Condicionado (SeAC) que coloca sob as mesmas normas modalidades de TV&nbsp;&nbsp; por assinatura antes regulamentadas de forma diferenciada. H&aacute; hoje tr&ecirc;s tipos principais de tecnologia poss&iacute;veis para o servi&ccedil;o: sat&eacute;lite (DTH), microondas (MMDS) e por cabo. Para o assinante, independente da tecnologia, o servi&ccedil;o era o mesmo: pagar para ter acesso a um conjunto de canais. Por&eacute;m, do ponto de vista regulat&oacute;rio havia diferentes normas para cada uma dessas tecnologias, como por exemplo o carregamento obrigat&oacute;rio de canais p&uacute;blicos para o cabo e a dispensa dos mesmos para os servi&ccedil;os oferecidos via sat&eacute;lite ou microondas. Com a nova lei, o carregamento obrigat&oacute;rio dos canais p&uacute;blicos passa a ser v&aacute;lido para todos, acaba o limite ao capital estrangeiro e a atua&ccedil;&atilde;o das operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es no mercado TV a cabo &eacute; permitida.<\/p>\n<p>Outra novidade trazida pela legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; a aplica&ccedil;&atilde;o das normas para qualquer empresa que comercialize conte&uacute;do audiovisual organizado em canais de programa&ccedil;&atilde;o, independente se ofertado pela televis&atilde;o, internet ou telefone celular. Isso significa que pacote de canais j&aacute; oferecidos por operadoras de telefonia celular ou por provedores de internet tamb&eacute;m est&atilde;o submetidos &agrave;s novas regras do SeAC. Canais oferecidos de forma avulsa (canais a la carte) e outros conte&uacute;dos com hor&aacute;rio definido de programa&ccedil;&atilde;o (como filmes e esportes oferecidos pelo Pay-per-view) tamb&eacute;m s&atilde;o regulados pela lei.<\/p>\n<p>Ficou de fora os servi&ccedil;os de V&iacute;deo por Demanda (Video on Demand -VOD), em que o conte&uacute;do audiovisual &eacute; oferecido de forma avulsa, no momento em que o usu&aacute;rio quiser adquir&iacute;-lo. &Eacute; o caso, por exemplo, do produto &ldquo;Now!&rdquo;, da NET, que oferece conte&uacute;dos avulsos, dispon&iacute;veis num cat&aacute;logo que&nbsp; consumidor adquire e assiste na hora que quiser. Servi&ccedil;os como o NetMovies e Netflix tamb&eacute;m oferecem esse produto pela Internet, funcionando como locadoras online. <\/p>\n<p><strong>Impacto para os assinantes<\/strong><\/p>\n<p>H&aacute; alguns impactos esperados com a implementa&ccedil;&atilde;o do novo servi&ccedil;o. O primeiro deles &eacute; a expans&atilde;o do n&uacute;mero de assinantes, principalmente no cabo, uma vez que grandes operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es, que j&aacute; possuem suas redes constru&iacute;das para os servi&ccedil;os de telefonia e internet, passam a atuar no mercado sem qualquer restri&ccedil;&atilde;o. O debate que se faz atualmente, na Consulta P&uacute;blica 65 da Anatel, cujo prazo para contribui&ccedil;&otilde;es termina no pr&oacute;ximo dia 02 de fevereiro, &eacute; se as vantagens adquiridas por essas empresas ser&atilde;o recompensadas pela imposi&ccedil;&atilde;o de metas de cobertura e pela obriga&ccedil;&atilde;o de disponibilizar o sinal dos canais p&uacute;blicos a estabelecimentos de utilidade p&uacute;blica, como bibliotecas, hospitais, entre outros.<\/p>\n<p>As empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es, especialmente aquelas com Poder Significativo de Mercado (de maior capital e maior possibilidade de investimento), por motivos &oacute;bvios s&atilde;o contra a imposi&ccedil;&atilde;o de qualquer compromisso condicionado &agrave; outorga do SeAC. Em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica realizada pela Ag&ecirc;ncia no dia 24\/02, seus representantes alegaram que propostas de contrapartidas exigidas s&atilde;o ilegais e e apontaram para uma poss&iacute;vel disputa jur&iacute;dica. <\/p>\n<p>Para o conselheiro Rodrigo Zerbonne, &ldquo;&eacute; inquestion&aacute;vel a possibilidade jur&iacute;dica de a Anatel vincular a expedi&ccedil;&atilde;o de autoriza&ccedil;&atilde;o para a explora&ccedil;&atilde;o do SeAC &agrave; assun&ccedil;&atilde;o, pelo interessado, de&nbsp; compromissos de cobertura\/abrang&ecirc;ncia, desde que respeitados o interesse da coletividade e os princ&iacute;pios da razoabilidade, proporcionalidade e igualdade&rdquo;. Ele aponta o car&aacute;ter estrat&eacute;gico do servi&ccedil;o para a expans&atilde;o da internet no pa&iacute;s. &ldquo;Dado que o SeAC &eacute; um servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es e est&aacute; muito associado a outros servi&ccedil;os com alto potencial de dinamiza&ccedil;&atilde;o, como a Internet banda larga, n&atilde;o &eacute; improv&aacute;vel que pol&iacute;ticas como compromissos de abrang&ecirc;ncia possam trazer ganhos de bem-estar tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o ao SeAC.&rdquo; A defesa foi explicitada no voto de Zerbone, disponibilizado no site da Anatel.<\/p>\n<p>Veridiana Alimonti, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), concorda com a avalia&ccedil;&atilde;o do conselheiro. &ldquo;Embora exista uma diferen&ccedil;a regulat&oacute;ria entre regime p&uacute;blico e regime privado, servi&ccedil;os de interesse coletivo, como &eacute; o caso do SeAC, &eacute; de responsabilidade da Uni&atilde;o de acordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e &eacute; sim responsabilidade da Anatel exigir contrapartidas de seus prestadores&rdquo;. Ela refor&ccedil;a que as operadoras de telefonia, antes proibidas de prestar o servi&ccedil;o via cabo, adquiriram grandes vantagens por poder oferecer pacotes combos e esse benef&iacute;cio precisa ser convertido aos consumidores e &agrave; sociedade de forma geral. &ldquo;Considerando a essencialidade da internet de banda larga e a potencialidade de sua expans&atilde;o a partir dos investimentos no novo servi&ccedil;o &eacute; fundamental que essas contrapartidas existam&rdquo;, defende.<\/p>\n<p>Esta quest&atilde;o n&atilde;o foi prevista na consulta p&uacute;blica do regulamento na forma de cl&aacute;usulas, mas sim na rela&ccedil;&atilde;o de algumas perguntas, tais como: Como deveriam ser definidos os compromissos para prestadores de SeAC pertencentes a grandes grupos econ&ocirc;micos, de forma a torn&aacute;-los economicamente vi&aacute;veis e maximizar investimentos na amplia&ccedil;&atilde;o das redes terrestres de telecomunica&ccedil;&otilde;es? &rdquo;; Quais tipos de compromissos de presta&ccedil;&atilde;o do SeAC por meio de redes terrestes de telecomunica&ccedil;&otilde;es seriam mais adequados?&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Acesso aos canais de car&aacute;ter p&uacute;blico<\/strong><\/p>\n<p>Outro aspecto bastante debatido na&nbsp; audi&ecirc;ncia p&uacute;blica foi em rela&ccedil;&atilde;o aos canais de distribui&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria pelas operadoras. Ao todo, a lei prev&ecirc; que 10 canais dever&atilde;o ser disponibilizados obrigatoriamente pela prestadora de servi&ccedil;o sem qualquer &ocirc;nus ao assinante em todos os planos contratados. S&atilde;o eles: TV C&acirc;mara, TV Senado, TV Justi&ccedil;a, um canal para &ldquo;presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o p&uacute;blica pelo Poder Executivo&rdquo;, um canal oficial do Poder Executivo, dois canais organizados pelo Governo Federal (educativo-cultural e cidadania), um canal comunit&aacute;rio, um canal pro legislativo municipal\/estadual e um canal universit&aacute;rio.<\/p>\n<p>Marcos Dantas, professor de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro acredita que a Anatel &ldquo;fez o devia fazer&rdquo;, mas chama aten&ccedil;&atilde;o para essa quest&atilde;o. &ldquo;Penso que o &uacute;nico ponto mais problem&aacute;tico, para a Anatel, seria o tratamento a ser dado aos canais de carregamento obrigat&oacute;rio por ser o ponto que a lei abre espa&ccedil;o para decis&otilde;es discricion&aacute;rias da ag&ecirc;ncia&rdquo;. Ele defende que haja no regulamento &ldquo;cap&iacute;tulos espec&iacute;ficos sobre as TVs comunit&aacute;rias e p&uacute;blicas, assegurando da melhor forma poss&iacute;vel o carregamento por sat&eacute;lite desses canais&rdquo;. <\/p>\n<p>Para G&eacute;sio Passos, integrante do Intervozes, &eacute; importante que a lei tenha mantido as obriga&ccedil;&otilde;es de carregamento obrigat&oacute;rio do cabo e expandido &agrave;s demais tecnologias, mas ainda &eacute; pouco claro os crit&eacute;rios de dispensa da obriga&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m prevista na proposta de regulamento em consulta. &ldquo;A Anatel deveria deixar claro que crit&eacute;rios ela vai utilizar e ser transparente, publicizando os pedidos, se e o central &eacute; pensar o que t&eacute;cnica e economicamente inviabilizaria os canais obrigat&oacute;rios. Economicamente n&atilde;o tem muita justificativa, j&aacute; que s&atilde;o os canais obrigat&oacute;rios os respons&aacute;veis por levar seus sinais &agrave;s prestadoras&rdquo;, argumenta. <\/p>\n<p>Ele aponta ainda que do ponto de vista tecnol&oacute;gico, apenas os canais obrigat&oacute;rios de car&aacute;ter local, como os comunit&aacute;rios, universit&aacute;rios e do legislativo municipal\/estadual teriam sua transmiss&atilde;o dificultada pela transmiss&atilde;o via sat&eacute;lite, que &eacute; nacional&rdquo;. &ldquo;Poderia ser um canal nacional de livre acesso a esses canais ou ser criada uma federa&ccedil;&atilde;o nacional&rdquo;, vislumbra. Mas ele refor&ccedil;a que o fundamental &eacute; que os crit&eacute;rios de dispensa sejam claros e que todo pedido seja publicizado no site para que a sociedade possa acompanhar e fiscalizar a dispensa de um acesso fundamental aos canais p&uacute;blicos pelos assinantes do servi&ccedil;o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entidades exigem metas de cobertura e carregamento obrigat&oacute;rio de canais p&uacute;blicos na regulamenta&ccedil;&atilde;o da Lei 12485\/11, que institui o Servi&ccedil;o de Acesso Condicionado (SeAC). Consulta p&uacute;blica da Anatel vai at&eacute; 2 de fevereiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[831],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26574"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26574"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26574\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}