{"id":26565,"date":"2012-01-26T18:27:14","date_gmt":"2012-01-26T18:27:14","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26565"},"modified":"2012-01-26T18:27:14","modified_gmt":"2012-01-26T18:27:14","slug":"politica-e-democracia-na-era-digital-como-transformar-bytes-em-atitudes-concretas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26565","title":{"rendered":"Pol\u00edtica e democracia na era digital: Como transformar bytes em atitudes concretas"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A Travessa dos Cataventos, v&atilde;o livre que rasga a Casa de Cultura M&aacute;rio Quintana e conecta a Rua dos Andradas com a Sete de Setembro, foi palco de um debate que contrasta com a secular constru&ccedil;&atilde;o que a abriga. Ali, naquele pr&eacute;dio finalizado em 1933, ativistas da web, gestores p&uacute;blicos e personalidades culturais discutiram, nesta quinta-feira (25), o papel da pol&iacute;tica e da democracia na era digital.<\/p>\n<p>A estrela do evento foi o ex-ministro da cultura Gilberto Gil. Com sua maneira peculiar de se expressar, encadeando pensamentos complexos e met&aacute;foras originais, o cantor prendeu a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, que se revezava entre o espanto com as sacadas geniais e a dificuldade de entender o que ele estava dizendo.<\/p>\n<p>&ldquo;Farei uma esp&eacute;cie de filosofia popular e barata.&rdquo; Foi assim que Gil iniciou um complexo discurso sobre a rela&ccedil;&atilde;o da primavera &aacute;rabe com a globaliza&ccedil;&atilde;o e os atores que despontam na sociedade dominada pelas redes sociais.<\/p>\n<p>Para o ex-ministro, a for&ccedil;a da internet fez os protestos que derrubaram ditadores nos pa&iacute;ses &aacute;rabes transcenderem as fronteiras. &ldquo;As reais incompatibilidades entre ocidente e oriente caem por terra diante dessa nova for&ccedil;a que se estrutura em n&iacute;vel global&rdquo;, observa.<\/p>\n<p>Gilberto Gil considera que os aspectos perversos da globaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o absorvidos, atrav&eacute;s da web, por comunidades locais em diversos pa&iacute;ses e utilizados contra o sistema que d&aacute; guarita &agrave; l&oacute;gica dominante. &ldquo;&Eacute; nessa intersec&ccedil;&atilde;o que surge a possibilidade de um novo mundo&rdquo;, projeta.<\/p>\n<p>O cantor aponta que, apesar de esfor&ccedil;os de setores conservadores, a rede mundial de computadores n&atilde;o pode mais ser submetida ao jugo de tiranos. &ldquo;A internet tornou-se o instrumento da constru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica de um mundo que se renova&rdquo;, analisa, acrescentando que a colabora&ccedil;&atilde;o global &eacute; uma das caracter&iacute;sticas desse novo cen&aacute;rio. &ldquo;A primavera &aacute;rabe e a internet s&atilde;o pe&ccedil;as num jogo de xadrez jogado a muitas m&atilde;os. A milh&otilde;es de m&atilde;os. A bilh&otilde;es de m&atilde;os&rdquo;, conclui.<\/p>\n<p>O chefe de gabinete do governador Tarso Genro (PT) e coordenador dos projetos de participa&ccedil;&atilde;o digital na internet, Vin&iacute;cius Wu (PT), avalia que a democracia pode se tornar obsoleta se n&atilde;o se adaptar aos novos tempos. O petista aponta que &eacute; preciso &ldquo;abrir os poros do Estado&rdquo; ao novo sujeito que se forma na era digital.<\/p>\n<p>Ele explica que a internet abre novas possibilidades de a&ccedil;&atilde;o contra o capitalismo num per&iacute;odo em que o sistema financeiro achata direitos e conquistas na Europa. &ldquo;A democracia grega serve como um exemplo da imposi&ccedil;&atilde;o da agenda transnacional do mercado&rdquo;, ilustra.<\/p>\n<p>Wu considera que a mobiliza&ccedil;&atilde;o global articulada pela internet que resultou na retirada do projeto de lei que restringia a liberdade na rede &ndash; o chamado SOPA, que tramitava no Congresso dos Estados Unidos &ndash; &eacute; um exemplo das possibilidades reais geradas a partir do ambiente virtual. &ldquo;Nos sentimos impotentes diante de uma falta de oposi&ccedil;&atilde;o global ao capitalismo. Mas a derrubada do Sopa aponta novas possibilidades de a&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica&rdquo;, avalia.<\/p>\n<p>O jornalista Antonio Martins, editor do site Outras Palavras, considera que a articula&ccedil;&atilde;o de pessoas pela internet precisa superar os protestos que demarcam posi&ccedil;&otilde;es &ndash; por exemplo, contra maus tratos a animais &ndash; e come&ccedil;ar a gerar propostas concretas capazes de influir na vida pol&iacute;tica nacional. &ldquo;Em vez de s&oacute; dizer &lsquo;n&atilde;o&rsquo;, vamos dizer &lsquo;sim&rsquo;&rdquo;, sugere.<\/p>\n<p>Ele avalia que a participa&ccedil;&atilde;o ativa nas redes sociais demonstra que a pol&iacute;tica n&atilde;o se restringe apenas aos espa&ccedil;os institucionais e n&atilde;o deve ser condicionada apenas ao voto. &ldquo;A pol&iacute;tica s&atilde;o as a&ccedil;&otilde;es concretas do cotidiano, n&atilde;o acontece somente a cada dois anos&rdquo;, comenta.<\/p>\n<p>O jornalista ressalta, por&eacute;m, que o ativismo virtual n&atilde;o pode ignorar o poder real do Estado. &ldquo;O Estado n&atilde;o pode ser desprezado, pois &eacute; uma fonte fundamental para a conquista de direitos, precisamos incidir sobre ele&rdquo;, conclama. Ele acredita que a organiza&ccedil;&atilde;o de grupos de pessoas atrav&eacute;s da internet pode ajudar na garantia de avan&ccedil;os concretos.<\/p>\n<p>Martins instiga os participantes do F&oacute;rum Social Tem&aacute;tico a debaterem e formularem solu&ccedil;&otilde;es para problemas cr&ocirc;nicos do Brasil, como a cria&ccedil;&atilde;o de formas alternativas de produ&ccedil;&atilde;o de energia e uma regulamenta&ccedil;&atilde;o efetiva de prote&ccedil;&atilde;o ambiental, al&eacute;m de uma profunda reforma pol&iacute;tica. &ldquo;Precisamos criar mecanismos que impe&ccedil;am a eterniza&ccedil;&atilde;o de uma classe pol&iacute;tica artificial no poder&rdquo;, defende.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Travessa dos Cataventos, v&atilde;o livre que rasga a Casa de Cultura M&aacute;rio Quintana e conecta a Rua dos Andradas com a Sete de Setembro, foi palco de um debate que contrasta com a secular constru&ccedil;&atilde;o que a abriga. 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