{"id":26542,"date":"2012-01-23T11:29:27","date_gmt":"2012-01-23T11:29:27","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26542"},"modified":"2012-01-23T11:29:27","modified_gmt":"2012-01-23T11:29:27","slug":"movimento-faz-ato-contra-globo-e-aciona-mpf-no-caso-bbb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26542","title":{"rendered":"Movimento faz ato contra Globo e aciona MPF no caso BBB"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">As mobiliza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil organizada se intensificaram esta semana no sentido de cobrar uma responsabiliza&ccedil;&atilde;o da Rede Globo pela forma como tratou a suspeita de estupro ocorrida no programa Big Brother Brasil. Na &uacute;ltima quinta-feira, a Rede Mulher e M&iacute;dia e dezenas de outras organiza&ccedil;&otilde;es signat&aacute;rias protocolaram uma representa&ccedil;&atilde;o junto ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal pedindo novas investiga&ccedil;&otilde;es sobre o caso. O documento, direcionado &agrave; Procuradoria Regional dos Direitos do Cidad&atilde;o, solicita que o MPF tamb&eacute;m fa&ccedil;a uma an&aacute;lise de outros aspectos ainda n&atilde;o considerado pela Procuradoria.<\/p>\n<p>As organiza&ccedil;&otilde;es entendem que, al&eacute;m do aspecto da estigma&ccedil;&atilde;o das mulheres, que j&aacute; est&aacute; sendo apurado pelo MPF, &eacute; preciso investigar a responsabilidade da emissora pela oculta&ccedil;&atilde;o de um fato que pode constituir crime; por prejudicar as investiga&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;cia; por ocultar da v&iacute;tima todas as informa&ccedil;&otilde;es sobre o que tinha acontecido quando ela estava desacordada; e por enviar ao pa&iacute;s uma mensagem de permissividade diante da suspeita de estupro de uma pessoa vulner&aacute;vel. <\/p>\n<p>Na representa&ccedil;&atilde;o, as entidades signat&aacute;rias relacionam uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es da emissora e da dire&ccedil;&atilde;o do BBB que teriam resultado nesses questionamentos. Entre elas, a edi&ccedil;&atilde;o da cena feita no programa de domingo e as declara&ccedil;&otilde;es do direito geral Boninho e do apresentador Pedro Bial, que transformou uma suspeita de viol&ecirc;ncia sexual em &quot;caso de amor&quot;. &quot;Tal postura da emissora n&atilde;o apenas viola a dignidade da participante como banaliza o tratamento de uma quest&atilde;o s&eacute;ria como a viol&ecirc;ncia sexual, agredindo e ofendendo todas as mulheres&quot;, diz um trecho da representa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O documento tamb&eacute;m destaca que, pelo &aacute;udio da conversa da participante Monique com a produ&ccedil;&atilde;o do programa, vazado na internet no dia 16, fica claro que ela, at&eacute; aquele momento, n&atilde;o tinha assistido &agrave;s cenas da madrugada do dia 15. E lembra que, somente no dia 17 de janeiro &#8211; portanto, mais de 48 horas depois do ocorrido &#8211; os envolvidos foram ouvidos pela pol&iacute;cia e poss&iacute;veis provas do crime foram recolhidas. A emissora, assim, teria violado o direito da participante saber o que tinha se passado com ela enquanto estava desacordada e prejudicado as investiga&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;cia. <\/p>\n<p>As organiza&ccedil;&otilde;es do movimento feminista solicitaram ainda um direito de resposta coletivo em nome de todas as mulheres que se sentiram ofendidas, agredidas e que tiveram seus direitos violados pelo comportamento da Rede Globo. A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidad&atilde;o em S&atilde;o Paulo, que j&aacute; solicitou explica&ccedil;&otilde;es &agrave; emissora, agendar&aacute; em breve uma reuni&atilde;o com os signat&aacute;rios da representa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Ato na porta da Globo em S&atilde;o Paulo &nbsp;<br \/><\/strong><br \/>Na sexta-feira, o mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil foi em frente &agrave; sede da emissora em S&atilde;o Paulo. Dezenas de feministas e ativistas pelo direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o protestaram contra a postura da Globo, al&eacute;m de distribu&iacute;rem para a popula&ccedil;&atilde;o um manifesto pedindo a responsabiliza&ccedil;&atilde;o da emissora pelo ocorrido. O protesto tamb&eacute;m foi contra os patrocinadores do programa &#8211; OMO, Niely, Devassa, Guaran&aacute; Antarctica, Fiat e energ&eacute;tico Fusion.<\/p>\n<p>&quot;Estamos aqui para dizer que n&atilde;o &eacute; mais poss&iacute;vel aceitar a banaliza&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia contra as mulheres, principalmente quando isso ocorre num programa de televis&atilde;o, de uma emissora que &eacute; concession&aacute;ria p&uacute;blica&quot;, disse Terezinha Vicente Ferreira, da Ciranda Internacional da Comunica&ccedil;&atilde;o Compartilhada. &quot;Isso ofende a todas as mulheres e tem um impacto enorme na forma&ccedil;&atilde;o dos valores na nossa sociedade&quot;, acrescentou. <\/p>\n<p>Para as organiza&ccedil;&otilde;es, o pr&oacute;prio formato do BBB se alimenta da explora&ccedil;&atilde;o dos desejos e conflitos provocados entre os participantes, buscando explorar situa&ccedil;&otilde;es limite para conquistar mais audi&ecirc;ncia. &quot;&Eacute; mais um desservi&ccedil;o que &eacute; prestado ao pa&iacute;s por esta emissora, que trata seus telespectadores como &quot;hommers simpson&quot; e cotidianamente atua no sentido contr&aacute;rio da democracia brasileira, ao criminalizar os movimento sociais, fazer campanhas contra os quilombolas e chegar ao c&uacute;mulo de negar a exist&ecirc;ncia do racismo no Brasil&quot;, criticou o jornalista Pedro Pomar.<\/p>\n<p>Marco Ribeiro, da Federa&ccedil;&atilde;o dos Radialistas (Fitert), lembrou que, semanalmente, um quadro do programa Zorra Total, da mesma emissora, refor&ccedil;a a viol&ecirc;ncia sexual contra as mulheres. &quot;Todos os s&aacute;bados a Globo faz piada com uma personagem que &eacute; v&iacute;tima de ass&eacute;dio sexual no metr&ocirc;, e diz ainda pra sociedade que ela deve se aproveitar desse ass&eacute;dio. &Eacute; um absurdo&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Na manifesta&ccedil;&atilde;o, foi refor&ccedil;ada a necessidade do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es tomar provid&ecirc;ncias em rela&ccedil;&atilde;o ao ocorrido, e do pa&iacute;s debater imediatamente um novo marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es, com mecanismos que contemplem &oacute;rg&atilde;os reguladores democr&aacute;ticos capazes de atuar rapidamente em situa&ccedil;&otilde;es como esta.<\/p>\n<p>&quot;O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es declarou que est&aacute; analisando se a Globo, neste caso, n&atilde;o veiculou imagens contr&aacute;rias &quot;&agrave; moral familiar e aos bons costumes&quot;, violando um dos aspectos da legisla&ccedil;&atilde;o&nbsp;&nbsp; do setor. No entanto, se trata de uma quest&atilde;o muito mais grave. Estamos falando da viola&ccedil;&atilde;o de direitos fundamentais, o que mostra que o pa&iacute;s precisa de um marco regulat&oacute;rio que d&ecirc; conta de enfrentar abusos cometidos em nome da liberdade de express&atilde;o&quot;, analisou Jo&atilde;o Brant, do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<\/p>\n<p>Renata Mielli, do Centro de Estudos da M&iacute;dia Alternativa Bar&atilde;o de Itarar&eacute;, lembrou que a Globo, atrav&eacute;s da Abert (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o) &eacute; uma das maiores oponentes da constru&ccedil;&atilde;o de um novo marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s, e que historicamente distorce o conceito de regula&ccedil;&atilde;o para passar para a popula&ccedil;&atilde;o a id&eacute;ia de que o Estado est&aacute; tentando censurar a m&iacute;dia. <\/p>\n<p>&quot;Neste momento, com este mesmo argumento, a Abert defende no Supremo Tribunal Federal o fim da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa, que &eacute; um dos poucos mecanismos que existem para proteger os direitos das crian&ccedil;as e adolescentes de conte&uacute;dos impr&oacute;prios para seus desenvolvimento. Enquanto isso, a Globo se aproveita do espa&ccedil;o de uma concess&atilde;o p&uacute;blica para violar uma s&eacute;rie de direitos humanos&quot;, afirmou Renata.<\/p>\n<p>O tamanho da rea&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico neste epis&oacute;dio, no entanto, mostra, na avalia&ccedil;&atilde;o do movimento, que alguma coisa est&aacute; mudando. &quot;A TV Globo ainda acredita no seu poder inabal&aacute;vel. Mas, os tempos s&atilde;o outros. O caso do estupro no BBB &eacute; o tema mais comentado na Internet, &eacute; pauta di&aacute;ria no notici&aacute;rio de todas as TV e r&aacute;dios do pa&iacute;s e teve que ser pautado at&eacute; no <em>Jornal Nacional<\/em>. O que era para ser mais uma cena de sexo picante, mais um esc&acirc;ndalo de audi&ecirc;ncia, tornou-se um debate nacional sobre a falta de limite &eacute;tico na TV. H&aacute; muito tempo a TV Globo n&atilde;o era pressionada pela opini&atilde;o publica com a veem&ecirc;ncia de agora. Precisamos aproveitar este momento para avan&ccedil;ar na luta pela regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia&quot;, concluiu Jacira Melo, do Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o.<\/p>\n<p>A manifesta&ccedil;&atilde;o foi convocada pela&nbsp; Frente Paulista pelo Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o e Liberdade de Express&atilde;o (Frentex), a Rede Mulher e M&iacute;dia e o F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o na Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), e contou com a presen&ccedil;a de diversas organiza&ccedil;&otilde;es, entre elas a Marcha Mundial das Mulheres, a Liga Brasileira de L&eacute;sbicas, o Sindicato dos Banc&aacute;rios de S&atilde;o Paulo e a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria de S&atilde;o Paulo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entidades feministas e da comunica&ccedil;&atilde;o protocolaram representa&ccedil;&atilde;o pedindo ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico uma amplia&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o sobre o caso. 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