{"id":26541,"date":"2012-01-20T18:17:11","date_gmt":"2012-01-20T18:17:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26541"},"modified":"2012-01-20T18:17:11","modified_gmt":"2012-01-20T18:17:11","slug":"sopa-e-o-mesmo-que-vetar-palavroes-no-dicionario-diz-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26541","title":{"rendered":"SOPA \u00e9 o mesmo que vetar palavr\u00f5es no dicion\u00e1rio, diz especialista"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Depois de 24 horas de protestos na Web, com participa&ccedil;&atilde;o de sites de peso, como a Wikipedia e Google, o parlamento americano ter&aacute; de pensar muito antes de aprovar os projetos de lei Stop Online Piract Act, SOPA, e o Protect IP. Act, PIPA, que restringem o compartilhamento na rede. A Wikipedia manteve-se bloqueada durante toda a quarta-feira 18. Ao todo cerca de 10 mil sites apenas nos Estados Unidos aderiram aos protestos.<\/p>\n<p>Presidente de Comit&ecirc; Gestor da Internet brasileira mostra contradi&ccedil;&otilde;es de projeto de lei americano e como ele afetaria o Brasil<\/p>\n<p>Tramitando no Senado e Congresso americanos, as leis t&ecirc;m o objetivo de combater a pirataria online. Mas acabam afetando conceitos b&aacute;sicos da Web, e a internet no mundo todo, como explica Demi Getschko, presidente do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil.<\/p>\n<p>A lei, diz ele, acabaria interferindo na neutralidade do indexador, ao obrigar que buscadores utilizassem filtros ao indicar sites. &ldquo;Normalmente, esse filtro trabalha completamente livre. Alguns pa&iacute;ses como a China j&aacute; filtram dom&iacute;nios que n&atilde;o gostariam de ser acessados pelos chineses&rdquo;, compara. Na pr&aacute;tica, a lei vetaria que o Google, por exemplo, fosse proibido de indicar sites considerados ilegais pelo governo americano, limitando sua busca. &ldquo;&Eacute; a mesma coisa que vetar palavr&otilde;es no dicion&aacute;rio&rdquo;, diz. &ldquo;Ou culpar um jornal pelos seus classificados&rdquo;. Ou seja, responsabilizaria os intermedi&aacute;rios da cadeia, ao inv&eacute;s de punir somente os infratores.<\/p>\n<p>Outro conceito esquisito, para Getschko, &eacute; que a lei inverteria a ordem de processo e puni&ccedil;&atilde;o. Enquanto no &ldquo;mundo real&rdquo; o acusado s&oacute; &eacute; condenado depois das investiga&ccedil;&otilde;es e julgamento, com a SOPA, sites seriam suspensos ou prejudicados antes de qualquer prova ou condena&ccedil;&atilde;o legal, j&aacute; que a lei prev&ecirc; puni&ccedil;&otilde;es em cinco dias ap&oacute;s a identifica&ccedil;&atilde;o de um endere&ccedil;o suspeito. &ldquo;Primeiro voc&ecirc; processa e depois toma provid&ecirc;ncias&rdquo;, argumenta.<\/p>\n<p>Apesar de restrita apenas &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o americana, as medidas afetariam outros pa&iacute;ses, inclusive o Brasil. &ldquo;Nada na internet &eacute; isolado. Boa parte dos servi&ccedil;os da Web s&atilde;o baseados em empresas localizadas nos EUA, sob a Legisla&ccedil;&atilde;o americana&rdquo;, diz ele. Logo, a maior parte das empresas que prestam servi&ccedil;o aos usu&aacute;rios brasileiros estariam submetidas &agrave;s leis de seu pa&iacute;s-sede. A SOPA e PIPA tamb&eacute;m impossibilitariam os americanos de acessar sites brasileiros considerados &ldquo;piratas&rdquo; pelo governo estado unidense. A a&ccedil;&atilde;o ocorreria tanto de forma direta, ao bloquear sites hospedados em empresas americanas como indireta, ao restringir o acesso a eles pelos buscadores do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&ldquo;A internet est&aacute; conseguindo se autodefender. Teve uma movimenta&ccedil;&atilde;o muito grande da internet, n&atilde;o acredito que isso possa andar rapidamente. Talvez at&eacute; arquivem&rdquo;, aposta Getschko. Ele defende que, por meio de um marco civil, as mesmas leis que s&atilde;o aplicadas hoje fora da realidade virtual sejam v&aacute;lidas para ela tamb&eacute;m. Se novas situa&ccedil;&otilde;es surgirem, devem ser criadas novas regras.<\/p>\n<p>J&aacute; a ind&uacute;stria tradicional de entretenimento, que lucra justamente com o trabalho dos intermedi&aacute;rios, se op&otilde;e a essa liberdade de compartilhamento possibilitada pela internet e que, se transposta para a vida real, seria legal. &ldquo;N&atilde;o &eacute; ilegal compartilhar coisas materialmente&rdquo;, explica. Se uma pessoa compra um CD, ela pode emprestar para quem quiser, quantas vezes achar necess&aacute;rio. Na internet, &eacute; a mesma coisa.<\/p>\n<p>&ldquo;A diferen&ccedil;a &eacute; que a intera&ccedil;&atilde;o &lsquo;peer-to-perr&rsquo; [indiv&iacute;duo para indiv&iacute;duo] &eacute; muito mais intenso no mundo virtual do que no mundo real&rdquo;, comenta. Assim, a informa&ccedil;&atilde;o se difunde com muito mais facilidade. &Eacute; como se uma pessoa emprestasse um livro, filme ou CD para mil amigos, ao mesmo tempo. Com isso, a cadeia das empresas tradicionais &eacute; quebrada. &Eacute; por isso que os est&uacute;dios de Hollywood, empresas farmac&ecirc;uticas, a ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica e grandes da computa&ccedil;&atilde;o, como Apple e Microsoft apoiam o projeto de lei.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de 24 horas de protestos na Web, com participa&ccedil;&atilde;o de sites de peso, como a Wikipedia e Google, o parlamento americano ter&aacute; de pensar muito antes de aprovar os projetos de lei Stop Online Piract Act, SOPA, e o Protect IP. Act, PIPA, que restringem o compartilhamento na rede. 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