{"id":26532,"date":"2012-01-19T14:48:27","date_gmt":"2012-01-19T14:48:27","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26532"},"modified":"2012-01-19T14:48:27","modified_gmt":"2012-01-19T14:48:27","slug":"governo-prepara-desoneracao-de-impostos-para-as-teles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26532","title":{"rendered":"Governo prepara desonera\u00e7\u00e3o de impostos para as teles"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, em conjunto com o Minist&eacute;rio da Fazenda, fechou os &uacute;ltimos detalhes do Regime Especial de Tributa&ccedil;&atilde;o para o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). A proposta prev&ecirc; desonera&ccedil;&atilde;o do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), da contribui&ccedil;&atilde;o para o Programa de Integra&ccedil;&atilde;o Social (PIS) e da Contribui&ccedil;&atilde;o para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o investimentos das empresas de telecomunica&ccedil;&atilde;o em infraestrutura de redes de telecomunica&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Obras de constru&ccedil;&atilde;o e equipamentos usados na expans&atilde;o e moderniza&ccedil;&atilde;o de redes de fibra &oacute;ptica, at&eacute; o final de 2016, ser&atilde;o desoneradas dos referidos impostos e, para o setor de constru&ccedil;&atilde;o, que inclui dutos e torres usados nas redes, o governo vai zerar a cobran&ccedil;a dos tr&ecirc;s impostos citados. A proposta foi encaminhada &agrave; Casa Civil, que agora decidir&aacute; o prazo, a conveni&ecirc;ncia e a forma de encaminhamento &ndash; se por meio de Medida Provis&oacute;ria ou Projeto de Lei. &Eacute; consenso entre os especialistas da &aacute;rea que a medida &eacute; importante, mas n&atilde;o h&aacute; clareza sobre as contrapartidas por parte das empresas.<\/p>\n<p>Para o integrante do Coletivo Intervozes Jonas Valente &ldquo;a expans&atilde;o da infraestrutura de telecomunica&ccedil;&otilde;es &eacute; fundamental para universalizar o acesso &agrave; banda larga, mas essa proposta do governo &eacute; repasse de dinheiro p&uacute;blico por meio de desonera&ccedil;&atilde;o para as empresas sem contrapartidas efetivas&rdquo;. Ele aponta que o grande montante de recursos ser&aacute; transferido para que as operadoras possam continuar lucrando com um servi&ccedil;o caro e de baixa qualidade para a popula&ccedil;&atilde;o. A desonera&ccedil;&atilde;o de impostos federais e suas contrapartidas n&atilde;o est&atilde;o previstas no Termo de Compromisso firmado em 2011 entre o governo e as operadoras de telefonia para a implementa&ccedil;&atilde;o do Plano Nacional de Banda Larga. &nbsp;<\/p>\n<p>A advogada do Instituto Proteste, Fl&aacute;via Lef&egrave;vre, tamb&eacute;m questiona e, inclusive, sugere que uma contrapartida a essa desonera&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria seja a garantia de universaliza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o. &ldquo;Deve haver uma contrapartida, j&aacute; que estamos abrindo m&atilde;o de tributos. Onde as empresas ir&atilde;o investir? Ser&aacute; investido em &aacute;reas onde h&aacute; defasagem de infraestrutura? &Eacute; preciso que o Estado defina nesse projeto metas de universaliza&ccedil;&atilde;o de infraestrutura. Se isso estiver previsto, &eacute; positivo&rdquo;, declara Lef&egrave;vre.<\/p>\n<p>O diretor executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Servi&ccedil;o M&oacute;vel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), Eduardo Levy, argumenta que altos investimentos s&atilde;o necess&aacute;rios para a expans&atilde;o da rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es. &ldquo;A tributa&ccedil;&atilde;o excessiva da cadeia produtiva eleva os custos de investimento e restringe a moderniza&ccedil;&atilde;o e a expans&atilde;o da infraestrutura que suporta a oferta dos servi&ccedil;os&rdquo;, aponta.&nbsp; Levy acredita que a expans&atilde;o e a massifica&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o dizem respeito apenas ao aumento do n&uacute;mero de acessos de forma quantitativa, mas tamb&eacute;m da sua distribui&ccedil;&atilde;o de forma mais uniforme por todo o territ&oacute;rio nacional, bem como na redu&ccedil;&atilde;o do custo do acesso individual. <\/p>\n<p><strong>Internet como servi&ccedil;o essencial<\/strong><\/p>\n<p>Para Marcello Miranda, membro do Conselho Consultivo da Anatel e conselheiro do Instituto Telecom, por se tratar da comunica&ccedil;&atilde;o de dados, um servi&ccedil;o essencial, &eacute; importante que haja investimento em infraestrutura. Mas ele aponta a necessidade do servi&ccedil;o ser prestado em regime p&uacute;blico, que &eacute; o tipo de concess&atilde;o que traz &agrave;s empresas obriga&ccedil;&otilde;es de universaliza&ccedil;&atilde;o, controle de tarifas, continuidade e qualidade. &ldquo;N&atilde;o &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o ruim, se olharmos isoladamente. &Eacute; preciso que haja investimento nessas redes mesmo. O problema est&aacute; em como essa discuss&atilde;o est&aacute; sendo feita sem encarar a internet como um servi&ccedil;o essencial&rdquo;, afirma Miranda. <\/p>\n<p>Lef&egrave;vre refor&ccedil;a a defesa do regime p&uacute;blico e acrescenta que o fato de o servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o de dados estar sendo prestado no Brasil apenas no regime privado &eacute; ilegal. &ldquo;Precisamos de um regime p&uacute;blico que garanta a universaliza&ccedil;&atilde;o e a possibilidade de o Estado gerenciar essas redes. O servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o de dados &eacute; de natureza essencial e o Estado brasileiro &eacute; o que mais utiliza, pois todos os seus servi&ccedil;os est&atilde;o pendurados a&iacute;: sistema financeiro, pol&iacute;cias, educa&ccedil;&atilde;o. Se acontece algo com alguma empresa, o Estado vai ter que implorar de joelhos para eles permanecerem oferecendo o servi&ccedil;o? O Estado brasileiro tem que ter alguma garantia de que isso n&atilde;o vai acontecer&rdquo;, opina.<\/p>\n<p><strong>Papel da Telebr&aacute;s<\/strong><\/p>\n<p>A atual iniciativa de desonerar impostos, somada &agrave; privatiza&ccedil;&atilde;o do setor das telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil na d&eacute;cada de 90, mostra como o Estado atribuiu &agrave; iniciativa privada um papel central em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; expans&atilde;o das telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil. A continuidade desta pol&iacute;tica pelo atual governo &eacute; alvo de cr&iacute;ticas j&aacute; que, segundo Fl&aacute;via Lef&egrave;vre, vulnerabiliza o oferecimento dos servi&ccedil;os, principalmente a banda larga, e deixa o Estado ref&eacute;m das empresas. &ldquo;Por isso que a gente tamb&eacute;m critica o decreto do PNBL. Paulo Bernardo assinou um termo de compromisso lament&aacute;vel e ilegal com as empresas, criou uma reserva de mercado para elas oferecerem um servi&ccedil;o de p&eacute;ssima qualidade, ao inv&eacute;s de investir na Telebr&aacute;s e oferecer mais garantias para usu&aacute;rio e para o pr&oacute;prio Estado&rdquo;, comenta a advogada. <\/p>\n<p>Jonas Valente tamb&eacute;m critica a op&ccedil;&atilde;o do governo, ponderando que os quatro bilh&otilde;es de reais que ser&atilde;o desonerados das empresas poderiam ser usados em investimentos na Telebr&aacute;s. &ldquo;Al&eacute;m da rede de fibras &oacute;ticas que a empresa vai usar, este dinheiro poderia ampliar bastante a infraestrutura da empresa, que permitiria uma presen&ccedil;a do Estado mais forte na oferta de banda larga a um custo mais acess&iacute;vel&rdquo;, pontua. Para o integrante do Intervozes quando o governo aumenta os investimentos na infraestrutura das operadoras privadas e deixa de aplic&aacute;-los na Telebr&aacute;s, acaba executando uma pol&iacute;tica de relegar &agrave; empresa p&uacute;blica a papel marginal, quando ela poderia ser uma reguladora de mercado. &ldquo;A Telebr&aacute;s virou uma operadora de dados no atacado, vendendo capacidade de tr&aacute;fego para pequenos provedores ou para &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos&rdquo;, explica. &nbsp;<\/p>\n<p>J&aacute; o SindiTelebrasil, que j&aacute; havia se manifestado publicamente contr&aacute;rio ao resurgimento da Telebr&aacute;s, encara o fato como natural, por se tratar de um mercado altamente competitivo, mas defende que a empresa p&uacute;blica se submeta ao mesmo marco legal e regulat&oacute;rio aos quais todas as empresas est&atilde;o sujeitas. &ldquo;A entrada de um competidor com tratamento privilegiado pelo governo distorce pr&aacute;ticas saud&aacute;veis de funcionamento de um mercado competitivo e viola o princ&iacute;pio da isonomia, estabelecido na Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es&rdquo;, afirma o diretor-executivo do SindiTelebrasil, Eduardo Levy.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas apontam falta de clareza nas contrapartidas que as empresas dar&atilde;o para os benef&iacute;cios na constru&ccedil;&atilde;o de infraestrutura de telecomunica&ccedil;&atilde;o e defendem a presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o em regime p&uacute;blico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[81],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26532"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26532"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26532\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}