{"id":26530,"date":"2012-01-18T18:46:53","date_gmt":"2012-01-18T18:46:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26530"},"modified":"2012-01-18T18:46:53","modified_gmt":"2012-01-18T18:46:53","slug":"sem-novo-marco-da-midia-caso-bbb-so-esta-ao-alcance-da-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26530","title":{"rendered":"Sem novo marco da m\u00eddia, &#8216;caso BBB&#8217; s\u00f3 est\u00e1 ao alcance da Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O debate sobre uma nova lei para empresas do setor de radiodifus&atilde;o (emissoras de TV e r&aacute;dio), que garanta democratiza&ccedil;&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o que afinal &eacute; concess&atilde;o p&uacute;blica, ganhou impulso com a pol&ecirc;mica gerada pela suspeita de estupro de uma participante do programa Big Brother Brasil (BBB), da TV Globo.<\/p>\n<p>Desde segunda-feira (16), as redes sociais, redutos de militantes defensores da democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, foram dominadas pela discuss&atilde;o do caso do participante do BBB que, com uma colega alcoolizada e &ldquo;apagada&rdquo;, movimentou-se sob o edredon que cobria ambos de uma forma que levou o p&uacute;blico desconfiar de ato sexual. <\/p>\n<p>Circulam peti&ccedil;&otilde;es online pela responsabiliza&ccedil;&atilde;o da Globo, propostas de campanha contra empresas patrocinadoras do BBB e a convocat&oacute;ria de uma manifesta&ccedil;&atilde;o contra a emissora para sexta-feira (20).<\/p>\n<p>Em suma, uma pol&ecirc;mica t&atilde;o aberta quanto o sinal da maior emissora do pa&iacute;s, embora s&oacute; quem seja assinante de TV paga &eacute; que tenha visto a transmiss&atilde;o do suposto crime.<\/p>\n<p>Secret&aacute;ria-geral do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC) e membro do Conselho Nacional de Psicologia, Roseli Goffman acredita que a responsabilidade da emissora no epis&oacute;dio est&aacute; muito clara. <\/p>\n<p>&ldquo;Ainda n&atilde;o h&aacute; como saber se houve estupro, porque isso exige investiga&ccedil;&otilde;es. Mas &eacute; claro que houve um ass&eacute;dio muito intenso. E a emissora tinha, sim, como prever isso, considerando que realizou intensas entrevistas para definir o perfil dos participantes, antes de confin&aacute;-los em um local em que teriam que dividir as camas e estariam expostos a grande quantidade de &aacute;lcool&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Nesta ter&ccedil;a-feira (17), militantes da Rede Mulher M&iacute;dia e de outras organiza&ccedil;&otilde;es feministas decidiram entrar com representa&ccedil;&atilde;o no Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal cobrando apura&ccedil;&atilde;o de responsabilidades da Globo, enquanto o MPF em S&atilde;o Paulo anunciava a abertura de investiga&ccedil;&atilde;o do caso com foco em &quot;viola&ccedil;&atilde;o aos princ&iacute;pios constitucionais da Comunica&ccedil;&atilde;o Social e ofensa aos direitos da mulher&quot;. <\/p>\n<p>Na v&eacute;spera, a Secretaria de Pol&iacute;ticas para Mulheres, &oacute;rg&atilde;o do governo federal, havia solicitado ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Estado do Rio de Janeiro, onde est&aacute; a sede da Globo, que &quot;tomasse provid&ecirc;ncias&quot;, mas a&iacute; com foco na viola&ccedil;&atilde;o de direitos da mulher. <\/p>\n<p>&ldquo;O acusado [de estupro] j&aacute; est&aacute; sendo investigado pela pol&iacute;cia, mas a emissora n&atilde;o&rdquo;, diz a jornalista Bia Barbosa, pesquisadora e militante do coletivo Intervozes, entidade que integra a Rede Mulher M&iacute;dia.<\/p>\n<p>A representa&ccedil;&atilde;o da Rede questiona o que seria uma tentativa da Globo de omitir a ocorr&ecirc;ncia do fato, ao n&atilde;o relat&aacute;-lo &agrave; suposta v&iacute;tima, e de retardar a apura&ccedil;&atilde;o dos fatos, o que pode, inclusive, ter prejudicado as investiga&ccedil;&otilde;es policiais.<\/p>\n<p>Segundo Bia, a Justi&ccedil;a &eacute; a &uacute;nica inst&acirc;ncia que pode cassar a concess&atilde;o da emissora. Ao minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es cabem san&ccedil;&otilde;es administrativas, que poderiam ter tomadas de forma mais r&aacute;pida e eficiente se o Brasil, como outros pa&iacute;ses, possu&iacute;sse um &oacute;rg&atilde;o regulador dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Mas o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, de 1962, n&atilde;o prev&ecirc; a exist&ecirc;ncia de um &oacute;rg&atilde;o regulador. <\/p>\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia de conte&uacute;do<br \/><\/strong><br \/>Um projeto de novo marco regulat&oacute;rio foi esbo&ccedil;ado no segundo governo Lula e propunha criar uma nova ag&ecirc;ncia, paralela &agrave; de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), para cuidar s&oacute; de conte&uacute;do. <\/p>\n<p>Num cen&aacute;rio destes, existente em pa&iacute;ses como Portugal, o &quot;caso BBB&quot; poderia ser apreciado pela ag&ecirc;ncia de conte&uacute;do. Desde a posse da presidenta Dilma Rousseff, por&eacute;m, o projeto est&aacute; no minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o tem simpatia pela cria&ccedil;&atilde;o de outro &oacute;rg&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;O novo marco regulat&oacute;rio defendido pelos movimentos detalharia com mais precis&atilde;o as san&ccedil;&otilde;es para casos de infra&ccedil;&atilde;o, porque o atual &eacute; muito defasado e prev&ecirc; que somente a Justi&ccedil;a possa cassar concess&otilde;es de canais de r&aacute;dio e TV&quot;, afirma Bia. &quot;J&aacute; o &oacute;rg&atilde;o regulador, que tamb&eacute;m &eacute; uma das bandeiras da luta dos movimentos, possibilitaria que san&ccedil;&otilde;es e at&eacute; mesmo medidas preventivas fossem tomadas com mais agilidade.&rdquo;<\/p>\n<p>Mas, apesar das limita&ccedil;&otilde;es impostas pela legisla&ccedil;&atilde;o, Bia acredita que, caso a responsabilidade da Globo seja comprovada, a cassa&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o da emissora poderia at&eacute; ser uma consequ&ecirc;ncia discutida. &ldquo;Por enquanto, n&atilde;o podemos antecipar que foi um crime porque as den&uacute;ncias exigem apura&ccedil;&atilde;o rigorosa&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>Para Roseli Goffman, o epis&oacute;dio refor&ccedil;aria tamb&eacute;m a necessidade de um debate ainda mais pol&ecirc;mico, a proposta de &ldquo;controle social&rdquo; da m&iacute;dia por meio de um conselho nacional de comunica&ccedil;&atilde;o e de similares regionais. <\/p>\n<p>O uso da express&atilde;o &quot;controle social&quot; &eacute; uma armadilha pol&iacute;tica para os militantes da democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, pois ajuda a alimentar o discurso dos opositores da proposta (emissoras e seus porta-vozes pol&iacute;ticos) de que se trata de censura disfar&ccedil;ada.<\/p>\n<p>&ldquo;A TV &eacute; um componente essencial na educa&ccedil;&atilde;o do brasileiro. E n&atilde;o s&atilde;o esses valores, de glamouriza&ccedil;&atilde;o do uso exagerado do &aacute;lcool e de apologia &agrave; viol&ecirc;ncia do sexo n&atilde;o consentido, por exemplo, que queremos passar para nossas crian&ccedil;as&rdquo;, critica a psic&oacute;loga.<\/p>\n<p>A secret&aacute;ria-geral do FNDC acredita tamb&eacute;m que o caso deveria for&ccedil;ar o Supremo Tribunal Federal (STF) a decidir logo sobre uma a&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o (Abert) que tenta proteger filiadas de puni&ccedil;&atilde;o quando n&atilde;o respeitarem a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa dos programas (informar a idade m&iacute;nima adequada para que se assista ao programa). O julgamento no STF foi interrompido quando havia quatro votos (s&atilde;o 11 no total) a favor da Abert.<\/p>\n<p>&ldquo;Se n&atilde;o houver penaliza&ccedil;&atilde;o, as emissoras n&atilde;o respeitar&atilde;o as classifica&ccedil;&otilde;es indicativas, que ter&atilde;o mais raz&atilde;o de existir&rdquo;, justifica Roseli, alegando que o instrumento j&aacute; &eacute; muito mal utilizado no Brasil. O BBB, por exemplo, possui classifica&ccedil;&atilde;o indicativa para a faixa et&aacute;ria superior a 12 anos.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate sobre uma nova lei para empresas do setor de radiodifus&atilde;o (emissoras de TV e r&aacute;dio), que garanta democratiza&ccedil;&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o que afinal &eacute; concess&atilde;o p&uacute;blica, ganhou impulso com a pol&ecirc;mica gerada pela suspeita de estupro de uma participante do programa Big Brother Brasil (BBB), da TV Globo. 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