{"id":26519,"date":"2012-01-17T19:10:12","date_gmt":"2012-01-17T19:10:12","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26519"},"modified":"2012-01-17T19:10:12","modified_gmt":"2012-01-17T19:10:12","slug":"banda-larga-expoe-diversos-brasis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26519","title":{"rendered":"Banda larga exp\u00f5e diversos Brasis"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A disponibilidade do acesso &agrave; internet em banda larga exp&otilde;e as contradi&ccedil;&otilde;es das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil. O pa&iacute;s encerrou o ano com menos de 56 milh&otilde;es de conex&otilde;es de banda larga para uma popula&ccedil;&atilde;o em torno de 190 milh&otilde;es de habitantes. Est&atilde;o inclusas as conex&otilde;es fixas, m&oacute;veis, residenciais e empresariais. Na telefonia fixa, a densidade tamb&eacute;m &eacute; baixa, com menos de 43 milh&otilde;es de acessos.<\/p>\n<p>Com cen&aacute;rio bem diferente, os servi&ccedil;os m&oacute;veis contam com 242,2 milh&otilde;es de celulares, o equivalente a 127,5 aparelhos por 100 habitantes. Mas se a telefonia fixa tem sido gradativamente substitu&iacute;da pela celular, o que garante algum tipo de comunica&ccedil;&atilde;o em regi&otilde;es desprovidas de infraestrutura de redes de cabos, para internet veloz o caso &eacute; diferente.<\/p>\n<p>At&eacute; agora, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) do governo n&atilde;o deslanchou e o que se pode ver s&atilde;o v&aacute;rios Brasis diferentes, com amplas regi&otilde;es sem internet e desequil&iacute;brio onde h&aacute; oferta do servi&ccedil;o. Pode-se encontrar 1 megabit por segundo de velocidade no Sudeste por R$ 29,80 ou at&eacute; 30 vezes mais caro no Norte.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; velocidade das transmiss&otilde;es, 40% dos acessos contratados no pa&iacute;s s&atilde;o de at&eacute; 1 Mbps, sendo que 21% dessas conex&otilde;es est&atilde;o na faixa de at&eacute; 256 kilobits por segundo (Kbps), de acordo com o Comit&ecirc; Gestor da Internet (CGI.br).<\/p>\n<p>O mercado &eacute; altamente concentrado. Pesquisa do CGI.br aponta que 78% dos 17 milh&otilde;es de acessos fixos no pa&iacute;s s&atilde;o fornecidos por seis grandes provedores, donos de grande parte da infraestrutura de rede existente. Dos 1.934 provedores, 43% operam na regi&atilde;o Sudeste, 23% est&atilde;o no Sul, 22% no Nordeste, 11% no Centro-Oeste e apenas 6% no Norte. &quot;&Eacute; um mercado altamente concentrado e o poder acaba ficando nas m&atilde;os de quem tem esses recursos, o que dificulta o compartilhamento de rede com os pequenos provedores&quot;, diz Alexandre Barbosa, do CGI.br.<\/p>\n<p>Para completar o cen&aacute;rio, a densidade populacional, a renda per capita, a proximidade ou dist&acirc;ncia dos grandes centros, a tecnologia e a competi&ccedil;&atilde;o entre os provedores comp&otilde;em a equa&ccedil;&atilde;o que determina disponibilidade do servi&ccedil;o, pre&ccedil;o e qualidade do acesso em alta (ou n&atilde;o muito lenta) velocidade.<\/p>\n<p>Falta conex&atilde;o n&atilde;o apenas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m aos diversos elos que formam a cadeia de valor da internet brasileira, da pol&iacute;tica p&uacute;blica &agrave; iniciativa privada.<\/p>\n<p>Nos centros onde h&aacute; alta densidade e maior renda, a concorr&ecirc;ncia &eacute; acirrada, a qualidade do servi&ccedil;o &eacute; diferenciada e os pre&ccedil;os mais acess&iacute;veis. Em segundo plano, h&aacute; locais de potencial de consumo inferior que, embora dotados de infraestrutura, contam com poucos ou apenas um provedor. Assim, praticamente sem competi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; press&atilde;o para a melhoria dos pre&ccedil;os e servi&ccedil;os. Por &uacute;ltimo, est&atilde;o as regi&otilde;es de menor densidade e baixo poder aquisitivo, onde os provedores veem pouca atratividade para oferta de servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>O alto custo na aquisi&ccedil;&atilde;o de links no atacado para a &uacute;ltima milha &#8211; trecho que liga a central da operadora ao domic&iacute;lio do usu&aacute;rio &#8211; acaba se refletindo no pre&ccedil;o e na qualidade do servi&ccedil;o no varejo, diz Rog&eacute;rio Takayanagi, presidente da TIM Fiber, unidade da TIM resultante da aquisi&ccedil;&atilde;o recente da AES Atimus. &quot;A realidade &eacute; que, na m&eacute;dia, a banda larga continua cara e lenta no pa&iacute;s. Em muitos casos, a oferta desse servi&ccedil;o fica s&oacute; na teoria&quot;, afirma.<\/p>\n<p>Os grandes provedores alegam que os gargalos na oferta devem-se a fatores que v&atilde;o de quest&otilde;es regulat&oacute;rias at&eacute; desafios que n&atilde;o s&atilde;o exclusivos do Brasil. &Eacute; o caso da explos&atilde;o do tr&aacute;fego gerado por redes sociais e conte&uacute;dos como v&iacute;deo e m&uacute;sica. &quot;Quando pensamos ter atingido a necessidade do cliente, o consumo de banda aumenta. Muitas vezes, ficamos com o &ocirc;nus do servi&ccedil;o prec&aacute;rio, quando, na verdade, respondemos s&oacute; por um peda&ccedil;o do problema&quot;, diz Leila Loria, diretora-executiva de rela&ccedil;&otilde;es institucionais e regulamenta&ccedil;&atilde;o da Telef&ocirc;nica.<\/p>\n<p>Os valores praticados no pa&iacute;s ficam mais caros quando se constata que, mesmo nos grandes eixos, os provedores geralmente entregam o m&iacute;nimo exigido de 10% da velocidade contratada. Isso vale tamb&eacute;m para os servi&ccedil;os relacionados ao PNBL, afirma Fl&aacute;via Lef&egrave;vre, advogada do Pro Teste, entidade de defesa do consumidor.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o da advogada, o avan&ccedil;o da banda larga est&aacute; condicionado &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o como regime p&uacute;blico e &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de metas de universaliza&ccedil;&atilde;o e continuidade. S&oacute; a partir dessa abordagem ser&aacute; poss&iacute;vel estimular os investimentos em locais com pouca ou nenhuma oferta. &quot;O modelo atual propicia uma presta&ccedil;&atilde;o discriminat&oacute;ria do servi&ccedil;o. Alguns estudos mostram que na regi&atilde;o Norte, por exemplo, h&aacute; cobran&ccedil;a de R$ 780 por 1 Mbps&quot;, diz Fl&aacute;via.<\/p>\n<p>Sob esse cen&aacute;rio desigual, a necessidade da oferta de subs&iacute;dios do governo com o uso de recursos dos fundos setoriais de telecomunica&ccedil;&otilde;es &eacute; apontada como uma das sa&iacute;das. Desde 1998, o segmento recolheu R$ 48,6 bilh&otilde;es em taxas, segundo a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). Desse Total, R$ 2,6 bilh&otilde;es foram aplicados efetivamente em projetos do setor. &quot;&Eacute; muito dif&iacute;cil para a iniciativa privada viabilizar um modelo de neg&oacute;cio que atenda a poucos clientes. Sem pol&iacute;tica p&uacute;blica, n&atilde;o vai acontecer, n&atilde;o compensa&quot;, diz M&aacute;rcio Carvalho, diretor de produtos e servi&ccedil;os da Net.<\/p>\n<p>As dificuldades t&eacute;cnicas e burocr&aacute;ticas tamb&eacute;m formam barreiras que limitam at&eacute; mesmo os investimentos em infraestrutura de banda larga m&oacute;vel, considerada mais adequada para a acelera&ccedil;&atilde;o da cobertura. Eduardo Levy, diretor do SindiTelebrasil &#8211; que re&uacute;ne as grandes operadoras -, destaca a dificuldade de instalar esta&ccedil;&otilde;es radiobase at&eacute; pr&oacute;ximo de grandes centros: &quot;Em Campinas, qualquer esta&ccedil;&atilde;o precisa ter aprova&ccedil;&atilde;o de 60% dos donos dos im&oacute;veis em um raio de 200 metros em torno do equipamento.&quot;<\/p>\n<p>Para Fl&aacute;via, da Proteste, o mercado n&atilde;o pode continuar a ser guiado pela autorregulamenta&ccedil;&atilde;o. Segundo ela, apesar de benef&iacute;cios como a baixa exig&ecirc;ncia de entrega de velocidade, as operadoras oferecem poucas contrapartidas de qualidade aos consumidores: &quot;A banda larga &eacute; estrat&eacute;gica. Todo o sistema financeiro nacional e diversos servi&ccedil;os p&uacute;blicos est&atilde;o apoiados nessa quest&atilde;o. N&atilde;o podemos ficar ref&eacute;ns de investimentos privados realizados sem qualquer direcionamento.&quot;<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A disponibilidade do acesso &agrave; internet em banda larga exp&otilde;e as contradi&ccedil;&otilde;es das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil. O pa&iacute;s encerrou o ano com menos de 56 milh&otilde;es de conex&otilde;es de banda larga para uma popula&ccedil;&atilde;o em torno de 190 milh&otilde;es de habitantes. Est&atilde;o inclusas as conex&otilde;es fixas, m&oacute;veis, residenciais e empresariais. 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