{"id":26518,"date":"2012-01-17T19:03:31","date_gmt":"2012-01-17T19:03:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26518"},"modified":"2012-01-17T19:03:31","modified_gmt":"2012-01-17T19:03:31","slug":"a-mosca-que-pode-pousar-na-sopa-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26518","title":{"rendered":"A mosca que pode pousar na sopa da internet"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">SOPA &eacute; a sigla de Stop Online Piracy Act (Lei de Combate &agrave; Pirataria Online), lei antipirataria que tramita no Congresso dos Estados Unidos e que visa combater a pirataria online, ou seja, a c&oacute;pia de dados, arquivos, m&uacute;sicas, imagens, etc., que tenham associados direitos de propriedade. O projeto amplia consideravelmente os meios legais das organiza&ccedil;&otilde;es que lutam pelos direitos de propriedade intelectual.<\/p>\n<p>Se aprovado como est&aacute;, o SOPA permitiria o bloqueio a sites que d&atilde;o acesso ou incentivem o &ldquo;roubo&rdquo; de propriedade intelectual. O bloqueio funcionaria de maneira similar ao que ocorre em pa&iacute;ses como a China, o Ir&atilde; e a S&iacute;ria. Para que um site fosse bloqueado, bastaria que ele possuir enlace (link) para conte&uacute;do ilegal, ainda que o link em quest&atilde;o tenha sido postado por um visitante no espa&ccedil;o para coment&aacute;rios.<\/p>\n<p>Desta forma, a lei responsabiliza o site ou blog por todo e qualquer conte&uacute;do veiculado, seja ele de autoria pr&oacute;pria ou n&atilde;o. Em sites onde n&atilde;o h&aacute; modera&ccedil;&atilde;o, como &eacute; o caso das redes sociais, dos microblogs (twitter) e dos portais de v&iacute;deos, a situa&ccedil;&atilde;o poder&aacute; se tornar insustent&aacute;vel. Pelo texto da lei, por exemplo, se uma pessoa do Facebook postar em seu perfil um link que seja considerado ilegal, quem vai arcar com as consequ&ecirc;ncias &eacute; a rede social. Ou seja, as empresas com sede nos EUA que disponibilizarem acessos a sites e dom&iacute;nios acusados de utilizarem ou distribuirem material ilegal ser&atilde;o considerados c&uacute;mplices de pirataria.<\/p>\n<p>A lei exige que, em cinco dias, todas as refer&ecirc;ncias a estes sites sejam apagadas. Exemplificando novamente, isto significa que, se um site for acusado de violar o copyright, o Google &mdash; empresa com sede nos EUA &mdash; ser&aacute; obrigado a deletar todas as refer&ecirc;ncias a ele. Tamb&eacute;m a Wikipedia passaria a ignorar a exist&ecirc;ncia dos sites acusados, mesmo que os enlaces (links) refiram-se a outros temas.<\/p>\n<p>Um dos pontos mais pol&ecirc;micos da lei &eacute; a possibilidade de colocar offline sites estrangeiros suspeitos de violarem os direitos de autor sem para que isso seja necess&aacute;ria uma ordem judicial.<\/p>\n<p>Os blogs tamb&eacute;m seriam afetados, pois se, por exemplo, a WordPress for acusada de violar determinadas patentes de software, os blogs que usam a plataforma em todo o planeta (60 milh&otilde;es de blogs) ter&atilde;o seus IPs bloqueados em territ&oacute;rio norte-americano e os mecanismos de busca dever&atilde;o suprimir qualquer link que os indique.<\/p>\n<p>As pessoas a favor do SOPA dizem que o projeto protege a propriedade intelectual, gerando receita e empregos, enquanto os oponentes dizem que &eacute; uma amea&ccedil;a &agrave; liberdade de express&atilde;o e uma forma de censura.<\/p>\n<p><strong>O que &eacute; o SOPA<br \/><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\">O Stop Online Piracy Act (Lei de Combate &agrave; Pirataria Online), ou SOPA, &eacute; um projeto de lei que foi apresentado em 26 de outubro de 2011 pelo presidente do Comit&ecirc; Judici&aacute;rio da C&acirc;mara dos Deputados, o texano Lamar Smith, do Partido Republicano, e por um grupo inicial de 12 apoiadores bipartid&aacute;rios. O projeto, baseado na proposta PROTECT IP Act (PIPA), criada em maio do mesmo ano, permitiria uma not&aacute;vel expans&atilde;o na capacidade da lei estadunidense no combate ao tr&aacute;fico online de propriedade intelectual protegida por copyright, t&atilde;o not&aacute;vel que poderia atingir pessoas n&atilde;o culpadas por atos de pirataria.<\/p>\n<p>De acordo com a proposta original, o projeto permitiria a realiza&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es legais pelo Departamento de Justi&ccedil;a estadunidense e por detentores de direitos autorais contra websites suspeitos de facilitar ou realizar viola&ccedil;&otilde;es de copyright . Tais a&ccedil;&otilde;es poderiam proibir redes de propaganda online e facilitadores de pagamentos como o PayPal de fazer neg&oacute;cios com sites suspeitos, al&eacute;m de impedir sistemas de busca de fornecer links para tais sites ou exigir que provedores de acesso &agrave; Internet os bloqueiem. Os streamings de m&iacute;dia (filmes ou m&uacute;sicas que s&atilde;o enviadas pelos sites aos computadores e que n&atilde;o ficam armazenadas no mesmo) sob prote&ccedil;&atilde;o de copyright iriam ser considerados crimes, com pena m&aacute;xima de cinco anos de pris&atilde;o (por dez viola&ccedil;&otilde;es em seis meses). O projeto tamb&eacute;m d&aacute; imunidade a servi&ccedil;os da Internet que realizam voluntariamente a&ccedil;&otilde;es contra websites dedicados &agrave; viola&ccedil;&atilde;o de direitos autorais, embora tamb&eacute;m penalize detentores de copyright que representem erroneamente um site como sendo dedicado a esta.<\/p>\n<p>Aqueles que apoiam o projeto alegam que ele protege o mercado de propriedade intelectual e a ind&uacute;stria, os empregos e o lucro correspondentes, sendo tamb&eacute;m necess&aacute;rio para refor&ccedil;ar a aplica&ccedil;&atilde;o das leis de copyright, especialmente a websites estrangeiros. Um exemplo comumente citado &eacute; a indeniza&ccedil;&atilde;o de 500 milh&otilde;es de d&oacute;lares paga pelo Google por sua participa&ccedil;&atilde;o em um esquema de propaganda que estimularia consumidores estadunidenses a comprar medicamentos ilegais de farm&aacute;cias canadenses.<\/p>\n<p><strong>A rea&ccedil;&atilde;o<br \/><\/strong><br \/>Os opositores do projeto, por sua vez, alegam que ele violaria a Primeira Emenda Constitucional dos EUA, constituindo-se em censura, amea&ccedil;ando diversas formas de livre express&atilde;o. Protestos t&ecirc;m sido promovidos sob diversas formas, incluindo peti&ccedil;&otilde;es, boicote de companhias que apoiam o projeto e avaliam blecautes de seus servi&ccedil;os que coincidiriam com as audi&ecirc;ncias do Congresso a respeito do SOPA.<\/p>\n<p>Gigantes como Google, Facebook e Amazon amea&ccedil;am fazer um blecaute coordenado e &ldquo;desligariam&rdquo; seus sites em protesto em data n&atilde;o divulgada pelo NetCoalition &ndash; uma associa&ccedil;&atilde;o de empresas que inclui as tr&ecirc;s companhias e outras como Ebay, Foursquare, LinkedIn, Twitter, Mozilla, PayPal, Yahoo, Zynga e Wikimedia Foundation. &ldquo;Se n&atilde;o fizermos nada, provavelmente ir&atilde;o aprovar a Protect IP Act (PIPA) no Senado ou a Stop Online Piracy Act (SOPA) na C&acirc;mara&rdquo;, disseram em comunicado.<\/p>\n<p>A WordPress, que fornece um sistema de gerenciamento e publica&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do para blogs, tamb&eacute;m deve aderir ao protesto. No dia 10 de janeiro, publicou um texto contra a aprova&ccedil;&atilde;o de leis que defendam a derrubada de sites suspeitos de inflingir direitos autorais e leis regulat&oacute;rias.<\/p>\n<p><strong>Os interessados na lei<br \/><\/strong><br \/>Os principais apoiadores do SOPA s&atilde;o a Microsoft e a Apple, al&eacute;m de lobistas de associa&ccedil;&otilde;es como a MPAA (ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica), RIAA (ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica), BSA (Business Software Aliance) que articulam deputados e senadores para apoiar a medidas. Por tr&aacute;s dessas propostas est&aacute; a certeza de que n&atilde;o adianta atuar contra o usu&aacute;rio da Internet, pois esse n&atilde;o acredita que compartilhar m&uacute;sica, textos e v&iacute;deos seja uma atividade criminosa. Por isso, querem atuar na pr&oacute;pria infraestrutura de conex&atilde;o e de provimento de acesso da rede.<\/p>\n<p><strong>A Casa Branca manifesta oposi&ccedil;&atilde;o ao projeto de regula&ccedil;&atilde;o da internet<br \/><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span class=\"padrao\">A Presid&ecirc;ncia dos Estados Unidos anunciou oficialmente na noite deste s&aacute;bado (14) que n&atilde;o ir&aacute; apoiar o SOPA.<\/p>\n<p>No documento expedido pela Presid&ecirc;ncia, assinado por Victoria Espinel, Aneesh Chopra e Howard Schmidt, tr&ecirc;s especialistas em tecnologia, ciberseguran&ccedil;a e propriedade intelectual do governo, a Casa Branca deixou bem claro que n&atilde;o vai apoiar leis que rompam com os padr&otilde;es abertos da internet e que impe&ccedil;am a liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;Embora acreditemos que a pirataria online pelos sites estrangeiros seja um problema s&eacute;rio, que requer uma resposta s&eacute;ria legislativa, n&atilde;o vamos apoiar qualquer legisla&ccedil;&atilde;o que reduza a liberdade de express&atilde;o, aumente o risco da seguran&ccedil;a cibern&eacute;tica, ou enfraque&ccedil;a a din&acirc;mica e inovadora da internet global&rdquo;, diz o comunicado.<\/p>\n<p>O comunicado da Casa Branca tamb&eacute;m disse que a administra&ccedil;&atilde;o Obama acredita que &ldquo;pirataria online seja um problema real que prejudica a economia americana&rdquo; e que, em 2012, dever&aacute; ser aprovada uma legisla&ccedil;&atilde;o moderada, que &ldquo;almeje unicamente restringir a fonte de infra&ccedil;&atilde;o dos direitos autorais&rdquo;.<\/p>\n<p><em>Com informa&ccedil;&otilde;es do Washington Post, Wikipedia, Revista &Eacute;poca, blog Trezentos, WordPress, Opera Mundi e da Casa Branca<br \/><\/em><br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SOPA &eacute; a sigla de Stop Online Piracy Act (Lei de Combate &agrave; Pirataria Online), lei antipirataria que tramita no Congresso dos Estados Unidos e que visa combater a pirataria online, ou seja, a c&oacute;pia de dados, arquivos, m&uacute;sicas, imagens, etc., que tenham associados direitos de propriedade. 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