{"id":26508,"date":"2012-01-13T18:21:55","date_gmt":"2012-01-13T18:21:55","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26508"},"modified":"2012-01-13T18:21:55","modified_gmt":"2012-01-13T18:21:55","slug":"cecs-bahia-inaugura-uma-nova-etapa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26508","title":{"rendered":"CECS: Bahia inaugura uma nova etapa"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">[T&iacute;tulo original: Conselhos Estaduais de Comunica&ccedil;&atilde;o: a Bahia inaugura uma nova etapa]<\/p>\n<p>O setor de comunica&ccedil;&otilde;es inicia 2012 fazendo Hist&oacute;ria (com H mai&uacute;sculo).<\/p>\n<p>Criado pelo artigo 277 da Constitui&ccedil;&atilde;o Estadual (1989) e regulado pela Lei n. 12.212 de 4 de maio de 2011, tomou posse o primeiro Conselho Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (CECS) brasileiro no estado da Bahia, em solenidade no audit&oacute;rio do Minist&eacute;rio P&uacute;blico de Salvador, no &uacute;ltimo dia 10 de janeiro, [cf. &ldquo;A Bahia sai na frente&rdquo; e ver abaixo rela&ccedil;&atilde;o completa dos membros titulares e suplentes].<\/p>\n<p>A instala&ccedil;&atilde;o do primeiro CECS na Bahia, n&atilde;o deixa de conter certa ironia. O estado tem servido de exemplo hist&oacute;rico pelo acasalamento de oligarquias pol&iacute;ticas tradicionais com grupos dominantes da m&iacute;dia regional e nacional. Um dos maiores emblemas do &ldquo;coronelismo eletr&ocirc;nico&rdquo; continua sendo o ex-governador, ex-senador e ex-ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, o j&aacute; falecido baiano Antonio Carlos Magalh&atilde;es.<\/p>\n<p>Apesar disso &ndash; ou por causa disso &ndash; a Bahia foi pioneira na inclus&atilde;o do CECS em sua Constitui&ccedil;&atilde;o Estadual (CE) em 1989. Dezenove anos depois, com ampla mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil, realizou sua 1&ordf;. Confer&ecirc;ncia Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o e definiu a regulamenta&ccedil;&atilde;o do artigo 227 como prioridade. Uma 2&ordf;. Confer&ecirc;ncia Estadual foi realizada em 2009 e no in&iacute;cio de 2012 o CECS-BA se torna realidade, quase 23 anos depois da promulga&ccedil;&atilde;o da CE.<\/p>\n<p><strong>Abismo crescente<\/strong><\/p>\n<p>A t&iacute;mida e enviesada repercuss&atilde;o do fato na m&iacute;dia regional e nacional s&oacute; confirma o abismo crescente entre a os grupos tradicionais da velha m&iacute;dia e a imensa maioria da sociedade brasileira. Acostumados ao quase-monop&oacute;lio de pautar a agenda p&uacute;blica e a influir decisivamente nas pol&iacute;ticas nacionais e regionais do setor, resistem em perceber que o pa&iacute;s mudou. E mais: fingem n&atilde;o compreender algumas das conseq&uuml;&ecirc;ncias do verdadeiro tsunami tecnol&oacute;gico expresso na internet, nos celulares e nas diferentes redes sociais virtuais que atinge as comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A inclus&atilde;o da pr&oacute;pria m&iacute;dia entre os temas de debate p&uacute;blico e a demanda por participa&ccedil;&atilde;o da sociedade organizada na formula&ccedil;&atilde;o e acompanhamento das pol&iacute;ticas do setor &ndash; como j&aacute; ocorre em outros campos de direitos humanos fundamentais &ndash; &eacute; uma dessas conseq&uuml;&ecirc;ncias.<\/p>\n<p><strong>Exemplo a seguir<\/p>\n<p><\/strong>O funcionamento do CECS-BA, por &oacute;bvio, gera uma enorme expectativa.<\/p>\n<p>Ele estar&aacute; sendo rigorosamente observado pelos grupos de m&iacute;dia dominantes que, apesar de parecer ignor&aacute;-lo, apostam no seu fracasso. Esperam confirmar a tese de que se trata de uma tentativa disfar&ccedil;ada de partidos e pol&iacute;ticos &ldquo;autorit&aacute;rios&rdquo; para &ldquo;controlar&rdquo; a imprensa e institucionalizar a censura. Por outro lado, ele ter&aacute; a oportunidade hist&oacute;rica de mostrar que a participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica da sociedade na gest&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&otilde;es constitui, na verdade, uma garantia para a universaliza&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o no caminho da positiva&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O funcionamento do CECS-BA tamb&eacute;m demonstrar&aacute; que parte do empresariado do setor de comunica&ccedil;&otilde;es da Bahia &ndash; aquela que participou de sua constru&ccedil;&atilde;o e que est&aacute; nele representada &ndash; j&aacute; se deu conta de que o di&aacute;logo e a negocia&ccedil;&atilde;o constituem instrumentos b&aacute;sicos para atender ao interesse p&uacute;blico nas sociedades democr&aacute;ticas.<\/p>\n<p>Ademais, espera-se, que o exemplo da Bahia seja finalmente seguido nas demais unidades da federa&ccedil;&atilde;o [cf. &ldquo;CECS: Onde estamos e para onde vamos&rdquo; ].<\/p>\n<p>Primeiro naqueles estados &ndash; como a pr&oacute;pria Bahia &ndash; governados por alian&ccedil;as lideradas pelo PT. O partido aprovou a recomenda&ccedil;&atilde;o de cria&ccedil;&atilde;o dos conselhos estaduais de comunica&ccedil;&atilde;o em Congresso Nacional realizado em setembro de 2011. Agora &eacute;, portanto, a hora dos governos do Acre, do Distrito Federal, do Rio Grande do Sul e de Sergipe criarem as condi&ccedil;&otilde;es para a cria&ccedil;&atilde;o dos CECS [registre-se que este processo encontra-se avan&ccedil;ado no Rio Grande do Sul].<\/p>\n<p>Segundo, nos estados cujas Constitui&ccedil;&otilde;es j&aacute; prev&ecirc;em a cria&ccedil;&atilde;o e instala&ccedil;&atilde;o dos CECS. Mais de duas d&eacute;cadas j&aacute; se passaram desde a adapta&ccedil;&atilde;o das Constitui&ccedil;&otilde;es Estaduais &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988. N&atilde;o h&aacute; mais o que esperar.<\/p>\n<p>Terceiro, naqueles estados que n&atilde;o inclu&iacute;ram os CECS em suas constitui&ccedil;&otilde;es. Basta uma iniciativa do legislativo para que as Assembl&eacute;ias estaduais tenham a oportunidade de corrigir a omiss&atilde;o.<\/p>\n<p>Por fim, espera-se que a Bahia sirva tamb&eacute;m de exemplo ao Congresso Nacional que desde 2006 ignora a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e a Lei e boicota o funcionamento do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social previsto no artigo 224 [cf. &ldquo;Cinco anos de ilegalidade&rdquo;]<\/p>\n<p><strong>Tarefas e esperan&ccedil;as<br \/><\/strong><br \/>Como todo avan&ccedil;o pol&iacute;tico, o processo de constru&ccedil;&atilde;o do CECS-BA teve que percorrer um longo caminho, repleto de dificuldades e desencontros. O seu funcionamento comprovar&aacute; &ndash; ou n&atilde;o &ndash; o acerto de decis&otilde;es tomadas e, claro, indicar&aacute; as corre&ccedil;&otilde;es de rumo que se fizerem necess&aacute;rias.<\/p>\n<p>Por Lei o CECS-BA ter&aacute; &ldquo;car&aacute;ter consultivo e deliberativo sobre sua finalidade de formular a Pol&iacute;tica Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, observados a compet&ecirc;ncia que lhe confere o art. 277 da Constitui&ccedil;&atilde;o do Estado da Bahia e o disposto na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, reconhecida a comunica&ccedil;&atilde;o social como um servi&ccedil;o p&uacute;blico e um direito humano e fundamental&rdquo;. N&atilde;o &eacute; pouco.<\/p>\n<p>O CECS-BA dever&aacute;, acima de tudo, comprovar que a participa&ccedil;&atilde;o institucionalizada de diferentes setores da sociedade, junto ao Estado, na formula&ccedil;&atilde;o e acompanhamento das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas estaduais de comunica&ccedil;&atilde;o social constitui um avan&ccedil;o fundamental para a consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica em nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>MEMBROS DO CONSELHO DE COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O SOCIAL DA BAHIA<br \/><\/strong><br \/><strong>A. Representantes do Governo<br \/><\/strong>Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (2)<br \/>Secretaria de Cultura<br \/>Secretaria da Educa&ccedil;&atilde;o<br \/>Secretaria de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o<br \/>Secretaria da Justi&ccedil;a, Cidadania e Direitos Humanos<br \/>Instituto de Radiodifus&atilde;o Educativa da Bahia &ndash; IRDEB<\/p>\n<p><strong>B. Representantes da Sociedade Civil<br \/><\/strong>B.1 Titulares:<br \/>Entidade profissional de classe: Associa&ccedil;&atilde;o Baiana de Imprensa<br \/>Universidades p&uacute;blicas com atua&ccedil;&atilde;o no estado da Bahia: Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o &#8211; UFBA<br \/>Segmento de televis&atilde;o aberta e por assinatura comercial: TV Aratu<br \/>Representante titular do segmento de radio comercial: Grupo Tucano de Comunica&ccedil;&atilde;o Ltda.<br \/>Empresas de jornais e revistas: Empresa Editora A Tarde S.A<br \/>Ag&ecirc;ncias de publicidade: Rocha Propaganda e Marketing LTDA<br \/>Empresas de telecomunica&ccedil;&atilde;o: SINDITELEBRASIL<br \/>Empresas de m&iacute;dia exterior: Sindicato das Empresas de Publicidade Exterior do Estado da Bahia\/SEPEX &#8211; URANUS 2<br \/>Produtoras de audiovisual ou servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o: RX 30 Produtora Ltda.<br \/>Movimento de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria: Radio Comunit&aacute;ria Santa Luz Ltda.<br \/>Entidades de classe dos trabalhadores do segmento de comunica&ccedil;&atilde;o social: SINJORBA<br \/>Ve&iacute;culos comunit&aacute;rios ou alternativos: Associa&ccedil;&atilde;o Vermelho<br \/>Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais ou entidades sociais vinculadas &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o (3): Cip&oacute; Comunica&ccedil;&atilde;o Interativa, Intervozes Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social e Centro de Estudos da M&iacute;dia Alternativa Bar&atilde;o de Itarar&eacute;<br \/>Movimentos sociais de comunica&ccedil;&atilde;o: Associa&ccedil;&atilde;o Renascer Mulher<br \/>Representante de entidades de movimentos sociais-organizados (3): Uni&atilde;o Brasileira da Mulher, Central dos Trabalhadores do Brasil&ndash;CTB, e o SINTERP<br \/>Entidades de jornalismo digital: A S2R Comunica&ccedil;&atilde;o Ltda.&ndash; Bahia Not&iacute;cias<\/p>\n<p>B.2 Suplentes:<br \/>Entidade profissional de classe: OAB &#8211; Se&ccedil;&atilde;o Bahia.<br \/>Universidades p&uacute;blicas com atua&ccedil;&atilde;o no Estado da Bahia: Universidade do Estado da Bahia-UNEB.<br \/>Segmento de televis&atilde;o aberta e por assinatura comercial: TV Itabuna.<br \/>Segmento de r&aacute;dio comercial: Tudo FM Ltda.<br \/>Empresas de jornais e revistas: Jornal Folha do Estado.<br \/>Ag&ecirc;ncias de publicidade: CCA Comunica&ccedil;&atilde;o Propaganda.<br \/>Empresas de telecomunica&ccedil;&atilde;o: SINDTELEBRASIL.<br \/>Empresas de m&iacute;dia exterior: Central de Outdoor.<br \/>Produtoras de audiovisual ou servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o: Malagueta Cinema e V&iacute;deo.<br \/>Movimento de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria: Abra&ccedil;o.<br \/>Entidades de classe dos trabalhadores do segmento de comunica&ccedil;&atilde;o social: SINTTEL.<br \/>Ve&iacute;culos comunit&aacute;rios ou alternativos: Instituto Cultural Nego D&rsquo;&Aacute;gua.<br \/>Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais ou entidades sociais vinculadas &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o: UNEGRO, IDESAB e a ARCCA.<br \/>Movimentos sociais de comunica&ccedil;&atilde;o: FNDC.<br \/>Entidades de movimentos sociais organizados: CUT, UJS e FETAG-BA.<br \/>Entidades de jornalismo digital: Not&iacute;cias do Sert&atilde;o.<\/p>\n<p><em>Ven&iacute;cio Lima &eacute; professor titular de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Comunica&ccedil;&atilde;o da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regula&ccedil;&atilde;o das Comunica&ccedil;&otilde;es &ndash; Hist&oacute;ria, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A instala&ccedil;&atilde;o do primeiro Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o deixa  de conter certa ironia. 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