{"id":26505,"date":"2012-01-12T17:57:45","date_gmt":"2012-01-12T17:57:45","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26505"},"modified":"2012-01-12T17:57:45","modified_gmt":"2012-01-12T17:57:45","slug":"forte-disputa-no-mercado-oligopolico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26505","title":{"rendered":"Forte disputa no mercado oligop\u00f3lico"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Aprova&ccedil;&atilde;o da lei que permite a entrada das empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es na TV fechada e v&aacute;rias disputas em torno de direitos de transmiss&atilde;o de eventos esportivos: se 2011 ainda n&atilde;o apresentou mudan&ccedil;as significativas para derrubar as barreiras do mercado estabelecidas pelas empresas das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo, combates importantes foram estabelecidos, prometendo um 2012 com novas disputas entre operadores e, como sempre, uma agenda pr&oacute;-regulamenta&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica cheia, mas com forte resist&ecirc;ncia empresarial.<\/p>\n<p>A Lei 12.485, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em setembro, promete alterar as rela&ccedil;&otilde;es de mercado no que tange &agrave; transmiss&atilde;o paga televisiva. Neste ano que se inicia, as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es entrar&atilde;o finalmente no mercado enquanto distribuidoras de conte&uacute;do, rompendo um dos elos da concentra&ccedil;&atilde;o vertical das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo no setor. Apesar disso, a amplia&ccedil;&atilde;o da obrigatoriedade de conte&uacute;dos nacionais tende a beneficiar as empresas do grupo, que &eacute; o maior produtor brasileiro.<\/p>\n<p>No caso da TV Globo, cuja lideran&ccedil;a do mercado oligop&oacute;lio generalista &eacute; mais evidente, por se tratar de um meio de comunica&ccedil;&atilde;o presente na maioria dos lares do Brasil, as esferas econ&ocirc;micas das ind&uacute;strias culturais ficaram muito expostas ao longo do ano que passou, com o esporte sendo protagonista dos confrontos estabelecidos e, por conta disso, recebendo maior aten&ccedil;&atilde;o destes autores. J&aacute; nos primeiros meses do ano, a disputa mais esperada por todos: ap&oacute;s a assinatura do Termo de Ajuste de Conduta entre a emissora e o Clube dos 13, entidade que representa os principais clubes do pa&iacute;s, em outubro de 2010, por conta da decis&atilde;o do Conselho Administrativo de Defesa Econ&ocirc;mica (Cade) de determinar as rela&ccedil;&otilde;es anteriores como forma&ccedil;&atilde;o de cartel, esperava-se que o edital de licita&ccedil;&atilde;o seguinte pudesse apresentar uma efetiva disputa em torno dos direitos de transmiss&atilde;o em TV aberta do Campeonato Brasileiro de Futebol. A expectativa era de que a Rede Record ofereceria um valor &ldquo;absurdo&rdquo; para o mercado brasileiro se confirmasse, restando saber o quanto a Globo poderia colocar em termos de valores.<\/p>\n<p><strong>Batalhas no setor esportivo<br \/><\/strong><br \/>Com processo de licita&ccedil;&atilde;o para as edi&ccedil;&otilde;es de 2012 a 2014 anunciado, a &uacute;nica emissora a apresentar proposta foi a Rede TV!, de porte m&eacute;dio, que ofereceu R$ 516 milh&otilde;es por temporada. A Globo desistiu um dia depois de apresentado o edital de licita&ccedil;&atilde;o, ao acreditar que R$ 500 milh&otilde;es por temporada, valor m&iacute;nimo para lance, representava uma quantia imposs&iacute;vel para que o mercado publicit&aacute;rio brasileiro pudesse repor. A Record desistiu no dia do an&uacute;ncio das propostas, por saber que a maioria dos clubes j&aacute; havia negociado com a emissora da fam&iacute;lia Marinho em separado.<\/p>\n<p>As disputas, que se tornaram p&uacute;blicas por meio de notas da Rede Record e de coment&aacute;rios de membros do pr&oacute;prio Clube dos 13, geraram uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica sobre o assunto, em abril, na Comiss&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o, Cultura e Esporte do Senado, no mesmo dia que a Globo enviou ao Cade os contratos assinados de forma individual com os clubes. Semanas depois, o C13 anunciava o acordo com a Rede Globo, que mal precisou participar do processo de licita&ccedil;&atilde;o, mas que gastar&aacute;, cogita-se, cerca de R$ 800 milh&otilde;es por temporada.<\/p>\n<p>As concorrentes envolvidas no processo tamb&eacute;m reagiram a ele. A Rede Record passou a realizar reportagens em seus programas jornal&iacute;sticos n&atilde;o s&oacute; sobre o assunto, como tamb&eacute;m sobre poss&iacute;veis problemas criminais do presidente da Confedera&ccedil;&atilde;o Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, e dos dirigentes e empres&aacute;rios pr&oacute;ximos a ele. A Rede TV! perdeu o direito de transmitir a Segunda Divis&atilde;o nacional, que foi cedido pela Globo &agrave; Band, atual parceira no pacote Futebol. Mas se o Brasileir&atilde;o foi alvo da principal disputa, at&eacute; mesmo pelo patamar dos valores envolvidos e da guerra estabelecida, outras batalhas entre os membros do setor foram realizadas ao longo do ano.<\/p>\n<p><strong>A &ldquo;luta do s&eacute;culo&rdquo;<br \/><\/strong><br \/>Ainda no futebol, o principal torneio de clubes do mundo, a Liga dos Campe&otilde;es da Europa, que at&eacute; meados do s&eacute;culo 21 n&atilde;o recebia muita aten&ccedil;&atilde;o das emissoras de TV aberta brasileiras, teve a negocia&ccedil;&atilde;o dos direitos de transmiss&atilde;o para o tri&ecirc;nio 2012, 2013 e 2014 sendo alvo de disputas por dois blocos de empresas distintos. De um lado, Rede Record, portal Terra (Telefonica de Espanha) e Fox Sports; do outro, Rede Globo, Esporte Interativo e ESPN. O &uacute;ltimo grupo venceu o processo de licita&ccedil;&atilde;o por apresentar, cada um em seu setor de atua&ccedil;&atilde;o (televis&atilde;o aberta, UHF\/internet e TV fechada), a explora&ccedil;&atilde;o dos jogos num valor que representa quatro vezes mais o que foi pago tr&ecirc;s anos antes.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, todas essas empresas ampliaram a possibilidade de transmiss&otilde;es. A Globo, que repassa a maior parte dos jogos do torneio para a Band, exibir&aacute; cinco jogos por temporada &ndash; n&atilde;o s&oacute; os tr&ecirc;s, como na temporada 2011\/2012; e tanto TV Esporte Interativo quanto ESPN transmitir&atilde;o tamb&eacute;m via internet e plataformas m&oacute;veis, o que representa as novas possibilidades de veicula&ccedil;&atilde;o de audiovisual &ndash; que n&atilde;o refletem, necessariamente, uma maior efetividade de participa&ccedil;&atilde;o de atores sociais no processo, por mais brechas que se tenha.<\/p>\n<p>J&aacute; nos &uacute;ltimos meses do ano, o alvo de disputa foi os direitos de transmiss&atilde;o para o torneio de Artes Marciais Mistas (MMA, sigla em ingl&ecirc;s) Ultimate Fighting Championship (UFC), evento que foi a grande novidade na m&iacute;dia brasileira, com um grande crescimento de visibilidade ao longo de 2011. Em fevereiro, dois dos mais conhecidos lutadores brasileiros, Vitor Belfort e Anderson Silva, fizeram a &ldquo;luta do s&eacute;culo&rdquo;, na categoria peso m&eacute;dio (84 kg). A vit&oacute;ria de Silva deu uma grande visibilidade nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, mesmo que a luta s&oacute; tenha sido transmitida no canal Combate, da GloboSat, via pay per view. Mas o grande refletor do sucesso do UFC no Brasil foi a realiza&ccedil;&atilde;o do evento de n&uacute;mero 134, no Rio de Janeiro, que representou a volta ao pa&iacute;s ap&oacute;s 13 anos &ndash; quando ainda pertencia &agrave; fam&iacute;lia de lutadores Gracie, que vendera a marca por US$ 8 milh&otilde;es em 2001. A Rede TV!, que transmitia aos s&aacute;bados reprises de lutas, pode fazer a transmiss&atilde;o oficial em TV aberta, algo in&eacute;dito para o Brasil. A emissora conseguiu alcan&ccedil;ar a lideran&ccedil;a no Ibope durante a luta de Anderson Silva contra o japon&ecirc;s Yushin Okami, com pico de 12,8 pontos de audi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><strong>The Ultimate Fighter<br \/><\/strong><br \/>Os resultados expressivos do UFC 134 no Rio de Janeiro fez n&atilde;o s&oacute; que os propriet&aacute;rios da marca &ndash; agora avaliadas na casa do bilh&atilde;o de d&oacute;lares &ndash; garantissem mais edi&ccedil;&otilde;es do evento no Brasil para 2012, com a volta &agrave; cidade j&aacute; em janeiro, como uma grande disputa pelos direitos de transmiss&atilde;o em TV aberta, envolvendo Globo, Record, SBT, Band e Rede TV! A Band esteve bem pr&oacute;xima de fechar o contrato, com direito a tr&ecirc;s reuni&otilde;es com representantes da marca UFC, mas a inten&ccedil;&atilde;o da empresa l&iacute;der de audi&ecirc;ncia no pa&iacute;s acabou sendo decisiva para que o acordo n&atilde;o fosse fechado. De olho nos neg&oacute;cios, a op&ccedil;&atilde;o foi pela difus&atilde;o da marca pela Rede Globo. Se o grupo j&aacute; transmitia h&aacute; anos em TV fechada, com principais lutas via pay per view, a dire&ccedil;&atilde;o de esportes acreditava at&eacute; ent&atilde;o que o evento era muito violento para a televis&atilde;o aberta. Por&eacute;m, o estrondoso e r&aacute;pido sucesso fez com que os diretores da emissora se atentassem para as possibilidades de um programa que possibilita uma mercadoria audi&ecirc;ncia em r&aacute;pido crescimento, n&atilde;o visto em outros esportes.<\/p>\n<p>A Rede Globo ter&aacute; exclusividade na transmiss&atilde;o de todos os eventos realizados no Brasil, provavelmente tr&ecirc;s em 2012, mais tr&ecirc;s edi&ccedil;&otilde;es realizadas no exterior e de ser parceira na primeira edi&ccedil;&atilde;o brasileira do reality show The Ultimate Fighter, que abre espa&ccedil;o para que um lutador seja al&ccedil;ado ao UFC, sem passar por outros eventos apropriados pelos donos da marca e de menor porte.<\/p>\n<p>A primeira transmiss&atilde;o ocorreu em novembro de 2011, com direito &agrave; narra&ccedil;&atilde;o do principal locutor esportivo da empresa, Galv&atilde;o Bueno, marcada pela conquista do cintur&atilde;o dos pesos pesados (120 kg) pelo brasileiro J&uacute;nior &ldquo;Cigano&rdquo; dos Santos e 22 pontos de audi&ecirc;ncia. No mesmo dia, o evento estreava em cadeia aberta para os Estados Unidos atrav&eacute;s da gigante Fox. O n&uacute;mero da edi&ccedil;&atilde;o do evento, tradicionalmente utilizado no nome oficial, acabou sendo trocado por &ldquo;UFConFox&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Jogos Ol&iacute;mpicos sem Rede Globo<br \/><\/strong><br \/>O saldo de 2011 s&oacute; n&atilde;o foi altamente positivo para a Rede Globo. Primeiro porque a emissora precisou gastar bem mais com eventos esportivos que anteriormente e, al&eacute;m disso, foi o ano em que a Rede Record transmitiu o primeiro grande torneio de car&aacute;ter poliesportivo, os Jogos Panamericanos. Por mais cr&iacute;ticas que se tenham feito &agrave; transmiss&atilde;o da emissora &ndash; por exemplo, que n&atilde;o transmitiu os jogos em importantes hor&aacute;rios do fim de semana, mantendo O Melhor do Brasil (s&aacute;bado) e Programa do Gugu (domingo) &ndash;, as d&uacute;vidas ficaram sobre a cobertura do evento pela Globo, com direito a imagens extra&iacute;das de provas cujos direitos era da concorrente. Al&eacute;m disso, ficou tamb&eacute;m a press&atilde;o dos patrocinadores de alguns atletas para que eles dessem entrevista para a emissora carioca, que n&atilde;o podia entrar nos espa&ccedil;os pan-americanos.<\/p>\n<p>2012 marca o ano de mais uma edi&ccedil;&atilde;o dos Jogos Ol&iacute;mpicos de Ver&atilde;o, que ser&atilde;o realizados em Londres. Paira a curiosidade sobre como a Rede Globo ir&aacute; tratar um evento de tamanha magnitude. Independente de tantas vit&oacute;rias nas disputas mais recentes, ainda permanece como grande derrota a perda dos direitos de transmiss&atilde;o dos principais torneios de car&aacute;ter ol&iacute;mpico. O novo ano representar&aacute; uma grande chance de se saber o qu&atilde;o fortes s&atilde;o as suas barreiras de mercado e at&eacute; que ponto poder&atilde;o receber arranh&otilde;es.<\/p>\n<p>V<em>al&eacute;rio Cruz Brittos e Anderson David Gomes dos Santos s&atilde;o, respectivamente, professor titular no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o da Unisinos e mestrando no mesmo programa.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Neste ano que se inicia, as empresas de  telecomunica&ccedil;&otilde;es entrar&atilde;o finalmente no mercado enquanto distribuidoras  de conte&uacute;do, rompendo um dos elos da concentra&ccedil;&atilde;o vertical das  Organiza&ccedil;&otilde;es Globo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1567],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26505"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26505"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26505\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}