{"id":26499,"date":"2012-01-11T17:16:40","date_gmt":"2012-01-11T17:16:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26499"},"modified":"2012-01-11T17:16:40","modified_gmt":"2012-01-11T17:16:40","slug":"ano-novo-reivindicacoes-antigas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26499","title":{"rendered":"Ano novo, reivindica\u00e7\u00f5es antigas"},"content":{"rendered":"<p>Todo final e in&iacute;cio de ano &eacute; a mesma ladainha. O mercado faz a habitual indica&ccedil;&atilde;o do que deve ser seguido pelo governo e sociedade no setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es. E o que deveria ser apenas sugest&otilde;es, na pr&aacute;tica tem se mostrado uma esp&eacute;cie de lista de determina&ccedil;&otilde;es quase sempre seguida pelo governo. Que poucas vezes &eacute; convergente com os interesses civis.<\/p>\n<p>Em 2011, a receita bruta das operadoras de telecom alcan&ccedil;ou cerca de 200 bilh&otilde;es de reais. Deste valor, nem mesmo 10% foram revertidos em investimento em infraestrutura e melhorias nas telecomunica&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s. Por isso mesmo, o Instituto Telecom, ao retomar suas atividades em 2012, considera relevante alertar para pontos que devem ser observados por todos: governo, mercado e sociedade civil.<\/p>\n<p><strong>1) TV por Assinatura<\/strong><br \/>A lei 12485, de setembro de 2011, mudou as regras para a TV por assinatura e apresentou avan&ccedil;os importantes no sentido de democratizar o acesso ao servi&ccedil;o como a institui&ccedil;&atilde;o da obrigatoriedade de cotas de conte&uacute;dos nacionais, uma luta antiga da sociedade. A sua implementa&ccedil;&atilde;o est&aacute; prevista para mar&ccedil;o ou abril, mas pouco valer&aacute; se n&atilde;o houver aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es da sociedade e se os movimentos sociais n&atilde;o participarem ativamente da elabora&ccedil;&atilde;o de seu conte&uacute;do no processo de regulamenta&ccedil;&atilde;o que est&aacute; sendo proposto pela Anatel e pela Ancine.<\/p>\n<p>Para se ter ideia da necessidade de se acompanhar de perto o processo, a Rede Globo, por meio da Globosat, j&aacute; iniciou o seu bombardeio de absurdos &#8211; quer ser tratada como produtora independente pela Ancine. Uma situa&ccedil;&atilde;o grave, j&aacute; que a legisla&ccedil;&atilde;o pro&iacute;be que radiodifusores sejam enquadrados nesta categoria. Uma produtora brasileira independente n&atilde;o pode ser controladora ou controlada ou coligada a programadores, empacotadoras, distribuidoras ou concession&aacute;rias de servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o de sons e imagens.<\/p>\n<p>A Anatel fala em realizar apenas uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica, em Bras&iacute;lia, para discutir a regulamenta&ccedil;&atilde;o proposta. Um absurdo.<\/p>\n<p><strong>2) TV e R&aacute;dio Digital<\/strong><br \/>Criado em 2003, o Decreto Lei 4.901, que trata da TV digital, traz grande contribui&ccedil;&atilde;o ao pa&iacute;s com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o industrial, &agrave; pesquisa e &agrave; multiprograma&ccedil;&atilde;o. No entanto, assim como a R&aacute;dio Digital, a TV Digital parece ter sido esquecida pelo governo. At&eacute; agora, sua discuss&atilde;o foi reduzida pelos radiodifusores a uma quest&atilde;o tecnol&oacute;gica de qualidade de imagem quando o verdadeiro enfoque &eacute; a possibilidade tecnol&oacute;gica de cria&ccedil;&atilde;o de mais espa&ccedil;os de conte&uacute;dos, express&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o capazes de promover uma representa&ccedil;&atilde;o mais democr&aacute;tica das comunica&ccedil;&otilde;es brasileiras. A exemplo do que ocorre com o Ginga, &eacute; importante investir em tecnologias que permitam a intera&ccedil;&atilde;o e o acesso a conte&uacute;dos, educa&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;os de interesse p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; r&aacute;dio digital a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais preocupante, j&aacute; que durante todo o primeiro ano do governo Dilma n&atilde;o houve qualquer debate sobre o tema. Esse &ldquo;esquecimento&rdquo; resulta tamb&eacute;m da press&atilde;o de grupos internacionais. O padr&atilde;o americano (Iboc) e o europeu (DRM) est&atilde;o no centro deste debate. O risco, &eacute; que mais uma vez, o padr&atilde;o escolhido v&aacute; ao encontro dos radiodifusores e n&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o em geral. Promover a inclus&atilde;o social, a diversidade cultural, incentivar a ind&uacute;stria regional e local na produ&ccedil;&atilde;o de instrumentos e servi&ccedil;os digitais, propiciar a cria&ccedil;&atilde;o de rede de educa&ccedil;&atilde;o &agrave; dist&acirc;ncia, viabilizar solu&ccedil;&otilde;es para transmiss&otilde;es em baixa pot&ecirc;ncia, com custos reduzidos s&atilde;o elementos que est&atilde;o na portaria 290\/2010 que criou o Sistema Brasileiro de R&aacute;dio Digital e n&atilde;o podem ser esquecidos.<\/p>\n<p><strong>3) Plano Nacional de Banda Larga<\/strong><br \/>O ano mudou, mas a dist&acirc;ncia entre governo e sociedade na discuss&atilde;o sobre os rumos da banda larga no pa&iacute;s continua a mesma. O Instituto Telecom mais uma vez chama a aten&ccedil;&atilde;o para a necessidade de cria&ccedil;&atilde;o de f&oacute;runs de debates e para a retomada do F&oacute;rum Brasil Conectado. Criado em 2010, o Forum foi esvaziado, mas &eacute; essencial para que o t&atilde;o necess&aacute;rio PNBL n&atilde;o seja reduzido a um mero termo de compromisso entre o governo e as teles. E embora seja frequentemente descartado pelo Estado, o debate sobre a presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de banda larga em regime p&uacute;blico &eacute; urgente e precisa ser feito. O pr&oacute;prio presidente da Anatel, Jo&atilde;o Rezende, declarou recentemente que n&atilde;o h&aacute; mais raz&atilde;o para a telefonia fixa continuar sendo o &uacute;nico servi&ccedil;o prestado em regime p&uacute;blico. Defendeu, inclusive, que o governo acione o Congresso para mudan&ccedil;as na legisla&ccedil;&atilde;o das telecomunica&ccedil;&otilde;es. Para a sociedade, o servi&ccedil;o em regime p&uacute;blico &eacute; a garantia de usufruir uma internet com tarifas justas e qualidade.<\/p>\n<p><strong>4) Marco Regulat&oacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es<\/strong><br \/>Este, certamente, &eacute; o item mais importante n&atilde;o s&oacute; para 2012, mas h&aacute; quase 50 anos, uma vez que a &uacute;ltima discuss&atilde;o sobre o tema ocorreu em 1962. Esperado e intensamente reivindicado no pa&iacute;s, o Marco Regulat&oacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es poderia facilmente abranger todos os pontos citados acima se houvesse disposi&ccedil;&atilde;o do governo de encarar o mercado e promover o debate.<\/p>\n<p>Depois de um ano inteiro esperando que a promessa governamental de apresenta&ccedil;&atilde;o da proposta para o marco fosse cumprida, e de a sociedade civil ter se colocado ativamente na promo&ccedil;&atilde;o do debate, em especial atrav&eacute;s do FNDC (F&oacute;rum Nacional de Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o), com a apresenta&ccedil;&atilde;o de um conjunto de 20 diretrizes escolhidas por consenso civil, fica a interroga&ccedil;&atilde;o para o Minicom: quando o governo vai dar novos rumos &agrave;s nossas t&atilde;o antigas reivindica&ccedil;&otilde;es?<\/p>\n<p>Feliz 2012 Dilma, para voc&ecirc; e para a sociedade<\/p>\n<p>O Instituto Telecom deseja que neste ano velhas lacunas como a falta de banda larga, telefonia celular sem cobertura e a pre&ccedil;os impratic&aacute;veis, telefonia fixa com tarifas proibitivas possam ser sanadas e ter um final feliz para a sociedade, e n&atilde;o apenas para o mercado. Que tanto o Minicom como a Anatel cumpram o seu papel junto &agrave; sociedade, assegurando espa&ccedil;os efetivamente participativos. Que chegue ao fim a falta de informa&ccedil;&atilde;o sobre os fundos de investimentos para as telecomunica&ccedil;&otilde;es, 90% dos quais contingenciados para gerar super&aacute;vit prim&aacute;rio, quando deveriam servir &agrave; sociedade com investimentos na universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga, em pesquisa e desenvolvimento tecnol&oacute;gico e na promo&ccedil;&atilde;o de f&oacute;runs e audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Instituto Telecom, ao retomar suas atividades em 2012, considera  relevante alertar para pontos que devem ser observados por todos:  governo, mercado e sociedade civil.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[456],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26499"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26499"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26499\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}