{"id":26496,"date":"2012-01-11T15:58:50","date_gmt":"2012-01-11T15:58:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26496"},"modified":"2012-01-11T15:58:50","modified_gmt":"2012-01-11T15:58:50","slug":"bahia-empossa-conselho-de-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26496","title":{"rendered":"Bahia empossa Conselho de Comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A<em> terra de todos os santos<\/em> vem se destacando nos &uacute;ltimos anos pelo pioneirismo nos debates e propostas relativas ao setor das comunica&ccedil;&otilde;es. Na manh&atilde; desta ter&ccedil;a um novo passo foi dado em Salvador: a instala&ccedil;&atilde;o e posse dos 27 integrantes do primeiro Conselho Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>De car&aacute;ter consultivo e deliberativo, o Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o da Bahia foi criado por lei estadual em maio do ano passado a partir de um amplo processo de discuss&otilde;es. Resultante da mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade, o Conselho ter&aacute; uma composi&ccedil;&atilde;o parit&aacute;ria entre representantes do poder p&uacute;blico, do segmento empresarial e dos movimentos sociais e entidades populares.<\/p>\n<p>Dentre as atribui&ccedil;&otilde;es do Conselho, destacam-se a formula&ccedil;&atilde;o e acompanhamento da pol&iacute;tica p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o social do estado; a elabora&ccedil;&atilde;o do Plano Estadual de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas de Comunica&ccedil;&atilde;o Social; a defesa dos direitos difusos e coletivos no que tange &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o social; e o fomento &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de conte&uacute;dos locais e ve&iacute;culos populares e independentes.<\/p>\n<p><strong>Comunica&ccedil;&atilde;o como direito<\/strong><\/p>\n<p>A solenidade de posse dos conselheiros foi ressaltada por muitos como um momento hist&oacute;rico na luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es no estado e no Brasil. O diretor da Central &Uacute;nica dos Trabalhadores (CUT) na Bahia, Danilo Assun&ccedil;&atilde;o, apontou que esta &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o que pode influenciar movimentos semelhantes em outros estados. &ldquo;Este &eacute; um pontap&eacute; para come&ccedil;armos uma pol&iacute;tica nacional em todas as regi&otilde;es que favore&ccedil;a a comunica&ccedil;&atilde;o como um direito de todos&rdquo;, disse Assun&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para a integrante do Centro de Estudos da M&iacute;dia Alternativa Bar&atilde;o de Itarar&eacute;, Julieta Palmeira, o Conselho marca a conquista de um instrumento que efetiva a comunica&ccedil;&atilde;o como direito pela popula&ccedil;&atilde;o baiana, pois &ldquo;em todos os cantos deste estado, o cidad&atilde;o poder&aacute; usufruir e incidir na pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo o representante do Intervozes no Conselho da Bahia, Pedro Carib&eacute;, a instala&ccedil;&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o representa o primeiro passo para suprir uma demanda reprimida da sociedade baiana. Para ele, &ldquo;o momento agora &eacute; de lutar para construir pol&iacute;ticas realmente p&uacute;blicas que abarquem a produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e acesso &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o enquanto direito&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Liberdade de express&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A cria&ccedil;&atilde;o de Conselhos Estaduais foi uma das principais propostas aprovadas na 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, em 2009. Desde ent&atilde;o, alguns estados sinalizaram com a possibilidade de efetiva&ccedil;&atilde;o destes instrumentos, o que gerou uma rea&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos da grande m&iacute;dia e de partidos conservadores acusando as propostas de terem o objetivo de cercear a liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p>A instala&ccedil;&atilde;o da primeira gest&atilde;o do Conselho da Bahia demonstra a legitimidade do instrumento, garantindo que o n&atilde;o &eacute; interesse da sociedade e nem do poder p&uacute;blico censurar a atividade da imprensa. Para o Secret&aacute;rio de Comunica&ccedil;&atilde;o do Estado da Bahia e Presidente do Conselho Estadual, Robinson Almeida, com a efetiva&ccedil;&atilde;o do Conselho a Bahia enterra um discurso reacion&aacute;rio de que governos democr&aacute;ticos querem promover a censura. &ldquo;Estamos mostrando que numa democracia t&atilde;o importante quanto construir obras &eacute; convocar a sociedade a discutir todas as &aacute;reas. Se o povo discute sa&uacute;de, cultura e educa&ccedil;&atilde;o porque n&atilde;o discutir tamb&eacute;m comunica&ccedil;&atilde;o?&rdquo;, questiona Almeida.<\/p>\n<p>O Governador Jaques Wagner frisou durante o ato de posse dos conselheiros a import&acirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o para a consolida&ccedil;&atilde;o da democracia. &ldquo;N&oacute;s que lutamos tanto pela democracia sabemos a import&acirc;ncia deste momento, por isso entendemos que a sociedade tem o direito de debater o que quiser. Se n&atilde;o for assim, n&atilde;o estaremos vivendo uma democracia plena. &Eacute; preciso deixar claro para alguns setores da sociedade que n&oacute;s n&atilde;o queremos controlar ningu&eacute;m, mas tamb&eacute;m n&atilde;o queremos ser controlados. O Conselho ser&aacute; um espa&ccedil;o em que a sociedade e governo devem interagir para ampliar a democracia na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirmou Wagner.<\/p>\n<p>A representante do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), Renata Mielli, ressaltou que &ldquo;&eacute; preciso garantir em cada estado a participa&ccedil;&atilde;o popular nas pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o. Assim, conseguimos retirar o obst&aacute;culo do senso comum de que debater comunica&ccedil;&atilde;o significa censurar os meios&rdquo;. Para Mielli o debate precisa ser replicado em outros estados e tamb&eacute;m em n&iacute;vel nacional, com a reativa&ccedil;&atilde;o do Conselho Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; &oacute;rg&atilde;o auxiliar do Congresso Nacional.<\/p>\n<p>Outro elemento apontado durante a posse do Conselho &eacute; o papel dos estados no desenvolvimento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o. Presente &agrave; solenidade, a Diretora de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o do Rio Grande do Sul &ndash; estado que tamb&eacute;m j&aacute; sinalizou com a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; Cl&aacute;udia Cardoso, afirma que h&aacute; uma mudan&ccedil;a de paradigma no setor. &ldquo;Conseguimos ultrapassar o debate de que cabe a uma inst&acirc;ncia nacional promover pol&iacute;ticas para a &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es. Agora, outros estados poder&atilde;o perceber que tamb&eacute;m t&ecirc;m responsabilidades em debater quest&otilde;es locais junto a suas popula&ccedil;&otilde;es, o que pode gerar um grande movimento em defesa da cria&ccedil;&atilde;o de instrumentos como os conselhos&rdquo;, destaca.<\/p>\n<p><strong>Caminhos para a cria&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o da Bahia, promulgada em 1989, j&aacute; previa no seu artigo 227 a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho como instrumento respons&aacute;vel por formular a pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o social do estado. Desde ent&atilde;o, os diversos movimentos da sociedade tentaram pautar a cria&ccedil;&atilde;o do conselho, sem sucesso. Para Julieta Palmeira, o descaso do governo mostrava &quot;a concep&ccedil;&atilde;o autorit&aacute;ria de Estado vigente durante anos na Bahia&quot;. &nbsp;<br \/>&nbsp;<br \/>Esta ideia come&ccedil;ou a se alterar com a realiza&ccedil;&atilde;o em 2008 da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o da Bahia, uma atividade pioneira no pa&iacute;s que contou com a participa&ccedil;&atilde;o do governo e da sociedade. J&aacute; em 2009, a Bahia ainda realizou sua etapa regional da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom). Nestes dois f&oacute;runs foi aprovada a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o, estabelecendo um debate p&uacute;blico sobre a participa&ccedil;&atilde;o social na comunica&ccedil;&atilde;o. <br \/>&nbsp;<br \/>A partir das confer&ecirc;ncia, o Governo criou em 2010 um Grupo de Trabalho respons&aacute;vel pelo projeto de lei de cria&ccedil;&atilde;o do Conselho. &ldquo;O GT realizou uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica e ao final chegou a uma proposta de consenso. Obviamente, ao final todas as partes envolvidas sa&iacute;ram ganhando e perdendo&rdquo;, lembra Pedro Carib&eacute;. &nbsp;<br \/>&nbsp;<br \/>Em seguida, o projeto de cria&ccedil;&atilde;o do Conselho foi encaminhado e aprovado na Assembleia Legislativa em abril de 2011, em conjunto com uma pol&ecirc;mica mudan&ccedil;a do Instituto de Radiodifus&atilde;o Educativa da Bahia (IDERB) da Secretaria de Cultura para a Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o. A etapa posterior foi a escolha dos membros do Conselho, que ocorreu de forma democr&aacute;tica e participativa. &nbsp;<br \/>&nbsp;<br \/>Naquele momento, a sociedade percebeu a necessidade de unidade das entidades e criou a Frente Baiana pelo Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, que pleiteou autonomia na indica&ccedil;&atilde;o dos conselheiros e escolheu seus candidatos atrav&eacute;s de plen&aacute;ria com mais de 30 entidades. Eis que em dezembro os membros foram eleitos, inclusive todos aqueles escolhidos pela Frente.<\/p>\n<p><strong>Os desafios<\/strong><\/p>\n<p>Para as entidades da sociedade civil que comp&otilde;em o Conselho, de in&iacute;cio o &oacute;rg&atilde;o j&aacute; tem uma s&eacute;rie de desafios sobre os quais se debru&ccedil;ar. Estes quest&otilde;es foram apontados na plataforma pol&iacute;tica de lan&ccedil;amento da Frente Baiana pelo Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o e retomados durante a solenidade de posse do Conselho.<\/p>\n<p>Certamente, um&nbsp; dos primeiros ser&aacute; a distin&ccedil;&atilde;o entre comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e comunica&ccedil;&atilde;o estatal. Neste sentido, as entidades reivindicam abertura do IRDEB para a participa&ccedil;&atilde;o social. &ldquo;Temos na Bahia um importante instrumento de comunica&ccedil;&atilde;o que necessita ter seu car&aacute;ter p&uacute;blico ampliado. O Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o deve reunir esfor&ccedil;os para propor uma reformula&ccedil;&atilde;o do Conselho Curador do IRDEB com participa&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria da sociedade civil&rdquo;, defende Pedro Carib&eacute;.<\/p>\n<p>O representante do Intervozes afirma tamb&eacute;m que h&aacute; um tabu sobre o modelo de distribui&ccedil;&atilde;o das verbas publicit&aacute;rias do Governo do Estado. De acordo com Carib&eacute;, &ldquo;como a fonte s&atilde;o recursos p&uacute;blicos, a popula&ccedil;&atilde;o deveria saber como e pra quem est&aacute; sendo repassado. Al&eacute;m disso, as verbas publicit&aacute;rias devem contemplar a diversidade de ve&iacute;culos existentes no estado&rdquo;.<\/p>\n<p>A &aacute;rea da internet deve receber aten&ccedil;&atilde;o especial do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o. Para o conjunto das entidades &eacute; tarefa do &oacute;rg&atilde;o em articula&ccedil;&atilde;o com o Poder Executivo avan&ccedil;ar na constru&ccedil;&atilde;o de um plano estadual de banda larga que garanta internet universal e de qualidade a todos cidad&atilde;os baianos.<\/p>\n<p>Outro desafio do Conselho ser&aacute; pautar o debate sobre a viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos nos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o. A lei que regulamenta o Conselho prev&ecirc; que o &oacute;rg&atilde;o deve incidir diretamente nesta quest&atilde;o, encaminhando den&uacute;ncias de abusos e viola&ccedil;&atilde;o desses direitos &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es competentes. <\/p>\n<p>Agora instalado e com membros empossados, a primeira a&ccedil;&atilde;o do Conselho ser&aacute; elaborar o seu regimento interno que definir&aacute; o seu funcionamento e organiza&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governador Jaques Wagner instalou nesta ter&ccedil;a (10\/01) o Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o. Fruto da mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil, o Conselho ter&aacute; como objetivo formular a pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o do estado.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[639],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26496"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26496"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26496\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}