{"id":26494,"date":"2012-01-10T11:50:44","date_gmt":"2012-01-10T11:50:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26494"},"modified":"2012-01-10T11:50:44","modified_gmt":"2012-01-10T11:50:44","slug":"o-que-move-o-partido-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26494","title":{"rendered":"O que move o partido-imprensa"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Merval Pereira, Miriam Leit&atilde;o, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados pelo que s&atilde;o: intelectuais org&acirc;nicos do totalitarismo financeiro. O conte&uacute;do de suas colunas representa a tradu&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica dos interesses do capital financeiro.<\/p>\n<p>A leitura di&aacute;ria dos jornais pode ser um interessante exerc&iacute;cio de sociologia pol&iacute;tica se tomarmos os conte&uacute;dos dos editoriais e das principais colunas pelo que de fato s&atilde;o: a tradu&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica dos interesses do capital financeiro, a partitura das prioridades do mercado. O que lemos &eacute; a propaga&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s dos principais &oacute;rg&atilde;os de imprensa, das pol&iacute;ticas neoliberais recomendadas pelas grandes organiza&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas internacionais que usam e abusam do cr&eacute;dito, das estat&iacute;sticas e da autoridade que ainda lhes resta: o Banco Mundial (BIrd), o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC). &Eacute; a eles, al&eacute;m das simplifica&ccedil;&otilde;es elaboradas pelas ag&ecirc;ncias de classifica&ccedil;&atilde;o de risco, que prestam vassalagem as editorias de pol&iacute;tica e economia da grande m&iacute;dia corporativa.<\/p>\n<p>Claramente partidarizado, o jornalismo brasileiro pratica a legitima&ccedil;&atilde;o adulat&oacute;ria de uma nova ditadura, onde a pol&iacute;tica n&atilde;o deve ser nada al&eacute;m do palco de um pseudo-debate entre partidos que exageram a dimens&atilde;o das pequenas diferen&ccedil;as que os distinguem para melhor dissimular a enormidade das proibi&ccedil;&otilde;es e submiss&otilde;es que os une. &Eacute; neste contexto, que visa &agrave; produ&ccedil;&atilde;o do desencanto pol&iacute;tico-eleitoral, que deve ser visto o exerc&iacute;cio da desqualifica&ccedil;&atilde;o dos atores pol&iacute;ticos e do Estado. At&eacute; 2002, era fina a sintonia entre essa pr&aacute;tica editorial e o cons&oacute;rcio encastelado nas estruturas de poder. O discurso &quot;modernizante&quot; pretendia &#8211; e ainda pretende &#8211; substituir o &quot;arca&iacute;smo&quot; do fazer pol&iacute;tico pela &quot;efici&ecirc;ncia&quot; do economicamente correto. Mas qual o perigo do Estado para o partido-imprensa? Em que ele amea&ccedil;a suas formula&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas e seus interesses econ&ocirc;micos?<\/p>\n<p>O Estado n&atilde;o &eacute; uma realidade externa ao homem, alheia &agrave; sua vida, apartada do seu destino. E n&atilde;o o pode ser porque ele &eacute; uma cria&ccedil;&atilde;o humana, um produto da sociedade em que os homens se congregam. Mesmo quando ele agencia os interesses de uma s&oacute; classe, como nas sociedades capitalistas, ainda a&iacute; o Estado n&atilde;o se aliena dos interesses das demais categorias sociais.<\/p>\n<p>O reconhecimento dos direitos humanos, embora seja um reconhecimento formal pelo Estado burgu&ecirc;s, prova que ele n&atilde;o pode ser uma institui&ccedil;&atilde;o inteiramente ligada aos membros da classe dominante. O grau maior ou menor da sensibilidade social do Estado depende da consci&ecirc;ncia humana de quem o encarna. &Eacute; vista nesta perspectiva que se trava a luta pela hegemonia. De um lado os que querem um Estado ampliado no curso de uma democracia progressiva. De outro os que s&oacute; o concebem na sua dimens&atilde;o meramente repressiva; bra&ccedil;o armado da seguran&ccedil;a e da propriedade.<\/p>\n<p>O partido-imprensa abomina os movimentos sociais os sindicatos (que n&atilde;o devem ter sen&atilde;o uma representatividade corporativa), a na&ccedil;&atilde;o, antevista como ante-c&acirc;mara do nacionalismo, e o povo sempre embriagado de populismo. Repele tudo que represente um obst&aacute;culo &agrave; livre-iniciativa, &agrave; desregulamenta&ccedil;&atilde;o e &agrave;s privatiza&ccedil;&otilde;es. Aprendeu que a expans&atilde;o capitalista s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel baseada em &quot;ganhos de efici&ecirc;ncia&quot;, com desemprego em grande escala e com redu&ccedil;&atilde;o dos custos indiretos de seguran&ccedil;a social, atrav&eacute;s de redu&ccedil;&otilde;es fiscais.<\/p>\n<p>Quando lemos os vitup&eacute;rios dos seus principais articulistas contra pol&iacute;ticas p&uacute;blicas como Bolsa Fam&iacute;lia, ProUni e Plano de Erradica&ccedil;&atilde;o da Pobreza, dentre outros, temos que levar em conta que trabalham como quadros org&acirc;nicos de uma pol&iacute;tica fundamentalista que, de 1994 a 2002, implementou radical mecanismo de decad&ecirc;ncia auto-sustentada, caracterizada por crescentes d&iacute;vidas, desemprego e anemia da atividade econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>Como arautos de uma ordem excludente e ventr&iacute;loquos da injusti&ccedil;a, em nome de um suposto discurso da compet&ecirc;ncia , endossaram a aliena&ccedil;&atilde;o de quase todo patrim&ocirc;nio p&uacute;blico, propagando a mais desmoralizante e sistem&aacute;tica ofensiva contra a cultura c&iacute;vica do pa&iacute;s. N&atilde;o fizeram- e fazem- apenas o servi&ccedil;o sujo para os que assinam os cheques, reestruturam e demitem. S&atilde;o intelectuais org&acirc;nicos do totalitarismo financeiro, t&ecirc;m com ele uma rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica. E &eacute; assim que devem ser compreendidos: como agentes de uma l&oacute;gica transversa.<\/p>\n<p>Merval Pereira, Miriam Leit&atilde;o, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados sob essa perspectiva. &Eacute; ela que molda a &eacute;tica e o profissionalismo de todos eles. Sem mais nem menos.<\/p>\n<p><em>Gilson Caroni Filho &eacute; professor de Sociologia das Faculdades Integradas H&eacute;lio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O partido-imprensa abomina os movimentos sociais os  sindicatos (que n&atilde;o devem ter sen&atilde;o uma representatividade  corporativa), a na&ccedil;&atilde;o, antevista como ante-c&acirc;mara do nacionalismo, e o  povo sempre embriagado de populismo. <\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1623],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26494"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26494"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26494\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}