{"id":26491,"date":"2012-01-06T18:54:03","date_gmt":"2012-01-06T18:54:03","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26491"},"modified":"2012-01-06T18:54:03","modified_gmt":"2012-01-06T18:54:03","slug":"regulacao-da-publicidade-para-criancas-um-desejo-para-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26491","title":{"rendered":"Regula\u00e7\u00e3o da publicidade para crian\u00e7as, um desejo para 2012"},"content":{"rendered":"<p>[T&iacute;tulo original: Regula&ccedil;&atilde;o da publicidade dirigida a crian&ccedil;as, um desejo para 2012]<\/p>\n<p>No mundo em que vivemos, n&atilde;o &eacute; exagero dizer que as crian&ccedil;as s&atilde;o bombardeadas todos os dias com apelos para o consumo. E a sensa&ccedil;&atilde;o &eacute; de que isso piora nas v&eacute;speras de uma data comemorativa, como o Natal. Para entender se de fato h&aacute; um volume maior de publicidade voltada &agrave;s crian&ccedil;as nessas ocasi&otilde;es, em julho, o Instituto Alana firmou um conv&ecirc;nio com o Observat&oacute;rio de M&iacute;dia da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo, que far&aacute; um monitoramento da publicidade direcionada ao p&uacute;blico infantil na tev&ecirc; quatro vezes ao ano at&eacute; 2014. A medi&ccedil;&atilde;o sempre ser&aacute; realizada 15 dias antes da P&aacute;scoa, do Dias das Crian&ccedil;as e do Natal e depois ser&aacute; comparada com duas semanas t&iacute;picas.<\/p>\n<p>Na primeira medi&ccedil;&atilde;o, entre 27 de setembro e 11 de outubro de 2011, uma descoberta alarmante, mas esperada. Como j&aacute; prev&iacute;amos, nas duas semanas que antecederam o Dia das Crian&ccedil;as, 64% de todas as publicidades veiculadas em 15 canais de televis&atilde;o (6 abertos e 9 segmentados) foram direcionadas ao p&uacute;blico menor de 12 anos. A categoria que mais anunciou, adivinhem? Foi a de brinquedos. Ao longo de 15 dias, as crian&ccedil;as foram expostas a milhares de publicidades, sem exagero na conta. S&oacute; a fabricante Mattel anunciou aproximadamente 8.900 vezes nesse per&iacute;odo. O n&uacute;mero &eacute; chocante.<\/p>\n<p><strong>Protesto<\/strong><\/p>\n<p>O resultado dessa primeira pesquisa nos levou para rua. No dia 30 de novembro, fizemos um protesto em frente ao escrit&oacute;rio da Mattel em S&atilde;o Paulo, para entregar o pr&ecirc;mio &agrave;s avessas de Empresa Manipuladora para a marca que mais apelou para o p&uacute;blico infantil. Infelizmente, a Mattel n&atilde;o est&aacute; sozinha. Tem ainda Hasbro, Estrela, Lego, Long Jump&#8230; Uma lista de pelo menos 10 marcas que investiram fortemente&nbsp; em an&uacute;ncios para crian&ccedil;as no per&iacute;odo pesquisado. Como ser&aacute; no Natal? Saberemos em janeiro, quando teremos os resultados do nosso segundo monitoramento.<\/p>\n<p>&#8232;O importante aqui &eacute; esclarecer que, embora haja diferen&ccedil;as nas categorias anunciadas entre uma data e outra (Dias das Crian&ccedil;as tem foco em brinquedos, P&aacute;scoa provavelmente em ovos de chocolate e assim por diante), a crian&ccedil;a &eacute; um alvo relevante do mercado. E se engana quem acha que as publicidades direcionadas aos pequenos s&atilde;o apenas de produtos infantis. Nem sempre. Carros, celulares, cosm&eacute;ticos, roupas, eletrodom&eacute;sticos, quase tudo pode ser anunciado tamb&eacute;m para crian&ccedil;as. E por qu&ecirc;? Porque se sabe que hoje a crian&ccedil;a participa de quase 80% das decis&otilde;es de compra de uma fam&iacute;lia.<\/p>\n<p><strong>Bom neg&oacute;cio, mas anti&eacute;tico<\/strong><\/p>\n<p>Anunciar para o p&uacute;blico infantil &eacute;, assim, um bom neg&oacute;cio. Mas &eacute; tamb&eacute;m anti&eacute;tico. Os pequenos ainda est&atilde;o em fase de desenvolvimento e n&atilde;o compreendem as complexas rela&ccedil;&otilde;es de consumo. As crian&ccedil;as s&atilde;o facilmente seduzidas pela envolvente linguagem da publicidade e s&atilde;o muito mais vulner&aacute;veis do que os adultos. Por isso, cedem facilmente ao desejo de ter. Soma-se a isso uma intensa pesquisa de mercado que mostra para os profissionais de marketing a melhor maneira de fazer com que as crian&ccedil;as insistam para os pais comprarem algo &ndash; &eacute; o chamado nag factor ou fator amola&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para uns, isso faz parte da vida contempor&acirc;nea e a valoriza&ccedil;&atilde;o excessiva de bens materiais nada mais &eacute; que a &ldquo;linguagem&rdquo; das novas gera&ccedil;&otilde;es. O equil&iacute;brio se d&aacute; com educa&ccedil;&atilde;o e limites dos pais. Eles devem decidir se deixam ou n&atilde;o seus filhos assistirem a uma programa&ccedil;&atilde;o televisiva recheada de comerciais; se cedem ou n&atilde;o aos in&uacute;meros pedidos feitos pelos filhos que acabam de ver o an&uacute;ncio de um brinquedo ou que esbarram com uma prateleira de supermercado repleta de embalagens chamativas. O mercado ensina que as marcas d&atilde;o status para pessoas e rela&ccedil;&otilde;es. E os pais s&atilde;o respons&aacute;veis por desconstruir essas mensagens. Meio injusto, n&atilde;o?<\/p>\n<p><strong>Prote&ccedil;&atilde;o &agrave; inf&acirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>&#8232;Esse &eacute; um pensamento perigoso, especialmente porque traduz uma vis&atilde;o bastante rasteira sobre publicidade, crian&ccedil;a e consumo. Por mais que o mundo tenha mudado em seus diversos aspectos, n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o para retroceder justamente naquilo que conseguimos avan&ccedil;ar nos &uacute;ltimos 100 anos. A prote&ccedil;&atilde;o &agrave; inf&acirc;ncia foi uma conquista duramente alcan&ccedil;ada ao longo do s&eacute;culo e finalmente garantida pela Conven&ccedil;&atilde;o Internacional sobre os Direitos da Crian&ccedil;a, aprovada por todos os pa&iacute;ses membros em 1989. No Brasil, o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente regulamentou, em 1990, as diretrizes da nossa Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que garante direitos fundamentais a crian&ccedil;as e adolescentes.<\/p>\n<p>&#8232;Dessa forma, a prote&ccedil;&atilde;o &agrave; inf&acirc;ncia plena est&aacute; garantida pelas leis mais importantes de nosso pa&iacute;s. E deve ser assegurada, segundo nossa Constitui&ccedil;&atilde;o, pelo Estado, pela sociedade e pela fam&iacute;lia. Isso significa que n&atilde;o h&aacute; como isentar a responsabilidade de empresas e do poder p&uacute;blico desse dever, que em muitos aspectos implica no futuro da na&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Falta de regras claras<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; preciso regular a quest&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o de mercado voltada para menores de 12 anos. Embora o ECA, a Constitui&ccedil;&atilde;o e o C&oacute;digo de Defesa do Consumidor (CDC) j&aacute; tenham dispositivos que protegem as crian&ccedil;as dos apelos para o consumo, n&atilde;o h&aacute; uma lei espec&iacute;fica para o assunto. O CDC determina como abusiva e, portanto, ilegal a publicidade que se aproveita da ingenuidade infantil. No entanto, n&atilde;o estabelece regras claras. O que significa se aproveitar da ingenuidade infantil? &Eacute; subjetivo, vago.<\/p>\n<p>Por isso, defendemos propostas como o Projeto de Lei n&ordm; 5.921\/2001, que completou 10 anos em tramita&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara Federal no &uacute;ltimo dia 12 de dezembro.&nbsp; O texto original do PL deve ser ajustado e ampliado. Nossas contribui&ccedil;&otilde;es para as comiss&otilde;es por onde o projeto passou s&atilde;o sempre no sentido de que se proteja o p&uacute;blico infantil de an&uacute;ncios comerciais, redirecionando mensagens mercadol&oacute;gicas para os adultos.<\/p>\n<p><strong>Redirecionamento<\/strong><\/p>\n<p>Acreditamos que &eacute; poss&iacute;vel mudar. O mercado pode voltar suas comunica&ccedil;&otilde;es para os pais, como, ali&aacute;s, j&aacute; tem sido testado por algumas empresas. A pr&oacute;pria Mattel lan&ccedil;ou h&aacute; pouco menos de um m&ecirc;s uma campanha institucional direcionada para adultos. Ao inv&eacute;s de resistir a essa transforma&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria, as empresas deveriam assumir de fato um compromisso &eacute;tico para com a sociedade e usar a criatividade premiada da publicidade brasileira para anunciar seus produtos e servi&ccedil;os com responsabilidade, ou seja, para o consumidor adulto, formado e capaz de fazer escolhas conscientes.<br \/>&nbsp;<br \/><em>Gabriela Vuolo &eacute; coordenadora de Mobiliza&ccedil;&atilde;o do Projeto Crian&ccedil;a e Consumo do Instituto Alana.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anunciar para o p&uacute;blico infantil &eacute;, assim, um bom neg&oacute;cio. Mas &eacute; tamb&eacute;m anti&eacute;tico. 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