{"id":26477,"date":"2012-01-02T18:57:50","date_gmt":"2012-01-02T18:57:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=26477"},"modified":"2012-01-02T18:57:50","modified_gmt":"2012-01-02T18:57:50","slug":"como-pressionar-pelo-marco-regulatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=26477","title":{"rendered":"Como pressionar pelo marco regulat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto o final de ano est&aacute; (muito) pr&oacute;ximo e avan&ccedil;am os tradicionais balan&ccedil;os sobre o per&iacute;odo que chega ao fim, tamb&eacute;m transcorrem os planejamentos do que ser&aacute; feito de diferente nos 365 (ou 366) dias seguintes. Contabilizam-se pr&oacute;s e contras, lista-se o que n&atilde;o foi efetivamente colocado em pr&aacute;tica e organizam-se estrat&eacute;gias para que n&atilde;o sejam cometidos os mesmos erros no novo per&iacute;odo. Ante isso, a sociedade brasileira organizada pode e deve aproveitar esse momento para realizar sua autocr&iacute;tica: &eacute; poss&iacute;vel fazer mais pela implementa&ccedil;&atilde;o de um marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil?<\/p>\n<p>O governo Dilma Rousseff est&aacute; prestes a completar seu primeiro anivers&aacute;rio e at&eacute; o momento n&atilde;o demonstrou estar interessado em engajar-se no processo, atacando os problemas hist&oacute;rico-estruturais da &aacute;rea no pa&iacute;s, sintetizados na concentra&ccedil;&atilde;o empresarial. Franklin Martins deixou a Secretaria da Comunica&ccedil;&atilde;o ao fim do governo Luiz In&aacute;cio Lula da Silva com um anteprojeto pronto, mas o documento segue trancado em alguma gaveta do Pal&aacute;cio do Planalto. Com o governo mostrando que n&atilde;o pretende comprar essa briga, n&atilde;o est&aacute; mais do que na hora da sociedade brasileira organizada empurrar o governo para a a&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>As empresas de radiodifus&atilde;o fazem uma gritaria sem raz&atilde;o ante qualquer iniciativa de discuss&atilde;o do tema, como se, de fato, a liberdade de atua&ccedil;&atilde;o viesse a ser prejudicada com a implanta&ccedil;&atilde;o de uma lei regulat&oacute;ria de suas atividades. Elas alegam que a liberdade de express&atilde;o estaria em risco, mas cabe perguntar: quem &eacute; que, de fato, enfrenta enormes empecilhos para manifestar-se, a empresa ou parcelas da popula&ccedil;&atilde;o? Quem tem direito a voz e imagem nas transmiss&otilde;es de r&aacute;dio e de televis&atilde;o no Brasil s&atilde;o as concession&aacute;rias e os grupos que ela reconhece. Defender o pleno direito da sociedade brasileira &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; censura: ao contr&aacute;rio, &eacute; ampliar o n&uacute;mero de vozes na arena midi&aacute;tica.<\/p>\n<p><strong>Indicativo de desenvolvimento<br \/><\/strong><br \/>O que as emissoras defendem &eacute; a liberdade de empresa porque o cen&aacute;rio midi&aacute;tico tradicional no Brasil n&atilde;o oferece espa&ccedil;o &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o efetiva do cidad&atilde;o. Ao ouvinte, telespectador e ao p&uacute;blico em geral &eacute; oferecida uma participa&ccedil;&atilde;o acanhada em nome de uma suposta interatividade, que n&atilde;o passa de jogo de palavras e de estrat&eacute;gia de marketing &ndash; afinal, tal ferramenta resume-se &agrave; escolha da cor da gravata do apresentador; &agrave; resposta a enquetes rasas, com alternativas pr&eacute;-selecionadas pelos editores; ou &agrave; defini&ccedil;&atilde;o do gol mais bonito da rodada, entre quatro ou cinco possibilidades constru&iacute;das pelos programas.<\/p>\n<p>Fazer a regulamenta&ccedil;&atilde;o nada tem a ver com autoritarismo, porque &eacute; do jogo democr&aacute;tico a exist&ecirc;ncia de regras e san&ccedil;&otilde;es, de forma que a sociedade funcione e reproduza-se. Autoritarismo &eacute; rejeitar a possibilidade de regras &ndash; o sonho de todo candidato a d&eacute;spota &eacute; governar sem a exist&ecirc;ncia de limites ao seu poder. Defender a exist&ecirc;ncia de um marco legal que normatize o funcionamento das m&iacute;dias &eacute; defender a democracia. Sabe-se como, no Brasil, muitas empresas de comunica&ccedil;&atilde;o conviveram muito bem com o poder autorit&aacute;rio durante o per&iacute;odo em que a caserna dava as ordens e democracia era assunto proibido no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O que est&aacute; em jogo &eacute; o controle unicamente privado da comunica&ccedil;&atilde;o. Houve um tempo em que a capacidade t&eacute;cnica dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o era reconhecida como indicador da qualidade de vida de uma na&ccedil;&atilde;o. Ter uma televis&atilde;o com imagem apurada, est&eacute;tica ficcional elogi&aacute;vel e capacidade de cobertura nas produ&ccedil;&otilde;es jornal&iacute;sticas era um indicativo de desenvolvimento econ&ocirc;mico e social, um caminho que j&aacute; foi superado. Boa qualidade t&eacute;cnica era quase um sin&ocirc;nimo de democracia consolidada. At&eacute; poderia ser, se a forma n&atilde;o fosse t&atilde;o aplicada em esconder os v&iacute;cios do conte&uacute;do.<\/p>\n<p><strong>Decis&atilde;o ser&aacute; da sociedade<br \/><\/strong><br \/>Sabe-se que o mundo n&atilde;o funciona assim e que a Rede Globo, por exemplo, sendo favorecida pelo regime da ditadura militar, transformou-se na voz do poder. N&atilde;o apenas ela, saliente-se, mas nenhuma outra organiza&ccedil;&atilde;o teve t&atilde;o facilitado seu projeto de construir uma rede nacional de TV, cuja programa&ccedil;&atilde;o obedecesse ao primado do lucro e das rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-econ&ocirc;micas privilegiadas com o mercado e o Estado. Sem uma lei a lhe apontar limites, a empresa tem total liberdade de a&ccedil;&atilde;o (que insiste em chamar de liberdade de express&atilde;o) para impor seus interesses privados, em detrimento da pluralidade e diversidade sociais.<\/p>\n<p>Voltando ao balan&ccedil;o de final de ano e aos planos e metas de Ano Novo: se o governo n&atilde;o se mexe e o anteprojeto do governo anterior continua parado em uma gaveta, &eacute; o momento de a sociedade brasileira organizada mobilizar-se mais para implementar seus projetos. A partir de um documento, de um texto-base, de uma proposta de lei, ser&aacute; poss&iacute;vel a discuss&atilde;o sobre pontos concretos, envolvendo propostas espec&iacute;ficas de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Sensibilizar parlamentares requer, antes, a sensibiliza&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica, tarefa dif&iacute;cil pela baix&iacute;ssima midiatiza&ccedil;&atilde;o do tema.<\/p>\n<p>Enquanto o pouco debate existente for realizado em cima de ideias abstratas e de grandes conceitos sem fundo real, as empresas de r&aacute;dio e de comunica&ccedil;&atilde;o pouco afeitas ao debate ter&atilde;o a vida facilitada para deturpar a discuss&atilde;o e manter o apego ao poder sem impedimentos, recorrendo a fontes confi&aacute;veis (aos seus interesses) para sustentar suas posi&ccedil;&otilde;es. Para evitar que isso ocorra, o governo da presidente Dilma Rousseff ter&aacute; que colocar o seu anteprojeto na rua, de forma a servir de base para as discuss&otilde;es. Antes, por&eacute;m, a sociedade brasileira ter&aacute; que decidir se a comunica&ccedil;&atilde;o faz parte de suas metas e planos de desenvolvimento para o pr&oacute;ximo ano.<br \/><em><br \/>* s&atilde;o, respectivamente, professor titular no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o da Unisinos e mestrando no mesmo programa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sociedade brasileira organizada pode e deve aproveitar esse momento  para realizar sua autocr&iacute;tica: &eacute; poss&iacute;vel fazer mais pela implementa&ccedil;&atilde;o  de um marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1567],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26477"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26477"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26477\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}